Massacre é um termo utilizado para referir a um tipo de assassinato, habitualmente de várias pessoas, caracterizado pela indefensión das vítimas. A expressão é de origem francês (massacre) e é definida pelo dicionário da Real Academia Espanhola como "matança de pessoas, pelo geral indefesas, produzida por ataque armado ou causa parecida". Por sua vez, o Dicionário de uso do espanhol de María Moliner, define a palavra como "matança selvagem de pessoas".
Ainda que o termo massacre é impreciso em seus alcances, costuma aplicar-se a situações nas que existe uma grande desigualdade de poder entre vítimas e victimarios, e os assassinatos se apresentam como crueis, alevosos e desnecessários. Um sinónimo inglês da expressão é butchery, isto é "talho". O sacerdote brasileiro Leonardo Boff relaciona o massacre com a covardia.[1] Pese a sua cercania conceptual, por regra geral, os bombardeios de objectivos civis e os atentados terroristas, não costumam ser qualificados como massacres.
O massacre aparece na Antiguedad como um direito do monarca, "porque o monarca constrói seu poder a partir disso".[2] O pesquisador argentino Jose Emilio Burucua, tem assinalado que os massacres da história registam como elemento comum a escuridão das causas que levam a sua produção: nos massacres "pode falar-se de detonantes, mas não de causas". [2] Herodoto, a sua vez, dizia que o massacre rompe com o tecido das causas e os efeitos.[2]
O massacre não constitui um delito penal qualificado como tal, nem no direito penal interno, nem no direito penal internacional.[3] No entanto é de prática mundialmente generalizada denominar assim a uma grande variedade de assassinatos particularmente violentos, como o Massacre das Fosas Ardeatinas durante a Segunda Guerra Mundial na Itália, o Massacre de San Patricio durante a Guerra suja na Argentina, ou o Massacre do instituto Columbine cometida por dois estudantes nos Estados Unidos.
O conceito de massacre" tem cobrado relevância nos denominados genocide studies (estudos sobre genocídio), que se estenderam a partir da sanção da Convenção para a Prevenção e a Sanção do Delito de Genocídio, pelas Nações Unidas, em 1948. As investigações sobre genocídio e violação de direitos humanos concentraram-se em partir do facto mesmo do massacre, para perguntar-se "em que circunstâncias e baixo que condições um massacre ou uma série de massacres podem converter em um genocídio".[4] Nessa análise, o psicólogo Israel Charny, chega a considerar que toda o massacre é um genocídio, incluídos acidentes que estão originados em um grande desprezo pela vida humana, como o de Chernobyl.[4]
O massacre relaciona-se com outras situações de conteúdo similar como o assassinato em massa, o homicídio com alevosía e o genocídio.
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