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O Grande Vale do Rift é uma grande fractura geológica cuja extensão total é de 4.830 quilómetros em direcção norte-sul. Ainda que geralmente fala-se deste vale para referir-se só a sua parte africana, desde Yibuti a Moçambique , o verdadeiro é que o mar Vermelho e o vale do rio Jordán também fazem parte dele. Começou a formar no sudeste da África (onde é mais largo) faz uns 30 milhões de anos e segue crescendo na actualidade, tanto em largura como em longitude, expansão que com o tempo converter-se-á em uma cuenca oceánica (de facto, já o é na zona do mar Vermelho graças a sua comunicação com o oceano Índico). Os constantes tremores de terra e emersiones de lava contribuem a este crescimento e, de seguir a este ritmo, o fundo do vale ficará inundado pelas águas marinhas de forma total dentro de 10 milhões de anos. Com isso, África ter-se-á desgajado em dois continentes diferentes que procederão a se separar mais ainda até formar um novo oceano.
À altura da África central divide-se em dois vales diferentes que voltam a se unir mais ao sul, em Tanzania . O do este acolhe em seu interior grandes extensões de sabana pelas que se movem enormes manadas de mamíferos, como o búfalo africano, o ñu, a zebra de planicie, a jirafa ou o elefante africano. Na do oeste, em mudança, predomina a selva e ali podem ver-se chimpancés e gorilas, entre outros animais. O sistema também acolhe à maior elevação do continente africano, o vulcão Kilimanjaro (que se formou depois de uma única e constante saída de magma que durou um milhão de anos), e a alguns dos maiores lagos africanos, como o Turkana, o Tanganica ou o Malawi. Também se considera ao lago Vitória, o segundo lago maior do mundo, como parte do sistema, ainda que em realidade se encontra no terreno situado entre os dois ramales dantes citados. Entre as cordilleras que corta ou seguem ao longo do Vale estão o maciço etíope e os montes Mitumba. Também são abundantes os lagos salgados, tanto apresentes como já secos, que emergem através das grietas no terreno e não são produto da chuva.
O rompimento do continente africano exercida pelo Grande Vale do Rift é a responsável também de que no este do continente o clima seja mais seco que no oeste. Devido a isso, nesta parte da África apareceu primeiro a sabana, e os simios locais, que até então viviam nos ramos das árvores, deveram se fazer terrestres e deram lugar aos primeiros homínidos. A grande grieta tem deixado também ao descoberto centos de metros de estratos geológicos, pelo que os fósseis e a história geológica em general desta parte da África são os melhor conhecidos de todo o continente negro.
Seu génesis produz-se pela quebra da rocha ao expandir-se a corteza terrestre pelos processos tectónicos nesse ponto (borde divergente). O processo é inverso à colisão de placas tectónicas que formam correntes montanhosas como o Himalaya ou os Alpes. Forma-se uma longa limpa com laderas de grande pendente. A zona rocosa central se fragmenta e derruba-se periodicamente, criando falhas normais nas que os blocos de rocha exercem um deslizamento vertical. Em muitos lugares estes movimentos formam grandes degraus onde os blocos centrais se afundam formando um gravem. Por todo o Vale do Rift a corteza terrestre é aquecida pelo magma derretido que ascende à superfície pelas fisuras e cones vulcânicos.