Hugh Trevor-Roper (Glanton, 15 de janeiro de 1914 – Oxford 26 de janeiro de 2003 ) historiador britânico. Considera-se-lhe uma autoridade para a Idade Moderna e a Alemanha nazista.
Cursó estudos clássicos e história moderna em Charterhouse School e Christ Church, Oxford. Incómodo com a Filología, centrou-se na História. Sua primeira obra foi a inovadora biografia do arcebispo William Laud (1940).
Pertenceu à Inteligência Militar britânica durante a Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra, acusou a seu amigo e colega Kim Philby de socavar as iniciativas do almirante alemão Wilhelm Canaris, que pretendia derrubar o regime nazista e negociar com o governo britânico. Quando a condição de espiã soviético de Philby foi posta ao descoberto em 1963, Trevor-Roper se sentiu profundamente traído.
Em 1945 recebeu o encarrego governamental de pesquisar a morte Adolf Hitler, para rebatir as insinuaciones soviéticas de que ainda estava vivo baixo a protecção dos aliados ocidentais. Resultado dessa investigação foi seu livro Nos últimos dias de Hitler (1947). Assentou sua autoridade no tema do Terceiro Reich em obras posteriores como Hitler's Table Talk (1953) e The Goebbels Diaries (1978).
Em 1950, como resultado de uma conferência que teve lugar em Berlim , funda o Congresso para a Liberdade Cultural e a revista Encounter junto com outros intelectuais anticomunistas, como Sidney Hook, Melvin J. Lasky, Ignazio Silone, Arthur Koestler, Raymond Aron e Franz Borkenau (ainda que não compartilhava o que considerava o anticomunismo demasiado estridente de algum deles e o tom demasiado didáctico da revista, na que publcó durante as décadas de 1950 e 1960).
Catedrático de História Moderna na Universidade de Oxford entre 1957 e 1980, em cuja vida académica interveio decisivamente (1959, campanha contra a candidatura de Sir Oliver Franks e a favor do Premiê Harold Macmillan). Desde 1981 foi Reitor de Peterhouse , (Cambridge), graças ao apoio do grupo de historiadores de Peterhouse liderado por Maurice Cowling. Não obstante, sua estadia em Peterhouse foi controvertida (inclusive pelos conserjes).
Sua visão da Inglaterra moderna, sobretudo do período da Guerra Civil Inglesa do século XVII, levou-lhe a soadas disputas com historiadores materialistas como Lawrence Stone e Christopher Hill ou R. H. Tawney (socialista cristão). Um bom exemplo é a chamada controvérsia da gentry (storm over the gentry), a respeito de se este sector social encontrava-se em declive (como defendia Trevor-Roper) ou auge económico no século que precedeu à guerra, e se tal facto teve que ver com o começo desta em 1642 (extremo que negava um terceiro grupo de historiadores como J. H. Hexter e Geoffrey Elton).
Criticou a filosofia da história de Arnold J. Toynbee e Edward Hallett Carr. Debateu com A.J.P. Taylor e Alan Bullock sobre as crenças ou ausência de crenças de Hitler: enquanto estes o descreviam como um aventurero oportunista, Trevor Roper o considerava um ideólogo. Debatendo com outros autores que consideravam que Hitler pretendia a dominación do mundo, argumentou que só pretendia manter uma liderança continental na Europa.
Publicou numerosos artigos de divulgação, recolhidos em Historical Essays (1957).
Interveio de forma destacada na definição do conceito de crise do século XVII. Sua causa principal, segundo ele, foi o conflito entre Corte e Campo (Court and Country); ou seja, entre os emergentes estados-nação e a aristocracia e nobreza regional com riqueza de base rural. Os historiadores materialistas, como Eric Hobsbawm, compartilhando a existência da crise, lhe atribuíam causas económicas e sociais. Outros negavam a mesma existência de uma crise geral.
Um de seus livros a mais sucesso foi sua biografia do sinólogo Sir Edmund Backhouse (1976), cuja inteira produção denuncia como uma continuada fraude, o que obrigou a reescribir boa parte da historiografía ocidental sobre China que tinha tomado como fonte a Backhouse, até então considerado uma autoridade mundial. Por exemplo, demonstrou que seu biografiado chegou a se inventar que a Emperatriz Dowager Cixi ordenasse a morte de seu filho.
O declive de sua carreira começou em 1983, quando autentificó junto a outros experientes (Eberhard Jäckel e Gerhard Weinberg) uns textos que pretendiam ser os Diários de Hitler, cuja falsidade foi provada por um posterior exame forense. A partir de então seus adversários em Peterhouse chamavam-lhe Lord Faker (Lord falsificador, em jogo de palavras com seu verdadeiro título: Lord Dacre ou Barón Dacre de Glanton, que ostentaba desde 1979). Com parecida intenção a revista satírica Private Eye lhe motejó Hugh Very-Ropey (Hugo Muito-Chungo). O escândalo afectou não só a sua fama como historiador, senão a sua integridade, já que o Sunday Times, que tinha pago uma considerável soma pelos direitos sobre os diários, era o jornal onde costumava colaborar Trevor-Roper, além de ser investidor. Por sua vez, sempre insistiu que tanto ele como seus colegas tinham cometido um erro sem motivos deshonestos.
Apesar de tudo, continuou publicando obras históricas (Catholics, Anglicans, and Puritans, 1987) que encontraram boa acolhida.
De família aristocrática, por si e por casal, destaca entre seus parentes seu irmão Patrick Trevor-Roper, destacado luchador pelos direitos dos homossexuais.