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Lino Palácio

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Lino Palácio Calandrelli (n. Buenos Aires, Argentina; 5 de novembro de 1903 - íbidem; 14 de setembro de 1984 ), desenhista, caricaturista, roteirista cinematográfico, pintor, publicista e ceramista argentino.

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Biografia

Foi filho do casal de Alberto Carlos Palácio e de Ada Calandrelli. Desde sua infância, adquiriu interesse no desenho chegando a desenhar, até elogios os 8 anos de idade com carboncillo na casa colonial de sua família, com o visto bom de seus pais. Aos 9 anos de idade, publica-se sua primeira caricatura na secção Desenho Infantil da revista Caras e Caretas, que representava a um fotógrafo.

Ao cursar a educação secundária, Lino Palácio tinha decidido ser desenhista, ainda que por conselho de seu pai, quem era Engenheiro civil, fez estudos na Faculdade de Arquitectura de Buenos Aires. Pela amizade entre seu pai e o director do jornal bonaerense, A Razão (do qual seria colaborador anos depois), Lino conseguiu que se publicasse neste médio, em 1920, sua caricatura a respeito de um atleta cujo nome esqueceria, que foi o primeiro trabalho pelo qual cobrou e que iniciou sua carreira profissional. Esta caricatura baseou-se em uma fotografia que se lhe mostrou ao jovem artista.

Em 1925, fez sua primeira viagem a Europa, especificamente a Paris onde fez apontes sobre as personagens pintorescos que encontrou e que a seu regresso deu a conhecer mediante mostras colectivas e em publicações. Por essa época, junto ao músico Adolfo Rosquellas editou a revista "O Cuco" que aparecia em forma esporádica, quando tinha capital para a produzir, até que foi cancelada a publicação em forma definitiva.

Nos anos 30, publicava suas caricaturas em revista-las "Dom Goyo" e "Caras e Caretas", e começou a trabalhar para a filial argentina da empresa de publicidade Walter Thompson, o que fá-lo-ia ser com o tempo, proprietário de uma de agências destacadas da Argentina.

Lino Palácio graças a seu talento de caricaturista e humorista gráfico fez-se então asiduo de colaborador de diversas publicações. Nessa mesma década colaborou nos diários argentinos A Opinião, A Imprensa, O Diário e igualmente nas revistas "O Lar", "Mundo Argentino" e a publicação infantil "Billiken".

É em "A Opinião" que nasceu um de seus mais conhecidos personagens Ramona, inspirado em uma empregada de serviço doméstico nascida na Galiza que trabalhava em casa de seu avô. Este médio impresso teve curta existência, mas a caricatura continuou-se publicando em outros jornais. Igualmente realizou um curso para converter-se em professor de desenho na Academia Nacional de Belas Artes; graças ao que já conhecia de sua profissão, obtém seu título em uma semana. Assim obteve sua primeira cátedra no turno nocturno de um colégio secundário do bairro bonaerense de Belgrano. Ao mesmo tempo, afianzaba sua profissão de publicista na agência publicitária "Aymará" para a qual desenvolveria afiches e campanhas publicitárias. Seu talento gráfico fá-lo-ia ganhar 25 concursos de afiches.

Em 1931, foi contratado pelo diário argentino "A Imprensa" para ser o director artístico do suplemento infantil semanal. Ali, dió nascimento a outras historietas chamadas Ocorrências de Pimpollo" e "A barra de Bolita" da qual surgiu uma revista com o nome deste última personagem, para a qual Lino Palácio desenhava as portadas.

Entre seus livros de caricaturas, o mais destacado foi a "História da Guerra", que teve grande repercussão por ser a única crónica da Segunda Guerra Mundial apresentada semanalmente em forma de caricatura em todo mundo, baixo o seudónimo Flax, também utilizado por seu filho. Ali resumia com seus desenhos as alternativas bélicas e os movimentos estratégicos dos principais líderes europeus implícitos nessa guerra: Churchill, Rooselvelt, Hitler, Stalin, Musolini, Tojo, De Gaulle, Chamberlain e Franco, entre outros.

Também realizou destacadas caricaturas políticas nos semanários Panorama, Mercado, "Azul e Blanco" e "A Nova República" entre 1955 e 1970. Em 1965, Lino Palácio toma a decisão de presentear os direitos para que continuassem desenhando e publicando, as atiras cómicas de suas personagens Ramona e Cicuta a seus filhos também caricaturistas Cecilia e Jorge Palácio, respectivamente.

Destaca-se como episódio, contada posteriormente por seus filhos, que em 1978 durante a ditadura de Jorge Rafael Videla, servidores públicos do governo sugeriram à direcção do diário A Razão que se deixasse de publicar sua historieta Avivato, que representava ao típico porteño pícaro dessa época, já que afectava a imagem da Argentina que pretendeu mostrar a ditadura devido à chegada de visitantes e jornalistas estrangeiros com motivo do Campeonato Mundial de Futebol. Não só Lino Palácio aceitou a imposição da direcção do médio impresso e não só deixou de desenhar "Avivato" senão também Dom Fulgencio, o homem que não teve infância, historieta que representava a um homem adulto com atitudes infantis por lhe lhe ter proibido expressar as emoções durante sua niñez.

No ano 2006 o Museu do Desenho e a Ilustração realizou no Museu de Artes Plásticas Eduardo Sívori de Buenos Aires, uma mostra retrospectiva que incluiu os trabalhos originais do desenhista e publicista de todas as personagens que criou, portadas da revista Billiken, ilustrações realizadas para outras publicações e uma quantidade importante de caricaturas políticas da Segunda Guerra Mundial e de personagens políticos argentinos. Esta mostra, que teve grande repercussão no público e a imprensa, se transformou em uma homenagem a sua importante trajectória.

No ano 2009 participa com um original de uma portada da revista Billiken e com atiras de suas principais personagens; na mostra "Bicentenario: 200 anos de Humor Gráfico" que o Museu do Desenho e a Ilustração realiza no Museu Eduardo Sívori de Buenos Aires, homenageando aos mais importantes criadores do Humor Gráfico na Argentina através de sua história.

Outras actividades artísticas

Também se destacam suas pequenas esculturas realizadas em cerâmica esmaltada se distinguindo sua policromía e que reproduzem o estilo caricaturesco apreciado em suas ilustrações. Igualmente realizava pinturas com magistral excelencia, como expressassem alguns críticos de arte.

Morte

Faleceu junto a sua esposa em Buenos Aires o 14 de setembro de 1984 ao ser assaltado em seu apartamento por uma mulher e dois homens adictos aos estupefacientes. Quem assassinou-os foi Claudia Sobrero, mais tarde reencarnada na ficção no capítulo Claudia Sobrero, cuchillera da série de televisão unitária Mulheres assassinas emitida pelo canal 13, no que foi representada pela actriz Dores Fonzi. Ali mostrou-se que era a mulher com maior condenação sem definição no cárcere. No ano 2006, 22 anos depois foi deixada em liberdade.

O 14 de setembro de 2009, ao cumprir-se 25 anos de seu trágico desaparecimento, a Legislatura da Cidade de Buenos Aires realizou-lhe uma merecida homenagem, por iniciativa do Deputado Raul Puy e com a participação do Museu do Desenho e a Ilustração que organizou uma pequena mostra de suas obras. Contou com a presença de destacados colegas, como Miguel Felipe Dobal e Miguel Rep, sua filha Cecilia Palácio e numerosos familiares e amigos.

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