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A neurogénesis é a produção das células do sistema nervoso central (SNC), isto é, de neurónios e células gliales. O termo neurogénesis aplica-se especialmente aos seres humanos, conquanto dá-se logicamente em qualquer animal que possua sistema nervoso e, por tanto, células nervosas.
Há que distinguir entre a neurogénesis no desenvolvimento e a neurogénesis em seres adultos, que foi descoberta no último terço do século XX.
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A neurogénesis no desenvolvimento é o processo de formação dos neurónios dentro de um processo mais amplo, o de formação do sistema nervoso (SN) ou morfogénesis. Na seguinte descrição vamos centrar-nos na neurogénesis humana, conquanto dá-se um processo similar na maioria de mamíferos e outros vertebrados.
Denomina-se fase de proliferación celular àquela na que as células que compõem o SN (neurónios e células gliales) se originam ou nascem. Das diferentes fases da morfogénesis é esta a que propriamente se pode considerar como a fase da neurogénesis.
Nos seres humanos esta fase do desenvolvimento dá-se na quarta semana de gestación a partir do neuroepitelio, que está formado pelas chamadas células mãe do SNC. Essas células mãe produzem as chamadas células progenitoras, que a sua vez darão neurónios imaturas ou glioblastos. Uma vez nascem os neurónios, que como tem ficado dito são ainda imaturas, perdem sua capacidade reproductora. Os glioblastos, no entanto, conservam sua capacidade reproductora toda a vida.
Esta fase abarca até aproximadamente no quinto mês de gestación, conquanto não cabe esquecer que não ocorre simultaneamente em todo o cano neural, senão que a cada região tem seu próprio período de neurogénesis. O processo não acaba aí, senão que pára que propriamente possamos falar do sistema nervoso as células que o compõem ainda devem passar por diferentes momentos.
Depois desta fase de proliferación celular produz-se a migração celular, nas que as células nervosas migram até sua localização definitiva; a glía radial é o suporte através do qual os neurónios podem atingir sua localização definitiva. As células nestas fases ainda são indiferenciadas, pelo que pasana a fase de diferenciación neuronal para adquirir as características morfológicas e fisiológicas do neurónio maduro. Assim mesmo, estabelecem-se as diferentes conexões (sinapsis), conquanto no desenvolvimento estabelecem-se muitíssimas mais sinapsis das necessárias durante a sinaptogénesis, com o que muitas dessas conexões são posteriormente eliminadas. Ademais, durante o desenvolvimento fetal o ser humano cria muitas mais neurónios das que precisa, pelo que as que funcionalmente resultam supérfluas morrem (esta morte neuronal se conhece como apoptosis neuronal e pode atingir a entre o 25 e o 75% dos neurónios criados).
A produção de novos neurónios depois do nascimento foi negada até bem avançada a segunda metade do século XX. Hoje em dia sabe-se que tanto os neurónios como as células gliales se seguem produzindo pela diferenciación de células mãe durante toda a vida dos organismos.
A neurogénesis foi detectada pela primeira vez pelo cientista e biólogo espanhol José Manuel García-Verdugo em lagartos. A partir desta descoberta detectou-se em mamíferos como os humanos. Ademais também descobriu junto ao pesquisador Arturo Alvarez-Buylla, da Universidade Rockefeller, as células responsáveis de dita neurogénesis.
Em humanos a geração de novos neurónios constatou-se e descrito em diferentes zonas do sistema nervoso: o bulbo olfatorio, o hipocampo e em diferentes áreas da cortezacerebral . Também se descreveu esta neurogénesis na região pré-frontal, que controla o processo de execução de decisões e que está envolvida na memória em curto prazo; também na região temporária inferior, que actua no reconhecimento de caras ou objectos e na região parietal posterior, importante na percepción de relações espaciais e da imagem corporal.
Ademais conhecem-se e estudam em profundidade os processos de migração neuronal. Desde a zona subventricular onde se geram os novos neurónios, parte um fluxo de células mãe que se vai diferenciando. Ademais, estudos actuais mostram que o fluxo se vê modificado ante a presença de tumores cerebrais ou certas doenças. Sabe-se que as correntes de neurónios variam seu destino para irrigar as zonas tumorales, mas actualmente se discutem temas como a velocidade de corrente ou o papel das correntes neuronales nos tumores cerebrais. Por isso, esse é um campo muito estudado à hora de tentar aplicar a neurociencia ao tratamento de patologias.
Em aves, a neurogénesis é mais ampla e regenera zonas inteiras do cérebro a cada ano, especialmente as implicadas no canto; em outros animais não mamíferos, a formação de neurónios novas é muito comum e estendida.
Assim mesmo, há estudos que parecem demonstrar que tanto a actividade cerebral como a actividade física favorecem a neurogénesis. Críticos a esta questão, no entanto, pensam que se baseiam em casos pouco estudados, já que ainda fica muito que fazer neste campo da neurobiología.
Alguns dos interesses do estudo da neurogénesis se centram em conseguir a capacidade de regeneração neuronal para combater doenças como o alzheimer, a demência senil, o parkinson ou lesões medulares graves, não obstante estes experimentos ainda estão em desenvolvimento.
O estudo da neurogénesis também tem por objectivo descobrir porqué na formação de tumores a zona subventricular do hipocampo (formador de novos neurónios) envia células mãe para os tumores em formação. Estudos recentes parecem mostrar a clara relação entre neurogénesis e as formações tumorales no cérebro e do estudo da neurogénesis poder-se-ia obter uma forma de combater melhor dita doença.
Estudos de 2006 indicavam que a fluoxetina actua sobre a depressão acelerando de alguma maneira a divisão celular na zona do hipocampo, zona onde se produz a maior parte da neurogenesis adulta, mas estudos posteriores publicados na revista Neuropsychopharmacology parecem entrar em contraposição com esses estudos e ainda falta por estudar bem os processos que a produzem. Estes outros estudos dão como resultado que não se pode afirmar que a formação de novos neurónios seria parte do mecanismo que alivia a depressão já que outros mecanismos conseguem o mesmo efeito sem acelerar a divisão dos neurónios no hipocampo, como bem detalham alguns artigos científicos, não obstante a relação da fluoxetina e a divisão activa no hipocampo é interessante sempre que fique provada e correctamente estudada.
Equipas da Universidade de Valencia em colaboração com o centro de investigação Príncipe Felipe tentam recorrer a materiais sintéticos para gerar de forma artificial o crescimento de neurónios em zonas afectadas. Em outras partes do mundo também se levam a cabo experimentos similares, os quais em um futuro poderiam ajudar a curar ou melhorar a qualidade de vida de pacientes com danos no cérebro.
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