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Gregorio Magno

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Para a localidade italiana, veja-se San Gregorio Magno (Itália).
San Gregorio I Magno Ou.S.B.
64º Papa da Igreja católica
Pope Gregory I.jpg
590 – 12 de março de 604
PredecessorPelagio II
SucessorSabiniano

Festividade12 de março Vetus Ordo
3 de setembro Novus Ordo
Informação pessoal
Nascimentoca. 540
Roma
Fallecimiento12 de março de 604
Roma

San Gregorio Magno (*ca. 540 em Roma – † 12 de março de 604), Gregorio I ou também San Gregorio foi o sexagésimo quarto Papa da Igreja Católica. Um dos quatro Pais da Igreja latina e Doutor da Igreja. Foi proclamado Doutor da Igreja o 20 se setembro de 1295 por Bonifacio VIII. Também foi o primeiro monge em atingir a dignidade pontificia, e provavelmente a figura definitoria da posição medieval do papado como poder separado do Império romano.

Conteúdo

Biografia

Gregorio nasceu em Roma no ano 540, no seio de uma rica família patricia romana, a gens Anicia, que fazia muito se tinha convertido ao cristianismo: seu bisabuelo era o papa Félix III (†492),[1] seu avô o papa Félix IV (†530)[2] e dois de suas tias paternas eram freiras. Gregorio estava destinado a uma carreira secular, e recebeu uma sólida formação intelectual.[1]

Dedicou-se à política de jovem, e em 573 atingiu o posto de prefecto de Roma (præfectus urbis), a dignidade civil maior à que podia se aspirar. Mas, inquieto sobre como compatibilizar as dificuldades da vida pública com sua vocação religiosa, renunciou cedo a este cargo e se fez monge.[1] [2]

Depois da morte de seu pai,[1] em 575[3] transformou sua residência familiar no Monte Celio em um monasterio baixo a advocación de san Andrés[1] [2] (no lugar alça-se hoje a igreja de San Gregorio Magno).[3] Trabalhou com constancia por propagar a regra benedictina e chegou a fundar seis monasterios aproveitando para isso as posses de sua família seja em Roma, seja também em Sicília.[4]

No ano 579 o papa Pelagio II ordena-o diácono e envia-o como apocrisiario (uma sorte de embaixador) a Constantinopla , onde permanece uns seis anos[1] e estabelece muito boas relações com a família do imperador Mauricio e com membros das famílias senatoriales italianas que se tinham estabelecido na capital oriental.[5] Em Constantinopla conhece a Leandro de Sevilla, o irmão do também doutor da Igreja Isidoro de Sevilla. Com Leandro manteve uma constante correspondência epistolar que se conservou. Durante esta estadia disputou com o patriarca Eutiquio de Constantinopla a respeito da corporeidad da resurrección.[6]

Gregorio regressa a Roma em 585 ou 586 e retira-se novamente ao monasterio.[1] Depois solicitou permissão de ir a evangelizar a ilha dos anglosajones. Mas ao saber o povo de Roma de suas intenções, pediram-lhe ao Papa que não o deixasse ir. Ocupou desde então o cargo de secretário de Pelagio II até a morte deste de peste em fevereiro de 590,[7] depois do qual é eleito para lhe suceder como pontífice.[cita requerida]

Pontificado (590–604)

Goya, San Gregorio Magno.

Ao aceder ao papado no ano 590 vê-se obrigado a enfrentar as arduas responsabilidades que pesam sobretudo bispo do século VI, pois não podendo contar com ajuda efectiva bizantina os rendimentos económicos que reportam as posses da Igreja fazem que o papa seja a única autoridade da qual os cidadãos de Roma podem esperar algo. Não está claro se para esta época existia ainda o Senado romano, mas em todo o caso não intervém no governo, e a correspondência de Gregorio nunca menciona às grandes famílias senatoriales, emigradas a Constantinopla, desaparecidas ou vindas a menos.[1]

Só ele possuía os recursos necessários para assegurar a provisão de alimentos da cidade e distribuir esmolas para socorrer aos pobres. Para isto emprega os vastos domínios administrados pela Igreja, e também escreve ao pretor de Sicília lhe solicitando o envio de grão e de bens eclesiásticos.[1]

Tenta infrutiferamente que as autoridades imperiais de Rávena consertem os acueductos de Roma,[1] destruídos pelo rei ostrogodo Vitiges no ano 537.[8]

No ano 592 a cidade é atacada pelo rei lombardo Agilulfo. Em vão espera-se a ajuda imperial; nem sequer os soldados gregos da guarnición recebem sua paga. É Gregorio quem deve negociar com os lombardos, conseguindo que levantem o assédio a mudança de um tributo anual de 500 libras de ouro (provavelmente entregadas pela Igreja de Roma). Assim, negocia uma trégua e depois um acordo para delimitar a Tuscia Romana (a parte do ducado romano situada ao norte do Tíber) e a Tuscia propriamente dita (a futura Toscana), que a partir de agora será lombarda. Este acordo é ratificado em 593 pelo exarca de Rávena, representante do Império bizantino na Itália.[1]

Gregorio travou alianças com as ordens monásticas e com os reis dos francos na confrontación com os ducados lombardos, adoptando a posição de um poder temporário separado do Império.[9]

Também organizou as tarefas administrativas e litúrgicas eclesiásticas.[10]

Gregorio faleceu o 12 de março do ano 604. Foi declarado Doutor da Igreja por Bonifacio VIII, o 20 de setembro de 1295, ainda que o título aparece para 800. É um dos quatro Grandes Pais da Igreja ocidental.[11]

Obras

Gregorio é autor de uma Regula pastoralis, manual de moral e de predicación destinado aos bispos. Reuniu e contribuiu à evolução do canto gregoriano, chamado o Antifonario dos cantos gregorianos em sua honra. No ano 600 d. C. ordenou que se reunissem os escritos dos cánticos ou hinos cristãos primitivos (conhecidos também como Antífonas, Salmos ou Hinos); ditas liturgias de louvor a Deus eram celebradas nas antigas catacumbas de Roma já no ano 52 d. C., iniciadas por Simón Pedro à margem do governo romano que, por suposto, celebrava só festas paganas.

Estas antífonas foram perdidas devido ao cisma ou diáspora dos cidadãos romanos pelas constantes guerras romano-bárbaras ao tratar de catequizarlas (Edicto de Tesalónica). Também contribuíram as mudanças de estrutura dos cantos por pessoas que decidiram criar suas obras próprias e gustos ao desaparecimento destes documentos.

O antifonario dos cantos gregorianos permaneceu atado ao altar de San Pedro, mas estes desapareceram. O papa Pío X encomendou aos monges benedictinos da abadia de Solesmes a reprodução fiel destas melodias cristãs depois de uma busca infructuosa destas obras por parte da França no século XIX.

A nova recopilación destas melodias foi chamada Edição Vaticana do Canto Gregoriano, fazendo-se esta edição oficial o 22 de novembro de 1903, quando o canto gregoriano ficou plenamente reconhecido pela igreja como o canto oficial da Igreja Católica.

Conservam-se 866 cartas de Gregorio em sua Regestum ou Arquivo de correspondência, o 63% das quais são rescriptos (respostas a solucitudes de regulamento em assuntos eclesiásticos ou administrativos). Estima-se que durante seu pontificado se enviaram desde Roma umas vinte mil cartas; o mesmo Gregorio seleccionava quais delas deviam ser copiadas no Regestum.[12]

Veja-se também

Notas e referências

  1. a b c d e f g h i j k Dutour, Thierry (2003): A cidade medieval. Origens e triunfo da Europa urbana. – Paidós, Buenos Aires, 2005, pp. 42 e 45–47. ISBN 950-12-5043-1
  2. a b c Brown, Peter (1996): O primeiro mileno da cristiandad ocidental. – Crítica, Barcelona, 1997, pp. 124-125. ISBN 84-7423-828-5
  3. a b Guias Visuais: Roma. – O País/Aguilar, Madri, 1997, p. 192. ISBN 84-03-59431-3
  4. Alejandro María Masoliver (1994). História do monacato cristão, Encontro. ISBN 9788474903270.
  5. Cameron, Averil (1993): O mundo mediterráneo na Antigüedad tardia, 395-600. – Crítica, Barcelona, 1998, p. 135. ISBN 84-7423-760-2
  6. Claudio Leonardi, Andrea Riccardi, Gabriella Zarri (2000). Dicionário dos santos, Editorial San Pablo. ISBN 9788428522588.
  7. Cf. Pablo Diácono, História Langobardorum 3, 20. (texto em latín e em inglês)
  8. Dutour, Thierry (2003), pp. 43-44.
  9. José Orlandis (1999). História da Igreja. A Igreja Antiga e Medieval, Edições Palavra. ISBN 9788482392561.
  10. Carmen Castillo, San Gregorio I Magno, Grande Enciclopedia Rialp
  11. Jean Danielou; Henri-Irénée Marrou (1982). Nova história da Igreja. Desde as origens a san Gregorio Magno, Edições Cristiandad. ISBN 9788470570384.
  12. Brown, Peter (1996), p. 130.

Enlaces externos


Predecessor:
Pelagio II
Emblem of the Papacy SE.svg
Papa

590 – 604
Sucessor:
Sabiniano

Modelo:ORDENAR:Gregorio 01

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