A literatura é a arte que utiliza como instrumento a palavra. Por extensão, refere-se também ao conjunto de produções de uma nação, de uma época ou de um género (a literatura grega, a literatura do século XIX, etc) e ao conjunto de obras que versam sobre uma arte ou uma ciência (literatura médica, literatura jurídica, etc). É estudada pela Teoria literária.
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No Dicionário de Autoridades (1734), Literatura é o conhecimento e ciências das letras. Etimológicamente deriva da palavra latina LITTERA, que significa letras". No século dezasseis em Espanha , Literatura designava aos manuscritos legais, e às artes e as letras. No Dicionário da Real Academia Espanhola, (1992) o termo aplica-se à arte que emprega como instrumento a palavra, que compreende as obras com uma intenção estética. No Dicionário de Uso do Espanhol de María Moliner define-se como a «arte que emprega como médio de expressão a palavra falada ou escrita» e, como segunda acepción, conjunto de obras literárias.
De acordo com o Dicionário Internacional de Literatura e Gramática Filosófica de Guido Gómez, a palavra literatura refere-se aos escritos imaginativos ou de criação de autores que têm feito da escritura uma forma excelente de expressar ideias de interesse geral e permanente.
No século XVII, o que hoje denominamos literatura» se designava como poesia ou eloquência. Durante o Século de Ouro espanhol, por poesia entendia-se qualquer invenção literária, pertencente a qualquer género e não necessariamente em verso. A começos do século XVIII começou-se a empregar a palavra «literatura» para referir a um conjunto de actividades que utilizavam a escritura como médio de expressão. Em meados da mesma centuria Lessing, publica Briefe die neueste Literatur betreffend, onde se utiliza «literatura» para referir a um conjunto de obras literárias. No final do século XVIII, o significado do termo literatura especializa-se, restringindo às obras literárias de reconhecida qualidade estética. Este conceito pode-se encontrar na obra de Marmontel, Eléments de littérature (1787), e na obra de Mme. De Staël, Da littérature considéré dans se rapports avec lhes institutions sociais.
Na Inglaterra, no século XVIII Literatura, a palavra «literatura» não se referia somente aos escritos de carácter criativo e imaginativo, senão que abarcava o conjunto de escritos produzidos pelas classes instruídas: cabiam nela desde a filosofia aos ensaios, passando pelas cartas e a poesia. Tratava-se de uma sociedade na que a novela tinha má reputação, e se questionava se devia pertencer à literatura. Por isso Eagleton sugere que os critérios para definir o corpus literário na Inglaterra do século XVIII eram ideológicos, circunscritos aos valores e aos gustos de uma classe instruída. Não se admitiam as baladas de rua nem os romances, nem as obras dramáticas.[1] Nas últimas décadas do século XVIII apareceu uma nova demarcación do discurso da sociedade inglesa. Eagleton conta-nos que surge a palavra «poesia» como um produto da criatividade humana em oposição à ideologia utilitaria do início da era industrial. Tal definição encontramo-la em fá-la Defesa of poetry (1821) de Shelley . Na Inglaterra do Romantismo, o termo «literato» era sinónimo de «visionario» ou «criativo». Mas não deixava de ter tintes ideológicos, como no caso de Blake e Shelley, para quem se transformou em ideário político, cuja missão era transformar a sociedade mediante os valores que encarnavam na arte. Quanto aos escritos em prosa, não tinham a força ou o arraigo da poesia; a sociedade considerava-os como uma produção vulgar carente de inspiração.
Na busca de uma definição precisa dos conceitos «literatura» e «literário», surgiu a disciplina da Teoria da Literatura, que começa por delimitar seu objecto de estudo; a literatura. A começos do século XX, o formalismo russo interessa-se pelo fenómeno literário, e indaga sobre os rasgos que definem e caracterizam os textos literários, i. e., sobre a literaturidad da obra. Roman Jakobson propõe que a literatura, entendida como mensagem literária, tem particularidades na forma que a fazem diferente a outros discursos; esse especial interesse pela forma é o que Jakobson chama função poética, pela que a atenção do emissor recae sobre a forma da mensagem (ou, o que é o mesmo, há por parte do emissor uma vontade de estilo). Efectivamente, há determinadas produções linguísticas cuja função é unicamente proporcionar prazer, um prazer de natureza estética, em linha com o pensamento aristotélico. A linguagem combinaria recurrencias (repetições) e desvios da norma para afastar da língua regular, causar extrañeza, renovar-se, impressionar a imaginación e a memória e chamar a atenção sobre sua forma expresiva.
A linguagem literária seria uma linguagem estilizado e trascendente, destinado à perdurabilidad, muito diferente da língua de uso comum, destinada a seu consumo imediato. A literatura, por outra parte, exige uma tradição na que se sustentar: O Ingenioso Hidalgo Dom Quijote da Mancha não teria podido se escrever se não tivessem existido dantes os livros de caballerías. Um texto literário não pode se estimar de forma inmanente e autónoma, senão como consequência de outros muitos textos e antecedente de outros (se veja intertextualidad).
Wolfgang Kayser, em meados do século XX, planea mudar o termo «Literatura» pelo de «Belles Lettres», diferenciando do fala e dos textos não literários, no sentido de que os textos literário–poéticos são um conjunto estruturado de frases portadoras de um conjunto estruturado de significados, onde os significados se referem a realidades independentes do que fala, se criando assim uma objetividad e unidade própria.
Castagnino, em seu livro Que é a literatura?, indaga sobre que é literatura e como o conceito se estende a realidades como a escritura, a história, a didáctica, a oratoria e a crítica. Segundo Castagnino, a palavra literatura adquire às vezes o valor de nome colectivo quando denomina o conjunto de produções de uma nação, época ou corrente; ou bem é uma teoria ou uma reflexão sobre a obra literária; ou é a soma de conhecimentos adquiridos mediante o estudo das produções literárias. Outros conceitos, como o de Verlaine, apontam à literatura como algo supérfluo e acartonado, necessário para a criação estética pura. Posteriormente, Claude Mauriac propôs o termo "aliteratura" em contraposição a «literatura» no sentido despectivo que lhe dava Verlaine. Todas estas especificações fazem da literatura uma proposta que depende da perspectiva desde a que se enfoque. Assim, Castagnino conclui que as tentativas de delimitar o significado de literatura», mais que uma definição, constituem uma soma de adjetivaciones limitadoras e específicas.
Se considera-se a literatura de acordo com sua extensão e seu conteúdo, a literatura poderia ser universal, se abarca a obra de todos os tempos e lugares; se limita-se às obras literárias de uma nação em particular, é Literatura nacional. As produções, geralmente escritas, de um autor individual, que por ter consciência de autor, de criador de um texto literário, costuma assinar sua obra, fazem parte da literatura culta, enquanto as produções anónimas fruto da colectividad e de transmissão oral, em ocasiões recolhidas posteriormentem por escrito, conformam o corpus da literatura popular ou tradicional.
Segundo o objecto, a literatura será preceptiva se procura normas e princípios gerais; histórico–crítica se o enfoque de seu estudo é genealógico; comparada, se atende-se simultaneamente ao exame de obras de diferentes autores, épocas, temáticas ou contextos históricos, geográficos e culturais; comprometida se adopta posiciones militantes em frente à sociedade ou o estado; pura se só se propõe como um objecto estético; ancilar, se sua finalidade não é o prazer estético senão que está ao serviço de interesses extraliterarios.
Segundo os meios expresivos e procedimentos, Castagnino propõe que a literatura tem como formas de expressão o verso e a prosa e suas realizações se manifestam em géneros literários, universais que se encontram, mais ou menos desenvolvidos, em qualquer cultura; lírico, épico e dramático. Manifestações Líricas são aquelas que expressam sentimentos pessoais; Épicas, as que se constituem em expressão de um sentimento colectivo manifestado mediante modos narrativos, e Dramáticas, as que objetivan os sentimentos e os problemas individuais os comunicando através de um diálogo directo. A estes géneros literários clássicos teria que acrescentar ademais o género didáctico. O fenómeno literário tem estado sempre em constante evolução e transformação, de tal modo que o critério de pertence ou não de uma obra à literatura pode variar ao longo da história, ao variar o conceito de arte literário”.
Para Barthes a literatura não é um corpus de obras, nem também não uma categoria intelectual, senão uma prática de escritura. Como escritura ou como texto, a literatura se encontra fora do poder porque nela se está a produzir uma deslocação da língua, na qual surten efeito três potências: Mathesis, Mímesis, Semiosis.[2] Como a literatura é uma soma de saberes, a cada saber tem um lugar indirecto que faz possível um diálogo com seu tempo. Como na ciência, em cujos intersticios trabalha a literatura, sempre atrasada ou adiantada com respeito a ela: “A ciência é basta, a vida é subtil, e para corrigir esta distância é que nos interessa a literatura.” Por outra parte o saber que mobiliza a literatura não é completo nem final. A literatura só diz que sabe de algo, é a grande argamasa da linguagem, onde se reproduz a diversidade de sociolectos constituindo uma linguagem limite ou grau zero, conseguindo da literatura, do exercício de escritura, uma reflexibilidad infinita, um actuar de signos.