Visita Encydia.com

Hooligan (futebol)

De Wikipedia, a enciclopedia livre

Este artigo trata do termo aplicado a alguns seguidores do futebol.
Para outros usos deste termo, veja-se Hooligan.

Hooligan e Hooliganismo são anglicismos utilizados para referir-se a seguidores de equipas de futebol]] que têm produzido distúrbios ou realizado actos vandálicos, que em ocasiões podem derivar em tragédias como a Valley Parade ou a de Tragédia de Heysel|Heysel]].

Distúrbios no partido entre o FC Twente e o SC Heerenveen em 2002.

Índice

Etimología

Tende-se a achar que o chamado hooliganismo é algo relativamente recente, das últimas três ou quatro décadas. Mas como explicou à BBC a antropóloga Liz Crowley, da Universidade de Manchester, não se trata de um fenómeno novo.[1]

Efectivamente, o futebol tem sido associado a eventos violentos desde suas origens na Inglaterra do século XIII, quando os partidos envolviam a centos de jogadores e se convertiam essencialmente em campos de batalha onde se enfrentavam as juventudes dos povos rivais.

Existem um sinfín de teorias com respeito à origem etimológico do termo. O mais estendido aponta a que deriva do apellido Hooligan ou Houlihan.[2] [3] Alguns o atribuem a que apareceu em um relatório da polícia de Londres que data de 1898]] e que publicou The Times, referente a um matón de Southwark (Londres) chamado Patrick Hooligan.[4] [5]

Outros afirmam que, a princípios do século passado, existia uma popular canção que falava de uma ruidosa família irlandesa em Southwark, (Londres) com esse apellido. Inclusive tinha uma atira cómica de uma personagem irlandesa do mesmo nome que se publicava no jornal Funny Folks.[6]

Também se especula sobre a possibilidade de que derive de uma banda de rua em Islington telefonema Hooley. Outra vertente propõe que se baseia na palavra irlandesa, Hooley, que significa selvagem ou festa animada.

História

Origem

A difusión em massa e implantação equívoca do termo hooligans (pronunciado "júligans", do vocablo inglês que significa: "pessoa que causa problemas ou violência" "backstreet" ou "gamberro") nasce na Inglaterra]] junto com a Copa Mundial de Futebol de 1966.

A imprensa oficial e os porta-vozes do Buckingham Palace identificaram este termo com a crescente onda de marginalidad, sobretudo nos outrora grandes centros industriais. Por conseguinte associou-se com uma determinada vestimenta, um jargão, umas pautas de conduta e certos bairros. Inclusive chegou a englobar diversas acções como roubos, prostituição, assaltos a cidadãos na via pública ou o perceber os subsídios oficiais destinados aos desocupados.

Ficheiro:10724373 bb0805eb75 ou.jpg
Partido entre o Galatasaray e Leeds United pertencente à copa UEFA do 2000. Após o primeiro tempo, dois inchas do Leeds morreram em uma briga entre hooligans.

Não teve uma clara intenção de diferenciar aos grupos violentos dos actos relacionados com o mundo do futebol. Deste modo os hooligans propriamente ditos, os desocupados ou excluídos do sistema, foram assimilados em todo mundo à barras bravas de Sudamérica e ultras do resto da Europa]].

Ideologia

Esta aficionados agressivos, seguidores de uma equipa em concreto, costumam enfrentar-se com freqüência com os grupos da equipa contrária durante o encontro. A tensão aumenta durante os chamados clássicos ou derbys, que são encontros entre equipas da mesma cidade, ou equipas com uma grande concorrência histórica.

Estes encontros violentos entre grupos têm dado lugar a numerosas mortes (uma média em media dúzia ao ano na década do 90)[7] e tragédias ao longo da história do futebol inglês. Em 1985, no estádio de Heysel (Bruxelas), morrem 39 pessoas, em sua maioria italianos, durante um ataque artero dos aficionados do Liverpool, que essa noite jogava com a Juventus, o final da Copa da Europa. Transladados os mortos e feridos o partido jogou-se igual.[8]

A partir dos anos sessenta muitas subculturas juvenis como os skinhead, herbert, mod , punk ou rude boy se viram unidas ao movimento hooligan.

Acontecimentos e legislação vigente

Cartaz proibindo introduzir alguns objectos ao Camp Nou, estádio do FC Barcelona (Barça).

No ano 2000 durante a decisão da UEFA sobre a adjudicación da Copa Mundial de Futebol de 2006 a candidatura da Inglaterra]] viu-se gravemente comprometida[9] devido a uns altercados produzidos em Charleroi e Bruxelas[10] por parte de hooligans ingleses. Finalmente em um ajustada final saiu eleita Alemanha sobre África do Sul (que obteria finalmente a organização da Copa Mundial de Futebol de 2010). O ponto forte da Alemanha]] era sua política "anti-hooligan" que teve uma grande aceitação.[11] Em Reino Unido mais de 3.000 pessoas viram-se obrigadas a entregar seus passaportes e não lhes foram devolvidos até o termo do Mundial, para evitar altercados.[12] [13]

Ainda que o movimento hooligan não se manifestou até a década dos oitenta nos Balcanes, o verdadeiro é que seu aparecimento foi extremamente virulenta. Os altercados entre inchas a Croácia|croatas]] e sérvios, na antiga Jugoslávia, eram fiel reflito do ambiente de crispação reinante. Tanto é assim, que durante a separação de ambas partes, a UEFA decidiu proibir que os partidos do campeonato europeu se jogassem em estádios yugoslavos até o fim do conflito.[14] [15] [16]

Na Itália]] este fenómeno é inusitadamente violento, o que tem levado a criar uma legislação específica para este tipo de conflitos. Nela se contempla o uso de tornos eléctricos, video-vigilância e a inclusión do nome do comprador e seu assento na entrada. Todo isso para facilitar a tarefa de identificação de hooligans. Mais ainda, no Estádio Olímpico de Roma se instalaram umas cadeiras especiais telefonemas "anti-hooligans" que não podem ser arrancadas e atiradas. Encontram-se em uma parte do estádio, com o propósito de receber às aficiones de equipas ingleses.[17] [18]

Grupos hooligans

Diz-se, em general, que os grupos violentos ingleses preferem se chamar a si mesmos The Firm (A Assinatura), no sentido comercial de ser um grupo que procura financiar seus traslados e actividades.

Difusión

Termo

O termo já está aceitado pela Real Academia Espanhola, que o define assim: Hooligan: Incha britânico de comportamento violento e agressivo.[19]

Seu difusión e uso está totalmente estendido e aceitado em Espanha, a tal ponto que muitos jornais o utilizam em seus titulares[20] e inclusive o líder da oposição, Mariano Rajoy empregou o vocablo para qualificar ao actual presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero.[21]

Icono

Para promocionar o novo serviço de comboio de alta velocidade que une Paris com Londres, a companhia Eurostar, tem lançado uma campanha de publicidade, que tem como objectivo à público belga e francês. Ainda que a campanha varia de um país a outro, é um dos pósteres para a campanha belga o que tem suscitado mais expectación. Nele se vê como o estereotipo de hooligan; um homem jovem, rapado, com o torso nu e com a cruz de San Jorge pintada nas costas está orinando desde certa distância em uma xícara de chá. Emulando ao Manneken Pis mas em versão hooligan.[22] [23]

Cinema

  • Em 2004 estreou-se o filme The football factory (Diário de um Hooligan), baseada no livro do mesmo título, onde se trata o mundo violento dos Hooligans e como o protagonista começa a replantearse sua forma de vida. O filme trata de pôr ao descoberto a violência como forma de lazer]].[24] [25]

Literatura

Inglesa
  • No livro de Bill Bufor[27] titulado Entre vándalos (1992),[28] apareceu acuñado por vez primeira o termo hooliganism.
  • Em 1995 publicou-se o livro Hooligans and Rebels[29] de Stephen Humphries. Nele se examinam os aspectos da delincuencia infantil, desde o hooliganismo, passando pelas bandas de adolescentes, o vandalismo, o crime até a anarquía escolar. A rebelião dos meninos das classes mais desfavorecidas.
  • No primeiro volume, Hooligans: A-L of Britain's Football Gangs v. 1[30] editado por Nick Lowles e Andy Nicholls desvelam-se os entresijos das bandas mais importantes de Hooligans desde Aberdeen a Luton. Ilustrada com fotos, contém mitos, apodos, vítimas, localidades, brigas e operações policiais.
  • Hooligans: A-L of Britain's Football Gangs v. 2
  • March of the Hooligans

Alemã
  • King, Martin: Hoolifan, Trolsen Communicate, Hamburg 2003, ISBN 3-9809064-0-X
  • Baudrillard, Jean: Dás Heysel-Syndrom. [1]
  • Buford, Bill: Geil auf Gewalt, Carl Hanser, München 2001, ISBN 3-446-17160-6
  • Farin, Klaus: Die dritte Halbzeit, Thomas Tilsner Verlag, Bad Tölz 2002, ISBN 3-910079-49-0
  • Schneider, Thomass ou.a.: Fußballrandale: Hooligans in Deutschland, Klartext-Verlag, Essen 1998, ISBN 3-88474-448-8
  • King, John: Der letzte Kick, Wilhelm Goldmann Verlag, München 1999, ISBN 3-442-54057-7
  • Wagner, Hauke: "Fußballfans und Hooligans Warum Gewalt?, Wagner Verlag ISBN 3-935232-00-4

Notas

  1. BBC mundo. com})

    }}. «Dos Hooligans às Barras Bravas» (em espanhol)

    }}. Consultado o 06, 04 de 2008.
  2. Yourdictionary.com}) }}. «Hooligan definition» (em inglês) }}. Consultado o 08, 04 de 2008.
  3. Merriam-Webster On-line Dictionary}) }}. «Hooligan» (em inglês) }}. Consultado o 08, 04 de 2008.
  4. }}«Hooligan» (em inglês). On-line Etymology Dictionary}) }}. Consultado o 06, 04 de 2008.
  5. Quinion, Michael}) }}. «Hooligan» (em inglês). World Wide Words }}. Consultado o 06, 04 de 2008.
  6. Alphadictionary.com}) }}. «Hooligan» (em inglês) }}. Consultado o 08, 04 de 2008.
  7. Romero, Amilcar}) }}. «As barras aparecem com a industrialización do futebol» (em espanhol) }}. Consultado o 10, 04 de 2008.
  8. }}«As barras aparecem com a industrialización do futebol» (em inglês)}) }}. Consultado o 10, 04 de 2008.
  9. BBC News}) }}. «England's chances faded fast» (em inglês) }}. Consultado o 09, 04 de 2008.
  10. BBC News}) }}. «Hooligans threaten World Cup bid» (em inglês) }}. Consultado o 09, 04 de 2008.
  11. Reuters}) }}. }}. Consultado o 09, 04 de 2008. Veja-se a secção We can controle hooligans
  12. ESPN Soccernet}) }}. «FIFA confident hooligans won't ruin World Cup» (em inglês) }}. Consultado o 09, 04 de 2008.
  13. Intramed.net}) }}. «A Guia do Mundial, Relatório especial» (em espanhol) }}. Consultado o 09, 04 de 2008.
  14. Carlos Floria}) }}. «Futebol, hooligans e violência» (em espanhol) }}. Consultado o 08, 04 de 2008. O autor relata a opinião de Ivan Colovic a respeito do movimento Hooligan na Jugoslávia e seu transfondo político.
  15. }}«História» (em espanhol)}) }}. Consultado o 08, 04 de 2008. Veja-se secção titulada Situação Política.
  16. Podnar, Ozren}) }}. }}. Consultado o 08, 04 de 2008. Cronología e recopilación dos actos cometidos por Hooligans nos Balcanes.
  17. Calca, Nick}) }}. «Anti-Hooligan Seats For Man Utd Fãs» (em inglês) }}. Consultado o 08, 04 de 2008.
  18. Xinhua}) }}. «Italian anti-football hooligan laws working, say police» (em inglês) }}. Consultado o 08, 04 de 2008.
  19. Real Academia Espanhola () }}. «Hooligan» (em espanhol). buscon.rae.é }}. Consultado o 09, 04 de 2008..
  20. R. F./MÚRCIA}) }}. «Uma espécie de 'hooligan' chamado Juan Escudero» (em espanhol) }}. Consultado o 08, 04 de 2008.
  21. EFE}) }}. «Governo/debate/sosegado/elpepuesp/20070307elpepunac_6/Tes Rajoy reprocha a Zapatero que se comporte como um "hooligan" e oferece ao Governo um debate sosegado» (em espanhol). elpais.com }}. Consultado o 08, 04 de 2008..
  22. EFE}) }}. «Ecrãs/hooligan/lume/elpepirtv/20071117elpepirtv_5/Tes Promociona Londres com um hooligan meando em uma xícara de chá» (em espanhol) }}. Consultado o 09, 04 de 2008. Neste site podem ver-se as imagens de 2 dos pósters da campanha.
  23. EFE}) }}. «Eurostar promociona Londres com um 'hooligan' orinando em uma xícara de chá» (em espanhol) }}. Consultado o 09, 04 de 2008.
  24. Dreamers.com () }}. «Diário de um Hooligan» (em espanhol) }}. Consultado o 08, 04 de 2008.
  25. IMDB}) }}. «The football factory» (em inglês) }}. Consultado o 08, 04 de 2008.
  26. IMDB}) }}. «Hooligans (2005)» (em inglês) }}. Consultado o 08, 04 de 2008.
  27. Carrión, Ignacio}) }}. «ESTADOS_UNIDOS/Bill/Buford/elpepiult/19841128elpepiult_5/Tes/ Bill Buford» (em espanhol) }}. Consultado o 06, 04 de 2008.
  28. Predefinição:Cita livro autor=Bufor, Bill Pode ver-se uma crítica de George Jochnowitz ao livro em Essays, crítica que apareceu reseñada em National Review em 1992.
  29. Predefinição:Cita livro autor=Humphries, Stephen
  30. Predefinição:Cita livro autor=Lowles, Nick e Nicholls, Andy

Enlaces externos

Veja-se também