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Gramática tradicional

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A gramática tradicional é o enfoque gramatical precientífico empregado na educação e a enseñanaza de segundas línguas. Em general a gramática tradicional consta de uma terminología clasificatoria para os elementos que intervêm na gramática e para a cada língua concreta formula uma série de regras concretas.

O objectivo desta gramática não é analisar a estrutura das línguas senão criar uma jerga especializada que permita falar com maior propriedade dos factos das línguas e facilitar seu uso e aprendizagem em situações práticas. Em general os conceitos e a terminología da gramática tradicional resultam inadequados para os problemas actualmente propostos na investigação linguística onde se usam outros enfoques teóricos mais formais como a gramática generativa ou a gramática funcional.

Conteúdo

Sintaxe

A sintaxe é a parte de toda a teoria gramatical que estuda a estrutura interna de uma oração e suas partes formantes. Em gramática tradicional analisam-se usualmente uma oração que expressa uma predicación verbal como a união de um sujeito e um pregado. Sendo o sujeito e pregado uma sequência de palavras consecutivas. Esta estrutura ingénua, ainda que pode aclarar a estrutura básica de muitas orações, só se pode aplicar a orações declarativas que têm a ordem básica SVO onde o sujeito precede ao pregado verbal (ou lhe segue). Isto não sucede comummente nas orações interrogativas e nas orações com dislocaciones como:

(1) Quem desayuna María pelas manhãs?.
(2) O encarrego, trá-to-á Juan amanhã.

Em (1) o sujeito lógico (María) interrompe o que poderia se considerar como o pregado, pelo que não se pode dizer que a oração (1) conste da yuxtaposición simples de um sujeito e um pregado. Em (2) temos um argumento do verbo (o encarrego) dislocado à direita pelo que a estrutura da frase de novo não é a união simples de um sujeito e um pregado. Ademais a descomposição "sujeito + pregado" resulta inaplicable a línguas cuja ordem básica é VSO como sucede nas orações principais do árabe clássico ou o galés.

Estes problemas da análise "sujeita + pregado" mais elementar têm sido tratados de diferentes formas nos enfoques gramaticales modernos. Por exemplo, desde os primeiros modelos de gramática generativa introduz-se ademais a deslocação. De acordo com esta proposta a mente do hablante parte de uma estrutura ou modelo para a colocação dos constituintes básicos da oração, e a seguir de acordo com certos princípios aparecem certas "deslocações". Assim o facto de que o sujeito apareça no meio da sequência "pregado" poderia ser explicado mediante uma deslocação.

Estrutura do sujeito

Em gramática tradicional é comum assumir que o sujeito é um sintagma nominal composto, cujo núcleo é um nome que designa o "inteviniente" principal da predicación modificado ou complementado por complementos do nome e/ou algum tipo de determinante. Um exemplo deste tipo de sujeitos seria:

(3) [[[[O homem] alto] [de gafas]] [que te apresentei]]] faleceu de infarto cardíaco ontem.

Aqui os colchetes mais exteriores compreenderiam o sujeito completo e tanto alto como as expressões entre colchetes que seguem ao homem seriam complmentos do nome.

No enfoque mais moderno da gramática generativa o sujeito seria geralmente um sintagma nominal ou bem um sintagma determinante. Este na maioria de casos seria interpretado" ou gerado dentro do sintagma verbal e posteriormente deslocar-se-ia à posição de especificador do sintagma de tempo. Isto resolve tanto o facto de como o sujeito recebe caso sintáctico como o facto de que possa aparecer em diversas posições, ou inclusive que o sujeito de uma oração em voz pasiva seja frequentemente um paciente e não um agente da predicación verbal.

Estrutura do pregado

Na gramática tradicional o pregado interpreta-se semánticamente como o dito ou o significado por predicación verbal (sentido), enquanto o sujeito se interpreta como o referente de dita predicación. Isso tem conduzido no ensino escolar a critérios semánticos erróneos para a idenrificación do sujeito. Por exemplo nas orações:

(4a) gosto dos gelados.
(5a) Juan parecia que dormia.

A pergunta 'A quem gosta dos gelados?' poderia chegar a induzir a achar que o sujeito é uma primeira pessoa, e no segundo caso poderia parecer que o suejeto de 'parecia' é 'Juan'. No entanto, basta usar a concordancia de sujeito e verbo em espanhol para ver identificar os sujeitos sintácticos das orações:

(4b) gosto do gelado.
(5b) Juan e María parecia que dormiam.

Por isso as melhores provas de identificação de sujeito não são de tipo sintáctico, como formular uma pergunta, senão formais, como variar o número do verbo para ver que nome concorda em número com ele. De acordo com a gramática tradicional o pregado estaria formado pelo próprio verbo e uma série de sintagmas nominais chamados complementos do verbo.

Complementos do verbo

Quanto à estrutura. a gramática tradicional aceita que o núcleo da predicación é singelamente o verbo e depois dele (ou adiante dele, em algumas línguas) seguiriam os complementos do verbo. No entanto, esta descrição além de errónea deixa inexplicado a ordem dos diversos "complementos" ou sintagmas nominais olbigatorios e optativos do verbo. E só existe saída se se dão "regras" particulares para a cada língua concreta. Isto último pode ser de utilidade quando se aprende uma língua concreta mas supõe uma renúncia a entender o processamento da língua de uma forma geral e válida para a diversidade de línguas existentes.

Ademais não é verdadeiro que os complementos do verbo tenham um lugar fixo, por exemplo em presença de dislocaciones como sucede na oração (o carro, o tenho estacionado aqui perto) um complemento pode aparecer deslocado" fora de sua posição usual de interpretação temática e atribuição de caso.

No enfoque mais moderno abandona-se a ideia de pregado e se postula um sintagma de tempo, cujo núcleo seria uma categoria funcional que não tem porqué ser uma palavra concreta. Ao invés o núcleo desse sintagma poderia ser realizado por um morfema de tempo dentro do verbo ou por um auxiliar (note-se que quando em uma oração aparece um auxiliar o verbo ao que acompanha aparece em infinitivo , uma forma não pessoal da conjugação e que por tanto não tem flexão de tempo). Ademais este enfoque moderno pode explicar certos factos da posição dos adverbios em francês e em inglês:

(6) **Jean souvent convide Marie / Jean convide souvent Marie
(7) John often visits Mary / **John visits often Mary
Juan com frequência visita a María / Juan visita com frequência a María
(8) John had often visited Mary / Jean avait souvent convidei Marie
Juan tinha convidado com frequência a María

As frases marcadas com duas asteriscos resultam gramaticalmente inaceitáveis. Note-se que a posição dos adverbios em francês (6) e inglês (7) só aceita uma posição, enquanto em espanhol tanto a posição preverbal como a postverbal são aceitáveis com verbos simples. No entanto com verbos compostos o inglês (8) sim admite a posição preverbal para o adverbio. Estes factos não podiam ser explicados adequadamente dantes da introdução da categoria funcional de tempo. Uma vez introduzida pode-se postular diferentes regras muito gerais de deslocação para a cada língua que explicam porqué só algumas das possibilidades anteriores são aceitáveis.

Partes da oração

Artigo principal: Partes da oração

Outro aspecto típico da gramática tradicional é dividir o tipo sintáctico da oração em nove tipos chamados tradicionalmente "partes da oração" (as oito de Nebrija mais o artigo):

  1. Artigo (alguns lingüistas chamam-no Determinante, sendo isto incorreto e impreciso)
  2. Sustantivo ou nome.
  3. Pronombre
  4. Verbo
  5. Adjectivo
  6. Adverbio
  7. Preposición
  8. Conjunción
  9. Interjección

Conquanto várias delas têm um papel sintáctico claro, várias das etiquetas de dita classificação são sintácticamente irrelevantes, ou devem considerar a um nível diferente dos três principais tipos: substantivo ou nome, verbo e adjectivo. No enfoque generativista se substituye o nome de parte da oração" por categoria gramatical. As categorias gramaticales consideradas no enfoque moderno precisamente aquelas que podem ser o núcleo de um sintagma endocéntrico:

O número de categorias aqui é um assunto submetido a discussão já que não todos os autores aceitariam as mesmas categorias e não todos aceitariam a classificação mediante os rasgos [±V] e [±N]. Em particular parecem existir algumas línguas como o náhuatl ou línguas salish como o lummi ou o kalispel, onde se argumentou que verbos e nomes não são categorias diferentes senão elementos que segundo o contexto podem fazer funções predicativas ou designativas.

Morfología

Em general, a terminología da gramática tradicional para a cada uma das formas de um paradigma de flexão nominal (caso) ou flexão verbal (conjugação) recebe um nome segundo a oposição estrutural e não segundo critérios puramente sintácticos. Isto é, a terminología reflete as terminações e/ou forma fonológica do final de palavra mais que a relação sintáctica que pode expressar dita forma.

Casos do nome

Em gramática tradicional o nome convencional para o caso gramatical de uma determinada forma do nome recebe um nome segundo critérios sintáctico-semánticos e não puramente sintácticos, seguindo a tradição latina. Assim é frequente em espanhol que se qualifique aos complementos do nome introduzidos pela proposição de como genitivo e que o caso de diversos complementos e adjuntos do verbo se denomine ablativo, dativo, acusativo.

Igualmente em espanhol, o complemento verbal obrigatório dos verbos transitivos em voz activa costuma-se designar como acusativo ou dativo (quando vai introduzido pela preposición a ).O sujeito diz-se que está em caso nominativo.

Na moderna gramática generativa, a noção de caso morfológico tradicional tem sido substituída ou incluída dentro da teoria do caso abstrato.

Tempos do verbo

Os tempos verbais da gramática tradicional são etiquetas para classificar as formas do verbo. Desde o ponto de vista moderno esses tempos são a realização não do tempo gramatical genuino, senão a realização de uma série de categorias gramaticales do verbo entre as que estão além do tempo gramatical genuino, o aspecto gramatical, o modo gramatical, a evidencialidad gramatical ou a força ilocutiva. É por tanto não confundir o conceito de tempo verbal, com o tempo gramatical ou o modo.

Pronombres e anáforas

A gramática tradicional usa o termo "pronombre" para referir-se a formas gramaticales que não têm referente fixo e distinguem a categoria de pessoa. Isso se parafrasea dizendo que "um pronombre substituye a um nome", isto é, um elemento pronominal tem por referente um tipo de entidade que usualmente pode ser referido mediante um nome. No entanto, esta concepção referencial dos pronombres falha em reconhecer que os pronombres genuinos estão em distribuição complementar com as anáforas. E por tanto, vários princípios gramaticales de boa formação gramatical não são explicitamente reconhecidos pela gramática tradicional.

Formação de palavras

Para a gramática tradicional a morfología originalmente referia-se ao 'estudo das formas das palavras' e, por extensão, 'estudo da palavra'. Isto se remonta a uma tradição iniciada nos trabalhos de Baudouin de Courtnay segundo a qual estão formadas por raízes e afijos que realizam a função do signo saussureano.

Para a gramática tradicional os morfemas são segmentos fomados por um ou vários morfemas com um significado gramatical ou semántico fixo. No entanto, esta visão deixa de lado a ocorrência de marcação morfosintáctico de tipo suprasegmental, como o que ocorre nas línguas com tom ou com reduplicación. Ademais a gramática tradicional faz questão de classificar os morfemas segmentales em flexivos ou derivativos ainda que esta distinção é complicada desde um ponto de vista estritamente formal. Por todas estas razões o tratamento que faz a gramática tradicional da morfología é altamente insatisfactorio, facto que se reflete nos enfoques modernos que inclusive chegam a negar o carácter autónomo da morfología. Mais modernamente, considera-se que os padrões morfológicos são o resultado da gramaticalización e que, em verdadeiro sentido isso é todo o que há em morfología.

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