| Hugo Ball | |
|---|---|
| Nome | Hugo Ball |
| Nacionalidade | |
| Período | 1886-1927 |
| Movimentos | Dadaísmo |
Hugo Ball (n. 22 de fevereiro 1886 - 14 de setembro 1927) autor e poeta alemão. Foi um dos artistas principais do Dadaísmo.
Nasceu o 22 de fevereiro de 1886 em Primasens, criado por uma família católica, estudou sociologia e filosofia nas universidades de Munich e de Heidelberg (1906-1907). Com o estallido da Primeira Guerra Mundial se uma à armada como voluntário, mas depois da invasão a Belgica se sente desilusionado: "A guerra baseia-se em um erro evidente, os homens confundiram-se com as máquinas". Em 1910, translada-se a Berlim depois de ser acusado de traidor a seu país, ali converte-se em actor e colabora com a companhia de Max Reinhardt. Três anos mais tarde, conhecerá a Emmy Hennings, actriz e cantora de cabaret, que será desde então seu acompanhante, se casando o 21 de fevereiro de 1920.
Emigrado a Zurique durante a primeira guerra mundial, Ball fundou em uma taberna o Cabaret Voltaire, berço do dadaísmo, lugar de reuniões políticas, concertos e leituras de poesia, ao que cedo unir-se-iam os rumanos Tristan Tzara e Marcel Janco; o alemão Richard Huelsenbeck, e o alsaciano Hans Arp. Foi uma das pessoas às que se adjudicó o baptizo do movimento, supostamente pela eleição azarosa da palavra "Dadá" (caballito de brinquedo) em um dicionário francês.
Em 1916, redige o "Manifesto inaugural da primeira velada Dadá", do que se desentenderá pouco depois: Nele se mostra extremamente crítico com a Europa dos nacionalismos, as ideologias que a representam, e com as filosofias idealistas. Nesse mesmo ano apresentou ante o público do Cabaret Voltaire, o primeiro poema fonético da história do dadaísmo: "Karawane", consistente em articulações de fonemas e interjecciones carentes de significação.
großiga m'pfa fala horem
egiga goramen
figo bloiko russula huju
hollaka hollala
anlogo bung
blago bung blago bung
bosso fataka
ü üü ü
schampa wulla wussa olobo
hej tatta gorem
eschige zunbada
wulubu ssubudu uluwu ssubudu
–umf
kusa gauma
Esta poesia, cujos antecedentes mais imediatos foram sobretudo alguns experimentos do futurismo italiano, achará continuação em adeptos a dadá, como Raoul Hausmann ou Kurt Schwitters, e sua influência será clara em posteriores correntes literárias, como o letrismo ou a poesia beatnik. Suas razões de ser foram muito diversas. Por um lado, as vanguardias das entreguerras estiveram marcadas por uma grande afición ao "salvajismo", desde as estátuas precolombinas até dança-las africanas, e foi típico procurar inspiração em estéticas afastadas dos paradigmas europeus. Assim, muitos destes poemas estão vagamente influídos pelos sons das línguas africanas. Mas bem mais importante foi neste caso a rejeição radical do uso da palavra, que tem em Hugo Ball um carácter de revolta interior contra a linguagem mesma (não em vão, a ferramenta da que se vale o poeta para exercer seu oficio), ao que considera alienado e incapaz de produzir significação na sociedade capitalista. O poeta escapa da perversión das palavras, que têm sido destruídas como tantas outras coisas pelas bombas da guerra, refugiando no reduto último de seu individualidad. Já não aspira a comunicar outra coisa que não seja um simples som primigenio, aquele que possibilita toda a língua, todo o discurso, mas do que ninguém poderá ser proprietário. Neste sentido, a poesia fonética suporá tanto a destruição da linguagem como sua salvação, pois em sua renúncia ao significado, a voz encontra uma terra livre onde cantar.
A participação de Hugo Ball no dadaísmo durou aproximadamente dois anos. Depois trabalhou por um período curto como jornalista para Freie Zeitung em Berna. Depois de retornar ao Catolicismo em julho de 1920, retira-se ao Cantón do Ticino em (Suíça, onde viveu uma vida religiosa, privada de luxos. Também traduziu ao alemão algumas obras do anarquista Mijaíl Bakunin. Faleceu em Sant Abbondio, Suíça, o 14 de setembro de 1927.
Alguns de seus melhores trabalhos incluem a coleccion de sete poemas Schizophrene Sonette (1911), o drama Die Nase Dês Michelangelo (1911), seu livro de memórias Die Flucht aus der Zeit, e a biografia de Hermann Hesse titulado Hermann Hesse. Sein Leben und sein Werk(1927).
Seu poema Gadji beri bimba foi adaptado mais adiante à canção "I Zimbra" da banda de rock Talking Head do album Fear of Music(1979), entre outros dados de interesse.
* Die Nase dês Michelangelo. Tragikomödie in vier Auftritten, 1911 * Der Henker von Brescia. Drei Akte der Not und Ekstase, 1914 * Flametti oder Vom Dandysmus der Armem. Roman. Reiss, Berlin 1918 * Zur Kritik der deutschen Intelligenz. Der Freie Verlag, Bern 1919 * umgearbeitete Fassung als: Die Folgen der Reformation. Duncker & Humblot, München 1924 * Byzantinisches Christentum. Drei Heiligenleben (zu Joannes Klimax, Dionysius Areopagita und Symeon dem Styliten). Duncker & Humblot, München 1923 * Hermann Hesse. Sein Leben und sein Werk. S. Fischer, Berlin 1927 * Die Flucht aus der Zeit (Diary). Duncker & Humblot, München 1927
Postumos:
* Gesammelte Gedichte mit Photos und Faksimiles, hg. v. Annemarie Schütt-Hennings. Arche, Zürich 1963 * Tenderenda der Phantast. Roman. Arche, Zürich 1967
* Richard Huelsenbeck * Tristan Tzara * Hans Arp * Emmy Hennings * Walter Serner * Hans Richter * Hans Leybold * Cabaret Voltaire (Zurich)