O oscilador harmônico cuántico é o análogo mecano cuántico do oscilador harmônico clássico. É um dos sistemas modelo mais importante em mecânica cuántica, já que qualquer potencial se pode aproximar por um potencial harmônico nas proximidades do ponto de equilíbrio estável (mínimo). Ademais, é um dos sistemas mecano cuánticos que admite uma solução analítica singela.
No problema do oscilador harmônico monodimensional, uma partícula de massa
está submetida a um potencial quadrático
. Em mecânica clássica
denomina-se constante de força ou constante elástica, e depende da massa
da partícula e da frequência angular
.
O Hamiltoniano cuántico da partícula é:
onde
é o operador posição e
é o operador momento
. O primeiro termo representa a energia cinética da partícula, enquanto o segundo representa sua energia potencial. Com o fim de obter os estados estacionários (isto é, as autofunciones e os autovalores do Hamiltoniano ou valores dos níveis de energia permitidos), temos que resolver a equação de Schrödinger independente do tempo
.
Pode-se resolver a equação diferencial na representação de coordenadas utilizando o método de desenvolver a solução em série de potências. Obtém-se de modo que a família de soluções é
onde
representa o número cuántico vibracional. As oito primeiras soluções (
) mostram-se na figura da direita. As funções
são os polinômios de Hermite:
Não se devem de confundir com o Hamiltoniano, que às vezes se denota por H (ainda que é preferível utilizar a anotação
para evitar confusões). Os níveis de energia são
.
Este espectro de energia destaca por três razões. A primeira é que as energias estão "cuantizadas" e somente podem tomar valores discretos, em fracções semienteras 1/2, 3/2, 5/2, ... de .
Este resultado é característico dos sistemas mecano-cuánticos. Na seguinte secção sobre os operadores escada faremos uma detalhada análise deste fenómeno.
A segunda é que a energia mais baixa não coincide com o mínimo do potencial (zero neste caso). Assim, a energia mais baixa possível é
, e se denomina "energia do estado fundamental" ou energia do ponto zero.
A última razão é que os níveis de energia estão equiespaciados, ao invés que no modelo de Bohr ou a partícula em uma caixa.
Convém destacar que a densidade de probabilidade do estado fundamental se concentra na origem. Isto é, a partícula passa mais tempo no mínimo do potencial, como seria de esperar em um estado de pouca energia. À medida que a energia aumenta, a densidade de probabilidade concentra-se nos "pontos de volta clássicos", onde a energia dos estados coincide com a energia potencial. Este resultado é consistente com o do oscilador harmônico clássico, para o qual a partícula passa mais tempo (e por tanto é onde é mais provável a encontrar) nos pontos de volta. Satisfaz-se assim o princípio de correspondência.
Para estudar o movimento de vibração dos núcleos pode-se utilizar, em uma primeira aproximação, o modelo do oscilador harmônico. Se consideramos pequenas vibrações em torno do ponto de equilíbrio, podemos desenvolver o potencial electrónico em série de potências. Assim, no caso de pequenas oscilações o termo que domina é o quadrático, isto é, um potencial de tipo harmônico. Por tanto, em moléculas diatómicas, a frequência fundamental de vibração virá dada por: [1]
que se relaciona com a frequência angular mediante
e depende da massa reduzida
da molécula diatómica.