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O Último da Bicha

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O Último da Bicha (1984-1998) foi um grupo musical de pop rock]] espanhol formado por Manolo García (vocalista) e Quimi Portet (guitarrista) e nascido na cidade de Barcelona. Tem sido um dos grupos musicais a mais sucesso em Espanha durante as décadas dos 80 e dos 90, anos nos que desenvolveram sete álbuns musicais e numerosas giras, geralmente em Espanha.

Índice

Precedentes

Dantes da formação do grupo, os dois componentes do mesmo tiveram andaduras paralelas em diferentes agrupamentos musicais. Por sua vez Manolo García (* O Poblenou,[2] Barcelona, 1955) começou seu andadura musical como batería em grupos de dance, actuando em bares e festas locais em conjuntos como Matéria Cinza. Pouco depois, unido a outros músicos como Antonio Fidel ou Esteban Martín começa a criar um repertorio próprio, dando vida assim a Os Rápidos, grupo que só editou um LP com a discográfica EMI, Rápidos, em 1981, disco de singelo pop rock ochentero. Apesar das boas críticas, o disco não teve as suficientes vendas e a discográfica não lhes publicou um segundo álbum do qual já tinham a maqueta. Quimi Portet (* Vic, Barcelona, 1957), por sua vez, esteve em diversos agrupamentos musicais de diferente índole até que recaló em Kul de Mandril grupo catalão que só gravou umas maquetas ao vivo a princípios dos anos 1980 e um single: Presunto de macaco.

Manolo e Quimi conhecem-se no festival Rock de Lluna, em junho de 1981, festividade na que tanto Os rápidos como Kul de mandril eram dois dos grupos convidados. Como Manolo estava a procurar um novo guitarrista para seu grupo, decidiram incorporar a Quimi Portet. Durante um tempo actuaram em Cataluña, mas o grupo não demoraria em se dissolver ante a pouca perspectiva de sucesso.

Manolo García marcha-se ao País Basco com intenção de prosseguir sua carreira musical longe de Cataluña, enquanto Quimi Portet e alguns dos músicos dos antigos Os Rápidos começaram a dar forma a novas canções para um grupo que acabou se chamando Os Burros depois da incorporação de Manolo, que não teve sucesso em sua busca. Gravaram um LP com a discográfica Belter, chamado Rebuznos de amor, com canções compostas quase em exclusiva por Manolo e Quimi, algumas delas resgatadas das maquetas que não se publicaram de Os rápidos. Pese a que não tiveram sucesso comercial, sim deixaram algumas canções posteriormente importantes e recordadas como Ossos ou Minha noiva se chamava Ramón, e outras tantas canções com um toque bem mais original e arriscado que em Os Rápidos, graças à influência do carácter surrealista de Portet. No entanto, Belter afundou-se e com ela o futuro do grupo.

História

Ficheiro:O último da bicha - Directo 2.jpeg
Fotografa do grupo em sua última gira.
À esquerda Manolo García, à direita Quimi Portet.

Depois do pouco sucesso de seu último projecto, Manolo e Quimi decidem provar sorte em uma nova formação com a pequena discográfica PDI, tomando como nomeie O Último da Bicha, nome sacado de uma estrofa de uma canção de um grupo musical australiano, segundo os próprios componentes. O sucesso por fim começa a sonreirles quando ganham o concurso de maquetas da revista Rock Spezial tocando tão só dois temas: Quando a pobreza entra pela porta, o amor salta pela janela e A qualquer pode lhe suceder, o que lhes presenteava um precontrato com a discográfica multinacional Virgin que posteriormente recusaram para cumprir sua palavra com PDI.

O início em PDI

Em 1985 publicam seu primeiro LP: Quando a pobreza entra pela porta, o amor salta pela janela que inclui as duas canções apresentadas no festival no que se alçaram com a vitória. Este disco significou uma mudança ao conceito musical que vinham fazendo até agora, dando a seu pop rock uns toques sureños, árabes e flamencos até agora só apreciables na voz de Manolo, deixando claras as influências de grupos como Triana ou Medina Azahara. As letras tornam-se mais poéticas, misturando a lírica com os temas sociais e o surrealismo. Destacam peças roqueiras como Doces sonhos e outras mais intimistas como a antibélica Querida Milagres. Com este disco conseguiram o prêmio de "Grupo revelação" outorgado pelo programa Diário Pop de Rádio 3.

Ao ano seguinte sacaram à venda seu segundo álbum: Inimigos do alheio; uma colecção de canções que pretende um caminho continuista com seu anterior LP, com canções que se converteram umas das mais importantes do rock espanhol como Aviões plateados e Insurrección, canção que foi nomeada a melhor do ano em Espanha pela revista musical especializada Rock de Lux, publicação que também lhe nomeou o "Grupo do ano ao vivo" e a seu disco, "Disco do ano". Dado seu triunfo e seu ascensión em vendas, começaram a deixar-se ver ao vivo a cada vez mais com freqüência, oferecendo uns directos impecables e enérgicos que aumentaram seu número de seguidores, os quais já se contavam por centos de milhares.

1987: Reediciones e projectos paralelos

Depois de seus dois primeiros discos decidiram dar-lhe uma lavagem de cara a suas melhores temas em um novo estudo em Londres, já que o som conseguido nos rudimentarios estudos de PDI era muito mejorable. Desta maneira saiu sua LP Novas misturas (disco às vezes mau chamado Nova mistura ou O Último da Bicha), no que regrabaron canções com um toque diferente, e inclusive às vezes mudando completamente a música como no caso de São quatro dias e modificando parte da letra como em O louco da rua. Também se incluiu Quem és tu?, canção que só se podia ouvir como caro B de um de seus singles. A música ganhou em clareza ainda que perdeu em artesanato. Converteu-se em seu disco mais vendido até o momento, multiplicando quase por 6 as vendas de seu anterior álbum.

Paralelamente a este projecto Quimi, que sempre desejou colaborar com o rock catalão, gravou seu primeiro álbum em solitário, Persones estranyes, cantado em catalão, composto por Quimi e produzido por Quimi e Manolo. Sua repercussão foi escassa. Também, nesse mesmo ano, Gravações Acidentais S. A. (GASA) faz-se com os direitos dos Burros e decidiram reeditar Rebuznos de amor e publicar um novo mini-LP chamado Presunto de burro, que continha 6 canções muito variopintas, desde uma nova versão de Ossos até uma de Presunto de macaco, uma canção de Kul de Mandril, passando por composições descartadas daqueles anos e alguma canção nova. GASA também editou uma versão deste miniLP incluindo Rebuznos de amor, tudo em um só disco.

O fim com PDI

PDI sabia que a repercussão do grupo era demasiada para seus escassos recursos, de modo que decidiu lhes deixar campo livre para que gravassem onde se lhes antojara. Desta maneira, em 1988 o grupo deslocou-se a França para gravar Como a cabeça ao sombrero, um disco de carácter mais intimista, muito acústico e mais comercial, o que quiçá em primeiro lugar decepcionasse a seus seguidores, mas que em pouco tempo se ganhou o título de obra mestre e é, para muitos de seus seguidores, seu melhor disco. Canções como Sara, Pranto de paixão ou Já não danço ao som de os tambores soaram por todas as emissoras de Espanha, convertendo o disco em um superventas. O grupo começou a acostumar-se a pendurar o cartaz de "Não há bilhetes" em todos os concertos de seu gira.

Um dos momentos cimeira do grupo foi nesse mesmo ano, quando foram convidados a participar no concerto Human Rights Now! (Concerto Pró Direitos Humanos), ao compartilhar cartaz com artistas do calibre de Bruce Springsteen, Tracy Chapman, Sting, Peter Gabriel e Youssou N’Dour.

A fama do grupo cresce exponencialmente, e já soam em Latinoamérica e alguns países europeus. Gira-las do grupo começam a ser extremamente longas, estendendo-as mais e mais, devido à demanda. Desta maneira, em 1989 edita-se Como a cabeça ao sombrero em diversos países da Europa enquanto o grupo se translada a América para começar outra gira por países latinos e Estados Unidos.

PDI já não pode manter a um grupo da repercussão do Último da Bicha, assim a banda decide deixar PDI para se ir a uma discográfica maior, a multinacional EMI, que lhes permitiu ter um selo discográfico próprio: Cão Records. Manolo e Quimi mantiveram a notícia em segredo até a saída de seu seguinte disco, para não desvirtuar a atenção do estritamente musical.

A etapa EMI e novo selo discográfico

A estréia de seu novo selo em 1990 vinho acompanhado do lançamento de seu seguinte disco Novo pequeno catálogo de seres e estares, sendo o disco mais estranho e experimental do grupo, mas não por isso obtiveram um sucesso menor, todo o contrário, as vendas do disco, longe de se estancar, seguiram subindo, o mantendo em várias semanas consecutivas como número um da lista AFYVE. Neste disco dão um protagonismo maior aos teclados e os sons de fundo e atmosféricos, com sucessos como Quando o mar te tenha, Músico louco, Canta por mim ou Em meu peito. Mantêm o estilo lírico que lhes deu o sucesso e reformaram seu estilo musical até um género mais pop. Como nota curiosa, o grupo recebeu uma oferta milionária para unir o nome do grupo a certa marca comercial (a qual nunca nomearam), segundo seus componentes, lhes pareceu tão inapropiado que declinaron a oferta e em vez disso uniram seu nome a organizações ecologistas como Greenpeace e ONGs como Amnistia Internacional bem como outras 18 organizações ecologistas locais repartidas por toda Espanha. Pode-se apreciar na contraportada do disco.

Gira-a do grupo não demorou em chegar, esta vez Dr. Music encarregou-se de gerí-la. Cerca de 750.000 pessoas viram ao grupo ao vivo durante os cinco meses que durou (mais tarde se ampliou, incluindo a Europa e América), e durante os quais expuseram seu carácter ecologista e comprometido com a natureza e a sociedade, vendendo merchandising de ONGs e realizando contribuições económicas. Em um concerto destinado principalmente à concienciación ecológica, coincidiram com Tina Turner com a que entablaron certa amizade, já que posteriormente o grupo foi telonero da cantora em seus concertos por Europa.

No final de 1992 gravaram um novo disco: Astronomia razoável, disco com o que consagraram seu sucesso com cerca de um milhão de cópias vendidas em Espanha desde que saiu à venda, a princípios de 1993. O disco contém algumas das canções mais conhecidas do grupo como Mar antigo, Como um burro amarrado na porta do dance, Lápiz e tinta ou O que canta seu mau espanta. Manteve-se em vários meses consecutivos como número um da AFYVE batendo o recorde de semanas consecutivas em dito posto. Em seu som voltaram a predominar as guitarras (tanto eléctricas como acústicas e espanholas) e as letras respiravam um tom lírico e surrealista que recordava a sua etapa de final dos 80, ademais é o disco que mais baladas incluía. Contava com a colaboração na produção de David Tickle, famoso produtor internacional. Gira-a do disco inclui quase cem concertos e mais de um milhão de espectadores. Paralelamente, editou-se também uma versão do disco na Itália]] que continha seis dos temas cantados em idioma italiano|italiano]].

Depois de um ano sabático, em 1995 voltam com outro disco: A rebelião dos homens rana, publicado por Chrysalis, uma marca de EMI, mas através sempre de Cão Records. Aqui o grupo decidiu arriscar com um som mais escuro e uns ritmos mais lentos, próximos ao médio tempo, que não chegaram a gostar a todos os seguidores, mas que escondiam canções destacadas como Sem chaves, As folhas que riem, Uva da velha parra ou Que bem cheiram os pinos!. As vendas tiveram um receso com respeito a seu anterior disco, mas não o suficiente como para ser preocupante de cara ao futuro. Gira-a que acompanhou ao disco começou inclusive dantes da saída deste, o que não impediu que enchessem os recintos onde actuavam.

Nesse mesmo ano, Manolo García reuniu-se com os antigos componentes de Os Rápidos e decidiram publicar a maqueta que continha as canções que dariam forma a seu segundo LP, se este tivesse chegado a se publicar. Assim, baixo o nome de Os Rápidos 2 - Maquetas, o selo Cão Records o sacou à venda para dar a conhecer umas canções que de outra forma cairiam no esquecimento.

A dissolução do grupo

Depois de seu último disco, os componentes do grupo deram-se um tempo para si mesmos. Por sua vez Quimi, publicou baixo Chrysalis e Cão Records outro álbum em solitário: Hoquei sobre pedres em 1997, desta vez mais trabalhado e de maior qualidade que sua outra aventura e de novo em catalão. Por sua vez Manolo estava a trabalhar em composições pessoais à margem do grupo.

Especulava-se muito sobre o futuro da banda e o 13 de janeiro de 1998 o grupo anunciava sua dissolução[3] alegando que já tinham dado todo o que podiam juntos e que agora lhes apetecia provar sorte em solitário seguindo a cada um seu próprio caminho. Esta resposta não convenceu a muitos, que especularam com uma possível briga dos integrantes, no entanto, posteriores colaborações demonstraram que a relação entre ambos é cordial. Também se especulou com que a separação do grupo fosse devida ao nascimento da filha de Quimi, e a atenção que esta requereria seria incompatible com as enormes giras, assunto no que Manolo não estava disposto a ceder; tema ao qual têm respondido com negativas mas sem o desmentir do tudo.

Depois da separação, Quimi Portet tem sacado cinco discos: Cançoner electromagnètic (1999), Acadèmia dels somnis (2001), A Terra és plana (2004), Matem els dimarts i els divendres (2007) e Viatge a Montserrat (2009), com notável sucesso dentro do território catalanoparlante; enquanto Manolo García publicou Areia nos bolsillos (álbum)|Areia nos bolsillos]] (1998), Nunca o tempo é perdido (2001), Para que não se durmam meus sentidos (2004) e Sairemos à chuva (2008), além de sendas caixas de singles da cada um de seus álbuns, obtendo sucesso de crítica e público, e continuando com o som que deu carácter ao grupo mas imprimiendo seu matiz pessoal.

Actualmente os componentes do grupo seguem trabalhando em solitário, ainda que compartilham o selo discográfico.

Obra

Discografía

Singles

De "Quando a pobreza entra pela porta, o amor salta pela janela"

  • Quando a pobreza entra pela porta, o amor salta pela janela (PDI, 1985)
  • Doces sonhos (PDI, 1985)
  • Querida Milagres (PDI, 1985)

De "Inimigos do alheio"

  • As palavras são cansaço (PDI, 1986)
  • Insurrección (PDI, 1986)

De "Novas misturas"

  • São quatro dias (PDI, 1987)

De "Como a cabeça ao sombrero"

  • Já não danço ao som de os tambores (PDI, 1988)
  • Sara (PDI, 1988)
  • Às vezes se acende (PDI, 1988)
  • Pranto de paixão (PDI, 1989)

De "Novo pequeno catálogo de seres e estares"

De "Astronomia razoável"

De "A rebelião dos homens rana"

Maxisingles

  • O louco da rua (PDI, 1987)
  • Sara (PDI, 1988)
  • Às vezes acende-se (PDI, 1988)

Discos recopilatorios e de rarezas

  • Treze canções (PDI, 1988)
  • Os singles (1985-1988) (PDI, 1989)
  • Colecção 1985-1988 (EMI, 1991)
  • Astronomia razoável: Singles e maquetas (EMI, 1994)
  • O melhor (EMI/Rodven, 1996)
  • Gravações completas (EMI, 2008)

Colaborações

  • VV.AA. - Amnistia Internacional (Avispa, 1994) - Dobre CD de carácter benéfico que inclui a canção Maldita minha estampa do Último da Bicha, inédita salvo neste disco.

Vídeos

  • Em concerto + Video cutres + Video clips (CAN S.L., 1989)
  • Novo pequeno catálogo de seres e estares - 1990 (EMI, 1991)

Livros de fotografias

  • Astronomia razoável - Gira 93 (CAN S.L., 1993) - Simples recopilación de fotografias de gira-a.

Bibliografía relacionada

  • Predefinição:Cita livro autor = Coromina, Toni
  • Predefinição:Cita livro autor = Hevia, Manuel

Veja-se também

Notas e referências

  1. Com PDI estiveram desde 1985 até 1990, e desde 1990 até 1998 seu discográfica foi Cão Records distribuindo com EMI.
  2. Portet, Quimi, Prólogo do livro Férias de meu mesmo, Ed. Temas de Hoje, 2004, Espanha. Nele, se afirma: Nasce nosso amigo no laborioso e tenaz Poble Nou de Barcelona.
  3. R.Q. (EFE). "O Último da Bicha decide separar-se". O Jornal de Cataluña. Barcelona, 14 de janeiro de 1998.

Enlaces externos

  • Elultimo.zzn.com Site não oficial sobre O Último da Bicha. Combina informação e material interactivo.
  • Petaos.net Site não oficial sobre O Último da Bicha.
  • WebEUDLF.net Site não oficial sobre O Último da Bicha.
  • Perrorecords.com Página oficial do selo discográfico do grupo.em:O Último da Bicha