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Massacre de Porvenir

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O 11 de setembro de 2008 levou-se a cabo o massacre de Porvenir, cerca da população de Porvenir (nas cercanias da cidade de Cobija , capital do Departamento de Pando, Bolívia). Teve como resultado 18 camponeses mortos e cerca de 30 desaparecidos.


O massacre só se deteve pela intervenção dos militares e a decisão do Governo de declarar estado de lugar no departamento de Pando.

Investigações realizados por equipas de pesquisadores enviados por UNASUR (União de Nações Sul-americanas, conformada por doze países de Suramérica) chegaram à conclusão de que o facto tinha sido planificado e levado a cabo por pessoal da prefectura de Pando e do serviço de Caminhos de Bolívia, todos a ordens de Fernández.

Desde o 16 de setembro de 2008, Fernández e vários de seus colaboradores encontram-se em qualidade de presos no cárcere de San Pedro de La Paz por ordens do juiz, enquanto seu caso encontra-se em processo de investigação por parte da Promotoria de Distrito, pelas mortes e tortura de camponeses em Pando.


Conteúdo

Acontecimentos

- 11 de setembro. Entre as 2:30 e 16:00 camponeses, pobladores de Filadelfia, Porvenir e Cobija enfrentam-se a tiros. O saldo é de ao menos 20 mortos, 40 feridos e 106 desaparecidos.

- 12 de setembro. As Forças Armadas retomam o aeroporto Aníbal Arab de Cobija. Produz-se um confronto e morre um pastor e um soldado. Nove ficam feridos. O Governo dita estado de lugar em todo Pando.

- 13 de setembro. Marcha pela paz desafia o estado de lugar em Cobija. O Exército entra na cidade ingressa nas casas de dirigentes de Pando, fazendo explodir as portas e realizando disparos no interior das mesmas.

- 14 de setembro. O promotor geral da República anuncia processo por genocídio contra Leopoldo Fernández, Miguel Becerra e Abraham Cuéllar.

- 15 de setembro. 11 pessoas são transladadas a La Paz em qualidade de confinados. São acusados de ter participado na matança de camponeses.

- 16 de setembro. Leopoldo Fernández é tomado prisioneiro pelo Exército e enviado no avião presidencial a La Paz. Chega o Defensor do Povo, Waldo Albarracín, e uma comissão de promotor.

- 17 de setembro. Mais de 400 pessoas cruzam a fronteira com Brasil, para procurar refúgio poliítico em Brasileia e Epitaciolanadia.

- 18 de setembro. Assume o secretário geral da Prefectura de Pando, Dari Bautista. A comissão de promotor realiza necropsias aos falecidos.

- 19 de setembro. Continuam as necropsias. O ministro Rada pede a expulsión dos bolivianos em Brasilea e Epitaciolandia. O Exército brasileiro nega-se a realizar a expulsión por razões humanitárias.

- 20 de setembro. O Governo posesiona ao contaalmirante Rafael Bandeira como prefecto militar de Cobija.

Apoio exterior ao golpe de estado

A embaixada estadounidense teve um papel activo na tentativa de tomada violenta do governo, financiando e organizando aos diferentes grupos participantes. O embaixador Philip Goldberg foi por isso declarado pessoa non grata e expulsado de Bolívia por sua participação na tentativa golpe.

UNASUR e seu apoio incondicional à democracia em Bolívia

A USASUR foi um factor de grande importância no isolamento dos conspiradores já que em reunião de emergência chamada pela Presidenta de Chile Michelle Bachelet no Palácio da Moeda o 15 de setembro deram-lhe todo seu respaldo ao Governo democrático de Bolívia na Declaração da Moeda:

Resultados da Investigação da Comissão de UNASAUR

Os resultados da Comissão Especial de UNASUR dirigida pelo jurista argentino Rodolfo Mattarollo, têm o seguinte tenor:[1]

O massacre em Pando do 11 de setembro foi organizada baixo uma corrente de comando prefectural e o atentado contra a vida e a integridade de pessoas nesses factos são delitos comuns que correspondem a ser processados na justiça ordinária, concluiu o relatório final da Comissão Especial da União de Nações Sul-americanas (Unasur).

“À luz dos factos, a Comissão conclui que não se está ante delitos de função e isto, conforme à mesma jurisprudencia do Tribunal Constitucional de Bolívia. Efectivamente, a função pública não consiste em atentar contra a vida e a integridade pessoal dos cidadãos, os delitos dessa natureza, não podem ser nunca delitos de função. Trata-se de delitos comuns que devem ser julgados pela justiça ordinária”, assinala a oitava conclusão do relatório.

Estas são algumas das 10 conclusões que contempla o relatório da Comissão Especial que esteve liderada pelo jurista argentino, Rodolfo Mattarollo, quem foi o encarregado de fazer à entrega na quarta-feira deste documento ao presidente Evo Morais em instalações do hall de Palácio Queimado.

No acto participaram os membros desta Comissão investigadora dos países membros da Unasur, autoridades nacionais, familiares de vítimas do massacre de Porvenir, meios de imprensa, entre outros.

Ademais, o relatório determinou sobre os acontecimentos sangrentos o passado 11 de setembro no departamento boliviano de Pando, concluiu que o massacre de camponeses foi premeditada e constitui um crime de lesa humanidade.

Mattarollo aclarou que o relatório foi assinado por todos os delegados unanimemente que trabalharam nesta investigação.

A Comissão Especial foi criada pela Declaração da Moeda, de 15 de setembro passado, para pesquisar os trágicos factos acaecidos em Pando, onde ao menos 20 pessoas resultaram morridas, dezenas feridas e desaparecidas, a mãos de sicarios provavelmente vinculados ao ex prefecto Leopoldo Fernández, preso no cárcere de San Pedro de La Paz.

Depois de várias semanas de trabalho, que incluiu visitas ao lugar dos factos, depoimentos e a opinião de peritos, a Comissão elaborou um relatório que contém conclusões e recomendações que foram postas em conhecimento do presidente boliviano Evo Morais. Cujo informe tempo depois encontraram-se-lhe falhas e falencias.

A Comissão Especial está encabeçada pelo jurista [Rodolfo Mattarollo] e o secundan Juan Gabriel Valdés e Luciano Fouillioux (Chile), Fermino Fechio (Brasil), Francisco Borja (Equador), Guido Touro (Peru), Carlos Pita (Uruguai), Freddy Gutiérrez (Venezuela), Fulvia Benavides (Colômbia) e Nicolás Gutman, Eduardo Zuain e Ciro Annichiarico (Argentina).

Corrente de comando

A Comissão da Unasur em suas investigações determinou que ainda que teve pessoas que actuaram particularmente, os agressores dos camponeses o fizeram de forma organizada e respondiam, segundo depoimentos, “a uma corrente de comando e contavam com servidores públicos e bens do governo departamental, ao serviço de uma empresa criminosa”.

Segundo o relatório, desse massacre foram vítimas fatais um número não definitivamente estabelecido de camponeses. O número inteiramente comprovado até o momento é de 20 camponeses assassinados.

“Dita massacre reveste por suas características os rasgos de uma violação extremamente grave e flagrante de direito à vida e à integridade da vida, cujo goze e exercício é condição de todos os direitos humanos”, assinala o documento.

Actuação da polícia e politicos

Quando a Polícia deu o sinal, todos começaram a disparar. Meninos, mulheres grávidas e homens caíam como animalitos do monte, ou pior, por cá lhe temos lástima aos animalitos", diz uma mulher alta e morena ao lado da Prefeitura de Filadelfia, reduzida a cinzas. Quatro dias dantes do 11 de setembro, todos sabiam que em Pando se iam matar entre camponeses. O rumor de que o Governo estava a mobilizar gente desde Riberalta se tinha convertido em notícia e o medo de uma tomada da Prefectura começou a crescer. Para o 8 de setembro, já se dizia que Leopoldo Fernández iria negociar no caminho para que não chegassem à cidade, para que não tenha confronto em Cobija, mas a comitiva crescia em Porto Rico e desde as comunidades chegavam mais pessoas, homens, mulheres e meninos para marchar sobre Cobija. Seus dirigentes diziam-lhes que iam a um ampliado camponês, que reunir-se-iam com Fernández para falar sobre projectos. Nada disso sucedeu. A manhã da quinta-feira 11 de setembro teve confronto e massacre em Porvenir. Agora, todos tratam de se lavar o sangue das mãos. Um jovem senta-se à mesa. Diz que vai contar como se salvou de morrer atirando ao rio Tahuamanu. Tem 22 anos e não quer dizer seu nome. Vinho com a comitiva, integrada por 480 pessoas, desde San Ignacio do rio Orthon, uma comunidade do município Mãe de Deus. Saíram à meia-noite do 9 de setembro em camiões. Assegura que não traziam armas e renega do mote 'masista'. "Não somos masistas, somos camponeses. Nosso instrumento político é PASSO e nosso líder, Abraham Cuéllar", diz. O principal representante de passagem é o delegado presidencial de Beni e sua figura local é o senador Cuéllar, que foi eleito por UM mas que se aliou ao MAS.


Quando chegaram a Três Barracas, comunidade localizada a 4 km de Porvenir, se encontraram com um zanjón que cobria todo o caminho. Era uma espécie de canal que tinham posto os do Serviço Departamental de Caminhos para evitar que os camponeses passassem. "Aí ficamos toda a noite", eles estavam ao outro lado com foguetes e paus. Também tinha gente armada", diz. Redobraram-se a 3 km do barranco, até o rendimento de Dom Miguel, a fazenda de Miguel Becerra, ‘Chiquitín’, ex prefeito de Cobija e aliado de Evo Morais na região. Voltaram ao amanhecer de 11 de setembro até limpa-a. Aí começou o confronto. Os autonomistas fizeram-nos escapar a cohetazos e pedradas. Cruzaram a fosa e perseguiram-nos até Dom Miguel. "Aí apanhámos coragem. Dissemos basta de humillación, nós podemos, e nos demos a volta e os fizemos fugir", conta. Bashinho também esteve em Três Barracas essa manhã, só que do outro bando. Vive em Porvenir e, pese ao apodo brasileiro, é boliviano. Diz que o primeiro confronto foi pela madrugada, a cohetazos, palazos e pedradas; assegura que pela manhã os camponeses já estavam armados. "Chiquitín deu-lhes armas e Bs 200 à cada um. Quando voltámos, nos estavam a esperar e começaram a granear bala. Corremos pa'l monte e pudemos chegar até Porvenir", diz. Também esteve na zona Edgar Balcázar (45), que tinha ido com o bando de Porvenir. Ele assegura que tinha ido desarmado, mas quando os camponeses começaram a corretearlos perdeu o equilíbrio e foi atingido. Deram-lhe com paus, chicotes e um culatazo de escopeta na sobrancelha esquerda. Em uma semana depois tem o corpo todo amoratado. Mas não terminou aí, lhe amarraron as mãos com seu cinto e lhe vendaron os olhos com sua camisa. "Diziam-me que me iam levar até a praça de Cobija para me matar chuto. Subiram-me a um camioncito com mais cinco pessoas e seguiam-me dando huasca", diz. Quando os camponeses controlaram a situação, obrigaram a um operador de caterpillar do Sedcam a tampar o buraco na estrada e marcharam para Porvenir, queimando todo o veículo a seu passo.


Às 9:27 incendiaram uma moto, mas a tragédia terminou-se de gestar pouco dantes das 9:34. Carlos Durán vinha fugindo de Três Barracas em seu camioneta Dodge vermelha. A seu lado estava Pedro Oshiro, um engenheiro florestal de Porvenir. Durán, ao que lhe dizem Boyé, subiu a velocidade pese a que viu que vários veículos lhe tampavam o passo. Eram os de Filadelfia. A Dodge chocou com uma camioneta branca, e Durán e Oshiro foram baixados. "Trataram-me de disparar duas vezes, mas a escopeta negou o tiro", conta Boyé. A terça, o disparo saiu, mas desta vez apontavam-lhe a Oshiro. O disparo entrou pela mandíbula e saiu pela parte trasera da cabeça. A Durán atiraram-no ao andar e trataram de cortar-lhe mano-a direita. Ele conseguiu a retirar o suficiente como pára que o machete lhe cortasse só dois dedos. Depois, alguém lhe deu dois culatazos na cabeça e o deram por morto. Tudo isto está fotografado. Um comunitário de Filadelfia deu-se à tarefa de sacar fotos, com data e hora dos factos. É por isso que se sabe que chegaram a Porvenir pouco depois das 11:47. As mulheres estavam sobre os veículos nos que vinham os reféns e os homens marchavam ao lado. "Em Porvenir estava a esperar-nos a Polícia, que nos pediu paciência, que iam negociar para que passemos", conta uma mulher entre sollozos. Durante duas horas, os polícias trataram de mediar para que não tenha disparos. Balcázar relata que o tiveram no camião como duas horas. Junto a ele estavam Frank Franco, um vizinho de Villa Vermelhas, Martina Pinto, que tinha um balazo no braço, e Alfredo Gramas. A sargento de Polícia, Mirtha Sosa, começou a procurar aos reféns. Quando gritou o apodo de Balcázar, ‘Papi Mozuli’ os encontrou. "A gente, ao ver-me, enfureceu-se. 'Papi Mozuli mirá o que te fizeram, te têm desgraçado e mataram a Oshiro. Agora vão saber como somos quando nos enojamos", relata Balcázar.


Aí terminou o confronto e começou o massacre. Os camponeses atingiram a matar a Gramas em frente à casa de sua cuñado, o prefeito de Porvenir, mas depois só feriram a umas 20 pessoas. Em mudança, eles teriam sido perseguidos por todo o povo e morridos. "Saímos de entremedio das balas e corremos a uma casa que estava ao ladito dos camiões. A dona dizia-me que não, que lhe ia trazer problemas, mas entrei igual. 'Metam embaixo da cama pa'que não as pillen', nos dizia, e como sou gordita, não entrava. Afora escutava-se como ardiam as camionetas e como soavam os tiros", conta uma mulher na sede dos camponeses. Para então, os corpos dos caídos estavam na rua e tinha homens com Uzis.


Pessoal do Exército que está na zona maneja outra hipótese. Dizem que a viúva de Oshiro contratou a sicarios do narcotráfico que trabalhavam pára Mauro Vázquez, capo da droga em Cobija, que hoje está preso. Um vizinho de Porvenir disse que reconheceu o acento de três peruanos, mas não sabia de que bando estavam. Para reconhecer a quem tinha que matar, bastava com se olhar as bonecas. Os camponeses distinguiam-se entre si com fitas amarelas, vermelhas e verdes. Acha-se que os camponeses tinham manillas amarelas e que tinha militares disfarçados de camponeses com fitas vermelhas. Os de Porvenir asseguram que em um dos corpos encontraram uma credencial de um francotirador da Naval; essa documentação foi entregada à Promotoria. Quando aos camponeses se lhes acabaram as balas foram caçados 'como chanchos troperos'. "A gente de monte é assim. Quando Ud. vê uma víbora, lhe dispara. Quando Ud. se encontra com alguém armado, o mata, dantes que o outro o mate a Ud.", diz um homem, que jura que é jornalista. Os camponeses viram-se acorralados entre seus perseguidores e o rio Tahuamanu. Lançaram-se à água para tratar de chegar à outra orla, mas muitos não o conseguiram. Desde a margem norte do rio os de Porvenir disparavam-lhes. Para esse momento tinham chegado ambulancias. Os autonomistas revisavam a cada carroça para ver de que bando era ao que transportavam. Só quando seus feridos foram evacuados deixaram que levem aos outros.


Depois começaram a procurar aos camponeses casa por casa. "Vos foste a que matou a meu irmão"; gritavam-lhe à mulher gorda que se tinha escondido embaixo da cama. "Não me mataram porque não era minha hora", conta. Os camponeses que sobreviveram estão no profundo da selva. Os militares organizam cuadrillas para procurá-los, mas asseguram que é difícil. Em Filadelfia o medo mistura-se com a alegria. "Temos perdido a muitos homens e mulheres, mas temos ganhado. Ao fim o endemoniado de Leopoldo está preso. Agora é momento de que os camponeses governem com nosso Presidente", diz a morena alta. Ao final, a cifra oficial de mortos passa as 20 pessoas, a de feridos dobra essa cifra e não se sabe onde estão 106 camponeses. O drama segue e a cada dia aumenta.

Camponeses torturados

"Defensor, diga ao presidente que mantenha o estado de lugar por um ano, porque quando se vão nos vão matar", diz uma dirigenta camponesa de Manuripi. O temor após a matança segue e o que se vê em Filadelfia se repete como um espelho em Brasileia. A gente que se refugiou no Brasil não quer saber de voltar a Cobija enquanto tenha estado de lugar. Também não sentem-se seguros aquém do rio. Ontem, às 20:00, a Polícia Federal deteve em Brasilea a Beimar Becerra, asambleísta do MAS, que levava uma lista a mais de 40 pessoas, com direcções e números de placa de veículos. O ex secretário da Constituinte foi liberto depois de tomar-lhe sua declaração informativa e proibiram-lhe fazer espionagem no território brasileiro. Também não há segurança para os jornalistas. Repórteres de Unitel e de meios internacionais foram tiroteados cerca do aeroporto, em pelo menos três incidentes. Isto provocou, por exemplo, que uma equipa do programa argentino CQC tenha decidido abandonar Cobija quando os militares lhes apontaram pela noite, enquanto desde seu hotel filmavam o controle militar após meia-noite. A Rede UM reportou o desaparecimento dos jornalistas Douglas Ormachea e Bernabé López, que foram fazer uma cobertura à zona de Filadelfia.

Imparcialidad, faltas ao devido processo e irrespeto aos direitos dos arguidos

Tanto a oposicion, como a imprensa local se pronunciaram afirmando que direitos inherentes aos presos pelo caso Porvenir têm sido violados, como o direito ao juiz natural, direito que indica que a cada arguido deve ser enjuiciado no lugar do cometimiento do delito. Ademas a falta de imparcialidad nas investigações levadas por agentes de UNASUR foram acusadas por membros a oposicion de conter intencionalidad politica.

Impunidade

Mattarollo, que deu leitura as conclusões, afirmou que é necessário superar a impunidade que tem sido uma constante em muitos dos países da região, não só baixo as ditaduras militares, senão também após restituído a ordem constitucional.

“Trata-se de erradicar um fenómeno complexo que deslegitimiza ao Estado e afasta à sociedade do apego aos direitos e a justiça, já que substitui o respeito a lei, pela busca dos interesses individuais ou sectoriais a qualquer preço”, afirmou.

O relatório considera que a impunidade é especialmente reprobable quando, como no caso de Pando, se está ante delitos extremamente graves conforme ao direito interno e aos direitos internacional.

Lista de Mortos

1.- Arnoldo González 2.- Dieter Tupa Mati 3.- Celedonio Basualdo (Filadelfia) 4.- Bernardino Racua (Executivo da Sub Central Porto Rico) 5.- Alfredo Gramas Vermelhas 6.- Pedro Oshiro 7.- Félix Rocha 8.- Aldias (sem apellido) 9.- Agripino Vargas (Presidente da Comunidade Usías) 10.- Sebastián Rodríguez (Presidente do Comité de Vigilância de Filadelfia) 11.- Germán Justiniano 12.- Não identificado 13.- Alfonzo Cruz Quispe (Estudante normalista) 14.- Emilio Peña (Comunario de Batraja) 15.- Nora Montaño 16.- Peter López (Estudante normalista) 17.- Wilson Castillo Quispe (Estudante normalista) 18.- Jhonny Cori Sarzuri (Estudante normalista) 19.- Antonio Rivero (Pastor Evangélico) 20.- Ramiro Tañini (Conscripto)


A um ano do massacre do Porvenir em Pando, ficam Secuelas de tristeza e exílio

Aqui em Filadelfia ninguém se lembra de meu filho. Ninguém se lembra de nada do que passou faz em um ano”, se lamenta Wálter Mejía, de 42 anos, quem perdeu a seu filho Wilson Richard esse fatídico 11 de setembro.


O jovem de 20 anos não conseguiu esquivar a bala que lhe atravessou o coração e o pulmão e lhe fez cair fulminado em sua tentativa vã de chegar às águas do rio Tahuamanu para se salvar. É um dos ao menos 13 que pereceram nos dias do “massacre de Porvenir”, entre camponeses e cívicos.


Os decesos não são nomeados nesse povoado, a 40 quilómetros da capital de Pando, Cobija. Também não fala-se das dezenas de feridos por armas de fogo, nem discute-se se há desaparecidos entre seus habitantes.


Em Filadelfia, mal Olga (46), mãe de Wilson, se anima a falar, enquanto pule com insistencia sua tumba no cemitério. Ao ver a libreta militar de seu filho, um sollozo avaria sua fortaleza.


Seu esposo, Wálter, diz com serenidad que nenhum dos colegas de luta de seu filho o rememora. E Olga sente bronca: “Para isso tanta luta, olhe onde tem terminado minha Wilson”.


Também não no município de Porvenir recorda-se o fatal resultado dos confrontos. Neste lugar, a 30 quilómetros de Cobija, desataram-se as mais encarnizadas lutas entre quem queriam fazer respeitar seu direito à terra e aqueles que enarbolaban a bandeira da autonomia.


Quando este médio esteve nessa localidade, só dois jovens, de 21 anos e 27, aceitaram comentar sobre a violência de faz 365 dias, médio dubitativos e médio desconfiados.


Descrevem a balacera na jornada do 11, quando camponeses se dirigiram ao Tahuamanu, e restam responsabilidade nos cívicos da capital. O mais maior diz: “No confronto os de Cobija disparavam ao ar, não aos camponeses” e procuravam só evitar que estes chegassem ao rio.


E o mais jovem acrescenta: “E não é que os marchistas (que apoiam ao oficialismo) queriam fugir e se esconder no Tahuamanu, só queriam ir ao lado da frente”. E ambos criticam a inoperancia dos militares chegados o 12 de setembro depois de se ditar estado de lugar, para garantir a segurança.


Os relatórios de diferentes entidades sobre o ocorrido não concordam com as cifras de mortes, feridos e desaparecidos. A defesa de camponeses e normalistas, a advogada Mary Carrasco, cita 13 indígenas falecidos.


Mas não conta os decesos do trabalhador da Prefectura Pedro Oshiro, a do pastor Luis Antonio Rivero e do conscripto Ramiro Tañini Alvarado. Enquanto a Promotoria maneja o guarismo de 13 decesos em ambos bandos.


As outras vítimas

A assessora do Comité Cívico pandino Carmen Eva Gonzales adverte de que há outras vítimas “morridas em vida”: os refugiados que faz em um ano não calcam Bolívia por temor a ser presos pelos factos violentos, quem têm feito do Brasil sua residência.


Uma caminata de um minuto para cruzar uma ponte desde Cobija à cidade brasileira de Brasileia é o que separa a ao redor de 150 bolivianos de seu terruño. Desde essa urbe limítrofe têm a Bolívia à frente de seus olhos a cada dia, ainda que é-lhes inalcanzable.


Permanecem ali desde o 18 de setembro do ano passado, muitos com o benefício do “refúgio”, quem denominam-se exilados. Não dão sua identidade, sua condição legal de estar cobijados em outro país o impede. Mas baixo o anonimato animam-se a contar sobre como sobrellevan as dificuldades fora de seu país.


A maioria são ex cívicos pandinos que participaram no zafarrancho. A Imprensa dialogó com três destas pessoas que sentenciam que há uma “perseguição política” contra aqueles que apostaram e lutaram pela autonomia departamental.


Um deles comenta: “O Governo brasileiro foi solidario conosco, não só pelo refúgio, igual nos proporcionou estipendios alimenticios por três meses, mas isso se parou não por falta de solidariedade, senão porque a situação de refúgio não o inclui”.


O advogado defensor dos arguidos pelo “massacre”, Aurelio Valenzuela, explica qual é a situação destes albergados. “É complicado, por sua qualidade de refugiados não podem cruzar a fronteira. O Ministério Público terá que fazer um trámite ante a Chancelaria para que se apresentem a declarar sem ser presos”.


Outra das pessoas consultadas informa que são 118 os refugiados de maneira legal, mas aclara que a cifra total de exilados atinge ao menos a 150 pandinos, pois alguns preferiram não regressar a Cobija pelo temor de sofrer algum tipo de agravio.


O abandono do território nacional provocou que muitos resultassem afectados por outro problema: a desintegração familiar. Valenzuela explica: “Pelo menos 70 por cento dos que estão em Brasileia teve que separar de seu lar. São menos as famílias que se mantiveram unidas pese à precariedad e o afastamento do meio quotidiano”.


“Depois dos factos de setembro, Pando e Brasileia foram afectados economicamente, já que não há o mesmo rendimento monetário. Até o fluxo turístico reduziu-se”, arguye um dos refugiados em solo brasileiro. O temor pela insegurança e o conflito têm calado fundo na região.


Um rapaz de 20 anos que também adquiriu a condição de exilado” rende fé disso. “Estava em uma empresa que no ano passado tinha dez servidores públicos, hoje tem dois”. Seu discurso é ignição e expressa com contundência sua repudio ao Governo de Evo Morais. Apesar de tudo, recalca que continuará na luta pela autonomia seja desde Brasil ou quando retorne a sua pátria.


Seu primo de 18 anos fugiu com ele faz em um ano. Deixaram a seus seres queridos porque deram por sentado que corriam perigo como apoiavam abertamente ao Comité Cívico e suas propostas descentralizadores. Aparenta menos idade, mas fala com plena maturidade. “Ainda se sente o medo (ao Governo) na gente”.


As exigências económicas são sua principal preocupação e muitas vezes são costeadas por suas allegados que residem em Bolívia. Um destes refugiados, por exemplo, vive em uma casa pela que cancela 300 reais ao mês (uns 1.050 bolivianos), dinheiro proporcionado por seus familiares.


Os exilados mostram outras urgências. “Precisamos medicinas que há em Cobija e não as podemos conseguir”, reclama um deles, enquanto estende uma receita para três refugiados com problemas de saúde. “Mas o que mais dano faz é ver o lar tão perto, mas tão longe”.


Cobija, cidade que viveu em vilo e que continua militarizada

De acordo com depoimentos recabados por este médio, desde as seis da manhã do 11 de setembro de 2008, a capital pandina de Cobija foi inundada por efectivos militares, o que marcou o preludio de que se vinha um confronto entre as hostes autonomistas e os camponeses que tinham organizado um ampliado na localidade de Porvenir. Horas mais tarde, as notícias luctuosas não parariam de chegar desde a área rural.


Félix Tito é um condutor paceño que reside em Cobija faz dez anos e depois de um ano do massacre, mais que emocionado, por fim respira tranquilo. “Ao manejar nesse dia (o 11), a gente insultava desde seus carros, se davam-se conta de que era colla inclusive agrediam minha carroça. Tinha que deixar de trabalhar às 19.00 e não podia sequer tratar de ganhar um passageiro nas paradas porque começavam a ofender”. Outro citadino, Milton Uzquieta, que tem uma loja na capital, lamenta o momento em que a trégua chegou a Cobija a costa do declive de seu negócio. “Dantes podia-se ver bichas de brasileiros que vinham os fins de semana a comprar. Agora não chegam produtos e não querem vir pela situação conflictiva em Pando”.


Hoje, Cobija ainda tem resguardo militar e um uniformado é o actual prefecto, o contraalmirante Rafael Bandeira, quem está envolvido no suposto caso de contrabando de mercadoria em 33 camiões na região pandina, algo que tem salpicado a importantes autoridades do Governo de Evo Morais, como o ministro Juan Ramón Quintana.

Ditas investigações foram criticadas poe a oposicion Boliviana, já que primeiramente a UNASUR não ténia comptencia pra realizar dita investigacion e a mesma foi aprovado baixo condições de presion politica internacional, ademas a falta de imparcialidad , o não respeito ao devido processo e outras violações de direitos humanos contra membros da opocision asi como os factos de que o primeiro morto foi da oposicion, não tiveram relevância na investigacion , o que causo graves desgostos para os membros da oposicion do governo de Morais

Notas

-RELATÓRIO DAS NAÇÕES UNIDAS sobre o MASSACRE DO PORVENIR em PANDO, BOLÍVIA (ler página 27). http://www.un.org/essa/socdev/unpfii/documents/UNPFII_Mission_Report_Bolívia_É.pdf

-http://www.eldeber.com.bo/2008/2008-09-22/vernotanacional.php?vão=080921222943

-http://www.fmbolivia.com.bo/notícia16457-a-um-ânus-de-o-massacre-de o-porvenir-em-pando-ficam-secuelas-de tristeza-e-exílio.html

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/a/r/t/Artes_Visuais_Cl%C3%A1sicas_b9bf.html"
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