Laicismo é a corrente de pensamento, ideologia, movimento político, legislação ou política de governo que defende, favorece ou impõe a existência de uma sociedade organizada aconfesionalmente, isto é, de forma independente, ou se for o caso alheia às confesiones religiosas. Seu exemplo mais representativo é o "Estado laico" ou "não confesional". O termo "laico" (do grego λαϊκός, laikós - "alguém do povo", da raiz λαός, laós - "povo") aparece primeiramente em um contexto cristão.
O conceito de Estado laico", oposto ao de Estado confesional", surgiu historicamente da Separação Igreja-Estado que teve lugar na França no final do século XIX, ainda que a separação entre as instituições do estado e as igrejas ou organizações religiosas se produziu, em maior ou menor medida, em outros momentos e lugares, normalmente vinculada à Ilustração e à Revolução liberal.
Os laicistas consideram que sua postura garante a liberdade de consciência além da não imposição das normas e valores morais particulares de nenhuma religião ou da irreligión. O laicismo é diferente do anticlericalismo assim que não condena a existência de ditos valores religiosos.
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Os termos laicidad e laicismo utilizam-se, às vezes como sinónimos e às vezes como antónimos, ou ao menos como de sentido divergente dentro de seu campo semántico comum.
O laicismo ou laicidad pode entender-se como a dimensão político jurídica do secularismo ou processo histórico de secularización que deixou à Igreja à margem do poder.
Cabe destacar que é na República Mexicana, precisamente durante a chamada "Guerra de Reforma" que os liberais mexicanos consolidaram a separação jurídica entre a Igreja Católica e o Estado através de várias disposições, realçando entre elas, a Constituição de 1857, na que se decreta a laicidad na educação pública, junta a esta disposição suprema há que realçar a importância da Lei de Desamortización dos Bens da Igreja do 12 de julho de 1859, como culminación do referido processo. A partir desse momento, a separação Igreja-Estado rege os princípios constitucionais do país.
Este termo tomou significado a partir da raiz latina original para designar o impulso moderno (surgido durante o Século das Luzes) dos Estados, organizações e pessoas para a independência das instituições com respeito ao poder eclesiástico, o desejo de limitar a religião ao âmbito privado, particular ou colectivo, das pessoas e permitir melhores condições para a convivência da diversidade religiosa, pondo ao Estado de árbitro e, como regras do jogo, os direitos humanos. Em general, os laicistas afirmam que a laicidad é um princípio indisociable da democracia, porque as crenças religiosas não são um dogma que devam se impor a ninguém nem se converter em leis. Fernando Savater, professor de ética e filósofo, diz que "na sociedade laica têm acolhida as crenças religiosas assim que direito de quem as assumem, mas não como dever que possa se impor a ninguém. De maneira que é necessária uma disposição secularizada e tolerante da religião, incompatível com a visão integrista que tende a converter os dogmas próprios em obrigações sociais para outros ou para todos. O mesmo resulta válido para as demais formas de cultura comunitária, ainda que não sejam estritamente religiosas".
Um Estado laico desta forma pretende atingir uma melhor convivência ao ordenar as actividades dos diferentes credos, assegurando a igualdade de todos ante a lei, e em muitos casos servindo como ferramenta para submeter o sentimento religioso, pretendendo assim antepor os interesses gerais da sociedade civil sobre os interesses particulares. Em outros campos mais específicos, por exemplo a educação, usa-se o termo de educação laica quando se defende o ensino público ou privada mantendo a independência da mesma com respeito a qualquer crença ou prática religiosas.
No século XIX francês a palavra laicización significou sobretudo o esforço do Estado por sustraer a educação ao controle das ordens religiosas, oferecendo uma escola pública controlada exclusivamente pelo Estado igual para todos. A Igreja Católica opôs-se a esta visão do laicismo, pois considera que não garante a liberdade religiosa e de culto dos católicos. A Igreja Católica acercou-se às posições políticas mais modernas, aproximando a uma renúncia ao estado confesional, durante o Concilio Vaticano II e retrocedendo depois a suas posições tradicionais[cita requerida]. Aceita um regime de separação do Estado, mas puntualiza que esta "separação" não implica a renúncia a exigir que as leis se amolden a suas posições doctrinales nos países que considera católicos, ali onde os baptizados são maioria, nos que exige uma posição especial. A Igreja Católica distingue actualmente entre um estado laico, que reconhece a autonomia mútua da Igreja e o Estado em suas respectivas esferas, e o Estado laico, que se resiste à tutela espiritual do Estado por parte da Igreja[cita requerida].
Com frequência confundem-se ambos termos. O Dicionário da Real Academia Espanhola diz que são derivados, respectivamente, de laico e de ateu:
Laico ou laica é um adjectivo, e também se usa como sustantivo, que, proveniente do latín aĭcus, se aplica àquela pessoa, em uma de suas acepciones, "que não tem ordens clericales" e, na outra, que é "independente de qualquer organização ou confesión religiosa". Segundo o DRAE é, em sua primeira acepción sinónimo de seglar : que não tem ordens clericales.
Ateu ou atea é também um adjectivo, e também se usa como sustantivo, que, proveniente do latín athĕus (que a sua vez prove do grego αθεός), se aplica àquela pessoa "que afirma a não existência de Deus". Segundo o DRAE "nega a existência de Deus".