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Itinerario de varro

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O chamado «Itinerario de varro» constitui pára muitos uma das principais fontes de informação epigráfica sobre o conhecimento das vias romanas que discurrían pelo norte de Hispania . Trata-se de um itinerario ou guia de caminhos, que, ao modo dos modernos mapas de estradas, recolhia as diferentes rotas com suas mansões[1] e civitates correspondentes, bem como a distância entre as mesmas.

Apresenta umas características singulares dentro dos itineraria adnotata[2] pois compartilha com os miliarios a natureza epigráfica e com os itineraria picta[3] o estar desenhado. O «Itinerario de varro» constituem-no quatro tablillas de varro cocido, as quais recolhem cinco itinerarios e foram achadas nas proximidades de Asturica Augusta. Na actualidade estão depositadas nas vitrinas do Museu Arqueológico das Astúrias.

Não obstante, é necessário advertir, devido ao peso específico de suas opiniões, que, aparte já de seu primeiro editor em 1920 , A. Blázquez,[4] dois de melhore-los conhecedores modernos das calçadas romanas e seus documentos, G. Arias Bonet[5] e J.M. Roldán Hervás,[6] consideraram como falsas várias das tablillas, duas o primeiro e três o segundo, sendo se talvez para Roldán o nº II a única que poderia se ter por autêntica, e ultimamente nem sequer ela.[7] Outros epigrafistas reconhecidos são da mesma opinião e, ainda que alguns outros autores, entre os quais destacou A. García e Bellido, em um artigo póstumo de 1975,[8] concederam-lhes ou seguem-lhes concedendo toda a validade, convém conhecer bem os argumentos de ambas partes dantes de assumir ou usar os dados que fornecem as célebres tablillas.

Conteúdo

Tipología

As quatro placas são de forma retangular de aproximadamente 14 por 12 centímetros, e a julgar pela alça em forma de bicha de golondrina que conserva a placa II e, pela assinatura do magistrado municipal, duunvir, que nelas aparece, sua finalidade devia ser pendurar de uma parede pública para informação dos viajantes.

Itinerarios

Placa I

Varro cocido de cor parduzco. Pátina em dois tons, provavelmente por ter estado os trozos em diferentes ambientes. Superfície ligeiramente ondulada e com as impressões das mãos que modelaram a tablilla muito assinaladas. Parece ser que estas placas se fizeram golpeando com a palma sobre a lâmina de varro fresco e, por suposto, dantes de escrever nele com um punzón ou stylus, como nas tablilla de cera. A altura da tablilla é de 14.5 cm, sua largura de 12.4 cm e sua espessura é de 0.7 cm. Após sua primeira publicação perdeu-se um trocito correspondente à parte superior, sobre a linha primeira, onde figura o número da legión. Este trozo perdido não tinha letreiro algum.

O percurso mencionado nesta placa apresenta uma problemática bastante complexa. Por um lado, a constatación do número de milhas totais não se corresponde com a distância real entre León e Suances, disfunción que tem propiciado a elaboração de numerosas hipóteses em procura de uma «milha cántabra» de valor superior ao normal. Por outra parte, existem mansões, que são absolutamente desconhecidas, como sucede com Rhama, carecendo de outra referência escrita sobre ela. Ademais, existem mansões, que conquanto aparecem refutadas por outro tipo de fontes, se desconhece exactamente sua localização. Em consequência, o Itinerario de varro tem sido objecto de numerosos estudos, questionando-se inclusive seu autenticidad.[9] Após uma rigorosa análise levada a cabo pelo professor A. García e Bellido este chegou à conclusão de que as quatro tabellae são autênticas, pelo que tinha que pensar em uma falha do copista, perito em actuações de alfar mas inepto em caminho ou rotas, ou bem em que a localização das mansões não coincide com os critérios mantidos actualmente; ou, algo mais factible, em uma convergência de ambas hipótese (o que, como se disse mais acima, não convenceu ou convence a todos.[10]

Esta placa numerada como I assinala o percurso da Via Legione VII Gemina ad Portum Blendium que, partindo de Legio VII Gemina (León), tem seu final em Portus Blendium (Suances), com o seguinte desenvolvimento:[11]

[VIA] L(EGIONE) VII GEMINA AD PORTVM
BLE(N)DIVM
RHAMA VII MIL(L)IAS
AMAIA XVIII
VILLEGIA V
LEGIO I[III] V
Ou[C]TA[V]IOLCA V
IVLIOBRIGA X
ARACILLVM V
PORTVS BLEN[DIVM]
[C(aius) LEP(idus) M(arci filius)] II. VIR


As investigações hoje em dia dirigem-se neste sentido, valorizando o facto de que a Legio VII mencionava na tablilla não se corresponda com a capital leonesa, senão com Segisama Iulia, base de operações do exército imperial mandado por Augusto nas Guerras Cántabras. A base de tal correspondência e interpretação estriba na possível origem militar da via em relação com a conquista do Norte da Península no momento das Guerras Cántabras. Segisama Iulia constituía o ponto campamental, base das operações das legiones romanas de Augusto. A raiz da Pax Romana e das reformas do exército estabeleceram-se novos lugares para o assentamento das legiones de manutenção e controle do Noroeste de Hispania , entre elas o destino da Legio VII Gemina no lugar onde, anteriormente, surgirá a cidade de León . Seguindo a argumentación, é provável uma tentativa de adaptação por parte do copista do itinerario desta tablilla substituindo o lugar do primitivo assentamento das tropas, Segisama Iulia, pelo lugar do estabelecimento do exército no momento de elaborar a tabellae, Legio VII Gemina, equivocando os nomes das legiones sem fazer correcção alguma nas mansões e civitates restantes do percurso. Dada a possibilidade das circunstâncias citadas, a placa I estaria a recolher uma das antigas vias militares de acesso a Cantabria .

Sobre a localização de Rhama elaboraram-se múltiplas teorias, bastante divergentes. Ante esta problemática adquire força a hipótese de que Rhama não se corresponda estritamente com uma mansio, e aluda à saída do ramal ou ramificação da via principal que cruzava a Meseta de Oeste a Leste, circunstância esta que estaria em correlação com o achado de dois miliarios de Augusto ao Oeste de Sasamón, distantes da Segisama Iulia romana aproximadamente as sete milhas que assinala o itinerario. Ademais, desde este ponto, Padilla de Abaixo, parte um caminho que, com traçado rectilíneo, enlaça directamente com Peña Amaya.

No resto das mansões e cidades recolhidas existe uma maior unanimidade. No entanto, Villegia e Legio IIII Macedonica não estão rigorosamente situadas. A primeira parece corresponder ao yacimiento do Monte Cildá, corroborado este dado pelo texto de um epígrafe ali descoberto com a menção ao gentilicio correspondente. Legio IIII ainda segue apresentando notáveis dificuldades, pois conquanto em Herrera de Pisuerga (a antiga Pisoraca) se estão a achar abundantes materiais que atestiguan sua possível presença, segundo a distância que marca a tablilla teria que estar situada bem mais ao Norte, a 5 milhas de Octaviolca (aproximadamente 7.5 quilómetros) e a 15 milhas da cidade romana de Iuliobriga (22 quilómetros). Esta última mansio (Octaviolca) pôde estar localizada nas proximidades de Mataporquera , no município de Valdeolea , ao Sur de Cantabria , da que pôde ser uma villae ou uma segregación da área de Camesa-Rebolledo (se veja Yacimiento arqueológico de Camesa-Rebolledo). Não obstante, se admite-se um erro mais na ordem da distribuição das mansões no Itinerario de varro, o qual pode ser uma prova mais para defender a hipótese de sua falsidade, os recentes trabalhos de excavación arqueológica que se vem levando a cabo em Herrera de Pisuerga parecem deduzir que em dito lugar se assentou a Legio IIII Macedonica.

Iuliobriga, junto com Aracillum e Portus Blendium são os enclaves melhor localizados pois assimilam-se às proximidades de Retortillo , Aradillos e Suances respectivamente.

Placa II

Está realizada em varro de pátina cor ocre verdoso, cobrizo. Tem uma altura de 14 cm, seu largo é de 11.8 cm e sua espessura de 0.7 cm. Apresenta umas impressões claras dos surcos da palma da mão do formador. Desde sua primeira publicação perdeu-se um trocito triangular que afecta às linhas 10 e 11 e outro, maior, que estava partido em duas, que afecta ao começo das quatro últimas linhas. Este facto se plasma na transcrição em letra maiúsculo itálico e sem parênteses quadrados por não ser, em verdade, suplidos do editor.

A placa II mostrava o itinerario correspondente à Via Asturica Ad Emeritam Augustam que unia Asturica Augusta (Astorga) com Emerita Augusta (Mérida):

VIA ASTVRICA AD EMERIT(AM) AVGVS(TAM)
BÊ[D]VNIA VII MILHAS
BRIGECIO X
VICO AQVARO X (?)
OCEDOLVRI XI
SABARIAM VIII
SALM[ANTICA]
SENT[ICA]
AD LI[PPOS]
CAEC[ILIO VICO]
CAPASSE X...(?)
RVSTICIAN[A]
TVRMVLVS X...(?)
CASTRIS CAECI[LIIS]
AD SORORES X (?)...
EMERITA XII
[C(aius) LEP(idus) M(arci filius)] II. VIR

Placa III

Ao igual que as anteriores se trata de uma placa de varro cocido de cor ocre claro na maioria dos fragmentos; outros são castaños com qualidade cobriza. Tem uma altura de 14.2 cm, uma largura de 12 cm e uma espessura de 0.7 cm. Falta o ângulo inferior esquerdo que, depois de sua publicação, se avariou se desprendendo do trozo quase quadrado que abarca o começo das três últimas linhas. Também se perdeu um trocito sem letras na borda inferior, baixo a milha XII de Bracara .

O itinerario da placa III corresponde-se com a Via Asturica ad Bracara, cujo percurso é o seguinte:

[VI]A ASTV[RICA] AD BRACA
RA
ARGENTIOLVM V MILHAS
PETAVO[NIV]M VIII
VI[NIATIA]
COM[PLEV]TICA XII
ROB[ORE]TVM XII
AD AQVAS XV
AQVIS ORIGINIS VII
SALA[N]IA X
BRACARA XII
[C(aius) LEP(idus) M(arci filius)] II. VIR

Placa IV

É a única placa que conserva sua ansa original, perdida nas demais. Apresenta um orifício circular indicando que esta, como as demais, deveram estar penduradas para uso ou relatório de um número mais ou menos abundante de pessoas. Trata-se de uma pátina de cor ocre escuro para o castaño-cobrizo, em uns trozos, e ocre mais claro em outros, patinados diversamente por ter jazido, sem dúvida, em médios ambientes diferentes, como já observamos na placa número I. Possui uma altura de 16.6 cm, uma largura de 12 cm e uma espessura de 0.7 cm. Falta, por perda após sua primeira publicação, um trocito triangular na lín. 1, depois da palavra VIA. Deveu conter o L de L VCO. Na linha 6 falta também outro fragmento triangular que, certamente, conteve a E final de AQVAE (AE unidas) e o G de AVGVSTI. Na mesma linha costuma-se incorporar um trocito solto que hoje está, ao que parece, mau colado em um lugar ligeiramente deslocado para a direita de sua provável posição prístina. No desenho situámo-lo onde nos parece esteve a seguir aos primeiros editores. É hoje a única placa com a assinatura completa do duunvir. Também o levou a placa III até a perda de seu extremo interior esquerdo.

A placa IV mostra o percurso correspondente a duas vias romanas: a Via Lucu Augusti ad Iria e a Via Lucu Augusti ad Dactionum cujos percursos se mostram a seguir:

VIA [L]VCO AVGVSTI AD IRIA
PÕE-TE MARTIAE XI
BREV[I]S XIII
ASECONIA XI
IRIA XV
VIA LVCO AVGVSTI A[D DACTIONVM]
AQVAE QVINT[IAE]
DACTIONVM X(?)...
[C(aius) LEP(idus) M(arci filius)] II. VIR

Bibliografía

Notas e referências

  1. Estações colocadas a intervalos regulares nas calçadas para servir de repouso e proceder aos relevos de correios, cavalos, etc. Marcavam o final da cada etapa.
    Iglesias Gil, JM. Julióbriga, p. 10.
  2. Como sua transcrição indica, são aquelas guias de caminhos nos que estes aparecem anotados desde o ponto de partida até sua finalização, com seu desenvolvimento correspondente.
    Iglesias Gil, JM., Muñiz Castro, JA. As Comunicações na Cantabria Romana, p. 80.
  3. Neles, o discurrir dos caminhos aparecem plasmados em um mapa ou gráfico, isto é, estão desenhados.
    Iglesias Gil, JM., Muñiz Castro, JA. As Comunicações na Cantabria Romana, p. 80.
  4. A. Blázquez, “Quatro tesseras militares”, Boletim da Real Academia da História LXXVI, 1920, pp. 99-107; observou algumas anomalías de difícil explicação, ainda que não questionou o conjunto.
  5. G. Arias Bonet, "Os caminhos do duumviro Lepidus", O Miliario Extravagante nº 1, 1963, 4 ss.; nº 4, 1964, 71 ss.; nº 6, 1964, pp. 134 ss. e, especialmente no nº 7, 1964, 144 ss. (um resumem de seus argumentos pode consultar-se aqui, pág. 34).
  6. J. M. Roldán Hervás, “As tabelas de varro de Astorga, uma falsificacion moderna?”, Zephyrus, 23-24, 1972-1973, pp. 221-233; uma detalhada explicação em sua Iter ab Emerita Asturicam: O caminho da prata (Acta Salmanticensia 112), Salamanca, 1971, p. 33 e ss., e em Itineraria Hispana. Fontes antigas para o estudo das vias romanas na Península, Madri 1975, pp. 163-175.
  7. Pois muito recentemente (2007) parece descartar inclusive esta: J.M. Roldán Hervás, “O Caminho da Prata: iter ou negotium, Gerión 2007, vol. Extra, pp. 323-340, especialmente p. 332 e nota 33: “A primeira fonte antiga que nos dá toda sua extensão, de Mérida a Astorga, se deixamos de lado o peculiar e, a meu parecer, decididamente falso, Itinerario de Varro, é o Anónimo de Rávena…”
  8. A. García e Bellido, “O chamado «Itinerario de varro»”, Boletim da Real Academia da História 172.3, 1975, pp. 547-563.
  9. Iglesias Gil, JM., Muñiz Castro, JA. As Comunicações na Cantabria Romana, p. 81, e veja-se o explicado e enlaçado ao começo deste artigo.
  10. Um exemplo recente: "...o numeral I do IX ficou bastante colado ao M, com o que, para um não experiente (e estamos a falar de começos do século XX), pode parecer a abreviatura do praenomen Manius (que une M, A e N). Pois bem, nas três tabelas restantes todas o M se fazem dessa maneira, o que por si só já demonstra que são falsas, pois tal M tira todo sentido à palavra na que está. Há outros detalhes, mas esse é muito significativo. Poderia ser falsa também esta segunda placa, diz Roldán (pág. 167), ao analisar o estranho final com C. LEP.M / II VIR que... entre outras rarezas apresenta interpunciones ao pé das letras, algo insólito em epigrafía latina..." (precisões da.m. Canto 14-2-2009).
  11. Epígrafe extraído de Iglesias Gil, JM., Muñiz Castro, JA. As Comunicações na Cantabria Romana, p. 82

Veja-se também

Enlaces externos

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