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História do capitalismo

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Fernand Braudel situa as origens do capitalismo na Idade Média, em algumas pequenas cidades comerciantes.

O tema da história do capitalismo, em suas origens, foi fonte de grandes debates sociológicos, económicos e históricos desde o século XIX. Tanto os mercaderes como o comércio existem desde que existe a civilização, mas o capitalismo como sistema económico, em teoria, não apareceu até o século XVI na Inglaterra substituindo ao feudalismo. Segundo Adam Smith, os seres humanos sempre têm tido uma forte tendência a "realizar trueques, mudanças e intercâmbios de umas coisas por outras". Desta forma ao capitalismo, ao igual que ao sistema de preços e a economia de mercado, se lhe atribui uma origem espontáneo ou natural dentro da idade moderna.[1]

Este impulso natural para o comércio e o intercâmbio foi acentuado e fomentado pelas Cruzadas que se organizaram na Europa ocidental desde o século XI até o século XIII. As grandes travesías e expedições dos séculos XV e XVI reforçaram estas tendências e fomentaram o comércio, sobretudo depois da descoberta do Novo Mundo e a entrada na Europa de ingentes quantidades de metais preciosos provenientes daquelas terras. A ordem económica resultante destes acontecimentos foi um sistema no que predominaba o comercial ou mercantil, isto é, cujo objectivo principal consistia em trocar bens e não nos produzir. A importância da produção não se fez patente até a Revolução industrial que teve lugar no século XIX.

No entanto, já dantes do início da industrialización tinha aparecido uma das figuras mais características do capitalismo, o empresário, que é, segundo Schumpeter, o indivíduo que assume riscos económicos não pessoais. Um elemento finque do capitalismo é a iniciación de uma actividade com o fim de obter benefícios no futuro; já que este é desconhecido, tanto a possibilidade de obter ganhos como o risco de incurrir em perdas são dois resultados possíveis, pelo que o papel do empresário consiste em assumir o risco de ter perdas ou ganhos.

O caminho para o capitalismo a partir do século XIII foi allanado graças à filosofia do Renacimiento e da Reforma. Estes movimentos mudaram de forma drástica a sociedade, facilitando o aparecimento dos modernos Estados nacionais (e posteriormente o Estado de Direito como sistema político e o liberalismo clássico como ideologia) que proporcionaram as condições necessárias para o crescimento e desenvolvimento do capitalismo nas nações européias. Este crescimento foi possível graças ao agregado do excedente económico que gerava o empresário privado e à reinversión deste excedente para gerar maior crescimento, o qual gerou industrialización nas regiões do norte.

Conteúdo

Diversas leituras

Adam Smith prefiguró o que depois chamar-se-ia capitalismo como a extensão a toda a sociedade da divisão do trabalho baseada em um intercâmbio comercial codependiente de um momento histórico do desenvolvimento industrial que possibilita a existência de um excedente de riqueza transformable em capital produtivo. Karl Marx compreendeu este sistema de produção como uma etapa da história da humanidade caracterizada por "revolucionar constantemente as forças produtivas", uma constante luta de classes se disputando um poder que se voltou inteiramente económico e a livre propriedade privada sobre o capital, símbolo do triunfo da burguesía sobre a nobreza, destinada a ser derrocada pelo produto da crescente separação industrial entre o capital e o trabalho: o proletariado como a primeira classe sem economia própria, negación de toda a sociedade com classes que faz necessário o passo ao socialismo. Os sociólogos alemães de princípios do século XX têm posto por diante os fenómenos culturais e religiosos para explicar a emergência do capitalismo como condição de possibilidade de uma revolução permanente dos meios de produção; Werner Sombart associa-o com a mentalidade judia (cuja primeira análise cultural fizesse Marx), Max Weber compreendendo-o como consequência indirecta de uma ética protestante da qual se separa finalmente em uma pura ética capitalista. Mais recentemente historiadores, como Fernand Braudel, se interessaram pela evolução no tempo longo desta "civilização" remontando até a Idade Média.

Tão cedo como se começa a falar dela, a história do capitalismo gera numerosas polémicas, sujeita à confrontación entre as grandes correntes políticas e económicas sobre temas como imperialismo, colonialismo, desigualdade social, crises económicas, exploração, mas também democracia, liberdade, desenvolvimento, direitos civis, riqueza e abundância; sendo os termos que surgem no debate.[2]

Origens de uma civilização

O capitalismo medieval

O grande canal de Veneza , por Turner (v. 1835).

Para Fernand Braudel (a Dinâmica do capitalismo, 1985), o capitalismo é uma "civilização" com raízes antigas, já tendo conhecido horas prestigiosas, tais como as grandes cidades-estados comerciantes: Veneza, Amberes, Génova, Ámsterdam, etc. mas as actividades são minoritárias até o século XVIII. Werner Sombart (O capitalismo moderno, 1902) data a emergência da civilização burguesa e do espírito de empresa no século XIV, em Florencia .

Comércio medieval

Bem como mostra-o Braudel, encontramos na Idade média as primeiras manifestações do capitalismo comercial na Itália e nos Países Baixos. O comércio marítimo com Oriente, em resposta às cruzadas, enriqueceu às cidades italianas, enquanto nos Países Baixos, à desembocadura do Rin, que fazia o laço entre Itália e Europa do Norte, dominada pela Une Hanseática. Nas grandes cidades, os vendedores de paños e das sederías adoptam métodos capitalistas de gestão. Efectuam vendas por atacado, estabelecem balcões e vendem seus produtos em conjunto nas grandes feiras européias. Abastecem-se de matérias primas tanto na Europa como em Levante . Nesta época turbada da Idade média, ajustam seus pagamentos por letras de mudança, menos perigosas que o transporte de metais preciosos. Desta forma, logicamente desenvolvem-se, em paralelo do capitalismo comercial, as primeiras actividades bancárias do capitalismo financeiro: depósitos, empréstimos sobre prendas, letra de mudança, seguros para as embarcações.


Estes capitalistas enriquecem-se estendendo sua influência económica sobre o conjunto de Occidente cristão, criando assim o que Braudel chama uma "economia-mundo". Em sua análise, Braudel distingue a "economia de mercado" do capitalismo, este último constituindo um tipo de "contra mercado". Segundo ele, a economia de mercado (isto é a economia local naquela época) está dominada pelas regras e as mudanças leais, porque submetida à concorrência e à transparência relativa, o capitalismo tenta evitar no comércio longínquo com o fim de se livrar de regras e de desenvolver mudanças desiguais como novas fontes de enriquecimento.

Podemos observar que desde a Antigüedad, sistemas idênticos tinham sido postos em prática pelos fenicios, gregos, os Cartagineses e os romanos. Estes sistemas foram marcados não obstante mais pelo imperialismo e o esclavismo que pelo capitalismo. Através do mundo, outras formas de capitalismo comercial desenvolveram-se de maneira precoz na época feudal (baixo a dinastía Ming na China por exemplo).

Vida urbana

Nas grandes cidades especializadas da Europa, o artesanado, virado essencialmente para a exportação, está dominado pelos grandes comerciantes e pañeros, ainda que as relações económicas entre artesãos e vendedores se emparientan no salariado. Os comerciantes controlam ao mesmo tempo a aquisição de matérias primas rio acima e a venda dos produtos terminados rio abaixo.

A população urbana já se diferencia em várias classes económicas diferentes e ricas para alguns, pobres para outros. A cidade de Florencia é o exemplo perfeito: encontramos ali muito temporão a banqueiros que desenvolvem sucursais através da Europa e esclavizan a indústria em busca de seu proveito. Entre eles grandes famílias, tal é o caso dos Médicis, quem criam as primeiras relações "privilegiadas" entre o mundo dos negócios e o mundo político.

Também neste período o matematico Luca Pacioli fixa as bases do comércio ao criar os Estados Financeiros nos que se fixa a terminologia e a maneira de calcular as relações comerciais básicas, pelo qual Florencia brilhasse durante muito tempo como o principal centro bancário da Europa

Aparecimento das carteiras no final da Idade Média

Segundo Fernand Braudel, o aparecimento das primeiras Carteiras ocorre no século XIV nestas cidades italianas onde o comércio é permanente (contrariamente às feiras medievales que se celebram sobre períodos limitados) e onde se concentram o essencial das actividades financeiras.

É não obstante a criação em 1409 da Carteira de Bruxas, um hotel dedicado ao intercâmbio de mercadorias, letras de mudança e efeitos de comércio, que marca um ponto de inflexão no desenvolvimento das actividades financeiras. A praça impõe-se rapidamente graças à abertura de seu porto, graças à fama de suas feiras comerciais e graças ao clima de tolerância e de liberdade que aproveitam vendedores e inversionistas de todo a origem. São os mesmos triunfos que permitirão depois à praça de Amberes (criada em 1460 ) desenvolver ao princípio do Renacimiento. Podia-se ler em seu frontis: Ad usum mercatorum cujusque gentis ac linguae ("Para uso dos vendedores de todos os países e de todas línguas").

Renacimiento e Reforma

A ética protestante

Max Weber (em sua obra A Ética protestante e o espírito do capitalismo escrita em 1904/05) considera que a emergência do capitalismo moderno data da Reforma. Tendo como base uma acta sociológica, vincula o espírito do capitalismo moderno à mentalidade protestante e o vê pois como o resultado de uma evolução lenta nascida da Reforma, e mais geralmente de uma evolução religiosa que se faz no sentido de um "desencanto da gente". Observamos por outra parte que formas esporádicas de capitalismo financeiro tinham sido desenvolvidas desde faz muito tempo pelos lombardos e os judeus, não submetidos às coacções religiosas do catolicismo. É por outra parte a estes últimos que Werner Sombart (O Capitalismo moderno) atribuirá o génesis do capitalismo moderno.

Segundo Weber, o capitalismo ocidental corresponde ao aparecimento de um espírito novo, de uma revolução cultural. Weber emprego então o termo capitalismo moderno "para caracterizar a busca racional e sistémica do proveito pelo exercício de uma profissão". Mais que a riqueza, cujo desejo não é novo, é o espírito de agregado que se impõe como vetor de ascensión social.

Esta nova ética difunde-se graças à emergência de novos valores: a poupança, a disciplina, a consciência profissional. Esta última permite por exemplo o aparecimento de uma elite operária que, para além do salário, se preocupa da qualidade de sua obra. O trabalho faz-se um fim em si. Em paralelo emerge uma personagem emblemático, o empresário, que procura um sucesso profissional proveitoso à sociedade em conjunto.

O contexto favorável para esta evolução dos valores é o da Reforma. Para Max Weber, a ética do oficio vem do luteranismo que anima à cada crente a seguir sua vocação, e que faz do sucesso profissional um signo de eleição divina. Efectivamente, os crentes ordinários, sabendo que não têm a maestría de sua salvação (lógica da predestinación), tentam ardentemente encontrar em sua vida privada os signos desta predestinación, como o sucesso profissional, com o fim de atenuar sua angústia enfrente da morte e frente do julgamento que a segue. Por outro lado o relatório directo a Deus preconizado pela religião protestante acelera o processo de "desencanto do mundo" (Suprimindo o número de práticas religiosas por exemplo), o que coincide à emergência da racionalidad. Já, Karl Marx tinha observado um processo de desengaño escrevendo:

"A burguesía (...) Afogou os escalofríos sagrados do êxtase religioso, do entusiasmo caballeresco, do sentimentalismo a quatro céntimos nas águas gelados pelo cálculo egoísta."
Manifesto do Partido Comunista, 1848.

Esta racionalización permite o aparecimento de novos dogmas que fundam o espírito do capitalismo:

"A repugnancia no trabalho é o sintoma da ausência de graça.",
"O tempo é precioso, infinitamente porque a cada hora perdida é sustraída do trabalho que coincide à glória de Deus."
Max Weber, A Ética protestante e o espírito do capitalismo.

Max Weber ilustra seus propósitos em um texto de Benjamin Franklin, revelador segundo ele das novas mentalidades:

"O que perde cinco chelines perde não só esta soma, senão que também todo o que teria podido ganhar utilizando nos assuntos, o que constituirá uma quantidade de dinheiro considerável, à medida que o homem jovem envelheça."
Advice to a young tradesman, 1748.

As teses de Weber têm sido muito criticadas. O laço entre o dogma da predestinación e o espírito do capitalismo é muito paradójico, como um fiel tem que procurar signos de eleição enquanto o dogma afirma a predestinación como de de qualquer jeito impenetrável. Historiadores invalidam esta concomitancia de ambos fenómenos (Braudel por exemplo, que data o capitalismo em um período anterior à Reforma).

O espírito de inovação

A Biblia de Gutenberg (14501454), uma das primeiras produções estandarizadas em grande número.

Segundo Lewis Mumford (Técnicas e civilizações, 1950), o sistema técnico do Renacimiento anuncia o futuro económico do mundo ocidental.

No século XV vive por exemplo a posta a ponto da imprenta em caracteres móveis (a "tipografía") de Gutenberg . Cuidadoso de preservar enquanto pode os segredos de suas buscas, forçado a empréstimos monetários importantes, é em verdadeiro modo o arquetipo dos futuros capitalistas. Seu objectivo é responder a uma petição insatisfecha: a petição de cultura dos espíritos a cada vez menos analfabetos do Renacimiento. Se era preciso fazer publicações em grande escala de livros maiores, rapidamente vai surgir a petição de realizar uma produção mais diversificada. A difusão da Biblia a uso pessoal contribui ao voo da Reforma, enquanto esta aumenta a mudança a demanda. Em parte permitida pelos progressos da metalurgia, a tipografía abastece-lhe a mudança de desembocaduras. Interesse pela mecânica, as primicias da "standardización", produções de grandes séries, preocupações da "produtividade" e o espírito de inovação... Conquanto terá que esperar para ver avanços similares na indústria têxtil e assim estimular a descolagem industrial, a imprenta mostra bem que o mantillo do capitalismo é mais antigo. Com respeito à imprenta, Max Weber faz ver que já existia desde faz muito tempo na China e seguramente na Índia, mas como numerosas técnicas, herdadas às vezes da Antigüedad (a força do vapor foi conhecida por exemplo no Antigo Egipto), deveu esperar para poder inserir em um conjunto de técnicas coerentes e complementares para poder se impor. Não o fez por outra parte sem encontrar oposição, particularmente por parte dos copistas medievales.

Para um novo sistema técnico

O novo sistema técnico que surge no Renacimiento permite a irrupción de certos princípios do capitalismo moderno como o mejoramiento da produtividade, a economia de mão de obra, o aumento da produção em volume e sua diversificación, e inclusive o investimento. Apoia-se em algumas inovações como o alto forno, a imprenta ou o sistema biela-manivela, o aumento em potencial dos grandes sectores industriais (metalurgia, exploração mineira) e a utilização corrente de uma fonte de energia (hidráulica). Este sistema, que persistirá até mediados do século XVIII, arrastará a adopção de um sistema social que servirá para semear o início de um capitalismo naciente e enterrar um regime feudal que não terá sabido inscrever nesta mudança em profundidade.

O mercantilismo

Artigo principal: Mercantilismo

A partir do século XVI, o pensamento económico já não está dominado mais pelos teólogos, senão pelos pensadores laicos que se preocupam em primeiro lugar da força do Estado: os mercantilistas. Com o fim de assegurar a expansão da riqueza do Príncipe, os valores religiosos são esquecidos. Pouca importância tem que a usura seja um pecado ou não, os governantes não se preocupam mais que tal ou qual política comercial não seja cristã: só conta a Razão de Estado. Este pensamento não é o do capitalismo, visto que se preocupa só da importância da força do Estado e não do desenvolvimento da riqueza particular. Não obstante, primeiro porque contribui eliminando os valores religiosos, depois porque pode encontrar interesse no desenvolvimento dos assuntos particulares, prepara as evoluções futuras. Com frequência a criação de monopólios pelo Estado constituía um compromisso entre o enriquecimento dos vendedores e o involucramiento da força pública nas actividades mais lucrativas. Foi por exemplo o caso das diferentes Companhias de Índias.

Evoluções jurídicas e monetárias

No século XVII, Holanda adquire importantes fábricas na Índia e desenvolve o comércio das especiarias, da pimienta em particular; estabeleceu-se no Japão e comercia com a China. Faz-se o novo centro da "economia-mundo" segundo Braudel. Em 1602 , funda a primeira Companhia das Índias Orientais: é a primeira grande "sociedade por acções". Seus dividendos com frequência ascendiam 15, até 25%. De 3100 florines, as acções subiram até os 17000 florines no final do século. Estas acções estiveram submetidas a especulações incesantes, alimentadas pelos rumores mais infundados, inclusive por campanhas organizadas de desinformación. A Companhia emitiu também obrigações. A Companhia Britânica das Índias Orientais tomaria depois o relevo e o modelo inspira a criação de companhias na indústria metalúrgica e têxtil, o papel, etc.

Saída dos veleros da Companhia holandesa das Índias Orientais, por Hendrick Cornelisz (v. 16301640).

Em paralelo, o fluxo de ouro desde as colónias da América permite a partir do século XVI uma estimulação das mudanças, um perfeccionamiento dos métodos de pagamento e das técnicas monetárias. As primeiras moedas divisionarias são golpeadas, as moedas fiduciarias viverão uma expansão importante, os primeiros bilhetes aparecem. No resto do mundo, as mudanças ficam limitadas pelo uso de moedas metálicas na infância".

Holanda conhece também a primeira borbulha especulativa da História, a Tulipomanía. Nos anos 1630, o preço dos tulipanes vive uma elevação forte, ao atingir às vezes a cebolla o preço de uma casa burguesa. Quando isto se voltou manifestamente irracional, o primeiro craque da História se produziu.

A emergência do capitalismo

O Síndico dos pañeros, por Rembrandt (1662). Obra de encarrego, simboliza tanto o sucesso da burguesía bem como a pujanza de Ámsterdam.

Não obstante, a emergência do capitalismo é sócia mais com frequência com as primicias da revolução industrial, e em particular ao século XVIII. As formas modernas de propriedade privada dos meios de produção e de salariado desenvolvem-se durante este período.

Evolução das relações sociais

Durante o período artesanal, o capitalismo conhece formas anteriores à fábrica ou à manufactura. A agricultura induze períodos de actividade débil (a temporada morrida sobretudo) e os fabricantes das cidades interessam-se rapidamente por esta mão de obra regularmente ociosa. O trabalho a domicílio, ou "domestic system", vai desenvolver-se. Permite-lhes aos artesãos e fabricantes ceder-lhes em subcontacto uma parte de sua produção às famílias camponesas. No marco mais específico de "putting-out system", os empresários abastecem aos trabalhadores rurais (e sempre a domicílio) de matérias primas, inclusive instrumentos, depois vêm para recuperar a mudança de um salário o produto transformado, que será às vezes terminado nas oficinas urbanas. Este sistema tem, por exemplo, um interesse superior no marco da produção têxtil. Se não se pode qualificar tais métodos de capitalistas, são muito anunciadoras das futuras relações sociais entre empresários e assalariados.

Signos de declive do artesanado

O spinning-jenny de James Hargreaves, inventado em 1765 , decuplicaba a produtividade do hilandero; 20000 foram vendidas dantes de 1790.

As inovações de princípios da revolução industrial ficam acessíveis aos pequenos artesãos (cf. imagem do "spinning-jenny" ao lado) e ainda não requerem a concentração do capitalismo industrial. Assistimos no entanto às primeiras grandes concentrações esporádicas, sem laço com o maquinismo vinculadas a produções particulares, por exemplo como a impressão sobre teia. Esta última precisa terrenos estendidos com o fim de blanquear as teias, peças imensas onde os secar. Requer ferramentas diversificadas e complexas, e arrasta quantidades importantes de teias e colorantes. Depois disto, precisa a reagrupación de operários especialistas em tarefas diferentes. Finalmente, as numerosas formas de produções, ainda não mecanizadas, se levam as primeiras grandes concentrações de capitais e de mão de obra.

A questão da acessibilidade do capital aos mais humildes é essencial na análise marxista. Efectivamente, Marx distingue duas formas diferentes de propriedade privada: a do trabalhador que possui a força de trabalho e a vende ao capitalista e a burguesía que possui os meios de produção e emprega a força de trabalho dos proletarios. A primeira forma histórica corresponde ao desenvolvimento do artesanado e da pequena agricultura. A segunda forma, vinculada à apropiación dos meios de produção pela burguesía (ou a nobreza), permite o aparecimento da grande indústria, as grandes propriedades agrícolas, do trabalhador assalariado e pois do conjunto dos mecanismos que fundam o modo de produção capitalista.

Apropiación das terras

No campo, o sistema feudal perdura muito tempo (a servidão é abolida só em 1861 na Rússia, o que o faz um caso excepcional). Em 1727, a Enclosure Act (Acta de campos fechados) permite aos "lords" britânicos apropriar-se e cercar os campos. Dantes, a propriedade voltava aos municípios, e os campos foram explodidos pelo conjunto dos camponeses locais quem juntos sacavam proveito das colheitas. Não obstante os primeiros campos fechados são mais antigos e datam do século XV. Os transtornos que provocam já marcam os espíritos da época: Tomás Moro já denuncia em Utopia (1516) as consequências sociais dos balbuceos do capitalismo naciente e descreve um mundo alternativo, um imaginario marcado por um estilo de vida que se emparienta com o comunismo. O processo longo de cercado de campos e o imposto dos direitos de propriedade sobre os campos vai criar uma distinção nítida entre o proprietário e o assalariado (os antigos pequenos explotadores fazem-se os assalariados dos "landlords"). França conhece neste campo um fenómeno diferente ao princípio do século XIX: o Código Civil da França, que dispersa as terras entre os herdeiros no momento da morte, freando o desenvolvimento das grandes propriedades do capitalismo agrícola.

Primeira página da edição original do Código Civil Francês de 1804 .

Em plena transição demográfica, esta apropiación é o facto de um interesse novo para o mundo agrário por parte das elites britânicas, que desejam desenvolver uma agricultura a alto rendimento, e lucrativa, baseando no modelo de Holanda e de Flandes . Esta apropiación implicará imediatamente uma actividade e investimentos importantes, pelo mesmo facto da instalação de cerca-las. Sobre o modelo das Ilhas Britânicas, a propriedade privada das terras estende-se através da Europa e das Américas, não sem encontrar oposições, particularmente morais:

"O primeiro que, tendo vallado um terreno, se lhe ocorreu dizer: isto me pertence, e encontrou gentes o suficientemente simples para lhe crer, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, morridos, misérias e horrores não tivesse evitado ao género humano o que, arrancando as estacas ou recheando o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: guardáos de escutar a este impostor; estais perdidos se esqueceis que os frutos são de todos e que a terra não é de ninguém"
Jean-Jacques Rousseau, Discursos sobre a origem e os fundamentos da desigualdade nos homens. Segunda parte. 1755

A legitimidade histórica do capitalismo agrário essencialmente encontra-se em seu efeito directo: a Revolução agrícola. Bem como mostrou-o Max Weber, a introdução da ideia de proveito individual permitiu a emergência do racionalismo na produção, a fonte principal da produtividade:

"Quando os frutos de todos são e que a terra não pertence a ninguém, a terra produz só brezos e bosques."
Jean-Baptiste Say

Os progressos da agricultura capitalista foram necessários para alimentar a uma população e o crescimento exponencial (o que passa em Grã-Bretanha , a população aumenta de 6 a 18 milhões entre 1750 e 1850) fazia temer aos mais pessimistas (Thomas Malthus em particular) sobre um fim desastroso.

A chegada política do capitalismo

Segundo Braudel, o capitalismo pode estabelecer-se profundamente só ali onde as leis lho permitem e asseguram sua abertura:

"Há condições sociais que empurram e lhe dão sucesso ao capitalismo. Este exige certa tranquilidade da ordem social, bem como uma verdadeira neutralidade, ou debilidade, ou complacencia do Estado."
A Dinâmica do Capitalismo.

A constituição de economias capitalistas tais como as conhecemos supôs então importantes mudanças legislativas que instauravam a propriedade privada do capital e um mercado do trabalho. Para Karl Marx, estas mudanças são só a manifestação da tomada do poder no seio do Estado pela burguesía, uma das etapas essenciais da luta de classes.

Propriedade privada e meios de produção

Em Grã-Bretanha , o voto do Enclosure Act marca a chegada da propriedade privada do capital, é seguido no século XIX da liberalização do accionariado. Em 1825 , a Bubble Act, que limitava o tamanho das empresas, é revogado. Em 1856 , a criação de sociedades anónimas é liberta de toda a coacção. É o princípio da dominación das teorias do laissez-faire (deixar fazer), desejando limitar a intervenção do Estado na economia: ideologia difundida em Grã-Bretanha pelos autores da escola clássica inglesa.[3]

Na França, em resposta aos movimentos revolucionários da capital, os castelos dos campos são assaltados a fins de julho de 1789 pelos camponeses que discutem a propriedade señorial. Na noite do 4 de agosto de 1789, os privilégios da nobreza são abolidos e a fazenda é aberta desde então à burguesía, enquanto o desaparecimento de numerosos impostos do Antigo Regime permite de (re)lançar o investimento. O 26 de agosto, a propriedade privada, "baixo os auspicios do Ser supremo", é reconhecida na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão como um direito inalienable.

Nos Estados Unidos, desde a colonização, a propriedade privada das terras foi a regra. Não obstante, a legislação americana pôde mostrar-se muito favorável para os menos ricos e soube, graças à imensidão do território, fazer da propriedade privada da terra uma noção fundamental defendida pelos mais humildes (não escravos). Uma lei de 1862 concede-lhes efectivamente a propriedade privada de 160 agrimensuras aos pioneiros. A Homestead Act, oferece um jardim para que cultivem os europeus desprovistos, estimulando os fluxos migratorios para os Estados Unidos.

Mercado do trabalho

Em Grã-Bretanha, os economistas clássicos de finais do século XVIII e de princípios de século XIX vão concentrar suas críticas nas leis estabelecidas com o fim de permitir a emergência de leis que favoreçam o mercado. Herdados do século XVII, as poor laws britânicas ofereciam via as parroquias uma assistência aos indigentes outorgando-lhes um trabalho de workhouses , inclusive davam-lhes de esmola alguns produtos necessários para sua sobrevivência. Os grandes clássicos da economia (Adam Smith, Thomas Malthus e David Ricardo) se ensañaron contra este sistema que impediria a mobilidade dos trabalhadores. Em 1834 , a quase derogación destas leis força aos pobres a mudar à cidade com o fim de evitar a fome, encontrando pela venda de sua força de trabalho os recursos necessários para sua sobrevivência.

Na França, a constituição do mercado do trabalho e a liberdade dos capitais é permitida em junho de 1791 pela Loi Lhe Chapelier, que proíbe toda a liberdade de associação: corporaciones, associações e coalizões (isto é sindicatos e desempregos).

Nos Estados Unidos, é a 13º emenda da Constituição que abolir a escravatura o 18 de dezembro de 1865 , que conclui a liberalização do trabalho em conjunto dos sectores de actividade.

História do capitalismo moderno

Introdução

A máquina a vapor, exemplo típico da necessária concentração dos capitais.

Enquanto a legislação favoreça a burguesía, a revolução industrial se embala a inícios do século XIX. As produções a cada vez mais importantes em volume, e os produtos a cada vez mais complexos, precisam investimentos a cada vez maiores. É o caso na indústria naciente, mas também na agricultura onde as grandes máquinas (as segadoras trilladoras desde 1834) fazem seu aparecimento. O desvio crescente entre o custo destas máquinas e os salários, bem como a limitação dos bens comuns e a dureza do trabalho, contribuem segmentando a sociedade em dois grupos muito diferentes: os proprietários do capital, e aqueles aos que Marx chamará mais tarde os "proletarios". As fábricas desenvolvem-se, os camponeses são levados desde seus campos para reunir nas cidades e vender sua força de trabalho na indústria.

Em um século, o triunfo do capitalismo industrial transformou uma sociedade tradicional, rural e agrícola, em uma sociedade urbana e industrial. O éxodo rural, combinado na explosão demográfica, despobló os campos e os operários chegaram para amontonarse nos suburbios das grandes cidades industriais. Esta concentração humana, sócia com a miséria operária e com a desocupación (a "armada de reserva" descrita por Marx), contribui à emergência da consciência de classe no seio do proletariado. Dantes uma miséria agrícola pelo menos igual, possivelmente com frequência pior não arrastava tais problemas sociais por causa da ausência de concentração. As paisagens transformaram-se profundamente, as "cidades hongo" multiplicam-se, os grandes centros económicos reconstruíram-se (Paris por Haussmann ), as regiões carboneras são desfiguradas, entre outras mudanças tormentosos.

Sempre ao plano social, o "capitalismo gerencial" (Alfred Chandler, A mão visível dos gerentes) que emerge à volta dos dois séculos provoca novas distinções entre "proprietários", "empresários", "operários" e "gerentes". Desde então, os proveitos dos proprietários são a cada vez menos legítimos e se emparientan a uma renda, já que não é mais que a remuneración de seu talento como emprendedor. Não obstante, as famílias ricas de rentistas são substituídas por empresários de génio dados a fins do século XIX (Siemens, Edison, Ford e mais recentemente Bill Gates), como a foi em seu tempo a nobreza.

Após a Segunda Guerra mundial, um período de forte crescimento económico, "Trinta Gloriosos" (Jean Fourastié) na França, leva a numerosas economias do Norte à sociedade de consumo, enquanto impõe-se uma classe média, enquanto os níveis de vida tendem a uniformarse.

O último quarto do século XX é marcado pela abertura crescente dos mercados financeiros e pela nivelação dos níveis de vida. Os accionistas minoritários multiplicam-se, o accionariado assalariado desenvolve-se, bem como os fundos de pensões nos países anglosajones. Mas sobretudo, no final do século XX é marcado pela queda do sistema económico alternativo exercido nos países do "bloco comunista" (entre os que alguns consideram que constituíam para valer uma forma estatal do capitalismo)[4] tendo daqui por diante economias de transição. O capitalismo então é dominante baixo sua forma liberal, mas sectores com modos diferentes de funcionamento coexisten (economia social, economia pública, profissões liberais), estas representam entre o 50 e o 60% do PIB nos países desenvolvidos, o que faz relativo o peso da economia capitalista nestas sociedades.

Assentamento da economia de mercado

Segundo Karl Polanyi (A Grande Transformação, as origens de nosso tempo, 1944), Occidente conheceu desde finais do século XV, uma generalização das relações do mercado. Nota no entanto que a preponderancia destes sobre as relações tradicionais, baseadas por exemplo no dom, a servidão, o trabalho em equipa se volta efectiva só no século XIX. É efectivamente durante este período quando se coloca em Occidente uma civilização cuja economia repousa no mercado autorregulador, o Estado liberal, o padrão oro como o sistema monetário internacional, e o equilíbrio forças desde o fim das guerras napoleónicas.

Para descrever esta transformação, K. Polanyi repete o exemplo da chegada do mercado do trabalho em Grã-Bretanha . O sistema tradicional enquadrava o trabalho devido a importantes restrições jurídicas. As corporaciones impunham regras, mais baseadas no costume que nas leis do mercado, concerniendo tanto as relações entre donos, colegas e aprendices, como as condições de trabalho ou os salários. Estes últimos foram por exemplo anualmente avaliados por servidores públicos.

Mas para 1795, juízes de Speenhamland, um povo de Grã-Bretanha , tinham decidido conceder complementos de salários, inclusive uma renda mínima aos indigentes. Esta decisão inspirou Grã-Bretanha inteira e a instauración de um mercado do trabalho, baseado na ideia liberal que só o trabalho deve ser fonte de renda, se topaba com a ideia caritativa que quem quer tem um "direito a viver". Este obstáculo, criticado pelos clássicos da economia e alguns filósofos utilitaristas foi finalmente levantado em 1834 com o desaparecimento das poor laws.

O dogma do mercado autoregulado impõe-se então em Grã-Bretanha (e mais tarde no Reino Unido), e é completado por novas medidas que vão formar um sistema coerente propício para a expansão do grande capitalismo. Com o fim de garantir a regulação do mercado, se indexa a emissão monetária sobre o respaldo ouro em 1844 . Esta disciplina monetária, adoptada pela imensa maioria das nações na segunda metade do século XIX permite a estabilização, ou a autorregulación, ao seguir balanças de pagamentos, o princípio dos pontos primeiramente e de saída de ouro. Este rigor monetário induze uma deflación contínua no século XIX que implicará a uma redução proporcional dos salários nominais (com o fim de garantir os proveitos), que só as duras leis do mercado podem impor aos trabalhadores. Também, com o fim de garantir uma estabilidade do poder adquisitivo dos trabalhadores, apesar da redução dos salários nominais, o livre comércio se impõe como médio de alimentar a baixa dos preços pela importação de produtos estrangeiros a menores custos, desde a abolição das Corn Laws (leis proteccionistas sobre o trigo) em 1846 .

Séculos XIX e XX: história da empresa

O capitalismo faz-se no século XIX essencialmente familiar (a excepção de algumas grandes sociedades já evocadas). Os nomes das grandes famílias mais conhecidas industriais e financeiras em nossos dias evocam sempre este período: Rothschild, Schneider, Siemens, Agnelli, etc. É em uma óptica familiar que se desenvolve o grande capitalismo: põem-se de acordo para evitar a dispersión da empresa entre os herdeiros, enquanto as "fusões" da época fazem-se pela intervenção de alianças matrimoniales.

Na segunda metade do século, uma nova burguesía impõe-se, não a das proprietárias mas sim a dos diplomados. Na França por exemplo, as Grandes Escolas abastecem o essencial dos novos empresários (Armand Peugeot, André Citroën, etc.). Mas a chegada destes diplomados à cabeça das grandes empresas não quebranta no entanto a tradição familiar:

"Em um caso que figura repetido com frequência nas novelas, o engenheiro brilhante podia suceder ao padrão após se ter casado com sua filha."
(Patrick Verley)

O desenvolvimento da legislação sobre as sociedades anónimas (liberalização total em 1856 no Reino unido, 1867 na França e 1870 em Prusia), progressivamente permite aos capitais anónimos juntar-se às grandes dinastías industriais.

Em Capitalismo, socialismo e democracia (1942), Joseph Schumpeter adverte que estas evoluções jurídicas farão finalmente desaparecer a função de empresário-inovador e que "ao romantismo das aventuras comerciais antigas sucede[rá] o prosaísmo". O desaparecimento do empresário, entendido no sentido do século XIX, leva segundo Schumpeter ao desaparecimento da iniciativa capitalista. A "evaporación da substância da propriedade" prejudica à vitalidad da economia, e aparte seus mesmos sucessos, "a evolução capitalista, substituindo a um pacote de simples acções nas paredes e às máquinas de uma fábrica, desvitaliza a noção de progresso". Finalmente, Schumpeter teme que o capitalismo desapareça em proveito do socialismo.

No século XX, as evoluções das produções, a talha das empresas e a complexidade de sua gestão empurram a numerosos economistas a anunciar o fim do poder dos proprietários do capital em proveito dos "gerentes". John Kenneth Galbraith preve que o poder no seio da empresa passa "de modo inevitável e irrevocable, do indivíduo ao grupo, porque o grupo é o único em possuir as informações necessárias para a decisão. Ainda que os estatutos da sociedade anónima colocam o poder nas mãos de seus proprietários, os imperativos da tecnologia e do planejamento despojam-nos para transmití-los à tecnoestructura". Prestamos assistência a uma "revolução gerencial" (corporate revolution), onde o gerente toma o relevo do empresário. Os equilíbrios entre os diferentes caracteres do capitalismo subtilmente transformaram-no: o objectivo essencial é daqui por diante menos o proveito (que preocupava ao empresário proprietário) e os dividendos (preocupações do accionista) que a ampliação da empresa e de sua prosperidade, entre as que dependem a remuneración e o prestígio dos gerentes. O agregado do capital faz-se a nova prioridade.

As evoluções mais recentes da empresa traduzem-se não obstante em um regresso à força dos proprietários. O accionista volta a ser a finalidade da empresa. Não se trata geralmente mais de um indivíduo, senão com frequência de um fundo de investimento ou de fundos de pensões, ou de bancos encarregados de fazer fructificar a poupança dos depositantes, exigentes que sejam pequenos ou grandes. A lógica da "rentabilidad financeira" repete a vantagem sobre a da rentabilidad económica. Mais em condições de cumprir estes novos objectivos ficam os gerentes que, ainda que tendo perdido seu poder de orientação em proveito do que chamar-se-á daqui por diante o "governo de empresa" corporate governance, obtêm salários sempre maiores.

Certos economistas discutem esta nova força dos accionistas no seio da empresa. Para Joseph Stiglitz (Quando o capitalismo perde a cabeça, 2004) as empresas estão sempre nas mãos dos gerentes e dos contables que não abastecem aos accionistas dos dados efectivos sobre a saúde das empresas e não vacilam em roubar a esta últimos via manobras financeiras incomprendidas, em particular a distribuição de estoque-option.

Séculos XIX e XX: capitalismo e salário

A máquina contra o operário?

Esta problemática faz-se ilustre desde os princípios da primeira revolução industrial. As modificações do trabalho e de sua organização engendradas pela chegada de máquinas significa para os trabalhadores uma fonte de cesantía , mas sobretudo de degradação. Adam Smith (Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações, 1776) reconhece que o desenvolvimento do maquinismo e a divisão do trabalho embrutecen aos homens e fazem as considerar como máquinas simples à hora de realizar o mesmo gesto simples a cada dia. Em 1811 , os operários do Nottinghamshire rebelam-se, inspirados pela lenda do célebre Robin Hood, baixo a direcção de um mítico Ned Ludd, para destruir as máquinas, feitas suas inimigas. De ali inspirar-se-ia em 1831 a "rebelião dos Tejedores de seda" (operários lioneses da seda).

De facto, para os capitalistas, a máquina primou muito tempo sobre o homem. É ao último a quem adapta-se. Quando um acidente o priva de um braço, se muda ao homem sem se inquietar pela adecuación da máquina. Quando a máquina e alguns de seus componentes são de acessos difíceis, se emprega aos meninos, cuja talha permite ir a lugares pouco acessíveis.

Desde um ponto de vista geral, os estudos sobre períodos longos mostraram que o resultado da introdução das máquinas era mais complexo que a concorrência única para o trabalhador, já que faz também criar novos postos mais qualificados (aparecimento dos engenheiros) em paralelo antigos postos de operários. Mais tarde, as máquinas puderam reduzir também as penúrias e a duração do trabalho quando sua concepção tomava em consideração esta aproximação. Permitiram-lhes aos homens aceder também a uma sociedade onde os bens são mais abundantes graças ao aumento da produtividade. Certos autores, entusiastas de cara à alta produtividade dos sectores primários e secundários, confiando na robotización, não duvidaram em profetizar "o fim do trabalho" (Jeremy Rifkin, 1996), e adiantaram a chegada de uma economia essencialmente concentrada para os serviços para as pessoas ("a produção do homem para o homem", segundo Robert Boyer).

Os direitos sociais

"Desconsolados, reduzidos à alternativa de morrer de fome ou de arrancar a seu dono pelo terror a mais pronta condescendência a sua petição. "
Adam Smith, Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações, 1776

Baixo a pressão do desenvolvimento do movimento operário e da questão social, o legislador terá que reagir para melhorar as condições de vida dos trabalhadores. As leis progressivamente vão melhorar o tempo de trabalho, as condições de trabalho, a idade mínima para trabalhar, o acesso aos cuidados, à "aposentação", etc. Desde 1833 no Reino Unido com a Factory Act, que limita às 9 ao dia o trabalho dos meninos de menos de 13 anos, dar-se-á um precedente para depurar estas situações. Estes progressos humanos lentamente fazem-se, no marco de um relatório permanente de forças.

Este período vê também se desenvolver de novas formas de solidariedade entre trabalhadores que se auto-organizam para fazer frente a um diário viver duro. As formas modernas da economia social desenvolvem-se-lhes em oposição ao capitalismo e propõem-lhes serviços aos assalariados. Primeiramente, as primeiras mutuales servem para financiar os enterros, depois estendem seu campo de acção ao financiamento dos dias de greves, depois às baixas por doença e retiros.

Certos grandes donos não serão insensibles à miséria do mundo operário, e fá-se-ão ilustres por seu paternalismo, por seu filantropía e seus métodos de trabalho tanto vanguardistas como competitivos. Robert Owen começou assim a pôr as bases do movimento cooperativo em sua fábrica de New Lanark, propondo a seus operários tanto classes nocturnas, como jardins para seus meninos.

Os salários

Henry Ford.

Mais tarde, Henry Ford compreenderá que a insatisfacción do operário, engendrada pelos métodos de trabalho tayloristas, se faz em detrimento da produtividade, e proporá salários muito acima do mercado com o fim de limitar a rotação do pessoal e de se ganhar a confiança de uma mão de obra voltada difícil de recrutar sobre postos pouco valorizantes de produção em linha em um período sem desemprego. Este pensamento generalizar-se-á e acabará no "compromisso fordista" dos anos 1945-1970, o período sobre o qual a parte dos salários no valor acrescentado vai progredir em detrimento da parte relativa do proveito. Não obstante, a produtividade sempre acrecienta assalariados satisfeitos de seus salários, permitindo aumentar os proveitos no absoluto: é aqui onde aparece a ideia de compromisso. O fim do compromisso fordista, desde os anos 1970 ou 1980 segundo os países, vai no entanto a arrastar um movimento inverso sempre corrente, no qual a parte do proveito progride rapidamente em detrimento dos salários.

Modelos mais recentes de organização do trabalho, tal como o "toyotismo", convidam ao assalariado a fazer parte de suas reflexões sobre o processo de produção, lhe permitindo fazer uma influência sobre a máquina, ou pelo menos de ter a ilusão.

Séculos XIX e XX: evolução das posturas políticas do capitalismo

Capitalismo agrícola contra capitalismo industrial

A Guerra de Secessão é com frequência interpretada como o conflito de uma sociedade tradicional e agrícola opondo à marcha para o capitalismo industrial (Batalha de Fredericksburg, 13 de dezembro de 1862)

A oposição entre os grandes capitalistas agrícolas e outras partes da população não vai demorar em se manifestar apesar da revolução agrícola. Em 1776 , Adam Smith escreveu:

"Aos proprietários, como a todos os demais homens, gostam de recolher ali onde não semearam."

O capitalismo agrícola, que tenta alimentar a subida dos preços pelo proteccionismo (via Corn Laws), vai então a opor ao capitalismo industrial. Em 1810 , o economista e parlamentar David Ricardo (Ensaio sobre a influência do preço baixo do trigo) pensa que a abertura do país às importações agrícolas permitirá, graças à debilidade do preço das subsistencias, reduzir os salários e pois favorecer a indústria. De facto, é um lobby de industriais dos têxtiles (a Anti Corn Laws League) que, ao termo de uma batalha política incerta contra os grandes proprietários de bens inmuebles, farão revogar as Corn Laws em 1846 . O capitalismo liberal conseguiu então um de seus primeiros triunfos.

Ao inverso, nos Estados Unidos, o Sur, que repousa em uma agricultura esclavista, é librecambista, enquanto o Norte, que desenvolve um capitalismo industrial, é proteccionista. Durante décadas precedendo a Guerra de Secessão, proprietários do Sur pretextaban por outra parte que a condição do operário do Norte só era raramente envidiable à do escravo do Sur. Com frequência denunciavam pois o apetito que os capitalistas disimulaban por trás dos discursos abolicionistas. A imposição do capitalismo traduziu-se pois por uma ancoragem profunda da economia no proteccionismo que permitiu um voo rápido de novos ramos da indústria.

Capitalismo e democracia

Segundo Raymond Aron (Dezoito lições sobre a sociedade industrial, 1962), o capitalismo precisa em sua evolução aumentar a calificación da mão de obra com o fim de garantir a perennidad do crescimento económico. Esta calificación aumentada provoca a emergência das aspirações igualitarias. A sociedade capitalista conduz segundo ele naturalmente à democracia "porque é fundada não sobre desigualdades de estatuto, sobre a herança ou sobre o nascimento, mas sim sobre a função cumprida pela cada um". A democratização faz sensível à população ao pleno emprego, à diminuição do tempo de trabalho, à redução das desigualdades de rendas, o que finalmente acaba em uma intervenção crescente do Estado e em um aparecimento de numerosas formas de contrapoderes.

Para Joseph Schumpeter (Capitalismo, socialismo e democracia, 1942), é o aparecimento do capitalismo e a emergência de uma elite burguesa que permitiu o sucesso da democracia lhe abastecendo de homens capazes de colocar uma estrutura burocrática eficaz. Se o socialismo também pode ser democrático, é menos apto que o capitalismo:

"Uma classe cujos interesses são os melhor servidos por uma política de não intervenção põe em prática mais facilmente a discreción democrática que não saberiam o fazer classes que tendem a viver a expensas do Estado".
(Ibid.)

Não obstante, por razões similares às expostas mais tarde por Raymond Aron, a democratização com frequência leva a uma socialización da democracia e a um retrocesso do capitalismo.

Rosa Luxemburg considera que na sociedade capitalista "as instituições categoricamente democráticas são, quanto a seu conteúdo, só uns instrumentos dos interesses da classe dominante".[5] Segundo ela, a democracia seria impedida pelo funcionamento do capitalismo, que coloca uma sozinha classe social na direcção da sociedade.

Capitalismo e patriotismo

Segundo Michel Aglietta (Regulação e crise do capitalismo, 1976), o sucesso do capitalismo nos Estados Unidos está vinculado ao "mito da Fronteira". A ideia original da organização de um espaço geográfico gigantesco ter-se-ia transformado em uma ideologia favorável para o capitalismo: "o que expressa a capacidade da nação americana que polariza as actividades industriais em um sentido de progresso." A assimilação da vantagem da grande indústria à construção da nação na consciência popular teria permitido justificar o conjunto das degradações do processo de produção (taylorismo, depois fordismo) necessárias para a realização dos proveitos dos capitalistas.

"É por isso que a burguesía industrial pôde fazer avalar posteriormente pelo conjunto da nação as transformações tecnológicas induzidas pela plusvalía relativa os apresentando como a edificación de uma "nova fronteira"".
(Ibid.)

Na História, o patriotismo seria pois um instrumento que permitiria justificar os sacrifícios dos trabalhadores em proveito do grande capitalismo: é por exemplo a conclusão que sacarão certos "peludos" voltando das trincheras da Primeira Guerra Mundial e que comprovará o enriquecimento novo de numerosos industriais. É coisa de ver a frase de Anatole France: "cremos morrer pela pátria; morremos para industriais".

Confrontación dos poderes políticos e os poderes privados

Uma das preocupações maiores do agregado do capital material foi o agregado de poder que isto significava. As grandes manufacturas durante muito tempo têm sido controladas estreitamente pelo Estado (como por exemplo as manufacturas de Colbert ) com o fim de limitar a constituição de formas de poder privado. A criação de sociedades sem o aval do Parlamento é concedida só em 1825 em Grã-Bretanha (derogación da Bubble Act). A liberalização completa da criação de sociedades anónimas é concluída só em 1856 no Reino Unido.

Até dantes da Revolução russa, é nos Estados Unidos onde se manifestam as primeiras oposições entre o poder político e as grandes empresas capitalistas. O capitalismo baixo a forma do liberalismo económico aparece e preconiza a concorrência por uma nova organização do mercado como a prenda de eficácia, enquanto as formas precedentes de capitalismo tinham uma tendência à concentração e à harmonia. Nesta óptica liberal, a criação de monopólios é contrariada por leis anti-trust. Elas serão postos em prática por Theodore Roosevelt que particularmente opor-se-á a John D. Rockefeller e a J.P. Morgan. Dantes, os Estados do Sur tinham provocado a guerra de Secessão proclamando sua independência, temendo ver-se impor o modelo do norte (oposto a seu sistema esclavista) pelo governo federal republicano de Abraham Lincoln.

Colaboração dos poderes políticos e os poderes privados

Na história recente, as tentativas de nacionalizaciones dos bens materiais das grandes empresas multinacionais provocaram a queda de certos governos: o do Salvador Além em 1973 em Chile (derrocado por um golpe de Estado militar alentado desde Washington). Em 1956 , a nacionalización do Canal de Suez pelo governo egípcio de Nasser , provocou a entrada em guerra da França, do Reino Unido e de Israel . Ao invés, em nossos dias, as privatizações das empresas acompanham-se quase sistematicamente de movimentos sociais e de protestos. A questão do capitalismo, por sua natureza jurídica, é fonte de pressões e de desequilíbrios políticos.

Para John Kenneth Galbraith:

"O sistema industrial inextricablemente está vinculado ao Estado. Não escapa de ninguém que, de muitos modos, a grande empresa moderna é um braço do Estado, e este mesmo, nas circunstâncias importantes, é um instrumento do sistema industrial".
O Novo Estado industrial, 1967

Segundo Galbraith, as grandes empresas americanas da segunda metade do século XX se acaparan um poder excessivo com o fim de colocar a seu proveito uma economia planificada. O perigo de guerras que tem como único objecto abastecer de mercados à indústria do armamento particularmente é evocado. Em alguns anos dantes, o presidente norte-americano tinha declarado por outra parte:

"Jamais devemos permitir que o complexo militar-industrial ameace nossas liberdades ou o processo democrático".
Dwight David Eisenhower, Último discurso à nação do presidente dos Estados Unidos, o 29 de janeiro de 1961.

O liberalismo e suas teorias mais fundamentais são pelo demais extraídas desde capitalismo industrial. Segundo a teoria da "fileira investida", é o consumo que se adapta à produção graças ao hostigamiento e graças às necessidades criadas pela publicidade. Insiste pois na necessidade da existência de poderes compensadores", e no papel essencial da educação na emancipación do indivíduo.

Os laços entre o mundo político e as grandes empresas regularmente são objecto de polémicas. Pensamos por exemplo nas vinculadas à guerra de Iraq, ou às críticas feitas ao modo de financiamento das campanhas eleitorais nos Estados Unidos.

O capitalismo contra as veleidades da regulação do Estado no século XX

Ao longo do século XX, a abertura do capitalismo tem sido limitada em parte pelas crises económicas e a emergência de modelos económicos alternativos: as guerras mundiais, o bloco comunista, o nazismo na Alemanha e sobretudo a crise económica dos anos 1930.

É efectivamente no curso desta década o capitalismo deveu fazer frente aos desafios mais importantes desde sua chegada no século XVIII. A crise trouxe uma entrega(desconto) em questão do "capitalismo selvagem" e do liberalismo. Por exemplo, a teoria económica então dominante (Keynesianismo) preconizava a intervenção pública (John Maynard Keynes, Teoria geral do emprego, o interesse e o dinheiro, 1936) para regular as disfunciones de um sistema económico que qualificava imperfecto e fundamentalmente instável.

Após a Segunda Guerra Mundial, o desenvolvimento dos Estados de bem-estar acompanhou-se de uma tomada de controle pelo Estado das sociedades maiores industriais, comerciais e bancárias em numerosos países. Os sistemas de segurança particular quanto a eles tinham substituído por uma tomada em ónus colectiva dos riscos a escala estatal. Apreciamos então economias mistas, onde o capitalismo não devia dominar daqui por diante, mas sim coexistir com sistemas económicos alternativos.

Não obstante, em resposta ao choque petroleiro e em resposta à crise económica dos anos 1970, os fundamentos teóricos da intervenção pública e da regulação do capitalismo foram retomados. O regresso das políticas liberais e a privatização de faldones inteiros da economia marcou a volta do capitalismo privado como sistema dominante das economias de mercado. Por outro lado, nos anos 1990 foram marcados pelo desaparecimento progressivo dos sistemas alternativos nos países do antigo bloco comunista e nos numerosos países em via de desenvolvimento.

A expansão do capitalismo: dos capitais nacionais às capitais multinacionais

A ascensão do capitalismo tem sido animado pelo nacionalismo económico e o mercantilismo (ver mais acima). Ao princípio dos anos 1950, Charles Wilson, director geral de General Motors, declarava "o que é bom para General Motors é bom para os Estados Unidos e reciprocamente". Em um século dantes, Karl Marx explicava que o capitalismo requeria um mercado protegido onde despachar seus produtos, o nacionalismo era primeiramente a melhor maneira de lhe o garantir:

"O mercado é a primeira escola onde a burguesía se inteira do nacionalismo".

Depois, a convergência dos interesses nacionais e dos do capitalismo é a cada vez mais discutida, e parece que o capitalismo tenta se livrar de coacções nacionais se fazendo o motor da universalización económica.

Empire State Building, símbolo do capitalismo estadounidense.

Os capitalismos nacionais

A história económica das diferentes nações desde o século XIX levou a que o capitalismo tomará formas difirentes de um país a outro.

O capitalismo britânico

O crescimento do capitalismo britânico no século XIX tem sido fortemente marcado por um livre comércio misturado à tradição do mercantilismo comercial. Esta evolução contra-natura levou à constituição de um Império colonial importante e à inserção muito precoz do país na divisão internacional do trabalho (a parte da população agrícola voltou-se amplamente minoritária no Reino Unido desde o século XIX). Importando desde suas colónias as matérias primas, o Reino Unido converteu-se no século XIX na "oficina do mundo". Heraldo do liberalismo através de um mundo proteccionista, o Reino Unido conheceu não obstante um parêntese marcado pela emergência de um Estado "providência" que advenía como consequência da Segunda Guerra Mundial, dantes de voltar a ser a partir dos anos 1980 um dos exemplos do capitalismo liberal anglosajón.

O capitalismo estadounidense

Se capitalismo estadounidense e capitalismo britânico são agrupados daqui por diante baixo a etiqueta de capitalismo anglosajón ", suas histórias respectivas são no entanto muito diferentes. O capitalismo norte-americano esteve até fins da Segunda Guerra Mundial marcado por um proteccionismo importante. No final do século XIX, o capitalismo estadounidense conheceu uma concentração importante na imensa maioria dos ramos da economia, a constituição dos trustes. Assim se fundiam (ou se aliavam) os bancos, as companhias petroleras, etcétera. Ainda que considera-se o modelo americano contemporâneo próximo do do Reino Unido, isto é como liberal, o Estado joga no entanto um papel importante no sustenta de suas empresas como o mostram as intervenções proteccionistas recentes, os encargos importantes a certas indústrias o que empurra a certos economistas a qualificar aos Estados Unidos de país mercantilista.

O capitalismo renano

O modelo da Alemanha é mais recente, pelo mesmo facto da constituição mais tardia deste Estado (1870). Desde sua origem marcou-se por um alto ónus social (desde Otto von Bismarck), uma intervenção forte do Estado nas actividades económicas, e uma concentração importante das empresas, formando assim os konzern. Esta concentração fez-se em uma lógica totalmente diferente da da concentração americana, já que consistiu na aproximação de sectores diferentes e complementares de actividade, por exemplo um envolvimento forte do sector bancário em conjunto com os grandes ramos da economia. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com a chegada da socialdemocracia, Alemanha também conseguiu desenvolver um sistema sindical eficaz onde a colaboração entre empresários e representantes do pessoal assegura uma estabilidade relativa, e um índice baixo de greves que contrasta com o índice elevado de sindicalización.

O capitalismo nipón

As origens do capitalismo encontram-se na intervenção vigorosa do Estado. É efectivamente o Estado que, centralizando as antigas rendas das grandes famílias feudales, vai desenvolver a indústria baixo a era Meiji (a partir de 1868 ) dantes de lhe a confiar a estas últimas. Os princípios do capitalismo nipón são semelhantes aos do capitalismo alemão no modo no que são concentradas as empresas. O Estado desempenha sempre um papel importante que importa na economia, particularmente via a intervenção do MITI (Ministério de indústria e comércio). Ao plano social, as grandes empresas mantêm com seus assalariados relaciones privilegiadas baseadas na segurança do emprego e a mudança a devoción à empresa por parte do assalariado.

Evolução recente dos grandes modelos

Em sua obra de 1991 , Capitalismo contra capitalismo, Michel Albert analisou as evoluções dos dois grandes modelos, o modelo "neoamericano" (ou anglosajón) e o modelo "renano" (Alemão, mas também de países escandinavos, Áustria, Suíça, e parcialmente Japão).

Para Michell Albert, as realizações económicas norte-americanas desde a chegada ao poder de Ronald Reagan em 1981 têm-se que relativizar. O crescimento forte do capitalismo neoamericano é segundo ele o facto de experiência dos anos anteriores à liberalização da economia operada por este presidente. Este crescimento também tem sido marcado por uma acentuación do dualismo social e das desigualdades, enquanto a economia conhece desequilíbrios perigosos (déficits orçamentas e exteriores): "Jogam-se a corpo perdido na dívida para o consumo, o goze imediato". Por outro lado a economia é ameaçada pela preponderancia dos mercados financeiros e de suas exigências.

Ao invés o modelo renano concede uma parte menos importante à economia de mercado via a intervenção de organismos diversos. Os salários são fixados por exemplo pelos convênios colectivos, a antigüedad, etc. As grandes empresas não estão consideradas como bens mercantes senão como uma comunidade "industrial-financeira" onde os bancos tomam uma responsabilidade de longo prazo. A economia social de mercado alemã encarna por outro lado uma síntese entre o capitalismo liberal e alguns preceitos da socialdemocracia. Menos gerador de desigualdades sociais, fundado sobre equilíbrios económicos sólidos (pensando no rigor monetário alemão), o capitalismo renano parece pois superior.

No entanto o capitalismo renano conhece numerosas dificuldades. A coesão social seria ameaçada pela subida do individualismo enquanto a globalização financeira regressa aos bancos a seu papel tradicional. A confrontación de ambos tipos de capitalismo gira pois a favor do menos perfeito (na opinião de Michel Albert), isto é do modelo neoamericano. Finalmente, esta evolução tende a orientar o capitalismo francês para o modelo anglosajón.

Pensemos o que pensemos das opiniões de Miguel Albert sobre a qualidade de tal ou qual modelo, observamos que o hundimiento das sociedades socialistas não significou o desaparecimento das alternativas entre sistemas económicos diferentes.

Capitalismo, colonialismo, imperialismo e guerra

O imperialismo

A emergência do capitalismo no século XV coincide com as primeiras grandes ondas de colonizações. Hernán Cortês, lúcido conquistando a América, declarou "alguns espanhóis sofremos de um mau que só o ouro pode curar".

A influência da economia sobre as relações de força dos estados, sublinhados pelos pensadores mercantilistas, crescerá em vários séculos mais tarde ao vincular capitalismo e imperialismo. Já no século XVIII, Voltaire, mais bem entusiasmado, sublinhava que os vendedores eram mais úteis para a potência de seu país que para as pessoas nobres:

"O comércio, que enriqueceu aos cidadãos na Inglaterra, contribuiu os fazendo livres, e esta liberdade estendeu o comércio a sua volta; daí formou-se a grandeza do Estado. É o comércio que estabeleceu pouco a pouco as forças navais pelas que os Ingleses são os donos dos mares. Têm hoje em dia cerca de duzentos navios de guerra. A posteridad saberá possivelmente com surpresa que uma pequena ilha que sim tem só um pouco de chumbo, estaño, terra de batán e lana grosseira, se voltou por seu comércio bastante poderosa para enviar, em 1723,[6] três frotas ao mesmo tempo a três extremidades do mundo..."
Cartas inglesas
Caricatura política que mostra a divisão da China entre as potências européias, fins da década de 1890.

De facto, o Reino Unido impõe violentamente seu comércio ao mundo no século XIX. Por exemplo, o opio na China (guerra do opio, 1838-1842).

Ao princípio do século XX, pensadores, marxistas para a imensa maioria, associaram o fenómeno da multinacionalización das empresas e do colonialismo, com desenvolvimento do capitalismo, fazendo o imperialismo seu estádio supremo.

Em 1913 , Rosa Luxemburg explica-se no Agregado do capital, que a reprodução do sistema capitalista precisa a abertura contínua de novos mercados e sua implantação nas regiões geográficas das que está ainda ausente. Assim segundo Rosa Luxemburg, o imperialismo leva inevitavelmente à guerra.

Ilustrando a importância económica das colónias, onde mais bem reflete a importância que se lhes atribuía na época possivelmente sem razão, Jules Ferry lhe declarou à Câmara francesa que "a política colonial era filha da política industrial". Efectivamente, à medida que seu desenvolvimento e à medida que ocorre a emergência económica de novos países, o acesso ao mercado e a partilha deles se voltam a cada vez mais problemáticos. Mas a constituição de mercados coloniales exclusivos é limitada pelo tamanho do planeta. O tempo do mundo finito começa (segundo a expressão do poeta Paul Valéry[7] ) e os antagonismos entre as grandes potências económicas podem encontrar-se de ali só exacerbadas.

É bem como, crise e conflitos opõem-lhes repetidas vezes Reino Unido a França (Incidente de Fachoda em 1898 ), os britânicos a colonos neerlandeses (Guerras dos Bóer do 1899 a 1902 ), França a Alemanha (em Marrocos em 1905 -1906 depois em 1911 ), entre muitas outras. Jean Jaurès, opositor a Primeira guerra mundial, declarou que "o capitalismo levava a guerra como o nubarrón leva a tormenta".

Em 1916 , Lenin explica no imperialismo, fase superior do capitalismo, que a concentração do capital leva a um estádio da história do capitalismo marcado pelas posições de monopólios das grandes empresas industriais e financeiras. Confrontadas com a baixa tendenciosa do índice de proveito (teoria marxista que considera que os índices de proveitos do capitalismo tendem a baixar naturalmente no longo prazo), as grandes empresas tentam investir sobre os mercados estrangeiros com o fim de recuperar os níveis fortes de proveito. As grandes empresas nacionais então entendem-se para repartir-se o mundo. Lenin toma por exemplo o caso de AEG (Alemanha) e de General Electric (Estados Unidos) no domínio da electricidade.

"O que caracterizava o antigo capitalismo onde reinava a livre concorrência, era a exportação das mercadorias. O que caracteriza o capitalismo onde reinam os monopólios, é a exportação dos capitais."
(Ibid.)

A natureza belicosa do capitalismo tem sido discutida muito. Numerosos liberais fizeram ver que o imperialismo também se tinha revelado como uma tendência recorrente da União Soviética. Nas Etapas do crescimento económico (1960), Walter Whitman Rostow, pensa que a guerra propriamente não está vinculada ao capitalismo, senão mais simplesmente ao desenvolvimento económico. A emergência de uma nova força económica, que seja capitalista ou outra, significa o aparecimento de uma adecuación entre os equilíbrios geopolíticos passados e as relações novas de forças. A discussão em questão para a nação emergente dos tratados passados naturalmente leva à guerra.

Balanço da colonização pelo capitalismo ocidental

Desde o ponto de vista de Fernand Braudel, se o capitalismo funda-se no comércio longínquo, as colónias desempenharam um papel positivo. Não obstante a concomitancia do colonialismo e do capitalismo não é tão evidente nos factos. Os grandes impérios coloniales que foram Espanha e Portugal não conheceram por exemplo o desenvolvimento do capitalismo industrial dantes do século XX. Ao invés, nações como Alemanha e Japão, e sobretudo os Estados Unidos, têm sabido desenvolver um capitalismo eficaz ainda que praticamente não possuem colónias.

Certos historiadores sublinharam o papel depravado das colónias no desenvolvimento económico das metrópoles. Estas últimas, constituindo desembocaduras "fáceis", desempenharam o papel de mercados cativos, isto é que desanimaron o investimento material sobre o território nacional desviando volumes importantes de capitais para o exterior.

Alguns consideram que os esforços de conquista, mas sobretudo de organização dos territórios ocupados, custaram mais que o benefício que deram às economias capitalistas da Europa. A teoria de Karl Marx do "pillaje colonial"[8] é pois, dudosa.

Em 1867, Karl Marx explicava:

"A descoberta das comarcas auríferas e argentíferas da América, a redução dos indígenas à escravatura, seu enterro nas minas ou sua exterminio, os começos de conquista e de pillaje nas Índias orientais, a transformação da África em uma sorte de conejera comercial para a caça de peles negras; tenho aqui os procedimentos idílicos de agregado primitiva que assinalam a era capitalista em sua aurora."[9]

Marx vê na colonização a origem dos capitais necessários para o voo do capitalismo. Estes proviriam:

Desde a sociologia económica originada por Joseph Schumpeter surgiu a réplica à anterior premisa marxista:

"O problema do agregado originaria apresentou-se primeiro a muitos autores, principalmente a Marx e os marxistas, que aderiam a uma teoria da exploração do interesse e que, portanto, tiveram que fazer frente à questão de como os explotadores se asseguraram o controle de uma reserva inicial de 'capital' (como seja que se defina) com o qual explodir - uma questão que a teoria é per se incapaz de responder, e a qual só pode se responder, obviamente, de uma maneira irreconciliable com a ideia de exploração"[10]

Schumpeter argumentou que o imperialismo não pôde ser um sistema de arranque necessário para o capitalismo, já que o capitalista deveu então dispor de um capital prévio para conseguir o poder social que o transformasse em imperialista. Também não o capitalismo poderia ter sido necessário para fortalecer o imperialismo, já que o imperialismo foi preexistente ao capitalismo. Schumpeter considerava que Marx se tinha visto forçado a argumentar que o capitalismo requeria da violência e o imperialismo: em primeiro lugar para pôr-se em marcha com um botim inicial e para desposeer a uma população que assim poderia ser induzida a entrar nas relações capitalistas em condição de operários, e, a seguir, como uma forma para superar as mortais contradições geradas dentro das relações capitalistas ao longo do tempo. No entanto, para o autor, isto é autocontradictorio, e o imperialismo não é outra coisa que um impulso atávico que persegue um Estado em forma independente dos interesses económicos das classes burguesas.

"O imperialismo é uma das heranças da monarquia absoluta ou de Estado. Nunca poderia ter evoluído da 'lógica interna' do capitalismo. Suas fontes provem da política dos príncipes e os costumes de um ambiente pré-capitalista. Mas inclusive não é imperialismo a exportação de um monopólio, e este nunca ter-se-ia transformado em imperialista pelas sozinhas mãos de uma burguesía pacífica. Se isto ocorreu é só porque a máquina de guerra, junto a seu ambiente social, foi produto de uma classe marcialmente orientada (isto é, a nobreza) que se manteve a si mesma em uma posição dominante e com a qual puderam se aliar todos os diversos interesses dos produtores de armamento que formavam a burguesía da guerra. Esta aliança manteve viva os instintos de luta e as ideias de dominación, e estas a sua vez levaram a relações sociais que talvez em última instância se podem explicar em termos das relações de produção, mas não como um produto das relações produtivas do capitalismo por si mesmo."[11]

Em uma tese datada em 1984 , Império colonial e capitalismo francês, história de um divórcio, Jacques Marseille pergunta-se se o Império colonial foi um travão ou um motor para o desenvolvimento do capitalismo francês. Segundo ele, a importância do Império para o capitalismo francês foi só uma aparência estatística. Efectivamente, as grandes companhias souberam sacar proveito da credulidad dos ahorradores para atrair capitais que com frequência não tomavam formas materiais nas colónias. Por outro lado, os produtos importados as colónias não eram uns produtos raros nem produtos cujos preços substancialmente eram inferiores aos preços internacionais. A partir da crise dos anos 1930, são os sectores económicos em decadência os que se acapararon os mercados coloniales, enquanto os sectores fontes de inovação se interessaram em realidade muito raramente. Alguns consideram pois que o Império não foi a fonte do progresso económico.

Uma consciência deste fenómeno progressivamente trastocó a opinião das elites quanto aos benefícios do colonialismo, enquanto a opinião pública, apesar de estar rapidamente oposta ao colonialismo, por razões morais, conservava a ideia que este estava favorável para a França. O problema dos mercados cativos primeiro tem sido identificado como uma fonte de falta de motivação à inovação para as empresas nacionais, não ao ser necessária esta última em um contexto de ausência de concorrência por parte dos países estrangeiros. O resultado seria então deste ponto de vista uma perda de competitividade em frente a outras economias avançadas. Só o regime de Vichy em um tempo preconizou o desenvolvimento industrial das colónias, apontando que o comércio com economias desenvolvidas era mais proveitoso que o com países subdesarrollados. Ao finalizar a Segunda Guerra Mundial, os capitalistas cederam ao "complexo holandês". Efectivamente, a constatación do crescimento excepcional da economia dos Países Baixos em resposta ao abandono em 1949 da Indonésia enturbiaba a tese normalmente admitida sobre a influência económica positiva do Império.

Finalmente, a tese de Jacques Marseille opõe-se à de Karl Marx sobre o papel do pillaje colonial. Segundo Marseille, é notável que o desenvolvimento recente do capitalismo, pediu ao invés, um abandono das colónias, um "divórcio por mútuo consentimento"[12] entre ambas partes: não seriam pois razões económicas as que explicariam segundo Marseille o afecto das metrópoles a algumas de suas colónias, se não mais bem razões políticas e militares. O Império teria constituído de facto uma "bola de ferro" que travaria a modernização do capitalismo francês. Se um dos divorciados amplamente sacou proveito disso, a metrópole, o caso do segundo é mais enfatizado. Se certas antigas colónias souberam desenvolver um capitalismo eficaz em resposta a seu emancipación, os numerosos países, África particularmente, têm em nossos dias rendes per capita inferiores àqueles que tinham dantes de sua independência.

Em sua obra de 1994 , Mitos e paradoxos da história económica, Paul Bairoch compartilha a tese de Jacques Marseille:

"Em vésperas da primeira guerra mundial, o 98% dos minerales metálicos utilizados nos países desenvolvidos vinham do mundo desenvolvido; a cifra era de 80% para as fibras têxtiles e, como o vimos, a mais de 100% para a energia." (Ibid.)

Só alguns produtos raros implicavam uma dependência enfrente das colónias: o caucho, os fosfatos naturais, entre outros. Ao invés, os países do Terceiro Mundo eram muito dependentes dos mercados das metrópoles, porque ainda que as metrópoles foram quase autosuficientes, as colónias exportavam a elas mais de 90% de suas matérias primas.

Paul Bairoch aponta não obstante que as consequências da colonização foram desastrosas: "se ocidente mal ganhou ao colonialismo, isto não significa que o Terceiro Mundo não tivesse perdido ali muito". Os territórios colonizados não compartilharam a prosperidade de suas metrópoles e, segundo Angus Maddison, o PIB da imensa maioria deles se estancou entre 1820 e 1953.

Há que imputar este balanço ao capitalismo? Para Karl Marx, "a riqueza colonial tem só um fundamento natural: a escravatura",[13] mas Paul Bairoch sublinha que ocidente não foi o único colonizador.

O capitalismo mundial

Artigo principal: Globalização

Da «economia-mundo» à economia mundial

No sentido de Braudel, há que entender mundo" como um conjunto económico coerente. Desde então, podem coexistir várias "economias-mundos", que formam diferentes conjuntos económicos. Assim as grandes cidades mercantes são os centros de conjuntos económicos coerentes à escala de um continente, ou de um mar (o Mediterráneo no século XVI para as cidades italianas por exemplo):

"Um pedaço do planeta economicamente autónomo, capaz pelo essencial de bastar-se e ao qual seus enlaces e suas mudanças interiores conferem uma unidade verdadeira e orgânica".

Só com a revolução industrial no final do século XVIII começa um processo que fará de Londres o centro de uma "economia-mundo" a escala mundial. Será ultrapassada mais tarde por Nova York, para 1929.

O estudo paralelo de ambos termos não é gratuito, porque se tende a reencontrar as características das "economias-mundos" do Renacimiento na economia mundial actual.

Podemos pois considerar que é uma longa evolução de esquemas existentes desde o Renacimiento que progressivamente levou ao capitalismo a constituir uma economia universalizada.

Multinacionalización das empresas

As primeiras multinacionais modernas datam de mediados do século XIX. Em qualidade de exemplo, Samuel Colt realiza o primeiro investimento norte-americano no Reino Unido em 1852 com o fim de fazer produzir ali seu revólver. Singer, fabricante norte-americano de máquinas de costurar instala-se na Europa a partir de 1867 . Estas empresas, a maioria das vezes britânicas, abrem a voz da internacionalización da produção. São seguidas nos anos da Grande depressão (1873-1896) pelo primeiro grupo de grandes empresas nacionais: General Electric, AEG, Nestlé, Kodak, United Fruit, etc. Em 1908 , Henry Ford abre sua primeira fábrica na Europa, em Mánchester . A estratégia de instalação sobre os mercados estrangeiros em verão mais tarde modificada pela desreglamentación e a modernização dos mercados financeiros permitiram o intercâmbio de financeiros activos a escala planetaria. Os grandes grupos fundem-se com empresas estranhas (um dos exemplos clássicos é Royal Dutch Shell, companhia anglo-holandesa fundada em 1908 ). Podemos por exemplo apreciar que as empresas "francesas" cotadas na CAC 40 são em meio-termo possuídas por mais de 40% por inversionistas estrangeiros.

Para Robert Reich (A Economia mundializada, 1991), a economia-nação tende a desaparecer em proveito de uma rede mundial na qual as empresas deixam a produção standardizada aos países em via de desenvolvimento, o que não reflete uma perda de competitividade dos países ricos (podemos anotar por exemplo que o sozinho 10% do preço de um computador está vinculado a sua produção propriamente dita), já que conservam a maioria das vezes as actividades de concepção. Finalmente a produção é dispersada sobre o planeta com o fim de sacar proveito das vantagens da cada região.

Desde o ponto de vista social, o efeito desta mudança do capitalismo é um crescimento das desigualdades no plano nacional. Os trabalhadores menos qualificados são postos em concorrência com os de países do Terceiro Mundo, enquanto os "manipuladores de ideias" sacam proveito de mercados gigantescos. Efectivamente a ideia (software, gestão, patente, etc.), produzida uma vez, multiplica-se a custo quase nulo uma infinidad de vezes, o que significa para seu desenhador uma renda proporcional ao tamanho do mercado.

Para um «capitalismo cognitivo»?

A perda de valor do trabalho não qualificado, e inclusive do capital material (a cada vez mais delocalizado nos países pobres) arrasta uma tomada de importância sempre crescente do capital inmaterial (a propriedade intelectual) e do conhecimento técnico e da destreza dos trabalhadores (o capital humano).

A propriedade intelectual

A patente do "Hebern single-rotor machine" (máquina de Hebern), patente número 1510441 datado em 1918

Para os séculos XIII e XIV, progressivamente livra-se na Europa um novo conceito: o privilégio. Os privilégios apresentam três características:

Mas é em Veneza onde aparece a patente baixo sua forma moderna.

Veneza é naquela época um médio cosmopolita e emprendedor e sempre em movimento. Por outro lado todo o que se remete à gestão da água e outros dispositivos acuáticos é seu âmbito predilecto. É por isso que Veneza teria livrado em 1421 um privilégio que realmente se emparentaría com uma patente de invenção. O número de privilégios multiplicou-se no curso dos cinquenta anos que seguiram e o sistema se estendeu a outros âmbitos para se fazer um dos principais meios de transmissão do progresso comercial e industrial da República.

Em 1474 o procedimento é bastante rodado para que as autoridades decidam, por um voto do Senado (116 sim contra 10 não e 3 abstenções), integrar a experiência adquirida redigindo uma lei. Este texto histórico, conhecido baixo o nome de Parte Veneziana, enuncia pela primeira vez os quatro princípios de base que justificam a criação de toda a lei sobre as patentes:

Para ser objecto de um privilégio, a invenção deve ser:

No Reino Unido, a primeira lei sobre as patentes de invenção (statute of monopolies) foi votada pelo Parlamento inglês em 1623. Desde o Renacimiento, as numerosas cidades reconheciam-lhes privilégios aos inventores. Na França, o Antigo Regime assegura-lhes também direitos. É Beaumarchais quem fará, durante a Revolução francesa, votar direitos de autor. É o melhor exemplo do laço substancial do capitalismo ao Direito, porque nada mais que a violência do Estado pode prevenir a cópia. O Reino Unido da revolução industrial garantir-se-á a exclusividad de suas inovações impedindo a saída de toda a máquina até 1843.

Em nossos dias, as patentes propõem problemas éticos nos domínios médicos enquanto propõe-se a questão do patentación viva (o genoma humano em particular). As patentes sobre o software, os algorítmos e os métodos de assuntos são também a cada vez mais criticados, suas detractores que temem um efeito oposto sobre a inovação e alguns um factor desestabilizante do capitalismo (Causa Research In Motion contra Blackberry, Causa Microsoft contra Eolas, etc.). A evolução de suporte-los informáticos e os métodos de intercâmbio, tal como o peer-to-peer, mostram bem que a perennidad do capitalismo repousa na vontade e a capacidade do Estado que assegura a protecção da propriedade privada.

Mais especificamente, trata-se em realidade de poder monetizar o que até ali tinha só um valor vadio. Até uma época recente, a propriedade intelectual foi assegurada pelo facto que sua violação precisava capitais importantes (Fábricas de reprodução de CD, Fábrica destinada a produzir um produto que viola uma patente, etc.) e sobretudo o produto terminado (nascida da violação) era um produto físico. Desta forma, ainda que a noção de propriedade intelectual não esteve bem estabelecida, um produto físico (então a propriedade não era ambigua) vinha a materializar aquilo e os falsificadores potenciais vacilavam em investir o capital em uma empresa que sabiam condenable (e condenada) ao médio prazo. O custo de reprodução e sobretudo a ausência de natureza "física" dos bens imitados hoje voaram estas duas barreiras. Esta nova situação criou uma necessidade para o sistema capitalista: o de definir claramente os limites, as regras e os meios de protecção da propriedade intelectual com o fim de poder monetizarla de modo fiável. O falhanço deste processo arrastaria modificações profundas na estrutura do capitalismo actual.

A emergência do «capital humano»

Devemos a análise mais conhecida do "capital humano" ao economista norte-americano Gary Becker (Human Capital, 1964). Define o conjunto das aptidões e as habilidades acumuladas pelo indivíduo e susceptíveis de desempenhar um papel no processo de produção. É a forma de capital cuja consideração é a mais recente. Desempenha um papel que cresce em uma sociedade a cada vez mais terciarizada e onde a investigação e as ciências têm um lugar crucial.

Este capital é substancial ao indivíduo e parece pois improvável que se lhe possa desposeer. Existem não obstante umas excepções notáveis. Os assalariados que deixam sua empresa podem estar submetidos por exemplo a uma cláusula de não-concorrência, lhes impedindo então que uma empresa competidora aproveite seus conhecimentos por um verdadeiro tempo. Mas o capital humano põe verdadeiros problemas: a "fuga de cérebros" por exemplo (altos diplomados formados a expensas de um Estado e que outros aproveitam). Da mesma forma, o risco de perder a seus assalariados desanima às empresas de oferecer-lhes uma formação onerosa. O capital humano representa uma forma de capital da que o capitalista ainda não pode se apropriar.

As evoluções descritas por estes dois últimos parágrafos, aceleradas pelo processo de universalización, fazem a alguns considerar o passo a um novo tipo de economia ("economia do saber" que alguns se esmeran em chamar capitalismo cognitivo") na qual os direitos de propriedade sobre o capital seriam mais limitados. Em qualidade de exemplo o filósofo altermundialista de inspiração marxista Antonio Negri estima que:

"O trabalhador, hoje, não precisa mais instrumentos de trabalho (isto é de capital fixo) que sejam postos a sua disposição pelo capital. O capital fixo mais importante, o que determina os diferenciais de produtividade, daqui por diante se encontra no cérebro da gente que trabalha: é a máquina-ferramenta que a cada um de nós leva nele. É isto a novidade absolutamente essencial da vida produtiva hoje.".[14]

Esta tese fica por contestar.

Citas

"O esplendor, a riqueza, a felicidade de viver reúnem-se no centro da economia-mundo, em seu coração. É lá onde o sol da história faz relucir as cores mais vivas, ali que se manifestam os altos preços, os altos salários, o banco, as mercadorias "reais", as indústrias proveitosas, a agricultura capitalista (...) O viajante lhe remarca que observa Veneza no século XV, ou Amsterdã no XVII (...) As "liberdades" se alojan ali, que não são totalmente uns mitos e não totalmente realidades."
Fernand Braudel, A Dinâmica do capitalismo, 1985.
"A experiência de todos os tempos e de todas as nações se põem de acordo, creio, para demonstrar que a obra feita por escravos, ainda que pareça custar só as despesas de sua subsistencia, é a mais cara de todas."
Adam Smith, Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações, 1776.
"O processo de destruição criadora constitui o preço fundamental do capitalismo."
Joseph Schumpeter, Capitalismo, socialismo e democracia, 1942.
"A empresa é a instituição cardinal do capitalismo."
François Perroux
"O processo da produção capitalista está dominado pelo proveito. Para a cada capitalista a produção faz sentido e fim só se lhe permite embolsar a cada ano um "benefício neto", isto é o proveito que subsiste após dedução das despesas de renovação do capital."
Rosa Luxemburg, Crítica das críticas.

Referências e notas

  1. Refundar o capitalismo: Uma missão impossível (origem e actualidade do capitalismo), por Guillermo Hirschfeld
  2. Algumas noções fundamentais sobre a natureza benévola do capitalismo, por George Reisman
  3. De facto constatado por autores britânicos
  4. Não são poucos os teóricos, historiadores, economistas, militantes, que têm analisado à URSS como uma economia capitalista : Anton Pannekoek, Herman Gorter, Ante Ciliga, Guy Debord, Otto Rühle, Maximilien Rubel, Cornelius Castoriadis, Rudolf Rocker, Claude Lefort, René Lefeuvre, Karl Korsch, Alain Guillerm, Daniel Guérin, Mansoor Hekmat, etc.
  5. Reforma social ou revolução? (1899)
  6. 1726 de facto
  7. Miradas sobre o mundo actual, Paul Valéry, 1945
  8. Karl Marx, O Capital
  9. Karl Marx, O Capital, Livro I, capítulo XXXI
  10. Joseph Schumpeter, Os ciclos económicos
  11. Joseph Schumpeter, "Sociologia do imperialismo"
  12. Jacques Marseille é professor de história económica e social em Paris I.
  13. Karl Marx, O Capital, Livro I, capítulo XXXIII
  14. Antonio Negri, Exil, Mil e umas noites, 1997

Fontes

Bibliografía consultada:

Outra bibliografía:

Veja-se também

Enlaces externos

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