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Latim

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Para outros usos deste termo, veja-se Latim (desambiguación).
Latim
lingua latina, latinō
Falado em Império romano e Europa Ocidental da Antigüedad e Idade Média.
Região Originalmente na Península Itálica, depois na zona de influência do Império romano e toda Europa Ocidental.
Hablantes

• Nativos:
• Outros:

Estado da Cidade do Vaticano, Igreja Católica.

• Nenhum
• Usada nas Humanidades para o estudo filológico, linguístico, jurídico, histórico, filosófico, religioso e literário, entre outros. Também se utiliza na terminología científica, especialmente na taxonomía biológica, ou ciência da classificação dos organismos. Na Igreja Católica utiliza-se para os documentos oficiais. É a língua oficial do Estado da Cidade do Vaticano, junto ao idioma italiano.

Posto Não está entre os 100 primeiros. (Ethnologue 1996)
Família indoeuropeo
 itálico
  latino-falisco
   latín
Alfabeto alfabeto latino
Estatus oficial
Oficial em Organizado usando critérios geográficos
Regulado por Opus Fundatum Latinitas
Códigos
ISO 639-1 a
ISO 639-2 lat
ISO 639-3 lat
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Extensão do Latim

O latín é uma língua do ramo itálica que foi falada na antiga República Romana e o Império romano desde o século IX a. C. Seu nome deriva da existência de uma zona geográfica da península itálica denominada Vetus Latium ou 'Antigo plano' (hoje chamado Lacio).

Ganhou grande importância com a expansão do estado romano, sendo língua oficial do império em grande parte da Europa e África setentrional, junto com o grego. Como as demais línguas indoeuropeas em general, o latín era uma língua flexiva de tipo fusional com um maior grau de síntese nominal que as actuais línguas romances, na qual dominava a flexão mediante sufixos, combinada em determinadas vezes com o uso das preposiciones; enquanto nas línguas modernas derivadas dominam as construções analíticas com preposiciones, tendo-se reduzido a flexão nominal a marcar só o género e o plural, conservando os casos de declinação só nos pronombres pessoais (tendo estes uma ordem fixa nos sintagmas verbais).[1]

Ainda que o latín em sua forma clássica actualmente é a língua nativa do Estado Vaticano e, por tanto, não é uma língua morrida, este deu origem a um grande número de línguas européias, denominadas línguas romances, como o castelhano, o francês, o italiano, português, o catalão, o galego, o rumano, e outras de menor difusão (o asturleonés, o aragonés, o occitano, etc.), e também tem influído nas palavras das línguas modernas, como consequência de que durante muitos séculos, após a queda do Império romano, continuou se usando em toda a Europa como lingua franca para as ciências e a política, sem ser seriamente ameaçada nessa função por outras línguas em auge (como o castelhano no século XVII ou o francês no século XVIII) até praticamente no século XIX.

Actualmente é idioma oficial na Cidade do Vaticano, ainda que, de facto use-se o italiano. A Igreja Católica usa-o como língua litúrgica oficial, ainda que desde o Concilio Vaticano II se permitem ademais as línguas vernáculas.[2] Também se usa para os nomes binários da classificação científica do reino animal e vegetal, bem como para denominar figuras ou instituições do mundo do Direito.

O estudo do latín, junto com o do grego clássico, é parte dos chamados estudos clássicos, e aproximadamente até os anos sessenta foi estudo quase imprescindible nas Humanidades. O alfabeto latino, derivado do alfabeto grego, ainda é o alfabeto mais usado do mundo com diversas variantes de uma língua a outra.

Conteúdo

Períodos na história da língua latina

A história do latín começa no século VIII a. C. e chega, pelo menos, até a Idade Média; podem-se distinguir todos estes períodos:

Origens e expansão

Região do Lacio na Itália, onde surgiu o latín.

O latín aparece para o ano 1000 a. C. no centro da Itália, ao sul do rio Tíber, com os Apeninos e o mar Tirreno ao oeste, em uma região chamada Latium (Lacio), de onde prove o nome da língua e o de seus primeiros habitantes, os latinos.

Nos primeiros séculos de Roma , desde a fundação ao século IV a. C., o latín tinha uma extensão territorial limitada: Roma e algumas partes da Itália, e uma população escassa. Era uma língua de camponeses.

Assim o demonstram as etimologías de muitos termos do culto religioso, do direito ou da vida militar. Destacamos os termos stippulare ('estipular'), derivado de stippa ('palha') ou emolumentum ('emolumento'), derivado de emolere ('moler o grão') na linguagem do direito.

Neste sentido, os latinos, desde época clássica ao menos, falavam de um sermo rusticus ('fala do campo'), oposta ao sermo urbanus, tomando consciência desta variedade dialectal do latín. «No campo latino diz-se edus ('cabrito') o que na cidade haedus com uma a acrescentada como em muitas palavras».[3]

Após o período de Dominación Etrusca e a invasão dos Galos (390 a. C.), a cidade foi estendendo seu império pelo resto da Itália. No final do século IV a. C., Roma tinha-se imposto a seus vizinhos itálicos. Os etruscos deixaram seu impronta na língua e a cultura de Roma, mas os gregos, presentes na Magna Grécia, influíram mais no latín, dotando-lhe de um rico léxico.

O latín da cidade de Roma impôs-se a outras variedades de outros lugares do Lacio, das que mal ficaram alguns retazos no latín literário. Isto fez do latín uma língua com muito poucas diferenças dialectales, ao invés do que passou em grego. Podemos qualificar, pois, ao latín de língua unitária.

Depois, a conquista de novas províncias para o território, primeiro as Galias com César, até a da Dacia (Rumania) por parte de Trajano , supôs a expansão do latín por um imenso território e a incorporação de uma ingente quantidade de novos hablantes.

Paralelamente à expansão territorial de Roma, o latín desenvolveu-se como língua literária e como lingua franca, ao mesmo tempo que o grego, que tinha tido estes papéis dantes. Desde o século II a. C., com Plauto e Terencio, até o ano 200 d. C. com Apuleyo temos uma forma de latín que não tem nenhuma variação substancial.[4] ou uma grande expansão territorial.

Estratos do latín

O latín era uma língua itálica, isso significa que a maioria de elementos gramaticales e a maior parte de sua léxico, provem por evolução natural das línguas de dialectos e falas indoeuropeas.

O idioma original dos grupos latinos ao instalar na península itálica viu-se influída pelo contacto com hablantes de outros grupos tanto indoeuropeos (oscos, umbros, gregos, celtas) como não indoeuropeos (etruscos, cretenses, picenos, ilirios, ligures…).

Costumam distinguir-se três tipos de influência sociolingüística:

Esta distinção, no entanto, pode não resultar do todo operativa; por exemplo, o etrusco pôde ter sido ao mesmo tempo substrato, adstrato e superestrato em diferentes épocas.

Influência sustrato

Uma influência de sustrato provoca mudanças linguísticos causados por hablantes nativos que tenham sido assimilados e cujas línguas teriam ocupado a região dantes de que se difundisse o latín entre elas. Às vezes fala-se, para indicar estas línguas, de sustrato mediterráneo, que proporcionou ao latín o nome de algumas plantas e animais que conheceram ao chegar; são línguas muito pouco conhecidas, pois ficam só uns poucos restos escritos, alguns dos quais ainda não são decifrados. Um sustrato do latín arcaico na cidade de Roma e arredores foi claramente a língua etrusca.

Quanto à influência osco-umbra ao latín, é interessante observar a influência que provocaram, já que nelas estão configuradas já algumas características fonéticas e fonológicas que mais tarde aparecerão nas línguas romances (certas palatalizaciones e monoptongaciones) pois muitos hablantes de línguas itálicas ao romanizarse conservaram certos rasgos fonéticos próprios; inclusive marginalmente dentro das línguas románicas.

Fenómenos deste tipo são a influência céltica à que se atribui a lenición das consonantes intervocálicas ou a [e] francesa, o vascão (ou alguma língua parecida), ao que se atribui a aspiração do /f/ espanhol em h/, ou o influjo eslavo, culpado da centralización das vogais rumanas.

Sustrato etrusco: A influência do etrusco na fonología latina reflete-se no facto de desenvolver algumas aspiradas (pulcher, 'formoso') e a tendência a fechar -ou em -ou. As inscrições etruscas mostram uma tendência a realizar como aspiradas oclusivas surdas previamente inaspiradas, e possuía um sistema fonológico de só quatro timbres vocálicos /a, e, i, ou/, tendo este último uma qualidade entre [ou] e [ou] que teria influído na tendência do latín a fechar algumas /*ou/ em [ou].

Ademais os numerales latinos duodeviginti ('18') e undeviginti ('19') são claramente sobreposições linguísticas formados a partir das formas etruscas esl-em zathrum ('18') thu-nem zathrum, '19' (onde zathrum é a forma etrusca para '20', esl- '2' e 'thun-' '1'). Também é um facto de sustrato do etrusco em latín o sufixo -na em palavras como pessoa, etc.

Influência adstrato

É a devida ao contacto com povos que conviveram com os latinos sem os ter dominados nem depender deles. Este tipo de influência nota-se mais no estilo e léxico adquirido que nas mudanças fónicos da língua. Os adstratos osco, umbro e grego são responsáveis do alfabeto e sobre o relacionado com a mitología, pois os romanos tomaram prestados os deuses helenos, ainda que com nomes latinos.

Adstrato grego: a entrada em massa de empréstimos e sobreposições coberturas e jónicos pôs em guarda aos latinos desde tempos muito temporões, encabeçados por Catón o Velho no século III a. C. Mas na Idade de Ouro da literatura latina os romanos renderam-se ante a evidente superioridad do idioma grego. Bem podem resumir este sentimento os famosos versos de Horacio : «Graecia capta ferum victorem cepit et artis / intulit agresti Latio» («A Grécia conquistada conquistou a seu feroz vencedor e introduziu as artes no rústico Lacio»).[5]

Esta entrada em massa de helenismos não se limitou à literatura, as ciências ou as artes. Afectou a todos os âmbitos da língua, léxico, gramatical e estilístico, de maneira que podemos encontrar a origem grega em muitas palavras comuns das línguas románicas.

Após a Idade Clássica, o cristianismo foi um dos factores mais potentes para introduzir na língua latina falada uma série de elementos gregos novos. Ej: παραβολη > parábola. Encontramos esta palavra dentro da terminología retórica, mas sai dela quando se usa pelos cristãos e adquire o sentido de parábola, isto é, predicación da vida de Jesús. Pouco a pouco vai adquirindo o sentido mais geral de palavra», que substitui em toda a Romanía ao elemento que significava palavra» (verbum). O verbo que deriva de parabole (parabolare, parolare) substituye em grande parte da Romanía ao verbo que significava «falar» (loquor).

Influência superestrato

Devida a povos que temporariamente submeteram aos latinos e que deixaram uma marca na fala; aqui falamos do superestrato etrusco (o responsável pelo léxico do teatro e da adivinación), galo ou celta.

Superestrato germánico: desde antigo os romanos tinham contactos com Germanía, e nestas relações predominó a influência do latín. O centro principal de contactos situava-se no vale do Rin, um território onde sobreviviam populações célticas, cuja língua empregada era o latín. De facto, há rastros da administração romana na toponimia, como por exemplo Colónia.

Os elementos germánicos são o superestrato do latín na Romanía ocidental. Após as invasões, muitos elementos germánicos passaram ao latín. O fluxo não se interrompeu na formação das línguas románicas. Povos germánicos: godos, alemánicos, borgoñeses, francos, lombardos. As influências destes povos nas línguas románicas dão-se maioritariamente no campo da toponimia e a antroponimia. Aparte destes, o número de empréstimos é bastante reduzido.

Apesar de todas as influências que se refletem fundamentalmente no léxico e a fonética, a maioria de elementos gramaticales e léxicos do latín são rastreables até o protoindoeuropeo.

Literatura latina

Artigo principal: Literatura em latín

O corpo de livros escritos em latín, retém um legado duradouro de cultura da Antiga Roma. Os romanos produziram uma extensa quantidade de livros de poesia, comédia, tragédia, sátira, história e retórica, traçando arduamente ao modo de outras culturas, particularmente ao estilo da mais madura literatura grega. Um tempo após que o Império romano de ocidente caísse, a língua latina continuava jogando um papel muito importante na cultura européia ocidental.

A literatura latina normalmente divide-se em diferentes períodos. Relativo à primeira, a literatura primitiva, só restam umas poucas obras sobrevivientes, os livros de Plauto e Terencio; conservaram-se dentro dos mais populares autores de todos os períodos. Muitas outras, incluindo a maioria dos autores prominentes do latin clássico, têm desaparecido, ainda que bem algumas têm sido redescubiertas séculos depois.

O período do latín clássico, quando a literatura latina é amplamente considerada em sua cimeira, se divide na Idade Dourada, que cobre aproximadamente o período do início de século I a. C. até a metade do século I d. C.; e a Idade de Prata, que se estende até o século II d. C. A literatura escrita após a metade do século II é comummente denigrada e ignorada.

No Renacimiento muitos autores clássicos foram redescubiertos e seu estilo foi conscientemente imitado. Mas sobretudo, imitando a Cicerón, e seu estilo precioso como o perfeito culmen do latín. O latín medieval foi frequentemente desprezado como latín macarrónico; em qualquer caso, muitas grandes obras da literatura latina foram produzidas entre a antigüedad e a Idade Média, ainda que não seja dos antigos romanos.

A literatura latina romana abraça duas partes: a literatura indígena e a imitada.

Literatura temporã

Busto de Marco Tulio Cicerón.

Literatura da Idade de Ouro

Literatura da Idade de Prata

O latín depois da época clássica

Idade Média

Ao cair o Império romano, o latín ainda foi usado através dos séculos como a única língua escrita no mundo do estado romano. No chanceler do rei, na liturgia da Igreja Católica, nos livros a única língua usada era o latín. Mas sempre um latín muito cuidado, ainda que ao mesmo tempo influído pelas línguas faladas. Já no século VII, o latín vulgar tinha começado a se diferenciar dando origem ao protorromance e depois às primeiras fases das actuais línguas romances.

Com o Renacimiento Carolingio no século IX, quando Carlomagno se reuniu em torno dos maiores pensadores da época, como o lombardo Paolo Diacono ou o inglês Alcuino de York, quem desse a ideia de reorganizar a cultura e o ensino em seu Império. Esta operação de recuperação, restituindo agora para um latín mais correcto, separou definitivamente ao latín da língua falada.

Depois, com o surgimiento das primeiras e poucas universidades, os ensinos dados por pessoas que proviam de toda a Europa eram rigorosamente em latín. Mas um verdadeiro latín, o que não podia se dizer a língua de Cicerón ou Horacio. Os doutos das universidades elaboraram um latín particular, escolástico, adaptado a exprimir os conceitos abstratos e ricos em elaborados matizes da filosofia da época. O latín já não era mais a língua de comunicação que era no mundo romano; ainda era uma língua viva e vital, todo menos que estática.

Renacimiento

No século XIV, na Itália, surgiu um movimento cultural que favoreceu um renovado interesse pelo latín antigo: o Humanismo. Começado já por Petrarca , seus maiores expoentes foram Poggio Bracciolini, Lorenzo Valla, Marsilio Ficino e Coluccio Salutati. Aqui a língua clássica começou a ser objecto de estudos profundos que marcaram o nascimento, de facto, da filología clássica.

Idade Moderna

Na Idade Moderna, o latín ainda é usado como língua da cultura e da ciência. Em latín escreveram também os primeiros cientistas modernos, como Nicolás Copérnico e Isaac Newton, ao menos até o século XVIII, já que no século XIX foi substituído por várias línguas nacionais como o francês ou o inglês.

Gramática

Artigo principal: Gramática latina

Ao conjunto de formas que pode tomar uma mesma palavra segundo seu caso se lhe denomina paradigma de flexão. Os paradigmas de flexão de sustantivos e adjectivos denominam-se em gramática latina declinações, enquanto os paradigmas de flexão dos verbos chamam-se conjugações. Em latín o paradigma de flexão varia de acordo com o tema ao que está adscrita a palavra. Os nomes e adjectivos agrupam-se em cinco declinações, enquanto os verbos agrupam-se dentro de quatro tipos básicos de conjugações.

Sustantivos

Em latín, o sustantivo, o adjectivo (flexão nominal) e o pronombre (flexão pronominal) adoptam diversas formas de acordo com sua função sintáctica na frase, formas conhecidas como casos gramaticales. Existem em latín clássico seis formas que podem tomar a cada sustantivo, adjectivo ou pronombre («casos»):

  1. nominativo: é usado quando o sustantivo é o sujeito ou atributo (ou pregado nominal) da oração ou frase.
  2. vocativo: identifica à pessoa à que se dirige o hablante, poder-se-ia dizer que é um telefonema de atenção. Inclusive, pode servir como saúdo.
  3. acusativo: usa-se, sem rección de preposición alguma, quando o sustantivo é o objecto directo da frase, ou bem como sujeito do denominado infinitivo "não marcado"; quando vai regido por uma preposición, passa a desempenhar a função sintáctica de complemento circunstancial.
  4. genitivo: indica o complemento e as características do nome (sustantivo ou adjectivo).
  5. dativo: usa-se para assinalar o objecto indirecto, com certos verbos e, às vezes, como agente (na conjugação perifrástica pasiva) e poseedor (com o verbo "sum").
  6. ablativo: caso gramatical que denota separação ou movimento desde um lugar. O latino ademais, incluía nele a causa, o agente, usos como instrumental, locativo e adverbial.

Ademais, há restos de um caso adicional indoeuropeo: o locativo (indicando localização, bem no espaço, bem no tempo), v.g. ruri, "no campo". O adjectivo também tem formas flexivas, dado que concorda necessariamente com um sustantivo em caso, género e número.

Verbos

Tema infectum Tema perfectum
Presente presentemittitpretérito perfeitomeusit
Passado imperfectomittebatpretérito pluscuamperfectomeuserat
Futuro futuro imperfectomittetfuturo perfeitomeuserit

A grandes rasgos há dois temas dentro da conjugação do verbo latino, infectum e perfectum: no infectum estão os tempos que não indicam um fim, uma terminação, como o presente, o imperfecto e o futuro; são tempos que não assinalam o acto acabado, senão que, seja que está a ocorrer no presente, ocorria com repetição no passado (sem indicar quando acabou), ou bem um acto futuro. Neste tema do verbo a raiz não muda, ao invés que com o perfectum, que tem sua própria terminação irregular (capere: pf. cepi - scribere: pf. scripsi - ferre pf. tuli - esse pf. fui - dicere pf. dixi).

O perfeito (do latín perfectum, de perficere 'terminar', 'completar') em mudança indica tempos já ocorridos, terminados, que são o pretérito, o pluscuamperfecto e o futuro perfeito.

Ambos contam com os seguintes modos gramaticales (a excepção do imperativo, que não existe em perfectum): o indicativo, que expressa a realidade, certeza, a verdade objectiva; o subjuntivo expressa irrealidad, subordinación, dúvida, feitos não constatados, às vezes usado como optativo; o imperativo, que denota mandato, rogo, exhortación, e o infinitivo, uma forma impersonal do verbo, usada como subordinado ante outro, ou dando uma ideia em abstrato. Com seis pessoas na cada tempo (primeira, segunda e terceira, a cada uma em singular e plural), e duas vozes: activa quando o sujeito é o agente, e a pasiva: que é quando o verbo possui um sujeito que padece uma acção (mas ele não a executa) e restos de uma voz média, um verbo não deponente normalmente possui umas 130 desinencias.

Tema em 1ª pessoa 3ª pessoa futuro infinitivo
āamouamatamabitamar
ēhabeohabethabebithabere
consonantedicodicitdicetdicere
īaudioauditaudietaudire
i brevefaciofacitfacietfacere

Os verbos em latín usualmente identificam-se por cinco diferentes temas de conjugações (os grupos de verbos com formas flexivas similares): o tema em -a longa (-ā-), o tema em -e longa (-ē-), tema em consonante, tema em -i longa (-ī-) e, por último, o tema em -i breve (-i-). Basicamente só há um modo da conjugação latina dos verbos, mas vêm influídos por certa vogal que provoca algumas mudanças em suas desinencias. Por exemplo, em sua terminação de futuro: enquanto o comum era indicar mediante um tempo proveniente do subjuntivo, nos verbos influídos por E ou A longa, o futuro soaria exactamente igual que o presente, pelo que tiveram que mudar seus desinencias.

Sintaxe

O objecto da sintaxe é organizar as partes do discurso de acordo com as normas da língua para expressar correctamente a mensagem. A concordancia, que é um sistema de regras dos acidentes gramaticales, em latín afecta a género , número, caso e pessoa. Esta jerarquiza as categorias gramaticales, de tal maneira que o verbo e o adjectivo adecúan seus rasgos aos do nome com o que marcam. As concordancias são adjectivo/sustantivo ou de verbo/sustantivo. Observe-se o exemplo: animus aequus optimum est aerumnae condimentum (um ânimo equitativamente bom é o condimento da miséria).[6]

Mediante a construção situam-se os sintagmas no discurso. Em latín a ordem da frase é S-Ou-V, ou seja, primeiro vai o sujeito, o objecto, e ao final o verbo. Esta ideia de construção supõe que as palavras têm essa ordem natural; não é tão fácil de estabelecer em rigor. Um exemplo de ordem natural seria omnia mutantur, nihil interit (todo muda, nada perece[7] ). Por oposição, à ordem que inclui desvios da norma, por razões éticas ou estéticas, se lhe dá o nome de figurado, inverso ou oblíquo, como em «Vim Demostenes habuit», onde Demostenes tem sido deslocado de seu primeiro lugar próprio.

Fonética e fonología

Letra Pronunciación
Clássica Vulgar
ă A breve[a][a]
ā A longa[aː][a]
ĕ E breve[e] [ɛ] (>[je])
ē E longa[eː][e]
ĭ I breve[i] [e]
ī I longa[iː][i]
ŏ Ou breve[ou] [ɔ] (>[wɔ/we])
ō Ou longa[ouː][ou]
ŭ V breve[ou] [ou]
ū V longo[ouː][ou]
E breve[e] [e]
ȳ E longa[eː][i]
æ AE [ai][ɛ] (>[je])
œ OE [oi][e]
au AV [au][au] > [ɔ]
(Consultar o Alfabeto Fonético Internacional

para uma explicação dos símbolos usados)

O latín pronunciava-se de forma diferente nos tempos antigos, nos tempos clássicos e nos pós-clássicos; também era diferente o latín culto dos diversos dialectos de latín vulgar. Ao ser o latín uma língua morrida, não se sabe com exactidão a pronunciación da grafía latina: historicamente propuseram-se diversas formas. As mais conhecidas são a eclesiástica (ou italiana) que se acerca mais à pronunciación do latín tardio que à do latín clássico, a pronuntiatio restituta (pronunciación reconstruída), que é a tentativa de reconstruir a fonética original, e a erasmita. A comparação com outras línguas indoeuropeas também é importante para determinar o provável valor fonético de certas letras.

Não há um acordo entre os estudiosos. Mas parece ser que o latín, ao longo de sua história, passou por períodos nos que o acento era musical e por outros nos que o acento era de intensidade. O que está claro é que o acento tónico depende da quantidade das sílabas segundo o seguinte esquema:

  1. Pode-se dizer que em latín não há palavras agudas (acentuadas na última sílaba).
  2. Toda a palavra de duas sílabas é plana.
  3. Para saber a acentuación das palavras de três ou mais sílabas, temos de conhecer a quantidade da penúltima sílaba. Se esta é longa, a palavra é plana; se é breve, a palavra é esdrújula.
  4. Os diptongos latinos são: ae, au, oe.

Sistema vocálico

O latín clássico tinha cinco vogais /a, e, i, ou, ou/. Todas elas podiam se pronunciar breves ou longas com valor de distinção fonológica. A e (i Græca) originalmente não fazia parte do sistema vocálico latino e só aparecia em empréstimos cultos gregos. Seu pronunciación no grego clássico correspondia aproximadamente à da ou francesa ou ü alemã [e]. Em latín geralmente pronunciava-se como uma i, pois para a população pouco educada resultou difícil pronunciar a /e/ grega.

Consonantes

As consonantes f, k, l, m, n, p, r, s pronunciavam-se como em castelhano. O b, d, g eram sempre oclusivas sonoras. O c pronunciava-se como [k] em todas as posições. O dígrafo qu correspondia em latín tardio a [kw] (em latín arcaico seguramente era uma labiovelar [kw]). A letra v era uma variante escrita de ou ; representava a semiconsonante [w], que em latín falado se pronunciava como [β].[cita requerida] Este som depois reforçou-se em [b] inicial em alguns dialectos ocidentais e em [v] na maioria de Romania. O x tinha o som [ks], como em sucesso. A z originalmente não fazia parte do alfabeto latino e aparecia somente em alguns empréstimos gregos e correspondia, ao princípio, ao som [dz] como na palavra italiana pizza, depois terminou fricativizándose em [z].

Não se sabe com certeza a pronunciación exacta do s latino. Tendo em conta que era a única sibilante no sistema consonántico latino, muitos lingüistas consideram que tinha um som intermediário entre [s] e [ʃ]. Esta poderia corresponder com a realização apicoalveolar ou predorsodental de s/. Alguns têm proposto que em muitas línguas com uma única sibilante o alófono principal de s/ é apicoalveolar, já que não existe a necessidade do distinguir de outro fonema que seria a [ʃ]. Por isso se tem conjeturado que o /s/ de latín poderia ser apicoalveolar (ainda que existe línguas com uma sibilante onde o /s/ não é apicoalveolar, por exemplo o espanhol da América). Quiçá este facto seja a origem do rotacismo intervocálico latino em palavras como flos > flores (< *floses).

Evolução do latín: o latín vulgar

Latim vulgar (em latín, sermo vulgaris) (ou latín tardio) é um termo que se emprega para referir aos dialectos vernáculos do latín falado nas províncias do Império romano. Em particular, o termo refere-se ao período tardio, que abarca até que esses dialectos se diferenciaram os uns dos outros o suficiente como pára que se lhes considerasse o período temporão das línguas romances. A diferenciación que se costuma atribuir ao século IX aproximadamente.

Já no âmbito da gramática, teria que destacar os seguintes fenómenos: no sistema verbal, a criação de formas compostas (normalmente mediante a combinação de habere com o participio passado de outro verbo) paralelas ao paradigma sintético já existente; e a construção da pasiva com o auxiliar ser e o participio do verbo que se conjuga (o francês e o italiano também empregam ser como auxiliar nos tempos compostos de verbos de estado» e «movimento»).

Os seis casos da declinação latina reduziram-se e posteriormente substituíram-se com frases prepositivas (o rumano moderno mantém um sistema de três casos, talvez por influência eslava; até o século XVIII também algumas variantes romanches de Suíça tinham caso). Se em latín não tinha artigos, os romances os desenvolveram a partir dos determinantes; são sempre proclíticos, menos em rumano, língua na que vão pospostos ao sustantivo.

Quanto aos demostrativos, a maioria das línguas románicas conta com três deícticos que expressam cercania» (este), «distância média» (esse) e «lonjura» (aquele). No entanto, o francês, o catalão e o rumano distinguem só dois termos (um para proximidade» e outro para lonjura»). O género neutro desapareceu em todas partes menos em Rumania e Galiza. A ordem sintáctico responde à livre disposição dos elementos na oração própria do latín. Ainda assim domina classificação sintagmática de sujeito + verbo + objecto (ainda que as línguas do sudeste permitem maior flexibilidade na localização do sujeito).

Mudanças fonéticos

O latín tardio ou latín vulgar mudou muitos dos sons do latín culto ou clássico (1).

Os mais importantes processos fonológicos que afectaram ao consonantismo foram: a lenición de consonantes intervocálicas (as surdas se sonorizan e as sonoras desaparecem) e a palatalización de consonantes velares e dentais, com frequência com uma africación posterior (lactuca > galego, leituga; espanhol, lechuga; catalão, lletuga). Ambos processos tiveram maior incidencia no Oeste (das línguas ocidentais, o sardo foi a única que não palatalizó). Outra característica é a redução das geminadas latinas, que somente preservou o italiano.

Aqui também poder-se-iam agregar algumas outras mudanças fonéticos, como a perda do /d/ intervocálica em castelhano ou a perda do /n/ e /l/ em português, catalão e occitano.

Mudanças morfosintácticos

Latim Clássico
Nominativo:rosa
Acusativo:rosam
Genitivo:rosae
Dativo:rosae
Ablativo:rosā
Latim Vulgar
Nominativo:rosa
Acusativo:rosa
Genitivo:rose
Dativo:rose
Ablativo:
Latim Clássico
Nominativo:bonus
Acusativo:bonum
Genitivo:bonī
Dativo:bonō
Ablativo:bonō
Latim Vulgar
Nominativo:bonus
Acusativo:bonu
Genitivo:boni
Dativo:bonu
Ablativo:

Declinação

Artigo principal: Declinação do latín

O latín de ser uma marcada língua sintética passou a ser pouco a pouco uma língua analítica, na que a ordem das palavras é um elemento de sintaxe necessário. Já no latín arcaico começou a se constatar a desestima deste modelo e se adverte sua substituição por um sistema de preposiciones. Este sistema não se propiciou de forma definitiva até que ocorreram as mudanças fonéticos do latín vulgar. Isto provocou que o sistema de casos fosse difícil de manter, os perdendo paulatinamente em um lapso relativamente rápido.

Alguns dialectos conservaram uma parte deste tipo de flexões: o francês antigo conseguiu manter um sistema de casos com um nominativo e um oblíquo até entrado no século XII. O occitano antigo também conservou um sistema parecido, bem como o retorromano, que o perdeu faz uns 100 anos. O rumano ainda preserva um separado genitivo-dativo com vestígios de um vocativo nas vozes femininas.

A distinção entre o singular e o plural marcava-se com duas formas diferentes nas línguas romances. No norte e no oeste da linha Spezia-Rimini, ao norte da Itália, o singular usualmente distingue-se do plural por um /s/ final, que se apresenta no antigo plural acusativo. Ao sul e ao este desta mesma linha, se produz uma alternancia vocálica final, proveniente do nominativo plural da primeira e a segunda declinação.

Deixis

A influência da linguagem coloquial, que prestava muita importância ao elemento deíctico ou assinalador, originou um profuso emprego dos demostrativos. Aumentou muito significativamente o número de demostrativos que acompanhavam ao sustantivo, sobretudo fazendo referência a um elemento nomeado dantes. Neste emprego anafórico, o valor demostrativo de ille (ou de ipse , em algumas regiões) foi desdibujándose para aplicar-se também a todo sustantivo que se referisse a seres ou objectos consabidos. Deste modo, surgiu o artigo definido (o, a, os, as, o) inexistente em latín clássico e presente a todas as línguas romances. A sua vez, o numeral unus, empregado com o valor indefinido de algum, verdadeiro, estendeu seus usos acompanhando ao sustantivo que designava entes não mencionados dantes, cuja entrada no discurso supunha a introdução de informação nova. Com este novo emprego de unus, surgiu o artigo indefinido (um, uma, uns, umas) que também não existia em latín clássico.

Determinantes

Em latín clássico os determinantes costumavam ficar no interior da frase. No entanto, o latín vulgar propendía a uma colocação em que as palavras se sucedessem com arranjo a uma progressiva determinação, ao mesmo tempo em que o período sintáctico se fazia menos extenso. Ao final da época imperial esta nova ordem abria-se passo inclusive na língua escrita, ainda que permaneciam restos do antigo, sobretudo nas orações subordinadas.

As preposiciones existentes até esse momento eram insuficientes para as novas necessidades gramaticales e o latín vulgar teve que gerar novas. Assim, se criaram muitas preposiciones novas, fundindo muitas vezes duas ou três que já existissem previamente, como é o caso de detrás (de + trans), dentro (de + intro), desde (de ex + de), para (facie + ad), adiante (<adenante <ad + de + in + ante).

Uso moderno do latín

Hoje em dia, o latín segue sendo utilizado como língua litúrgica oficial da Igreja Católica de rito latino. É a língua oficial da Cidade do Vaticano. Seu estatus de língua morrida confere-lhe particular utilidade para usos litúrgicos e teológicos, já que é necessário que os significados das palavras se mantenham estáveis. Assim, os textos que se manejam nessas disciplinas conservarão seu significado e seu sentido para leitores de diferentes séculos. Ademais, esta língua usa-se em meios radiofónicos e de imprensa da Cidade do Vaticano. O Papa entrega suas mensagens escritas neste idioma; as publicações oficiais da Santa Sede são em latín, com base nas quais se criam as demais traduções.

Por outra parte, a nomenclatura de espécies e grupos da classificação biológica segue fazendo-se com termos em latín ou latinizados. Além da terminología da filosofia e medicina, onde se preservam muitos termos, locuções e abreviaciones latinas. Na cultura popular ainda pode se ver escrito: nos lemas das universidades ou algumas organizações, publicações de livros, ou inclusive oral, nos diálogos de alguns filmes situados em um palco romano como Sebastiane e A Paixão de Cristo.

Também existem algumas associações que abogan pelo uso do latín, como a Societas Fratrium Rationis (ou Sociedade dos Irmãos da Razão), que tem o latín como única língua oficial em todo seu âmbito.

Veja-se também

Referências

  1. Outras modernas línguas indoeuropeas, como por exemplo o inglês, são ainda mais analíticas, marcando as relações gramaticales mediante uma estrita ordem pela falta quase completa da flexão tanto nominal como verbal.
  2. A missa em latín
  3. Varrón, A língua latina, 5,97
  4. Latim, castelhano e línguas romances - O léxico latino - Latim 2º
  5. Horacio, Epístolas, 2, 4, 156-157
  6. Pl. Rud. 402
  7. Ovidio, Metamorphoseon 15, 165

Bibliografía

Enlaces externos

Wikipedia
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Wikilibros

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