O termo número complexo descreve a soma de um número real e um número imaginario (que é um múltiplo real da unidade imaginaria, que se indica com a letra i). Os números complexos utilizam-se em todos os campos das matemáticas, em muitos da física (e notoriamente na mecânica cuántica) e em engenharia, especialmente na electrónica e as telecomunicações, por sua utilidade para representar as ondas electromagnéticas e a corrente eléctrica.
Em matemáticas, os números constituem um corpo e, em general, consideram-se como pontos do plano: o plano complexo. A propriedade mais importante que caracteriza aos números complexos é o teorema fundamental do álgebra, que afirma que qualquer equação algébrica de grau n tem exactamente n soluciones complexas.
Os números complexos são uma extensão dos números reais, cumprindo-se que
. Os números complexos representam todas as raízes dos polinômios, a diferença dos reais.
Os números complexos são a ferramenta de trabalho do álgebra ordinária, telefonema álgebra dos números complexos, bem como de ramos das matemáticas puras e aplicadas como variável complexa, aerodinámica e electromagnetismo entre outras de grande importância.
Contêm aos números reais e os imaginarios puros e constituem uma das construções teóricas mais importantes da inteligência humana. Os análogos do cálculo diferencial e integral com números complexos recebem o nome de variável complexa ou análise complexa.
Definiremos a cada complexo z como um par ordenado de números reais (a , b) ou (Re(z), Im(z)), no que se definem as seguintes operações:
A partir destas operações podemos deduzir outras como as seguintes:
Ao primeiro componente (que chamaremos a )se lhe chama parte real e ao segundo (que chamaremos b), parte imaginaria.
Denomina-se número imaginario puro àquele que este composto só pela parte imaginaria, isto é, aquele no que
.
Os números complexos formam um corpo, o corpo complexo, denotado por C (ou mais apropriadamente pelo carácter unicode ℂ ). Se identificamos o número real a com o complexo (a ,0), o corpo dos números reais R aparece como um subcuerpo de C . Mais ainda, C forma um espaço vectorial de dimensão 2 sobre os reais. Os complexos não podem ser ordenados como, por exemplo, os números reais: C não pode ser convertido de jeito nenhum em um corpo ordenado.
A multiplicação de números complexos é associativa, conmutativa e distributiva:
Sejam
I)
II)
III)
Sejam
com
Por demonstrar a propriedade associativa (I)
Por outra parte
Então cumpre-se
.
Tomando em conta que
, se define um número especial em matemáticas de grande importância, o número i ou unidade imaginaria, definido como
De onde se deduze imediatamente que,
Um número complexo representa-se em forma binomial como:
A parte real do número complexo e a parte imaginaria, podem-se expressar de várias maneiras, como se mostra a seguir:
O conceito de plano complexo permite interpretar geometricamente os números complexos. A soma de números complexos pode-se relacionar com a soma com vetores, e a multiplicação de números complexos pode expressar-se simplesmente usando coordenadas polares, onde a magnitude do produto é o produto das magnitudes dos termos, e o ângulo contado desde o eixo real do produto é a soma dos ângulos dos termos.
Os diagramas de Argand usam-se frequentemente para mostrar as posições dos pólos e os zeros de uma função no plano complexo.
A análise complexa, a teoria das funções complexas, é uma das áreas mais ricas da matemática, que encontra aplicação em muitas outras áreas da matemática bem como em física , electrónica e muitos outros campos.
O valor absoluto, módulo ou magnitude de um número complexo z vem dado pela seguinte expressão:
Se pensamos em z como algum ponto no plano; podemos ver, pelo teorema de Pitágoras, que o valor absoluto de um número complexo coincide com a distância euclídea desde a origem do plano.
Se o complexo está escrito em forma exponencial z = r eiφ, então |z| = r. Pode-se expressar em forma polar como z = r (cosφ + isenφ), onde cosφ + isenφ = eiφ é a conhecida fórmula de Euler.
Podemos comprovar com facilidade estas quatro importantes propriedades do valor absoluto
para qualquer complexo z e w.
Por definição, a função distancia fica como segue d(z, w) = |z - w| e nos provee de um espaço métrico com os complexos graças ao que se pode falar de limites e continuidade. A soma, resta-a, a multiplicação e a divisão de complexos são operações contínuas. Se não se diz o contrário, se assume que esta é a métrica usada nos números complexos.
Dois binómios chamam-se conjugados se só diferem em seu signo central, por exemplo, os dois binómios: 3m - 1 e 3m + 1 são conjugados.
O conjugado de um complexo z (denotado como
ou
) é um novo número complexo, definido assim:
Observa-se que ambos diferem no signo da parte imaginaria.
Com este número cumprem-se as propriedades:
Esta última fórmula é o método eleito para calcular o inverso de um número complexo se vem dado em coordenadas retangulares.
Algumas vezes, a representação de números complexos na forma z = a + i b (coordenadas ortogonais) é menos conveniente que outra representação, usando coordenadas polares.
Representamos o número complexo z no plano de números complexos como um ponto com coordenadas (a, b), denominado vetor de posição.
Traçamos a distância desde o ponto (0,0) até (a, b), à que chamaremos r, e, que como se viu dantes, tanto faz ao módulo de z , expressado
.
Esta distância forma, com respeito ao eixo real positivo, um ângulo, denominado
.
A representação polar permite-nos expressar este número complexo em função de r e do ângulo
:
onde k pertence a ,.
Nesta representação,
é o módulo do número complexo e o ângulo
é o argumento do número complexo.
Formamos um triângulo retângulo, com r como hipotenusa, e com catetos a e b. Vemos que:
Despejamos a e b nas expressões anteriores e, utilizando a representação binomial:
Sacamos factor comum r:
Frequentemente, esta expressão se abrevia convenientemente da seguinte maneira:
a qual só contém as abreviaturas das razões trigonométricas cosseno, a unidade imaginaria e a razão seio do argumento respectivamente.
Segundo esta expressão, pode observar-se que para definir um número complexo tanto desta forma como com a representação binomial se requerem duas parámetros, que podem ser parte real e imaginaria ou bem módulo e argumento, respectivamente.
Segundo a Fórmula de Euler, vemos que:
Não obstante, o ângulo
não está univocamente determinado por z , como implica a fórmula de Euler:
Por isto, geralmente restringimos
ao intervalo [-π, π) e a este
restringido o chamamos argumento principal de z e escrevemos φ = Arg(z). Com este convênio, as coordenadas estariam univocamente determinadas por z .
A multiplicação de números complexos é especialmente singela com a anotação polar:
Divisão:
Potenciación:
Geometricamente, as operações algébricas com complexos podemo-las entender como segue. Para somar dois complexos z1 =a 1 + ib1 e z2 = a 2 + ib2, podemos pensar em isso como a soma de dois vetores do plano x-e apontando desde a origem no ponto (a 1, b1) e (a 2,b2), respectivamente. Se transladamos (movemos) o segundo vetor, sem mudar sua direcção, com o que seu ponto de aplicação coincide com o ponto final do primeiro vetor; o segundo vetor assim localizado apontará ao complexo z1 + z2.
Seguindo com esta ideia, para multiplicar dois complexos z1 e z2, primeiro medimos o ângulo que formam em sentido contrário às agulhas do relógio com o eixo positivo do x e somámos ambos ângulos: o ângulo resultante corresponde com o do vetor que representa ao complexo produto z1 · z2. A longitude deste vetor produto vem dada pela multiplicação das longitudes dos vetores originais. A multiplicação por um número complexo fixo pode ser vista como a transformação do vetor que rotaciona e muda seu tamanho simultaneamente.
Multiplicar qualquer complexo por i corresponde com uma rotação de 90º em direcção contrária às agulhas do relógio. Assim mesmo o que (-1) · (-1) = +1 pode ser entendido geometricamente como a combinação de duas rotações de 180º (i ao quadrado = -1), dando como resultado uma mudança de signo ao completar uma volta.
Uma raiz do polinômio p é um complexo z tal que p(z)=0. Um resultado importante desta definição é que todos os polinômios de grau n têm exactamente n soluciones no campo complexo, isto é, tem exactamente n complexos z que cumprem a igualdade p(z)=0, contados com suas respectivas multiplicidades.Também se cumpre que se z é uma raiz então sua conjugado também é uma raiz do polinômio p. A isto lho conhece como Teorema Fundamental do Álgebra, e demonstra que os complexos são um corpo algebraicamente fechado. Por isto os matemáticos consideram aos números complexos uns números mais naturais que os números reais à hora de resolver equações.
Ao estudo das funções de variável complexa conhece-lho como a Análise complexa. Tem uma grande quantidade de usos como ferramenta de matemáticas aplicadas bem como em outros ramos das matemáticas. A análise complexa provee algumas importantes ferramentas para a demonstração de teoremas inclusive em teoria de números; enquanto as funções reais de variável real, precisam de um plano cartesiano para ser representadas; as funções de variável complexa precisam um espaço de quatro dimensões, o que as faz especialmente difíceis de representar. Costumam-se utilizar ilustrações coloridas em um espaço de três dimensões para sugerir a quarta coordenada ou animações em 3D para representar as quatro dimensões.
A primeira referência conhecida a raízes quadradas de números negativos prove do trabalho dos matemáticos gregos, como Herón de Alejandría no século I dantes de Cristo, como resultado de uma impossível secção de uma pirâmide. Os complexos fizeram-se mais patentes no Século XVI, quando a busca de fórmulas que dessem as raízes exactas dos polinômios de graus 2 e 3 foram encontradas por matemáticos italianos como Tartaglia, Cardano. Ainda que só estavam interessados nas raízes reais deste tipo de equações, se encontravam com a necessidade de lidiar com raízes de números negativos. O termo imaginario para estas quantidades foi acuñado por Descartes no Século XVII e está em desuso. A existência de números complexos não foi completamente aceitada até a mais abaixo mencionada interpretação geométrica que foi descrita por Wessel em 1799 , redescubierta em alguns anos depois e popularizada por Gauss . A implementação mais formal, com pares de números reais foi dada no Século XIX.
Os números complexos usam-se em engenharia electrónica e em outros campos para uma descrição adequada dos sinais periódicos variáveis (ver Análise de Fourier). Em uma expressão do tipo z = r eiφ podemos pensar em r como a amplitude e em φ como a fase de uma onda sinusoidal de uma frequência dada. Quando representamos uma corrente ou um voltaje de corrente alternada (e por tanto com comportamento sinusoidal) como a parte real de uma função de variável complexa da forma:f(t) = z eiωt onde ω representa a frequência angular e o número complexo z nos dá a fase e a amplitude, o tratamento de todas as fórmulas que regem as resistências, capacidades e inductores podem ser unificadas introduzindo resistências imaginarias para as duas últimas (ver redes eléctricas). Engenheiros eléctricos e físicos usam a letra j para a unidade imaginaria em vez de i que está tipicamente destinada à intensidade de corrente.
O campo complexo é igualmente importante em mecânica cuántica cuja matemática subjacente utiliza Espaços de Hilbert de dimensão infinita sobre C (ℂ).
Na relatividad especial e a relatividad geral, algumas fórmulas para a métrica do espaço tempo são bem mais simples se tomamos o tempo como uma variável imaginaria.
Em equações diferenciais, quando se estudam as soluções das equações diferenciais lineares com coeficientes constantes, é habitual encontrar primeiro as raízes (em general complexas)
do polinômio característico, o que permite expressar a solução geral do sistema em termos de funções de base da forma:
.
Os fractales são desenhos artísticos de infinita complexidade. Em sua versão original, define-lhos através de cálculos com números complexos no plano.
Outras representações, não tão frequentes, dos números complexos, podem nos dar outra perspectiva de sua natureza. A seguinte é uma interpretação onde a cada complexo se representa matricialmente, como uma matriz de ordem 2x2 com números reais como entradas que esticam e rotacionam os pontos do plano. A cada uma destas matrizes tem a forma
com números reais a e b. A soma e o produto de duas matrizes fica de novo desta forma. Qualquer matriz não nula desta forma é invertible, e seu inverso é de novo desta forma. Portanto, as matrizes desta forma são um corpo. Efectivamente, este é exactamente o corpo dos complexos. Qualquer matriz pode ser escrita:
O qual sugere que se pode identificar a unidade com a matriz
e a unidade imaginaria
isto é, uma rotação de 90 graus. Damos-nos conta de que o quadrado desta matriz é certamente igual a -1!
O valor absoluto de um complexo expressado como uma matriz tanto faz à raiz quadrada do determinante da matriz. Se vemos a matriz como uma transformação do plano, então a transformação rompida pontos com um ângulo igual ao argumento do complexo e escala multiplicando por um factor igual ao valor absoluto do complexo. O complexo conjugado de z é a transformação com a mesma rotação disposta por z mas em sentido inverso, e escala da mesma maneira que z; isto pode ser descrito pela traspuesta da matriz correspondente a z .
|
Modelo:ORDENAR:Numero complexo