Karl Bühler (Meckesheim, Baden, 27 de maio de 1879 - Los Angeles, 24 de outubro de 1963 ), pedagogo, psicólogo, lingüista e filósofo alemão.
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Em 1899 começou a estudar medicina em Friburgo e ali se doctoró nessa matéria, mas cursó estudos paralelos de Psicologia e Filosofia em Estrasburgo . Ampliou os de Psicologia na Universidade de Berlin e a de Bonn. Ainda que formou-se na Psicologia da Gestalt, desenvolveu sua própria teoria, o Funcionalismo, para explicar os processos cognoscitivos. De 1918 a 1922 foi professor de Filosofia e de Pedagogia em Dresde ; ali casou-se em 1916 com Bertha Charlotte Bühler (1893–1974), outra importante psicóloga, fundadora da psicologia do desenvolvimento. Entre 1922 e 1938 foi professor de Psicologia na Universidade de Viena e em seu Instituto Pedagógico, fazendo parte do Círculo de Viena. Suas teorias sobre a evolução intelectiva do menino inspiraram a reforma educativa na Áustria. Os progressos dos nacionalsocialistas e o hostigamiento para ele e sua mulher lhes impulsionaram a abandonar o país em 1938; estiveram em Oslo, em Londres e finalmente marcharam em 1939 aos Estados Unidos, onde se estabeleceram definitivamente. Até 1945 Karl Bühler foi professor em Minnesota, e depois, até sua aposentação em 1955, foi-o de Psiquiatría na Universidade do Sur de Califórnia, em Los Angeles, onde faleceu o 24 de outubro de 1963. Teve importantes discípulos, entre eles os filósofos Ludwig Wittgenstein e Karl Popper, o historiador da arte Ernst Gombrich e o antropólogo e etólogo Konrad Lorenz.
Formou-se na Psicologia da Gestalt, mas criou sua própria teoria, denominada Funcionalismo. Em Pedagogia foi muito influente sua obra O desenvolvimento espiritual do menino (tradução de Rosario Fontes, 1934), onde estabelece, entre outras coisas, que o jogo é um elemento fundamental para o desenvolvimento intelectual e cognoscitivo do homem. Entende o jogo como "prazer funcional" independentemente da actividade levada a cabo e da finalidade que persiga. Este prazer funcional apresenta-o como o objectivo em função do qual se despliega a actividade e, simultaneamente, como o mecanismo interno que sustenta seu reiteración. Distingue entre o motivo que rege os jogos funcionais do menino (o prazer) e os mais evoluídos do adulto. O menino passa dos jogos sensorio motrizes durante o primeiro ano, em que experimenta e pratica infatigavelmente com seu corpo, aos jogos receptivos para o final do primeiro ano de vida, atendendo à forma e constituição dos brinquedos e ejercitando a percepción; daí o menino passa aos jogos imaginativos, que conferem algum significado à acção, entre os dois e quatro anos, quando finge ser o pai ou a mãe e copia os papéis dos adultos; desde os quatro anos e médio passa aos jogos construtivos; em que coloca os objectos em diversas posições e observa o resultado; desenvolve as capacidades práticas e ejercita com outros a interacção social; a partir de seis anos passa aos jogos colectivos que facilitam a cooperação, o sentido de relação e a concorrência e a cooperação.
Karl Bühler, ao igual que os gestaltistas, sustentava (1913, 1929) que a construção teórica ("organização") era uma función básica da mente humana à margem de associações das impressões dos sentidos ou outros "átomos do pensaminto"; igualmente, rebatía experimentalmente toda a forma de "atomismo lógico" (como o chama Russell) e de atomismo psicológico. Bühler atribui três componentes à função comunicativa da linguagem: a função expresiva, a função indicativa, estimulativa ou liberadora e a função descritiva. A estas acrescentar-lhe-á Karl Popper, que foi aluno de Bühler, outra função mais: a função argumentativa.
Em 1918, Karl Bühler organizava a linguagem com uma tríade de funções, correspondentes aos três pólos da comunicação, Kundgabe (notificação), Auslösung (suscitación) e Darstellung (representação ou descrição): fala-se disso, lho "descreve", TU escuta —está suscitado–, escuta EU que fala —está a notificar—, agora o TU de dantes se volta EU que fala, e TU, o EU de dantes, escuta a resposta sobre o tema disso (indefinido, já que pode ser um "outro" ISSO).
Em seu livro de 1934 Sprachtheorie. Die Darstellungsfunktion der Sprache (Jena, Fischer, traduzido por Julián Marías: Teoria da linguagem, Madri, Revista de Occidente, 1950) Bühler propunha o modelo do organon, representação triangular do acto de fala, que derivou em três funções, Ausdruck (expressão), Appell (telefonema ou apelação), e a mesma Darstellung. Configuram-se assim dois campos: o simbólico (da representação conceptual) e o mostrativo, indicativo ou señalativo - âmbito do hablante e o oyente ("situação" para Eugenio Coseriu), que abarca as outras duas funções. No campo mostrativo opera a deíxis, a forma de señalamiento ou mostración que tipicamente podem realizar os pronombres. Bühler distinguiu três tipos de deíxis: demostratio ad oculos, deíxis anafórica e deixis da fantasía (Deixis am Phantasma). A demostratio ad oculos é a deixis efectuada no campo mostrativo na situação do enunciado, como um tipo de referência exofórica. Com os pronombres pessoais assinalam-se o emissor: a primeira pessoa e o receptor: a segunda pessoa. Com outros pronombres efectuam-se diversos señalamientos ao contexto espaço temporal criado pelo acto de falar e a participação de seu emissor (cá / lá, este, cá, agora, meu / teu, etc.). A deixis da fantasía é o señalamiento a objectos não presentes na situação de discurso. Realiza-se no plano da memória, ou a imaginación. A deíxis anafórica é a dexis sintáctica, isto é, o señalamiento a um segmento do texto, do qual o pronombre é correferente (tem o mesmo referente que aquele); a referência é endofórica. A anáfora pode ser anticipatoria ou prospectiva, telefonema também catáfora.
Roman Jakobson conhecia bem a tríade de funções da linguagem graças ao Círculo Linguístico de Praga, do qual o russo era o animador principal, e onde o esquema de Bühler foi aceite facilmente, já que permitia resolver uns problemas ainda controvertidos dantes de que Bühler se marchasse para os Estados Unidos, o que ocorreu em 1939; Jakobson também saiu nessa mesma data, passando por Dinamarca, Noruega e Suécia.
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