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José Bergamín

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José Bergamín Gutiérrez (Madri, 1895 - Fuenterrabía, Guipúzcoa, 28 de agosto de 1983 ) foi um escritor, ensayista, poeta e dramaturgo espanhol.

Biografia

Seu pai chegou a ser presidente do cantón de Málaga; sua mãe foi uma católica fervorosa; nunca renegou desta dupla herança e toda sua vida tratou de congraciar catolicismo e comunismo ("com os comunistas até a morte... mas nem um passo mais", dirá). Estudou leis na Universidade Central. Seus primeiros artigos apareceram em revista-a Índice, dirigida por Juan Ramón Jiménez, nos anos 1921 e 1922; sua amizade com o grande poeta será tão intensa e duradoura como a que sustentou com Miguel de Unamuno, que é também uma das principais fontes intelectuais em sua obra. Foi em revista-a Índice onde, segundo ele, surgiu toda a nómina de escritores da Geração do 27, marbete que detestava, pois o preferia a denominar "Geração da República". A crítica oficial negou-lhe sempre seu pertence a dito grupo e lhe classifica mais bem entre os membros da Geração de 1914 ou Novecentismo, mas a verdade é que participou nos começos do 27, colaborou em todas suas publicações e foi editor de seus primeiros livros, pelo que pode se dizer que foi um de seus representantes mais genuinos. Por outra parte, considera-se a Bergamín como o principal discípulo de Unamuno e um dos melhores ensayistas em espanhol do século XX, e se aprecia em seus escritos a qualidade de página de um consumado e original estilista. Seus temas preferidos vão desde os mitos literários a Espanha, no Século de Ouro, a mística, a política ou a tauromaquia.Também fundou uns dos colégios mais antigos de Málaga llámado Bergamín e que em sua época era um dos melhores colégios de Málaga no que até agora se conserva muitos objectos, livros, cadernos etc...

Mas é precisamente a originalidad de sua obra literária e sua gosto unamuniano pelo paradójico o que tem desconcertado aos historiadores menos sensíveis da literatura espanhola, prejudicando a sua fama pese a sua activísima labor literário no terreno do brocardo, o ensaio, a lírica, a edição e o teatro. Isso não se importava demasiado e, de facto, ele mesmo desejo se converter no que foi: um autêntico fantasma no mundo cultural espanhol.

Oposto à ditadura de Miguel Primo Rivera, participou em um mitin político em Salamanca junto a Unamuno em apoio dos ideais republicanos. Ocupou ademais por breve tempo o cargo de Director Geral de Seguros no primeiro Ministério de Trabalho republicano às ordens de Longo Caballero. Em 1933, fundou e dirigiu a revista Cruz e Listra, "revista do mais e do menos" ou "da afirmação e a negación", sem dúvida a publicação mais original, aberta e independente de então e onde participaram numerosos autores do 27. Seu último número, o 39, aparece em junho de 1936, dias dantes do levantamento militar, e morre com a República.

Durante a Guerra Civil Bergamín presidiu a Aliança de Intelectuais Antifascistas e foi nomeado agregado cultural na Embaixada espanhola em Paris, onde se ocupou em procurar apoios morais e financeiros para a decaída República; seu nome está associado nesta época a quase todas as empresas culturais durante a contenda. Escreve nas revistas O Macaco Azul, Hora de Espanha e Cadernos de Madri. Preside em 1937 em Valencia o segundo Congresso Internacional de Escritores em Defesa da Cultura, que reuniu a mais de uma centena de intelectuais chegados de quase todas partes do mundo. Durante a República Bergamín atingiu a cúspide de seu prestígio intelectual, multiplicando-se em todas as frentes literárias e jornalísticos e conseguindo que Espanha fosse a sede do Congresso Internacional de Escritores em 1937, além de fazer a Pablo Picasso o encarrego oficial do Guernica para a Exposição desse mesmo ano. O escritor adoptou uma postura muito radical, chegando-se a passear com pistola em mãos pelas ruas de Madri, aparecendo escritos seus no Macaco azul nos que de forma devastadora satirizaba a muitos junto à triste secção A passeio que convidava aos assassinatos. Confessa o novelista Andrés Trapiello que Bergamín, “como intelectual orgânico que justificava os assassinatos de comunistas e trotskistas não oferece dúvidas”. Jamais se retractó de atitudes e opiniões como as citadas.

Ao triunfar Franco foi-se ao exílio levando-se uma instância que lhe tinha dado Federico García Lorca pouco dantes de morrer de Poeta em Nova York, que editará ele mesmo. Marchou primeiro a México e depois a Venezuela, Uruguai e finalmente França. Em México fundou a revista Espanha peregrina, que recolheu as aspirações dos escritores exilados, e a Editorial Séneca, onde apareceram as primeiras Obras completas de Antonio Machado e obras de Rafael Alberti, César Vallejo, Federico García Lorca e Luis Cernuda, entre outros. Voltou a Espanha em 1958, mas foi preso como suspeito por suas relações com a oposição ao regime e seu apartamento foi queimado, pelo que ante tantas hostilidades, e sobretudo por por ter assinado um manifesto com mais de cem intelectuais dirigido a Manuel Fraga Iribarne em que se denunciavam torturas e repressão contra os mineiros asturianos, teve que exiliarse de novo em 1963 por ordem expressa de Fraga depois de uma polémica com Torcuato Luca de Tena no diário ABC ao publicar este uma Contestación a Pepito Bergamín, -onde lhe tachaba de comunista depois de ler um artigo seu publicado na América-,; voltou definitivamente em 1970.

Viveu em Madri muitos anos e converteu-se em um dissidente do processo político conhecido como "Transição", cujas componendas foi lucidamente um dos primeiros em perceber, o que lhe supôs ser expulso sucessivamente de vários jornais. Foi republicano nas primeiras eleições democráticas e publicou o manifesto Erro monarquia; "meu mundo não é deste reino", escreverá. Obsedado com seus sonhos políticos de volta da República, acabou em seus dias apoiando aos independentistas vascães com seu trabalho no diário Egin e em revista-a Ponto e Hora de Euskal Herria e em seu apoio político à coalizão independentista Herri Batasuna, ainda que mantendo um tom poético que está à altura do melhor do cancionero popular, não inferior a Machado ou Juan Ramón. Nos últimos anos de sua vida viveu-os no País Basco. O tema de Espanha acha-se também muito presente a sua obra, e talvez expressou sua postura da forma mais sintética em sua soneto "Ecce Espanha". José Bergamín teve como última decisão a de ser enterrado em Fuenterrabía "para não dar meus ossos a terra espanhola."

Obras

Enlaces externos

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