| Jazz | |
|---|---|
| Origens musicais: | Blues, Música africana, música clássica |
| Origens culturais: | Mediados do Século XIX nos Estados Unidos |
| Instrumentos comuns: | Trombón - Trombeta - Batería - Guitarra - Contrabajo - Piano - Clarinete - Saxofón - Vibráfono - Fagot - Órgão Hammond - Baixo - Flauta - Corneta - Tuba - Voz |
| Popularidade: | Muito alta nos Estados Unidos a começos do Século XX e com um auge em círculos intelectuais desde 1950 em adiante em todo mundo. |
| Subgéneros | |
| Big Band - Swing - Bop - Cool - West coast jazz - Free Jazz - Jazz Modal - Modern Creative - Trad Jazz - Bebop - Hard Bop - Jazz Vocal - Avant-Garde - Smooth Jazz - Acid jazz - Pós-bop - Standards - Ragtime - Dixieland - New Orleans Hot | |
| Fusões | |
| Jazz Rock - Bossa Nova - Jazz Rap - Crossover Jazz - Fusão - Soul Jazz - Fusão mundial - Latin Jazz - Afro-Cuban Jazz - Ska-Jazz | |
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O jazz é um género musical nascido no final do século XIX nos Estados Unidos que se expandiu de forma global ao longo de todo o século XX.
A história do jazz caracteriza-se por dois rasgos fundamentais:
A palavra jazz, referida a um género musical, aparece escrita pela primeira vez o 6 de março de 1913 no jornal San Francisco Bulletin, quando, ao reseñar o tipo de música executada por uma orquestra do exército, assinalou que seus integrantes treinavam a ritmo de ragtime e jazz.[1] Nestes primeiros anos, a forma do nome oscila entre jaz, jas, jass, jasz ou jascz, e, segundo Walter Kingsley, colaborador do New York Sun, "o termo é de origem africano, comum na Costa do Ouro africana e nas terras do interior".[2] Não obstante, pode que fosse um termo originario do minstrel ou do vodevil, ou inclusive do mundo árabe. Vários autores têm sublinhado também sua relação com o acto sexual no jargão norte-americano.
O primeiro disco no que apareceu a palavra jazz como definidora da música nele contida o gravou a Original Dixieland Band em janeiro de 1917 em Nova York; durante esse ano, ademais, se popularizaría o termo, que provavelmente tinha sido já de uso comum na língua oral entre 1913 e 1915.
Conteúdo |
O jazz caracteriza-se por eludir a execução das interpretações a partir da leitura fiel de uma partitura (apesar de que muitos músicos de jazz dominem a linguagem musical): a base da interpretação e o estilo jazzístico é a improvisación. Em qualquer caso, excetuando ao free jazz ou algumas jam session (onde costuma suceder que não se trabalhe sobre nenhum tema já conhecido), improvisar significa que o intérprete recreia livremente o tema na cada execução sobre uma determinada estrutura harmônica, já seja em público ou em um estudo de gravação: a melodia funciona como tema principal e ideia para desenvolver uma possível interpretação. Neste sentido, a música de jazz centra-se mais no intérprete que no compositor.
A improvisación diferença de forma primordial ao jazz de outros estilos musicais da tradição musical ocidental, como a música clássica européia. Neste sentido, o jazz recupera na música ocidental a improvisación como esencia musical, como existe na maior parte das tradições musicais de origem não europeu, especialmente dos ritmos africanos, com predominio do uso de síncopas e de determinadas formações orquestales.
Quanto a sua repercussão pública, a subordinación da melodia (o factor mais valorizado, por exemplo, na música pop) à liberdade criativa do artista, tem afastado historicamente ao jazz de uma presença comercial em massa.
O padrão subjacente sobre o que se delinean melodias sincopadas e figuras rítmicas (frequentemente, um ritmo aditivo)[3] é metronómico e a organização harmônica tonal emprega frequentemente a escala do blues com fins melódicos. São recursos habituais as blue notes, síncopas, ritmos múltiplos, vibratos e glissandos. O formato dos temas de jazz é, na maioria das interpretações, o do blues e o da canção popular.
O jazz é habitualmente interpretado por formações nas que se destaca um instrumento solista (concertino) acompanhado de uma secção rítmica (ripieno formado por uma batería, um contrabajo ou baixo eléctrico e algum instrumento harmônico como o piano, o banjo ou a guitarra). As formações podem ser muito variáveis, desde solistas sem acompañamiento, tríos, cuartetos ou quintetos, até as grandes Big Bands nas que a improvisación joga um papel secundário.
A liberdade interpretativa, que é definitoria do jazz, tem levado ao uso de um termo histórico, swing, como sinónimo de uma determinada qualidade rítmica que é percebida de uma forma completamente subjetiva. Os instrumentos da secção rítmica adaptam as figuras de suas improvisaciones ou acompañamientos de acordo ao tempo eleito para a interpretação. Ao ser variável e subjetivo, não existe consenso sobre a anotação correcta do swing e se costuma aceitar escrito em corcheas.
Geograficamente, o jazz surge no estado de Luisiana , concretamente na zona de influência de Nova Orleans (berço do estilo musical e principal centro jazzístico durante a primeira época do jazz),[5] a onde chegavam grandes remessas de escravos de cor, fundamentalmente da zona ocidental da África, ao sul do Sáhara, a zona denominada Costa de Marfil, "Costa do Ouro" ou "Costa dos escravos".
Em muitas áreas do Sur dos Estados Unidos, o bater de tambores estava especificamente proibido pela lei, de forma que os escravos negros tiveram que recorrer à percussão mediante as palmas das mãos e o bater dos pés para desfrutar de suas festas e sua música característica. No entanto, a proibição não teve vigor no telefonema Place Congo (Congo Square) de Nova Orleans, na que até a Guerra de Secessão os escravos tinham liberdade para se reunir, cantar e se acompanhar de verdadeiros instrumentos de percussão tais como calabazas resecas e recheadas de piedrecitas, o birimbao, as quijadas, o piano de dedo polegar ou sanza, e o banjo de quatro sensatas.
Musicalmente, o jazz nasce da combinação de três tradições: a autóctona estadounidense, a africana e a européia.
A comunidade afroamericana do sul dos Estados Unidos desenvolveu sua expressão musical através da improvisación criativa sobre o material que lhe proporcionavam as músicas religiosas (especialmente, os dances e rituales vinculados ao vudú) e seglares próprias trazidas da África, a tradição instrumental das orquestras estadounidenses (sobretudo, as bandas militares) e as formas e harmonias da música européia.
Estas primeiras manifestações musicais afroamericanas eram uma mistura de ritmos e instrumentos associadas à vida dos escravos, portanto interpretadas como canções de trabalho e de diversión colectiva. A improvisación é já, nestes primeiros momentos, um componente essencial destas músicas, que as contrapõe à música composta dos alvos.
Os escravos fundiram muitas de suas tradições africanas com o cristianismo protestante que lhes impuseram seus amos, o que constituiu o caldo de cultivo apropriado para o desenvolvimento dos espirituais. É importante observar o facto de que, apesar das divergências em ritmo, harmonia e estilo interpretativo, a tradição musical européia que os escravos conheceram nos Estados Unidos oferecia pontos de contacto com sua própria tradição: assim, a escala diatónica era comum a ambas culturas. Se a isto se lhe acrescenta o relativo isolamento cultural em que vivia grande número de escravos e a tolerância dos amos respecto de sua música, a consequência foi que pudessem manter íntegro grande parte de seu legado musical no momento de fundir com os elementos compatíveis da música européia e estadounidense, com o que se conseguiu um híbrido com notável influência africana.
A finalização da guerra que enfrentou o norte com o sul, permitiu a chegada de grande quantidade de instrumentos musicais às mãos dos escravos recém libertados, muitos dos quais tomaram a música como forma de vida.
Com estes novos instrumentos e reunindo todas as influências musicais, se formaram as 'marching bands' e as bandas de música bailable da época, que, no final do XIX, supunham o formato habitual no que a concertos de música popular se refere. Os instrumentos deste tipo de grupos converteram-se assim nos instrumentos básicos do jazz: a corneta, o trombón, os 'reeds' ou 'instrumentos de lengüeta' como o clarinete, e a batería.
Os músicos negros costumavam utilizar a melodia, a estrutura e o ritmo das marchas como ponto de saída. No entanto, no projecto da Dotação Nacional para as Humanidades ("Norte por Sur, de Charleston a Harlem") diz-se: "(…) um espírito negro, relacionado com o ritmo e a melodia, emergia desde os confines da tradição musical européia, ainda apesar de que os intérpretes utilizavam instrumentos europeus. O gosto afroamericano por diversificar as melodias e remodelar os ritmos supôs a base da que surgiriam depois muitos dos maiores intérpretes do jazz."[cita requerida]
Seguindo a tradição afroamericana de Nova Orleans, muitos músicos negros conseguiram ganhar-se a vida em pequenas bandas que eram contratadas para tocar em funerais. Estas bandas africanizadas jogaram um papel embrionario na articulação e diseminación das formas temporãs do jazz. Viajando através das comunidades negras, desde o sul profundo às grandes cidades do norte, estes músicos pioneiros conseguiram estabelecer o aullido, a estridencia, o livre desvarió, a "ragedia" (raggedy) e o espírito do ragtime, dando vida a uma mais elocuente e sofisticada versão do ritmo. Assim as coisas, as formas iniciais do jazz, com suas raízes populares e humildes, foram basicamente o produto de músicos autodidactas.
O endurecimento das leis ‘Jim Crow’ em Luisiana no final do XIX (que promoviam a segregación racial com o tristemente famoso "iguais mas separados") fez que muitos músicos afroamericanos fossem expulsados de diversas bandas que misturavam a alvos e a negros. A habilidade destes artistas musicalmente formados, capazes de transcribir e ler aquilo que em grande parte supunha uma arte de improvisación, fez possível conservar e diseminar suas inovações musicais, facto que cobraria uma importância crescente na já próxima época das grandes bandas.
Progressivamente, aparte de ir-se criando esses grupos de músicos negros que actuam de forma autónoma e conjuntada como tais, se vão estandarizando alguns estilos ou géneros:
Considera-se a Buddy Bolden, cornetista e director musical, como o primeiro músico de Nova Orleans que tocou jazz.
Os primeiros grupos musicais que tocaram música jazz se caracterizavam por possuir uma secção rítmica cuja função não era melódica e que evoluiria até se compor de piano, contrabajo e batería. Neste sentido, a importância do piano para o novo estilo foi fundamental:
Por outro lado, o percusionista acrescentou vivacidad e síncopa a estes primeiros combos jazzísticos. O instrumento melódico fundamental era a trombeta ou corneta, que servia para delinear melodias sincopadas muito ao estilo ragtime.
Quanto aos músicos individuais, os pioneiros do jazz foram King Oliver, Freddie Keppard, Louis Armstrong, Jelly Roll Morton, Sidney Bechet e Buddy Bolden.
Rítmicamente, os dois rasgos característicos do jazz de Nova Orleans eram o break, originador de homofonía, e o stomp, com rasgos polifónicos.[11]
Pelo demais, o jazz dos primeiros tempos tinha uma clara funcionalidade social, tocando-se em funerais, casamentos, dances, etc. Esta associação com elementos populares implicou que o jazz fosse vinculado à vida licenciosa, se ganhando as constantes críticas da imprensa a partir dos primeiros anos vinte por se considerar um sintoma de um generalizado declive moral.
Posteriormente, inaugurando a época do swing, (1923-1939) chegou King Oliver, com seu "Creole Jazz Band" e gravou entre outras composições "Dippermouth Blues". Os três sozinhos a corneta dessa peça, além de ser o ponto de inflexão entre a música de rua e o jazz, foram imitados sem contemplaciones até muito tempo depois por um grande número de músicos. Louis Armstrong - segunda trombeta de sua banda e discípulo seu- retomou na orquestra de Fletcher Henderson o estilo, o virtuosismo e a flexibilidade rítmica de Joe Oliver, superando-o e marcando um caminho imborrable no tempo. Outro grande iniciador do caminho da improvisación foi Sidney Bechet, virtuoso do clarinete e o saxofón soprano, precursor do "sozinho" no jazz, que também em 1923 cautivó aos oyentes da nova música com suas gravações de "Wild Cat Blues", "Kansas City Man Blues", e em especial, o magistral "House Rent Blues".
Durante finais dos anos vinte e até mediados da década do 40, foram as grandes bandas quem dominaram a cena musical. Para 1929, tinha nos Estados Unidos uns 60.000 grupos de jazz e quase 200.000 músicos profissionais.[12]
O swing caracterizou-se por seu carácter melódico que permitiu que fosse uma música perfeita para o dance pelo que seu penetración mundial foi acelerada. As composições seguiam um formato escrito e não se dava grande liberdade à improvisación ainda que esta não fosse a regra. Em princípio as grandes bandas eram raciais mas finalmente foram-se integrando músicos brancos e negros. Os mais famosos directores destas grandes bandas foram Fletcher Henderson, Count Basie, Duke Ellington, Benny Goodman, entre outros.
O bebop (1940-1950), a revolução musical base de todo o jazz moderno, coincidiu com a greve de gravações que desde o 1 de agosto de 1942 até novembro de 1944 levaram a cabo todos os músicos organizados em torno da Federação Estadounidense de Músicos (AFM). O efeito mais perverso dessa greve foi atrasar oficialmente o nascimento daquela nova música que se estava gestando no norte do bairro de Harlem e em torno de um clube já histórico e desaparecido: O Minton's Playhouse de Harlem, em Nova York. Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk foram os grandes gestores deste género musical.
O cool ou West Coast jazz, e o hardbop (1951-1969) conviveram durante este período em uma pugna pela hegemonía musical do jazz. Enquanto na Costa Oeste dos Estados Unidos, Lennie Tristano, Lê Konitz, Dave Brubeck, Paul Desmond e outros músicos geralmente brancos davam-lhe ao jazz uma impronta estilísticamente mais culta, e supostamente mais funcional, na Costa Este surgiu com enorme força ao redor do batería, Art Blakey, Horace Silver e os Jazz Messengers, um estilo que os negros nova-iorquinos não duvidaram no considerar não só como uma resposta ao suposto amaneramiento do jazz, senão como legitimo herdeiro do bebop. Depois chegaram ao jazz ares renovados que inauguraram toda uma época: chegou o jazz livre ou free jazz. Ornette Coleman foi acusado pelos puristas de assassinar ao jazz, mas quando Milhares Davis, entrou nesse terreno com discos e aventuras musicais eléctricas, as críticas não só terminaram, senão que se voltaram louvores. John Coltrane, quem fez parte de algumas formações lideradas por Davis, é outro dos músicos insoslayables desta linguagem musical.
A fins dos anos 1960 e começos dos anos 1970, o jazz misturou-se com o rock para dar lugar a agrupamentos como Soft Machine, Mahavishnu Orchestra, Weather Report, Return to Forever, bandas integradas por muitos dos músicos que tinham participado do disco Bitches Brew de Milhares Davis (ou que tinham sido inspirados por aquele álbum), representantes de um estilo chamado fusão ou Jazz Rock. Eles são: Robert Wyatt, John Mc Laughlin, Chick Coréia, Herbie Hancock, Dave Holland, Wayne Shorter, Rum Carter, Joe Zawinul, Jack DeJohnette, Billy Cobham, Lenny White. Conquanto a moda do jazz-rock passou, estes músicos desenvolveram -com alguns altibajos- carreiras interessantes. Desde essa década -e até o presente-, apareceram outros nomes: Jaco Pastorius -morrido tragicamente em 1987 , vítima de um custodio de um bar-, Michael Brecker e seu irmão Randy Brecker, Pat Metheny, Bill Frisell, Mike Stern, David Fiuczynski, Esbjörn Svensson Trio, etc. The "new wave":
Ao início do século XX a sociedade estadounidense tinha começado a despojar-se da opresiva e rígida formalidad que tinha caracterizado à era victoriana.
Desde o século XIX, com as canções de comédia e 'trovadores' (os "minstrel shows") ou as melodias de Stephen Foster, a influência das tradições musicais afroamericanas aparecia como parte integrante da música popular estadounidense e o fez assim durante gerações.
Os clubes, as salas de dance e os cafés (‘tea rooms’) começaram a aparecer em todas as cidades. Curiosamente dance-los chamados negros, que se inspiravam em movimentos africanos –como o ‘shimmy’, o ‘turkey trot’, o ‘chicken scratch’, o ‘monkey glide’, e o ‘bunny hug’- foram adoptados por um público alvo. O ‘cake walk’, desenvolvido por escravos como paródia dos dances formais de seus amos, se converteu no último grito. O público alvo aprendia estes dances os vendo primeiro em programas de vodevil e observando depois a bailarinos profissionais nos clubes.
Naqueles tempos a música de dance popular não era o jazz ainda que se encontravam já formas precursoras, por exemplo na experimentación e inovação musical do blues ou o ragtime, que cedo floresceriam como jazz. Compositores nova-iorquinos (os conhecidos como o grupo da ‘Tin Pan Alley’, entre eles Irving Berlin), incorporaram a influência do ragtime a suas composições ainda que mal utilizavam os mecanismos específicos que eram naturais aos artistas do jazz –os ritmos, as blue notes. Poucas coisas conseguiram mais para fazer popular este tipo de música que o sucesso de Berlim de 1911 chamado "Alexander's Ragtime Band", que se converteu em uma autêntica loucura tanto nos Estados Unidos como na Europa (especialmente em Viena). Ainda que a canção não estava escrita como um ragtime, a letra descreve a um grupo de jazz que convertia canções populares a ritmos de jazz –como na linha onde diz: "se queres ouvir o ‘Swanee River’ tocado em ragtime…".
Uma grande quantidade de estilos regionais contribuíram ao desenvolvimento inicial do jazz. Provavelmente o primeiro movimento musical ao que comummente se denominou jazz (frequentemente escrito 'jass' então) foi o desenvolvido na área de Nova Orleans, em Luisiana .
A cidade de Nova Orleans e as áreas circundantes sempre têm sido um centro musical regional. Gente de diferentes nações da África, Europa e Latinoamérica contribuíram ao rico património musical de Nova Orleans. Em era-a colonial da França e Espanha, os escravos tinham mais liberdade de expressão cultural que os das colónias inglesas que depois converter-se-iam nos Estados Unidos. Nas colónias protestantes, a música africana era vista como "pagana" e era comummente suprimida, enquanto em Louisiana era aceite. As celebrações musicais africanas seguiram-se celebrando em "Congo Square" em Nova Orleans até pelo menos 1830, às que também assistiam alvos interessados, e algumas de suas melodias e ritmos foram usados nas composições do compositor Louis Moreau Gottschalk. Além da população escrava, Nova Orleans também tinha a maior comunidade de gente de cor livre em Norteamérica, quem se orgulhavam de sua educação e usavam instrumentos europeus para executar música européia e suas próprias canções de folk .
De acordo com muitos músicos de Nova Orleans que recordavam a época, as figuras finque no desenvolvimento do novo estilo foram o extravagante trompetista Buddy Bolden e os membros de sua banda. Bolden é recordado como o primeiro em tomar o blues -até o momento uma música folclórica cantada e acompanhada por instrumentos de sensata ou harmônica- e o arranjar para instrumentos de metal. A banda de Bolden tocou blues e outras canções, "variando a melodia" constantemente (improvisando), criando uma sensação na cidade e rapidamente foram imitados por muitos outros músicos.
Para princípios do século XX, viajantes que visitavam Nova Orleans remarcaban a habilidade das bandas locais para tocar "ragtime" com uma vitalidad que não se escutava em outros lados.
As características que apartaram o temporão estilo de Nova Orleans da música ragtime que se tocava em outros lados foi a maior libertar na improvisación rítmica. Os músicos de ragtime davam-lhe um ritmo sincopado e executavam uma nota duas vezes (à metade do valor de tempo), enquanto o estilo de Nova Orleans usava uma improvisación rítmica mais intrincada com frequência colocando notas longe do golpe tácito (comparem, por exemplo, o piano de Jelly Roll Morton com os de Scott Joplin). Os músicos do estilo de Nova Orleans também adoptaram muito vocabulario do blues, incluindo notas dobradas, notas de blues e "rosnados" instrumentales não usados nos instrumentos europeus.
As figuras finque no desenvolvimento temporão do novo estilo foram Freddie Keppard, que dominou o estilo de Bolden; Joe Oliver, que tinha um estilo mais profundamente baseado no blues que o de Bolden's; e Kid Ory, um trombonista que ajudou a cristalizar o estilo com sua banda contratando a muitos dos melhores músicos da cidade. O novo estilo também foi dirigido aos jovens brancos, especialmente aos filhos de imigrantes da classe trabalhadora, quem adoptaram o estilo com entusiasmo. Papa Jack Laine liderou uma banda multi-étnica pela que passaram quase duas gerações de músicos brancos de jazz de Nova Orleans (e também uma quantidade de gente de cor).
Enquanto, outros estilos regionais estiveram a desenvolver-se, os quais influenciariam o desenvolvimento do jazz.
O ministro afroamericano Reverendo Daniel J. Jenkins de Charleston (Carolina do Sur), foi uma figura insólita de grande importância no temporão desenvolvimento do jazz. Em 1891, Jenkins estabeleceu o Orfanato Jenkins para meninos e quatro anos depois instituiu um rigoroso programa musical no qual os jovens do orfanato eram educados em música religiosa e secular contemporânea, incluindo overturas e marchas. Órfões precoces e fugitivos, alguns dos quais tocavam ragtime em bares e burdeles, foram enviados ao orfanato para sua "salvação" e reabilitação, e também para que fizessem sua contribuição à música. Seguindo a moda dos Fisk Jubilee Singers e da Universidade de Fisk, as bandas do orfanato Jenkins viajaram muito, ganhando dinheiro para manter o orfanato. Era um caro empreendimento. Jenkins recebia anualmente no orfanato aproximadamente 125 - 150 "ovelhas negras", e muitos deles receberam treinamento musical formal. Menos de 30 anos depois, cinco bandas actuavam nacionalmente, e uma delas viajava a Inglaterra -na contramão da tradição Fisk. Seria difícil exagerar a influência das bandas do Orfanato Jenkins no temporão jazz, dado que seus membros chegaram a tocar com lendas do jazz como Duke Ellington, Lionel Hampton e Count Basie. Entre eles estiveram os virtuosos trompetistas Cladys "Cat" Anderson, Gus Aitken e Jabbo Smith.
No norte dos Estados Unidos, desenvolveu-se um estilo "quente" de tocar ragtime. Centrando na cidade de Nova York, pode-se encontrar este estilo nas comunidades afroamericanas desde Baltimore até Maryland. Alguns comentaristas posteriores têm categorizado esta forma musical como uma temporã forma de jazz, enquanto outros discrepan. Foi caracterizado por seu ritmo jovial, mas carecia da influência "blues" dos estilos sureños. As versões solistas de piano do estilo norteño foram qualificadas por pianistas como o célebre compositor Eubie Blake (um filho de escravos cuja carreira musical se estendeu durante oito décadas). James P. Johnson tomou o estilo norteño e em 1919 desenvolveu um estilo próprio para tocar que foi conhecido como "stride", também conhecido como "barrelhouse piano". Neste estilo, mano-a direita toca a melodia, enquanto a esquerda caminha ou "dá saltos" de um compás mais rápido a um mais lento, mantendo o ritmo. Johnson influiu a pianistas posteriores como Fats Waller, Willie "The Lion" Smith, Art Tatum e Billy Kyle.
O principal líder orquestal deste estilo foi James Reese Europe, e suas gravações de 1913 e 1914 preservam um raro vislumbre da cimeira deste estilo. Foi durante estes tempos quando a música de Europe influiu em um então jovem George Gershwin, quem comporia a clássica "Rapsodia em azul" ("Rhapsody in Blue") inspirada no jazz. Na época em que Europe gravou novamente, em 1919, Gershwin incorporou a sua vez a influência que tinha tido nele o estilo de Nova Orleans a sua música. As gravações de Tim Brymn deram às gerações seguintes uma mirada diferente do "quente" estilo norteño sem ser demasiado evidente a influência de Nova Orleans.
A começos de 1910 em Chicago , um tipo popular de bandas de dance consistiu em um saxofón tocando uma melodia vigorosamente: Bud Freeman era seu nome. A cidade cedo caiu em uma forte influência dos músicos de Nova Orleans, e o estilo mais antigo fundiu-se com o de Nova Orleans para formar o que seria chamado "Chicago Jazz".
Às orlas do Mississippi desde Memphis, Tennessee, até Saint Louis, Missouri, desenvolveu-se outro estilo de bandas que incorporaram o Blues. O compositor e líder mais famoso deste estilo foi o "Pai do Blues", W. C. Handy. Enquanto em alguns aspectos era similar ao estilo de Nova Orleans (a influência de Bolden difundiu-se ao longo do rio), carecia da livre improvisación dos estilos mais sureños. Handy, por muitos anos acusou ao jazz de ser desnecessariamente caótico, e em seu estilo a improvisación estava limitada a curtos recheados entre frases considerando-o inapropiado para a melodia principal.
O Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos foi uma luta não violenta para estender o acesso pleno aos direitos civis e a igualdade ante a lei aos grupos que não os têm, sobretudo aos afroamericanos. Essa luta tinha como objectivo terminar a discriminação contra os afroamericanos e com a segregación racial, especialmente nos estados do Sur. Considera-se que este período em 1955 com a Associação para o Mejoramiento de Montgomery e finaliza com o assassinato de Martin Luther King Jr., ainda que o movimento pelos direitos civis segue actuando. O trompetista Louis Armstrong contribuiu economicamente com este movimento. Ray Charles (o cantor e pianista) também contribuiu à causa. Archie Shepp (escritor, músico e activista político) começa a usar sua música para apoiar a luta dos negros americanos. Compôs dois temas claramente relacionados com esta luta: “Rufus" é a transposición musical do linchamiento de um negro e “The Funeral” está dedicada ao secretário da NAACP, Medgar Evers, quem tinha sido assassinado por aqueles anos. Seu disco mais famoso foi Fire Music,[13] no que suas composições estavam dedicadas às grandes figuras negras do movimento, entre elas, Malcolm X (activista de uma organização chamada A nação do Islão). O baterista Max Roach, muito sensibilizado com a luta dos negros introduz em sua arte uma intenção totalmente política. Em 1960, esse discurso radicaliza-se e passa das palavras aos factos organizando um festival paralelo e alternativo ao oficial de Newport desse ano como forma de protesto contra a segregación racial e grava o disco We Insist! Freedom Now Suite,[14] uma declaração contra o racismo manifestado desde a mesma portada do álbum, onde se vê a um camarero branco na barra de um café com gesto amenazante fazia seus três clientes negros. Sonny Rollins e Coleman Hawkins gravam Freedom Suite, que foi a primeira composição de jazz explicitamente dedicada ao protesto. Sobre este disco, Rollins disse a América está empapada em cultura negra”. Sustentava que os afroamericanos representavam a esencia da cultura americana mas eram oprimidos por um grupo (europeus brancos). Freedom Suite era um grito de protesto contra a forma na que lhos tratava aos afroamericanos desde os dias da escravatura até os dias da gravação do disco. Rollins foi um homem brilhante que conseguiu canalizar seus sentimentos de opresión através do exercício da arte. Sidney Bechet (clarinetista nascido em Nova Orleans a fins do século XIX) disse: “Após a emancipación…todos os que têm sido escravos precisam agora a música mais que nunca; é como se tratassem de encontrar nesta música o que se supunha que encontrariam com esta liberdade: tocar a música e escutá-la esperando que expresse o que precisam aprender uma vez que tenham aprendido que não é só aos alvos aos que lhe tem que chegar a música, senão directo à vida, e ao que um homem faz com sua vida quando finalmente é sua.”[15]
Que inclui os músicos de jazz agrupados segundo instrumento:
pcd:Djazz