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Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

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Monumento dedicado ao MST.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (português: Movimento dois Trabalhadores Rurais Sem Terra), abreviado MST, é um movimento político-social brasileiro de inspiração marxista que procura a reforma agrária.

Originou-se na oposição ao modelo de reforma agrária imposto pelo regime militar, principalmente nos anos 1970, que priorizaba a colonização de terras em regiões remotas, com os objectivos de exportar os excedentes populacionais e da integração estratégica. Contrariamente a este modelo, o MST procura fundamentalmente a redistribución das terras improductivas.

O grupo encontra-se entre os movimentos sociais maiores de Latinoamérica contando entre seus membros a um milhão e médio de camponeses sem terra organizados ao longo de 23 dos 27 estados do Brasil.

Conteúdo

Origem do MST

O MST nasce como produto da conjunción de diferentes factores socioeconómicos consequentes do período 1970-85: o processo de concentração de grandes extensões de terra, latifundios, em propriedade de pequenos grupos da sociedade, o que fomentou no Brasil grande aumento e empobrecimiento dos pequenos camponeses; o processo de transição conservadora da ditadura militar que animou aos camponeses a se organizar; o labor pastoral da Igreja Católica, em particular da Comissão Pastoral dá a Terra, em pos de transformações nas desigualdades sociais e por último de lutas isoladas pela terra que começassem a ocorrer em diferentes estados.

Neste processo de articulação do movimento de reforma agrária, decide-se fundar o MST a nível nacional em um congresso celebrado em janeiro de 1985 , na cidade de Curitiba , estado de Paraná , com a participação de 1.500 delegados de todo o país.

Organização interna

O MST tem como objectivo se organizar por comissões de camponeses tais como: Comissões de Bases, nas comunidades rurais, Comissões municipais, Comissões Estatais, e a Comissão Coordenadora Nacional. As comissões são também uma forma de organização ao interior dos assentamentos e acampamentos.

No MST não há funções de presidente, secretário e tesorero. O órgão máximo é o Congresso Nacional, celebrado a cada cinco anos. A cada ano celebram-se encontros nacionais e por estados. Também existem comissões executivas nacionais e por estados. Na administração, há uma secretaria nacional e secretarias estatais.

Situação legal

A Constituição Brasileira[1] explicita, em seu artigo 5, Secção XXIII, que toda a propriedade tem de cumprir uma função social. Por isto ela afirma, em seu Capítulo III: “Da política agrícola e territorial e da reforma agrária”, artigo 184, que “É concorrência da União expropiar por interesse social, para fins de reforma agrária, o inmueble rural que não está a cumprir sua função social, mediante prévia e justa indemnização (…)”. Complementa isto dizendo depois, no artigo 185, “Não são susceptíveis de expropiación para fins de reforma agrária: I a pequena e meia propriedade rural, assim definida em lei, sempre que seu proprietário não possua outra; II a propriedade produtiva.”

Aqui surge o problema de interpretação a respeito de que é a propriedade produtiva, assim o MST reclama que fazem falta leis complementares que definam o que é propriedade produtiva denominação não definida na Constituição.

O artigo 186 da constituição brasilera estabelece “A função social cumpre-se quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo o critério[s] e os graus de exigência estabelecidos na lei, aos seguintes requisitos: I aprovechamiento racional e adequado; II utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservación do médio ambiente; III observação das disposições que regulam as relações de trabalho; IV exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.”

Assim o MST identifica o que interpreta são terras rurais improductivas que não cumprem com sua função social e as ocupa.

Em general depois disto o grupo começa um processo legal para expropiar a terra e outorgar o título de propriedade a camponeses sem terra, enquanto os proprietários se esfuerzan pelo reter e argumenta a produtividade e função social do terreno. O MST é representado nestas actividades em ocasiões por conselhos legais públicos, em outras por seus próprios advogados e também por organizações como Terra de Direitos uma organização da sociedade civil para a defesa do direitos humanos cofundada por Darci Frigo, quem foi galardoado em 2001 com o Robert F. Kennedy Memorial Human Rights Award Laureate.

Algumas vezes o corte requer a desocupación das terras, e outras vezes permite aos ocupantes permanecer nelas e desenvolver uma agricultura de subsistencia até que o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) determine se as terras ocupadas são improductivas.

Um exemplo do segundo caso é a actuação do juiz superior Rui Portanova, partidário da corrente do Direito Alternativo. Em agosto de 1999 este juiz decidiu depor uma resolução de um corte de inferior grau que cedia ao reclamo do terrateniente de desalojar ao MST de sua propriedade.

O razonamiento foi assim:

“Dantes de aplicar uma lei, o juiz deve considerar os aspectos sociais do caso: as repercussões da lei, sua legitimidade e o choque de interesses em tensão. O MST [está formado por] trabalhadores sem terra que querem plantar um produto que alimenta e enriquece a Brasil neste mundo tão globalizado e faminto. Mas Brasil dá-lhes as costas. O executivo dirige o dinheiro aos bancos. O parlamento (…) quer fazer leis que perdoem as dívidas dos grandes proprietários. A imprensa acusa ao MST de violência. Os Sem Terra, apesar de tudo isto, têm esperança (…) de poder plantar e cosechar com suas mãos. Por isto rezam e cantam. A Constituição Federal e seu artigo 5 (…) oferecem espaço de interpretação a favor do MST. A pressão do MST é legítima. Nos termos do inciso 23 do art. 5 [“a propriedade privada atenderá sua função social”] eu revoguei [a decisão anterior]”.[2]

Em caso que se desse, o processo de expropiación pode levar anos.

Formas de luta

O MST tem desenvolvido ao longo de sua história diferentes actividades em pos da realização de uma ampla reforma agrária. Entre elas estão: manifestações nas ruas, concentrações regionais, audiências com governadores e ministros, greves de fome, acampamentos provisorios nas cidades ou à orla dos latifundos considerados inconstitucionales, ocupações de órgãos públicos como o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e ocupação de terras entendidas como improductivas.

Complementando estas actividades o grupo também procura receber prestamos e ajuda para que os camponeses realmente possam produzir nas terras que recebem. Para o MST, é muito importante que as famílias possam ter acesso a escolas e serviços de saúde próximos, de maneira que os meninos não precisem ir à cidade e assim as famílias não deixem o campo.

Por outra parte, o MST apresentou em 1987 , conjuntamente com as demais entidades do movimento sindical - CONTAG (Confederación Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e CUT (Central Única de Trabalhadores) -, um projecto de reforma agrária assinado por um milhão duzentos mil cidadãos. O projecto foi recusado pelo Congresso Nacional.

Episódios de violência

Nos anos que tem durado o conflito da reforma agrária no Brasil a violência tem sido uma ocorrência presente.

Um dos exemplos mais notáveis disto é o Massacre de Eldorado dois Carajás onde morreram no acto 19 camponeses do MST ametrallados pela Polícia Militar (PM). Aproximadamente 1500 camponeses cortavam o trânsito da rota PA-150 em protesto por demora-a na expropiación de um terreno ocupado, então a PM foi enviada a desalojararlos de ali. Segundo camponeses do MST, a PM chegou arrojando bombas de gases lacrimógenos ao que os primeiros responderam com paus e pedras. Depois disto a PM disparou.[3]

Relações com o governo de Lula.

O presidente brasileiro Luis Inácio "Lula" dá Silva tinha noivo ao MST durante sua campanha eleitoral em 2002 assentar 400.000 famílias camponesas em seus quatro anos de gestão. No entanto, isto teve um lento avanço pelo que o movimento tomou distância do governo. O MST tem dito que só foram assentadas 21.000 famílias desde que assumiu o 1 de janeiro do 2003.[4]

Pese a que todo o previsto não se cumpriu, o movimento, depois de fazer uma avaliação crítica do período, decidiu apoiar politicamente ao PT em 2005 à hora da reeleição de Lula. No entanto, existiram membros que apoiaram ao PSOL.

Relações com outras entidades

O MST impulsiona a todos os camponeses a afiliarse e participar do Sindicato de Trabalhadores Rurais, a organização sindical a nível da cada município. A nível de central sindical, o MST articula com a Central Única dos Trabalhadores (CUT). No âmbito religioso, o MST mantém relações com a Comissão Pastoral da Terra e as pastorais rurais das diócesis; em 2008, uns 50.000 membros do MST ingressaram em bloco ao movimento Católico Comunión e Libertação. A nível internacional, o MST mantém relações com diversas organizações camponesas da América Latina através de Via Camponesa. O MST não está filiado a organismos sindicais internacionais ainda que conta com o apoio de diferentes organizações de trabalhadores e ONGs da Europa e Canadá.

Referências

  1. [Constituição brasilera traduzida ao espanhol http://www.constitution.org/cons/brazil.htm]
  2. Decisão #70000092288, Rui Portanova, Courte Estatal de Rio Grande do Sul, Porto Alegre
  3. [Eldorado dois Carajás: massacre contra sem-terra face 5 ânus, em português, URl acedida o 10 de junho de 2006|http://jbonline.terra.com.br/destaques/eldorado/index8.html]
  4. [BBC Mundo, "Violência rural aumentou no Brasil". `[17 de abril de 2004], URL acedida o 10 de junho de 2006|http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/latin_america/newsid_3634000/3634055.stm]

Enlaces externos

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/c/ou/m/Comunicações_de_Andorra_46cf.html"
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