| Música Criolla e Afroperuana | |
|---|---|
| Origens musicais: | Vals, Mazurca, Jota, Música Africana |
| Origens culturais: | Chegada dos espanhóis ao Peru e dos escravos africanos |
| Instrumentos comuns: | Guitarra, Cajón peruano, Acordeón, Castañuelas, Saxofón |
| Popularidade: | Peru, França, Itália, México, Estados Unidos, Alemanha |
| Subgéneros | |
| Vals peruano, Marinera, Festejo, Polka, Zamacueca, Landó, Alcatraz, Panalivio, Resbalosa, Zaña, Tondero | |
A cultura musical criolla e afroperuana inicia-se com a chegada dos espanhóis e os escravos africanos que foram trazidos por eles. A cultura musical criolla em Lima constrói de maneira constante uma identidade própria, transformando os géneros musicais e padrões estéticos importados. Desde a presença de valses de origem vienés, mazurcas, jotas espanholas, continuando com a influência da música francesa e italiana, a cultura popular limeña foi-se perfilando através da transformação e decantación de géneros, de tal maneira que, ainda assumindo as modas correspondentes à cada época, se gestaron e desenvolveram algumas formas musicais que chegam até fins do século XX e que identificam o limeño. A cada momento histórico, desde a época colonial até agora, foi plasmándose de diferentes maneiras a cultura musical através dos instrumentos musicais utilizados, as formas e conteúdos do canto, os dances.
Entre os géneros mais importantes, cultivados no século XX encontram-se o vals peruano, a marinera limeña ou canto de jarana, o tondero e o festejo.
Conteúdo |
De Malambo a Maravilhas , de Monserrate a Cinco Cantos, de Abaixo a Ponte às Carrozas. A princípios do século XX, corria um manancial que não estava formado por água, se não mais bem por notas musicais. Guitarras, cajones, castañuelas e até colheres, acompanhavam o fervor de boas pessoas que só davam um sentido a suas vidas. Essa torrente vigoroso que fazia vibrar pés e corações em seis pontuas dias de jarana, um pouco dantes da metade do século XX, se fez um estilo de vida. A jarana ia acompanhada pela comida. Nesses dias intermináveis, as mulheres dos jaranistas cozinhavam em sucessivas oferendas. E da cozinha passaram à sala, onde cantavam os que sabiam e deram seus primeiros trinos. Sem ser a primeira, a mais recordada é Jesús Vásquez, conhecida baixo o epíteto de Rainha e Senhora da Canção Criolla". Tal título de abolengo de rua obteve-o em 1939 , ao ganhar um concurso que promovia Aurelio Collantes pela rádio. Doña Jesús levou-se limpamente a seus contrincantes ao interpretar "O Plebeu". Com élla se popularizaron "As cinco grandes da canção criolla": Alicia Lizárraga, Eloísa Angulo, Esther Granados e Delia Vallejos.
No caso de Esther Granados fez do canto uma celebração jubilosa e seu tom, a diferença de Jesús Vásquez, era jaranista. Inventou uma muletilla que a fez conhecida "Solita me Jaraneo", e não cabia dúvida alguma que assim o fazia. Achinada e jacarandosa, Eloísa Angulo, debutó no antigo Cinema Royal do Rímac, no dúo As Criollitas, com sua prima Margarita Cerdeña. Depois de sua dissolução, lançou-se como solista praticamente se apropriando de temas como "Idolatria". Do apogeo do género, o desaparecido Alejandro Ayarza "Karamanduca", criollo impenitente, em 1912 já tinha estreado uma revista musical no Teatro Vitória. "Música Peruana", Ali puderam ter ido estas damas de pequenas, a nutrir-se do cantar criollo. Mas esse impulso consolidar-se-ia mais tarde.
A novidade entre 1935 e 1956, foram as rádios que programavam música criolla ao vivo. Famílias inteiras sintonizaban essas audiciones. As disqueras IEMPSA, O Virrey e Sono Rádio, plotavam enormes atiradas de placas de acetato de carvão, e os músicos começaram a ganhar fortunas. Como o género tinha nascido do povo, muitas letras se cebaban no tema da pobreza e suas incomodidades. Não foi raro que aparecesse anos mais tarde: "A morena de ouro do Peru", Luta Reis, órfã de pai, de pobreza extrema e depois de mendigar pelas ruas, foi internada aos oito anos em um convento franciscano. Atingiu o sucesso no programa radial "O Sentir dos Bairros", com um tema alegórico "Abandonada" de Sixto Carreira. Contraiu tuberculose pulmonar, dois casais trágicos, enfermó de diabetes e depois de uma rutilante e breve carreira, na cegueira absoluta, grava "Minha última canção". É recordada como um ícono doliente.
Inusualmente para o médio, cheio de cantor e autores que tiveram como profissão de operário como o foi Pablo Casas, pedreiros como os Irmãos Ascuez, ou magníficos marmolistas da altura de Eduardo Márquez Talledo, o criollismo também tem a Vitória Santa Cruz. Seu pai educou-se nos Estados Unidos, e ela a muito curta idade dominava o inglês à perfección. De menina ouviu a Wagner , Haydn, Beethoven, mas também ritmos negros como o Socabón ou Amorfino. Luminaria da cultura peruana, é autora de pregões fundamentais. Para a década dos cinquenta do século XX, a música criolla já tinha sua sitial na televisão. Eram história os albores em alvo e negro, essas audiciones ao vivo que fazia Panamericana Televisão, com o nome "Festival da Canção Criolla", "Bar Cristal". O ecrã já formava estrelas. O primeiro Festival Cristal da Canção Criolla ganhou-o o trío Os Troveros Criollos com o formoso vals Rosa Chá.
Assim nasceu Maritza Rodríguez. Sendo muito menina ganhou "A Escada do Triunfo", antañero programa televisivo da década do sessenta que conduzia com ímpar estilo Guido Monteverde. Ao notar sua voz aguda e singela, José Lázaro Tello viu nela à sucessora de Jesús Vásquez e imediatamente lhe pôs o epíteto de "A Princesita da Canção Criolla". Com a década do sessenta aparece outro fenómeno: as peñas comerciais. Pretendiam ser herdeiras dos velhos solares onde os criollos se reuniam para expor sua arte em grande. Algumas recordam às originais, como a Peña Yufra no distrito da Vitória, uma pequena fonda que vendia Pisco e alguns tentempiés, um refúgio dos músicos. Eva Ayllón, depois de um perseverante deambular por estas, eludiu a pobreza e obteve fama e fortuna. É uma triunfadora nata onde outros se afogaram no mar brava da bohemia. Ainda que pôde manter-se no típico estilo de interpretar o género. Algo fez ao que ninguém se atreveu: Experimentar fazendo fusão. Depois voltou ao redil, convertida em uma grande senhora.
Para fins da década, a modernidad era Eva, como também o canto elegante de Cecilia Bracamonte. Ela em uma época também pretendeu estilizar o género; uso em seus discos instrumentos pouco usuais como o vibráfono e violoncello.
Junto ao vals desenvolveram-se os ritmos negros com similar popularidade. Lucila Campos é um caso emblemático dessa tradição. Iniciou-se em grupos de folklore negro, mas é amiga de alvos com ouvido popular, como Piedade da Jara, e se luziu em peñas essenciais como o "Karamanduca". Reconhece-se-lhe por lançar vocabularios ligeiramente soeces em suas apresentações. Passada era-a romântica, a contemporânea fama atraiu outros baluartes, Luzia da Cruz e seu tom de voz que lhe sai do ventre. Pode cantar valses de Juan Mosto, ou José Escajadillo, ou outro repertorio mas agraz; landó, outro claro exemplo. Mas também sustentados como mensagens que saem da alma.
Novas empresas musicais como: FTA, da mão com a televisão, mencionada em parágrafos anteriores, e o programa televisivo "Danças e canções do Peru", animado por Nicomedes Santa Cruz, ou como também Trampolín à Fama do também falecido Augusto Ferrando, lhe serviu a Cecilia Barraza para surgir a inícios da década do setenta. Barraza é uma cantora temperamental e com conseguida voz para interpretar especialmente o lado negro da canção criolla.
Como estrelas fugaces na década do setenta cantores como Verónikha, Aurora Alcalá e Charito Alonso, dirigidas musicalmente por Freddy Roland fizeram parte da nova geração que se estava a formar da música criolla. Na tradição de Luta Reis ou de Lucila Campos, figura Bartola, epíteto posto por Augusto Pólo Campos, de voz privilegiada que lhe permite interpretar valses e marineras, bem como também tangos e boleros. Finalmente, Susana Baca. Muitos ouviram-na no 2002, quando ganhou o Grammy Latino, desagravio para uma das cantoras negras mais importantes do Peru. Faz fusão, mas seu canto se enraíza na cultura negra. A seguir datas de nascimento e alguns casos de fallecimiento dos cantores mais importantes do século XX:
| Intérprete | Nascimento | Fallecimiento | ||
|---|---|---|---|---|
| Cantoras Femininas | ||||
| Eloísa Angulo | Lima, 31 de outubro de 1919. | 30 de outubro de 1992. | ||
| Delia Vallejos | Callao 5 de setembro de 1925. | Lima, 17 de outubro de 2005. | ||
| Jesús Vásquez | Lima, 20 de dezembro de 1920. | 3 de abril de 2010. | ||
| Teresa Velásquez | Lima, 15 de outubro de 1930. | 19 de fevereiro de 2000. | ||
| Esther Granados | Lima, 30 de janeiro de 1926. | |||
| Edith Barr | A Vitória, 1 de junho de 1936. | |||
| Luta Reis | Lima, 19 de julho de 1936. | 31 de outubro de 1973. | ||
| Eva Ayllón | Lima, 7 de fevereiro de 1956. | |||
| Susana Baca | Chorrillos, 24 de maio de 1944. | |||
| Bartola | Barranco, 8 de junho de 1955. | |||
A rádio, entre 1940 e 1960, foi um estímulo importantísimo para a difusão da música peruana. As audiciones ao vivo costumavam estar abarrotadas de público e geraram uma intensa concorrência, permitindo que surgissem artistas que elevaram a jarana à categoria de ciência profana. Um protagonista desta era é sem dúvida Óscar Avilés, chalaco de nascimento e baptizado por seus admiradores como a "primeira guitarra do Peru". Fez parte dos tríos Os Trovadores do Norte e Os Morochucos nos quarenta e fundou o Conjunto Espectáculo Festa Criolla em 1956 . Avilés é um dos músicos mais importantes do criollismo, sobretudo por sua capacidade de inovação, que foi tanto que Chabuca Granda disse alguma vez: "Se Avilés não tivesse nascido, o vals se tivesse morrido de tundete". Guitarrista de grande talento, seu canto é próximo ao estilo da Vitória, no que predominan as síncopas e o manejo dos silêncios. Sua própria voz é a reminiscência de uma forma de cantar indubitavelmente clássica, que ele chama "Esse sabor de dantes".
Nessa mesma vertente localiza-se-lhe a Alejandro Cortês, cantor de tangos e boleros, depois sinónimo da elegancia e o romantismo no vals. Foi a primeira voz dos Chalanes do Peru e posteriormente dos Morochucos, trío com o que Cortês entregou interpretações maravilhosas, graças a uma voz extraordinariamente refinada e de fundo sentimentalismo. Outro cantor que saltou do dial radial à glória foi Rafael Matallana, apodado "o caballero da canção", por sua postura no canto. Tem sido parte de diversas formações vocais, entre as que destacam as gravações que fizesse com As Limeñitas e com o Centro Musical União.
Por outra parte, o fundador dos Embaixadores Criollos, grupo que era concorrência directa com Os Morochucos, Rómulo Varetas, foi uma estrela popular, que conheceu de perto o sabor das apresentações multitudinarias e o aplauso em massa. Sua voz, aguda e llorona, deixou uma autêntica escola de canto criollo, marcando um dos bicos mais altos nesta tradição. Se podemos falar de um período clássico no vals, Avilés, Cortéz, Matallana e Varetas, seriam, sem dúvida alguma, quatro de seus maiores conspicuos representantes. E o que os une, ademais, é o ter sido protagonistas da chamada Idade de Ouro da Canção Criolla, graças a sua presença nos meios de radiodifusión.
Cinco personagens unem-se a este desfile de estrelas: Abelardo Vásquez, Carlos Soto, Arturo Cavero, Manuel Donayre e Pepe Vásquez, que têm em comum duas coisas: pertencer à comunidade negra peruana e dominar tanto o vals como a música afroperuana, daí que se lhes chamem afrocriollos. Abelardo Vásquez Díaz, era membro de uma notável família musical, fundada em Breña por Porfirio Vásquez, seu pai, e dois irmãos deste: Pipo e Vicente, míticos cultores da marinera e dos ritmos negros. Esta herança foi transmitida a Abelardo, seus irmãos e filhos. Vásquez é um referente obrigatório, por seu profundo conhecimento da música costeña peruana. Foi mestre na Escola Nacional do Folklore, contribuindo a formar novos cultores do canto de jarana, e do cajón peruano. Continuando desmembrando esta família, está também José Vásquez, conhecido no jargão criollo como Pepe Vásquez, irmão menor de Abelardo, que apostado por arranjos musicais mais audazes, que conservam intacta a esencia criolla. Juntos, Abelardo e Pepe têm animado jaranas inolvidables na peña de Dom Porfirio de Barranco", baptizada assim em honra a seu pai. Reconhecido como percusionista, zapateador e bailarino, ademais foi parte da primeira formação de Peru Negro, Caitro Soto acompanhou com o cajón durante muitos anos à grande Chabuca Granda. No final da década de 1970 gravou um disco como solista, titulado Canto a Cañete", dedicado a sua cidade natal. Faz em alguns anos, apareceu "De Cajón" o que viria a ser seu último trabalho discográfico.
O "Zambo" Cavero para a posteridad, foi quiçá o cantor mais representativo da música criolla nos últimos anos. Seu trabalho ao lado de Óscar Avilés é fundamental. O dúo Avilés-Cavero, formado em meados da década de 1970 e em actividade até inícios da década de 1990 , contribuiu muito à revalorización e difusão do vals, que por então era considerado "em coma". Dono de uma voz extremamente fina, no ponto que lha confunde com a de uma mulher, Manuel Donayre, apodado "O Diamante Negro", desenvolveu no vals um estilo de corte claramente sentimental. Actualmente, radica nos Estados Unidos, onde contribui a difundir a música peruana.
Outros destacados intérpretes, como são os casos de: Pancho Jiménez, Roberto Tello, Humberto Pejovés, Pastor Zuzunaga, Luis Abanto Morais e Jorge Pérez ocupam um lugar de importância no mundo da música criolla. Apodado "O León do Norte", o chiclayano Pancho Jiménez é um genuino representante do vals com sabor norteño, esse que prefere a melancolia pela amada e a añoranza da paisagem. Tem trabalhado como solista e inclusive tem formado dúos com outros cantores, mas sua produção mais brilhante se deve a sua participação em festa criolla.
Roberto Tello, nascido em Lima no distrito de Barranco e cantor de tangos, e Pastor Zuzunaga, atingiu a fama por breve tempo, e foi levado da mão por Freddy Roland, chegou alimentar sua repertorio com valses de corte saleroso e alegre.
Luis Abanto Morais, nascido em Trujillo , representa o mundo provinciano no contexto criollo. Sua interpretação de "Cholo sou, e não me compadezcas" e "O Provinciano" dotou de voz ao migrante e lhe valeu um reconhecimento unânime, É um cantor de funda sensibilidade social que tem explorado também o universo amoroso na canção criolla.
Humberto Pejovés teve uma carreira curta, mas excepcional. Iniciou-se como bolerista com Os Caballeros da Noite, trío que interpretava temas do recordado compositor Mario Cavagnaro. Um destes temas deu a volta ao mundo: Osito de Felpa. Depois já no género criollo, começou como vocalista do trío Os Chamas, com o qual levaram à fama ao vals A Flor da Canela, de Chabuca Granda. Finalmente sua época de ouro, teve-a como vocalista do trío Os Troveros Criollos, junto a Luto Garland e Pepe Ladd.
Jorge Pérez, "O Carreta", natural de Huaraz , fez parte do grupo Os Troveros Criollos, quando ainda era dúo. Tem dedicado sua voz a diversos compositores, mas reconhece-se-lhe como um dos mais brilhantes intérpretes do chamado vals replana, que constitui uma verdadeira crónica de costumes limeñas e que o levasse ao género criollo justamente o compositor Mario Cavagnaro.
Entre os cantores mais importantes do século XX, podem-se classificar:
O nascimento do século XX encontrou a Lima no meio de um arduo trajín musical. Os cantores de então procuravam voltear a página do velho waltz vienés, já em agonia. Francisco Ferreyros, bohemio e popular solista de então, cantava a pulmão limpo na Alameda dos Descalzos temas decisivos: "Luis Pardo", "Celaje", "Chinesa Herege" ou "Ídolo". Não era raro que isso ocorresse. As retretas públicas e os musicais dos teatros tinham criado um público fervoroso que ouvia a seus intérpretes com não pouca paixão. Isso fez possível que um dúo de cantor do distrito do Rímac, Eduardo Montes e César Manrique, fossem levados a Nova York em 1911 pela Casa Holtig e Cía. O fim era gravar discos para a Columbia Phonograph & Company. Aquele dúo produziu um total de noventa e um discos de 78 rpm, com 182 temas, todos da chamada Guarda Velha, geralmente autores anónimos que nunca pensaram nesse luxo estrafalario dos direitos de autor. Os discos gravados venderam-se em Lima imediatamente. Foi o primeiro dúo em abraçar a fama.
Na segunda metade da década de 1930 brilhava Rosita Ascoy, "A Limeñita". Anos mais tarde congregaría a seu irmão Alejandro, sua eterna segunda voz e guitarra. Ambos eram menudos, sem arrogância e muitos diziam que seus registos de voz eram mais bem modestos e que seu guitarreo não saía do tundete. Mas a emoção, o sentimento com que cantavam, sua cuidadosa eleição de temas da Guarda Velha, os fizeram imortais. Algo depois, na década do 1940 aparecem outros dúos e conjuntos criollos, estimulados pelas gravações feitas em Chile e Argentina. Em Lima gravava-se em um modesto estudo ao lado das vias do eléctrico, pelo que a cada vez que este passava, se estragava a gravação. Nesta década brilharam Os Chalanes do Peru e Os Trovadores do Peru.
A rivalidad mais notoria produz-se a fins da década entre Os Embaixadores Criollos e Os Morochucos. Aos primeiros se lhes motejaba como "Os ídolos do povo" e aos outros como "Os Caballeros da Canção Criolla". Ambos grupos apareceram ao redor de 1947 . Os Morochucos eram o dúo formado por Augusto Ego Aguirre e Luis Sifuentes, que ao falecer Sifuentes, converter-se-ia em trío com Alejandro Cortez e Óscar Avilés.
Os Embaixadores Criollos eram o trío formado por Rómulo Varetas, Carlos Correia e Alejandro Rodriguez, quem provistos de uma alforja de temas no limite do pranto "Víbora", "O Tísico", chegavam a seus audiciones na rádio em elegantes autos Studebaker ou Mercury, excitando o griterío de seus fanáticos que os esperavam na rua. Rómulo Varetas, ímpar primeira voz do conjunto, vestia médias brancas e tinha uma grossa corrente de ouro no tornozelo, que luzia ao pôr o pé em uma cadeira para sustentar sua guitarra. Algo paradójico: em 1998 morreu na pobreza extrema, vítima de sua bohemia excessiva. Distantes destas licenças, tímidas e hogareñas, estavam As Limeñitas, as irmãs Graciela e Noemí Pólo. Elas frequentavam também os tabladillos de Rádio Nacional e Rádio Lima, mas nunca recalaron na bohemia.
Como outros cantores da época, tinham sido descobertas pelo prolífico pianista Filomeno Ormeño, que com Luto da Cuba, pianista também, acompanhavam e arranjavam a quanto cantora com projecções se passeava pelas rádios. A canção criolla, para então, deambulaba entre a jarana estridente e o quejido plañidero, até que em 1952 apareceram Os Troveros Criollos, o dúo formado por "O Carreta" Jorge Pérez e Luis Garland. Em uma hábil mudança de mãos, dedicaram-se a interpretar o repertorio do compositor Mario Cavagnaro, feito em replana de bairro. Tremendo acontecimento. Sua alegria singela e sua compás contagioso passeou-os pela popularidade. Um claro exemplo é o vals: "Eu a queria Patita". Esta porta aberta conduziu ao aparecimento de outros grupos, como o trío Os Romanceros Criollos, que seguiu a senda da música criolla alegre, pícara mas não destemplada. Julio Álvarez, Guillermo Chipana e Lucas Borja, que debutaron em 1953 , cedo compartilharam fama e salas de rádio com os anteriores grupos. Emblema seu foi Chinesa herege.
A popularidade destes grupos era aumentada, ao ir muito à rádio e gravar outros discos quinzenalmente. Isso dava pára que a polícia dissolvesse aos entusiastas que sempre abordavam aos músicos e para que estes vivessem bem, sem ter que fazer nenhuma outra coisa mais que cantar. Então "Rádio A Crónica" ou "Rádio América" podiam pôr doze horas de música criolla continuada, sem perder sintonía. A jarana não só estava em Lima senão no país inteiro. Isso o provaram Os Dávalos em 1954 , dois irmãos arequipeños que debutaron cantando "Melgar", o segundo hino de sua terra. Seu tom quejumbroso e regionalista identificou-os com a Cidade Branca. Com os anos viajaram a Nova York e ficaram a viver lá, como deuses vivos da colónia peruana. Em 1956 surge outro grande trío, Os Troveros Criollos, o qual em sua segunda fase estivesse integrado por Luto Garland, Humberto Pejovés e Pepe Ladd. Inolvidables seus valses Luis Pardo, Romance na Parada e Rosa Chá, tema com o qual ganhassem o Festival Cristal da Canção Criolla em 1960. Junto com Festa Criolla, foram os grupos predominantes na segunda metade dessa década.
Poucos depois, em 1957 , apareceu o melhor dúo misto que se recorde o de Irma Gramas e Oswaldo Campos. Irma era alta, buenamoza e tinha uma voz privilegiada. De Oswaldo admite-se que foi uma das melhores segundas vozes do criollismo. Eles eludiram os temas que maltratavam à mulher com suas letras, algo frequente então, para enraizarse na tradição. Cantaram juntos muitos anos.
Como dúos, trios e agrupamentos destacaram os seguintes:
O sucesso destes conjuntos radica na qualidade musical, que foi perfeccionando estilos, a técnica guitarrística e arranjos especiais para a cada tema que se gravava. De tal maneira que as versões destas canções, guardam a memória não somente da letra e sua melodia, senão também das introduções, intermediários, formas do rasgueo acompanhante, bordones no baixo, trinos e adornos no "punteo" da primeira guitarra, fazendo do vals criollo peruano um género único por seu carácter e abundante repertorio.
Entre os guitarristas mais importantes do século XX, encontram-se:
Entre os guitarristas inovadores, que incorporam elementos harmônicos e rítmicos que renovam o cancionero criollo, se encontram Álvaro Lagos, Félix Casaverde, Coco Linares, Coco Salazar e Luto González.
Não somente a música se centrava em guitarristas se não também em pianistas, é o caso de:
Existem também Saxofonistas, que ao longo dos anos têm acompanhado às estrelas do canto peruano e que têm deixado marcado nos surcos sua melodia incomparável são os casos de:
O cajón instrumento de grande valia dentro da música peruana, é destacado por:
entre muitos outros. Outros músicos em diferentes estilos destacados são:
O pesquisador peruano Castro Nué ocupou-se da origem de verdadeiras danças, e sustenta que a Marinera tem sua origem na Zamacueca ou Mozamala. Esta dança costumbrista de casal que se origina provavelmente na Costa Norte do Peru A Liberdade. Em sua origem deriva de danças africanas dançadas na costa peruana. A versão norteña é mais alegre, movida e tocada em trombetas também, ainda que em Lima , a Zamacueca tem maior influência africana e o estilo de tocar a guitarra é mais doce e rítmico, isto é, contrastada com a versão norteña que é mais agitanada e mestiza (com influência andina). Como no Tondero piurano, a dança representa a perseguição do galo à gallina, o enamoramiento de aves e a Briga de Galos, temas tão populares dentro da costa centro e norte do Peru. Para seu vestuario a mulher usa um camisón chamado anaco que sobresale a maneira de blusa sobre a saia larga colada à cintura. Também são muito vistosas as famosas "Dormilonas", artísticos pendentes (aretes) trabalhados em filigrama, obra dos orfebres do povo. O varão utiliza sombrero de palha fina, camisa a listras ou branca, faixa norteña e pantalón branco ou negro.
As coplas, música e dance da marinera limeña provem da Zamacueca, dança intensamente dançada no século XIX. No entanto, é Abelardo Gamarra, O Tunante, quem propõe, depois da guerra com Chile, uma mudança no nome, já que conhecia-se-lhe também como "chilena". A zamacueca dá lugar à samba argentina, a cueca boliviana, argentina e chilena, e à marinera limeña. O canto de jarana, cultivada por grupos populares limeños até a metade do século XX decae em sua prática originaria já que, nas gravações de discos, por causa das próprias limitações técnicas (os discos não admitiam mais de três minutos de gravação), não se podia registar o canto de jarana tal como se dava nos ambientes feriados nos que se cultivava.
Uma marinera limeña consta de cinco partes: três marineras, uma resbalosa e uma fuga. Por isso se diz respecto dela: "marinera de jarana: de cinco, três". Nesta forma musical e coregráfica, os cultores podem competir em um canto de contrapunto de tempo variável, de acordo ao entusiasmo e as circunstâncias do encontro.
Dança também conhecida como marinera do Alto Piura, ou da yunga piurana (Morropon). É anterior à Zamacueca. Deriva de música gitana e espanhola em dance e canto. A característica principal que o diferencia da Marinera é seu repetitivo tundete de guitarra relacionado com música em banda e trombeta gitana. Tem inflencia africana ou negra em sua forma corísta (coro) e aveces o uso do checo, instrumento feito em base a calabaza seca para outorgar-me ritmo negro. Tem uma influnecia Andina posterior, em sua forma melódicamente chillona de executar a guitarra também. A diferença da Zamacueca e devido à localização da Província de Morropón como uma region pré Andina, este dance leva o mestizje criollo (hispanogitano-afrodescendiente) e o Andino. Cidades como Morropón, Chulucanas, San Juan de Bigote, A Matança, e Salitral foram povoadas por fazendas arrozeras e jaboneras onde viveram muitos escravos negros, , e devido à cercania à cordillera, também migrantes Andinos que trouxeram o Yaraví desde Arequipa, o fundindo com a Cumanana, fórma de origem hispano-africana; criando também o famoso termino norteño Triste com Fuga de Tondero, que é muito popular na yunga de Lambayeque (Chongoyapana).
Nicomedes Santa Cruz, poeta decimista e pesquisador da cultura afroperuana ou negra, contava que o festejo era um género musical que se cantava mas que não se dançava até que, no final da década dos anos 1940, dom Porfirio Vásquez, decimista, bailarino e compositor, dando classes em uma academia de danças folclóricas, fundiu passos do "São dos diabos" com os de Resbalosa. Criou assim um dance que agora tem grande importância na cultura musical peruana.
O compositor Pepe Villalobos conta também que para a década dos anos 1960, ainda as empresas disqueras eram reacias a gravar festejos, género que, no entanto, depois teve grande aceitação popular, como por exemplo, suas obras: "O Negrito chinchiví", "O galpón", "Move teu cucu", "A morena Trinidad", "O pobre Miguel", "A comadre Cocoliche", "Cintura quebra", "Milagres Grande" (com letra de Catalina Recavarren, dedicado a San Martín de Porres). Entre os festejos mais antigos encontra-se "Congorito", reunido por Rosa Mercedes Ayarza de Morais e o "São dos diabos" de Fernando Soria, no que descreve a dança de carnaval do mesmo nome na que se recordava a dom Francisco Andrade, a quem chamavam "Ño Bisté", o último caporal da dança que saísse em Lima até 1949.
Em meados da década dos anos 1950, desenvolve-se um trabalho dirigido por José Durand Flórez, quem impulsionou o espectáculo baseado nas estampas de Pancho Fierro e que depois continuaram outros agrupamentos. A cultura popular criolla e afroperuana reconhece em núcleos familiares importantes a possibilidade de sua continuidade. Entre estes tem máxima importância a família Vásquez: dom Porfirio (proveniente de Aucallama , norte de Lima) e seus filhos, Abelardo e Vicente, quem trabalham diversos aspectos da cultura musical e coreográfica: a guitarra, o cajón, a composição, o canto, as décimas, o zapateo, a marinera, o festejo, os pregões, etc. A reivindicação da presença africana na cultura peruana, empreendida por Vitória e Nicomedes Santa Cruz, através dos grupos de teatro e dança, bem como através da criação literária, coreográfica e musical, teve seu maior desenvolvimento para a década dos anos 1970. Com o trabalho do Conjunto Nacional de Folclore, que dirigia Vitória Santa Cruz, quem enfatizou o trabalho das danças afroperuanas.
Na mesma época teve apoio estatal o grupo Peru Negro, dirigido por Ronaldo Campos (proveniente de San Luis de Cañete) e contando com a presença do poeta César Calvo. Este conjunto desenvolveu um repertorio importante de canções e danças que foram apresentadas com singular acontecimento tanto no Peru como no estrangeiro. Os conjuntos profissionais de bailarinos e músicos são as principais fontes de recreación de dança-las afroperuanas que se cultivam na actualidade, em especial do festejo, dance que no palco se apresenta como dança de casais interdependentes e que, no entanto, a nível popular e espontáneo, é cultivada como dance de casal livre, com grande aceitação do público juvenil. Cantores como Lucila Campos, Eva Ayllón e Arturo "Zambo" Cavero têm fortalecido o cultivo destes géneros e a ampliação do repertorio. É singular o contribua de Carlos Soto da Colina "Caitro Soto", quem tomando antigas tradições de Cañete (sua terra natal), cria e recreia motivos e canções que a história reconhece como clássicos do repertorio afroperuano. Tal é o caso de Touro mata", género musical que segundo as notícias que se têm, se desse no século XIX e que cantores como Cecilia Barraza, fizessem muito popular. A rítmica do "Touro mata", é base fundamental do landó contemporâneo. A base de guitarra foi criada por Vicente Vásquez.
Carlos Soto, no livro titulado "De cajón", Caitro Soto: "O duende na música peruana", declara sobre o "Touro mata":
Caitro Soto é recopilador de conhecidas canções como "A sacá camote com o pé", do género landó, os festejos: "Eu tenho dois papais", "Canto a Cañete", "Curruñao", "Ollita Noma", "Negrito da Huayrona", "Negrito de San Luis" e o alcatraz "Queima tu". Canções que se dançam, sem dúvida com a sensualidad e a alegria das antigas "danças de cintura", como se lhes dizia às danças dos descendentes africanos em Cañete, canções que em seus versos recolhem as vivências quotidianas dos trabalhadores do campo e a cidade.
Durante o primeiro governo do Presidente Alan García, a Organização de Estados Americanos OEA declarou a: Augusto Pólo Campos, Arturo "Zambo" Cavero , Óscar Avilés, Luis Abanto Morais e Jesús Vásquez "Patrimónios Artísticos da América" (3 de junho de 1987 )
Modelo:ORDENAR:Musica criolla e afroperuana