Núcleo lítico
Para outros usos deste termo, veja-se Núcleo.
Núcleo de sílex para folhas.
Um núcleo lítico é uma massa de rocha homogénea que tem sido talhada com o objecto de extrair lascas para seu uso posterior. Assim, pois, o propósito principal de um núcleo é proporcionar suportes a uma variedade indeterminada de utensilios líticos. À medida que os núcleos líticos vão sendo explodidos, isto é, se lhes vão extraindo lascas, vão se fazendo mais pequenos até que são abandonados por não ser necessários ou por ter sido esgotados. Os núcleos abandonados ou esgotados convertem-se em desechos característicos que costumam aparecer em maior ou menor abundância nos yacimientos prehistóricos.
Os núcleos líticos têm diferentes formas e classificações dependendo em primeiro lugar, do sistema tipológico (isto é, do ponto de vista do pesquisador), em segudo lugar, do método (Levallois, laminar...) ou técnica de talha (percussão directa, percussão indirecta, pressão...) que tenha sido empregado para a extracção, e, em terceiro lugar, do produto que se tenha obtido dele (basicamente lascas, pontas ou folhas líticas).
Desde o ponto de vista da tecnologia lítica, todos os núcleos possuem uma ou várias zonas de exploração que, basicamente se dividem nos seguintes elementos:
- Um plano de percussão (às vezes denominado também «plataforma de percussão») ou vários: isto é, a zona que recebe os golpes ou que sofre a pressão necessária para que a rocha se rompa e possam se extrair os produtos desejados. Os planos de percussão podem ser de diversos tipos, ainda que basicamente diferenciam-se os planos de percussão corticales, isto é, devidos a uma talha monofacial, dos não corticales, próprios de uma talha bifacial e, dentro destes, aqueles que têm podido ser preparados cuidadosamente por médio de pequenos lascados, para que a extracção seja mais precisa (planos de percussão preparados). Quando se extrai uma lasca, uma parte do plano de percussão se vai com ela, é o que denominamos talón da lasca, o qual pode ser cortical, se o plano de percussão o é também; também pode ser liso, ou diedro, quando se trata de uma extracção por talha bifacial, ou, por último, facetado, no caso de que o plano de percussão tenha sido preparado.
- Uma cara principal de extracção, que é a parte do núcleo da que se extraem as lascas ou folhas. As caras de extracção de um núcleo também podem ser várias, sobretudo nos núcleos de talha bifacial, ainda que a tendência é para ter um maior controle sobre a exploração do núcleo, é às reduzir o máximo possível. estas se caracterizam por conservar os negativos das lascas já extraídas, cicatrices de anteriores extracções ou da preparação do núcleo e que, quando uma lasca se desgaja do núcleo, se converte na cara superior ou dorsal da mesma. A estrutura e classificação dos negativos de lascados prvios em uma lasca ou na cara de extracção de um núcleo contribuem valiosa informação sobre os sistemas de talha lítica.
Desde o ponto de vista dos métodos e técnicas epleados na exploração de um núcleo lítico, há dois factores básicos que permitem discriminar uma ampla varidad dentro desta grande categoria de objectos talhados:
- A posição da extracção: é um aspecto básico na talha, não só dos núcleos, senão também de qualquer objecto lítico talhado. A posição pode ser monofacial, quando afecta a uma sozinha cara do núcleo; bifacial, quando afecta a duas caras, sempre que as extracções se apoiem em negativos de lascados prévios; e polifacial, quando estamos ante uma extracção mais complexa que configura três ou mais caras no núcleo.
- A direcção de percussão na que, de um modo simplificado, podemos distinguir três possibilidades: os núcleos de talha desordenada, nos que não é possível estabelecer uma direcção de percussão dominante (e que é própria de núcleos arcaicos, isto é, de períodos antigos da Prehistoria, mas também de núcleos esgotados ou reaprovechados, por tanto noes, necessariamente, um indicador cronológico ou do nível técnico de uma cultura). Os núcleos de talha centrípeta, nos que os impactos do percutor vão desde as bordas para o centro do mesmo, acabando por formar uma silhueta discoide na peça; este tipo de núcleos costuma ser de tipo bifacial e são muito característicos do Achelense e do Musteriense, ainda que podem dar-se em cualquer peridodo da história do ser humano (são um indicador cronológico, até verdadeiro ponto, relativo e pouco fiável). Os núcleos de Talha paralela, isto é, um plano de percussão polariza as extracções que se vão fazendo de um modo paralelo de modo que os produtos obtidos são lascas alongadas ou folhas. Este tipo de núcleos, em determinadas condições, pode ser indicador de um verdadeiro nível tecnolócico e, dependendo de se aparece unido a outros factores, pode ser um bom indicador cronológico ou tecnológico.
Modelo:ORDENAR:Nucleo litico