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Pai nosso

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Representação do episódio do Sermón do Monte no que, segundo o Evangelho de Mateo, Jesús de Nazaret deu a conhecer o texto no que se baseia a oração do Pai nosso. Obra de Carl Heinrich Bloch, conservada no Nationalhistoriske Museum på Frederiksborg Slot, Castillo de Frederiksborg, Dinamarca

O Pai nosso ou Padrenuestro (do latín, Pater Noster) é o nome de uma oração cristã dada a conhecer por Jesús de Nazaret segundo relatam os evangelhos de Mateo (Mt 6:9-13) e de Lucas (Lc 11:1-4). Da diferença na descrição das circunstâncias e no estilo do texto da oração em ambos autores, derivam as diferentes versões existentes para a cada confesión cristã.

O Padrenuestro é considerado[1] a oração cristã comum por excelencia pelas confesiones maioritárias: para o Catecismo da Igreja Católica é o resumem da doutrina cristã, o modelo de oração cristã de acordo aos protestantes e a oração mais perfeita segundo os ortodoxos.

Conteúdo

Antecedentes do Pai nosso

Vejam-se também: Oração e Ritual

O Padrenuestro encontra seus antecedentes imediatos no contexto das tradições litúrgicas da religião judia que eram contemporâneas ao período histórico no que viveu Jesús de Nazaret e no que se desenvolveu inicialmente o cristianismo.

George Novack[2] associa em general tanto estas tradições como as das grandes religiões aos rituales do homem primitivo:

«As grandes religiões do mundo, como o cristianismo, o budismo, o islamismo, tomaram as ideias mágicas surgidas da impotencia e ignorância dos primitivos. Refinaram-nas transformando-as nos tão comuns pares de opostos Deus-homem... da mesma maneira suas rituales religiosos imitam os rituales do médico bruxo de suas tribos.»

Desde este ponto de vista, os homens primitivos começaram a divinizar os aspectos que não compreendiam do mundo e a natureza e começaram a ter deuses da «chuva», do «vento», do «amor». O contacto com estas forças da natureza divinizadas começou a «refinar-se» e deu-se origem às religiões. Para Novack, o judaísmo implicou um «avanço» para seu tempo, em um contexto onde a maioria das culturas antigas professavam o politeísmo, ao resumir a todos os deuses em um só e desenvolvendo uma liturgia onde a oração era a forma mais efectiva de aproximação.

Outros antecedentes mais remotos ao Padrenuestro são considerados desde teorias teológicas que vinculam a doutrina do cristianismo com antigas crenças paganas. O teólogo e egiptólogo catalão Llogari Pujol tem assinalado o que para ele é um antecedente concreto ao Padrenuestro em um texto egípcio do ano 1000 a. C. onde se recolhe a chamada Oração do cego.[3]

Tradições litúrgicas na Idade Antiga

Como faziam oração os "gentiles": Roma e Grécia antigas

A estátua de Zeus criada pelo escultor Fidias para o 435 a. C., segundo um gravado de Maarten vão Heemskerck, século XVI.

Já nos tempos históricos, surgiram religiões organizadas e teve templos e sacerdotes que rendiam culto a forças da natureza, que a maioria das vezes já tinham a figura de deuses antropomorfos. As religiões primitivas geralmente careciam do conceito de um Deus universal (um Deus para todos os homens), mais bem se adorava a deuses locais, os quais achavam que iam favorecer só a seu povo. De forma análoga, consideravam-se «verdadeiros» aos deuses de outros povos. Por exemplo, um egípcio podia considerar que Atenea ajudava aos gregos, por tanto, ele tinha que pedir ajuda a seu deus Horus.

A cada povo tinha sua forma de comunicar com seus deuses. Uma forma de estabelecer contacto era por médio de palavras, mais ou menos ritualizadas, como se os deuses fossem pessoas que escutam e respondem, isto é, fazer oração. No caso da religião grecorromana, existia um grande contraste entre a oração dirigida às grandes divinidades e a efectuada com os deuses familiares. No caso das grandes divinidades (Júpiter, Neptuno, etc.) a oração era muito recarregada, com ritos muito elaborados e complicados cheios de pompa e cerimónia. Considerava-se aos deuses entes bastante longínquos e não tinha caso se esforçar por estabelecer um diálogo com eles; pois eram tão grandes e poderosos que seguramente não escutariam. Mais bem tinha que evitar sua ira. Por outro lado, aos deuses domésticos, os da família, os próprios antepassados, orava-se-lhes de um modo diferente: pedia-se-lhes conselho e protecção de uma maneira íntima, neste caso tinha uma cercania e uma conversa verdadeira, já que sentiam amor por estes pequenos deuses.

Dentro do cristianismo, o grupo que voltar-se-ia mais numeroso é o dos crentes de origem gentil (não judeu). De facto deve-se tomar em conta que o Novo Testamento foi escrito em uma língua pagana, o grego. Na actualidade os judeus consideram aos cristãos como gentiles, enquanto na Antigüedad eram considerados uma seita judia. A herança dos gentiles é innegable no cristianismo.

Oração no judaísmo

Vejam-se também: Judaísmo e Abinu Malkenu
Judeu yemenita usando kipá e talit enquanto ora.

O judaísmo trouxe consigo uma grande novidade no contexto religioso da época antiga: a existência de um sozinho Deus (o monoteísmo). De forma similar ao resto de povos, a crença judia sustentava que sua deidad os favorecia só a eles, isto é, seguia sendo um Deus de um sozinho povo. A diferença fundamental estribaba em que para os judeus todas as demais deidades eram falsas, só sua Deus existia realmente (exclusivismo). Segundo o judaísmo, ele criou a todos os homens, mas escolheu a Israel para ser seu povo.

Israel comunica-se com Deus através de seus profetas, sendo o maior de todos Moisés. Assim, Yahvé teria falado cara a cara com ele em reiteradas ocasiões. Poder-se-ia dizer que não teve pessoa com quem tivesse uma relação mais perfeita, mas ao mesmo tempo mais humilde, que Moisés. Segundo os relatos bíblicos, este filho de Israel foi o único em comunicar-se com Deus directamente (os demais que o fizeram, o conseguiram através da mediação de anjos). Entendendo a oração como o diálogo com Deus, Moisés teve a oração mais surpreendente e ideal.

Israel é um povo onde a oração é um dos pontos mais importantes de sua identidade[cita requerida]. Inclusive os judeus menos crentes conhecem algumas orações. Seu contacto com Yahvé caracterizou-se em grande parte por suas orações. O judaísmo legou ao cristianismo uma grande parte de suas crenças. De facto, o cristianismo assegura que na figura de Jesús de Nazareth se dá o cumprimento total de suas escrituras e o identifica como o Mesías ou Cristo prometido. Jesús mesmo cresceu dentro do contexto espiritual judeu e essa identidade vê-se claramente refletida na oração do Pai nosso[cita requerida].

Exemplos de orações judias

Espiritualidad judia vertida no Pai nosso

Diversas fontes afirmam que o Pai nosso recolhe uma indudable herança da espiritualidad judia.

Por exemplo, no livro Rabbinic Literature and Gospel Teaching (Londres, 1930) afirma-se que há semelhanças entre a oração do Pai nosso e orações tradicionais do judaísmo. Com tais comparações pretendeu-se demonstrar em dito livro que o Pai nosso tem uma base filosófica judia.

Na Liturgia para a manhã do Shabat de acordo ao uso romano afirma-se:

Pai nosso do céu, deleitas-te em estabelecer tua Casa em nossas vidas e posar Tua Presença nas trevas de nossos dias.

Este texto revela que os judeus vêem ao Senhor como seu Pai, o pai de seu povo, mensagem que vem contido na oração de Jesús.

Um kadish diz o seguinte:

Permite que teu grandioso nome seja magnificado e santificado.

Aqui os judeus engrandecem o nome de seu Deus e pedem-lhe que os homens o reconheçam e glorifiquen. Esta mensagem vem contido na primeira petição da oração.

Outro kadish diz:

Permite que teu Reino encha as vidas, e nos dias e a vida de toda a Casa de Israel muito cedo, em um futuro próximo.

O Reino de Deus é uma ideia que os cristãos tomaram do judaísmo e este kadish demonstrá-lo-ia.

O rabí Eleazar Magno disse também:

Qualquer tem um pão na canasta e diz: Que comerei manhã? é uma pessoa de pouca fé.

O texto grego do Pai nosso em sua tradução mais fiel diria dá-nos hoje nosso pão da manhã, o qual concorda com o dito por Eleazar o Grande.

A Amidá diz por sua vez:

Perdoa-nos, oh Pai nosso, porque temos pecado, absolve-nos, Oh rei nosso, porque temos cometido transgresiones.

A Amida demonstra a dor ou ao menos o temor que o povo de Israel sente por seus pecados.

Samuel o Pequeno disse:

Se teu inimigo cai, não o desfrutes, se sai lastimado não permitas felicidade em teu coração, pois Deus vê-lo-á e tirará dele sua ira.

A mensagem fala do amor aos inimigos. Perdoar aos que nos ofendem seria parte desse amor.

A oração de Mar bar Rabna, datada no século V e usada na liturgia vespertina diz:

Sei um escudo para nós, aparta a nossos inimigos, a pestilencia, a espadada...

Pede-se-lhe ao Deus dos judeus nesta oração que seja uma protecção, ao igual que Jesús lhe pede ao pai que nos livre do mau.

O presbítero italiano Marco Adinolfi considera que o Pai nosso pôde ter sido uma oração própria do judaísmo, já que ao longo dela se sintetiza a espiritualidad judia, de forma que Jesús no Pai nosso deixou a mensagem mais judia de toda a Biblia[cita requerida].

O Pai nosso na Igreja primitiva

Representação paleocristiana de Cristo como o Bom pastor nas catacumbas de San Calixto, Roma.

Deve fazer-se notar que Jesús viveu no contexto da espiritualidad judia, que nos evangelhos se cita frequentemente aos textos sagrados do judaísmo e que Jesús, como judeu, estava submetido à Torá. Seguramente rezou as Dezoito bênçãos, o Shema, o Avinu Malkenu (Pai nosso, Rei nosso), os Salmos ou Tehilim (louvores em espanhol), entre outros muitos rezos que existiam dentro do corpus religioso do judaísmo.

Pode-se assegurar que se o judaísmo introduziu uma grande novidade no contexto religioso de sua época, o cristianismo trouxe ao mundo de seu tempo uma nova visão da Divinidad. Para o cristianismo existia uma deidad, a dos judeus. Só tinha um Deus verdadeiro, mas não era para um sozinho povo. O Senhor passou de ser um Deus local do povo judeu a ser um Deus universal. O dos cristãos mostrava-se a todos os homens que quisessem o seguir sem distinção de sua origem. Segundo o cristianismo, o Senhor tinha um novo povo ao que qualquer homem de boa vontade podia pertencer e esse novo povo era a Igreja. Essa é a razão pela qual diferentes denominações cristãs se nomeiam a si mesmas o Novo Israel.

Em um princípio os primeiros cristãos consideravam-se a si mesmos parte do povo judeu, oravam nas sinagogas e respeitavam toda a Torá. No primeiro Concilio de Jerusalém, narrado no capítulo 15 do livro Feitos dos Apóstoles, diz-se que os gentiles que abraçavam a Cristo não estavam obrigados a cumprir a Torá dada ao povo de Israel. Por exemplo os cristãos de origem gentil não estavam obrigados a circuncidarse ou guardar o Shabat. A partir deste momento o cristianismo começa a separar-se gradualmente do judaísmo.

O Pai nosso foi fundamental neste ponto. Ao separar-se do judaísmo, o cristianismo teve que ir adquirindo uma identidade própria e o principal rasgo da espiritualidad judia era a oração. O cristianismo tinha que se procurar sua própria oração, seus próprios rasgos, para não ser considerada uma seita do judaísmo. O Pai nosso passaria a ser o rasgo principal que diferenciaria ao povo «novo» do «velho» neste ponto da história. A diferença ainda não estava muito clara, entre os judeus e os primeiros seguidores do cristianismo.

Os primeiros cristãos tinham um grande respeito pela Oração dominical. A Oração dominical não se ensinava a qualquer. Seu rezo constituía um privilégio que só se outorgava aos que já tinham recebido o baptismo. Era o último que se ensinava aos catecúmenos e só até a véspera de seu baptismo. Era a máxima e mais preciosa jóia da fé.

Os antigos cristãos das Igrejas da África tomaram sua profissão da fé (quid credendum) desta oração. Uma profissão de fé é uma declaração de suas crenças, um exemplo disto é a oração do Credo ou símbolo niceno do catolicismo latino e oriental. Os que pretendiam obter o baptismo deviam ter um profundo conhecimento da oração (quid orandum). Os catecúmenos deviam de seguir detenidamente a explicação do Credo e posteriormente deviam recitarlo publicamente de cor. A transição entre estes dois passos era o Pai nosso. A profissão de fé no cristianismo é uma parte fundamental, pois mediante ela se declaram cuales são suas crenças fundamentais e básicas. O facto de que as Igrejas primitivas da África o tomassem como base para sua profissão de fé, demonstra que desde os albores do cristianismo estas palavras de Jesús foram consideradas as mais santas palavras.

Na Igreja primitiva o rezo do Pai nosso estava reservado para o momento mais alto da celebração que à postre o catolicismo chamaria missa. Faziam-na preceder de fórmulas que assinalavam seu respeito. Estas fórmulas têm sido herdadas por Iglesias em suas liturgias actuais: na liturgia da Igreja oriental diz-se como introdução: «Digna-te, oh Senhor, conceder-nos que gozosos e sem temeridad, nos atrevamos a lhe invocar a ti, Deus celestial, como a Pai, e que digamos: Pai nosso...». Na primitiva liturgia romana o sacerdote precedia a oração com a frase: «atrevemos-nos a dizer», reconhecendo a enorme audacia que há em repetir palavras consideradas tão santas pelo cristianismo.

O Pai nosso na Biblia

O relato nos evangelhos

Nos dois evangelhos, é Jesús quem ensina o Padrenuestro a seus discípulos para ensinar-lhes o modo correcto de orar. O relato evangélico parece indicar que seus seguidores tiveram uma completa confiança em seus ensinos. Deve-se recordar que a religiosidad judia era muito rígida e tinha ritos e orações muito precisos. A relação com o Ser Eterno, que segundo suas crenças regia todo o que existe, era algo muito delicado e por isso lhe pedem a Jesús que lhes ensine o modo correcto de se dirigir a Ele; pois de acordo a eles, só uma pessoa muito próxima a Deus poderia conhecer a maneira correcta de lhe falar, sendo Jesús essa pessoa para eles.

Com a oração que lhes ensina, Jesús trata de romper com as atitudes que afastavam ao homem de Deus, e procura uma singeleza que facilite o diálogo com esse Absoluto que Jesús chamou Pai.

Representação do evangelho de Mateo (anjo). Veja-se tetramorfos.

Relato de Mateo.

A oração aparece no contexto do Sermón da montanha. Jesús tinha começado já sua vida pública, e como já era um conhecido predicador congregó a muita gente que queria receber seus ensinos. Decidiu subir a um monte para que todos pudessem lhe escutar, e uma parte importante dos ensinos cristãos se baseia neste bilhete evangélico: as bienaventuranzas (Mt 5:1-12), a comparação dos discípulos com a luz do mundo (Mt 5:14-16), a atitude de Jesús com respeito à Lei de Moisés (Mt 5:17-20), e seus comentários sobre os mandamientos (Mt 5:21-37), entre outros ensinos fundamentais para os cristãos.

O contexto no que Jesús expõe o Padrenuestro é o do reproche para aqueles, tanto judeus como gentiles, que têm convertido a oração, como a esmola, em um hábito meramente externo (Mt 6:5-8). Jesús recomenda orar em segredo e com singeleza, e oferece-lhes o Padrenuestro como exemplo de oração singela para dirigir ao Pai.

Representação do evangelho de Lucas (touro). Veja-se tetramorfos.

Relato de Lucas.

No evangelho de Lucas o Pai nosso aparece na secção que é denominada a viagem a Jerusalém: é precedido pela exposição da parábola do bom samaritano (Lc 10:30-37) e pelo episódio da disputa entre Marta e María (Mt 10:38-42). O relato parece sugerir que Jesús estava a orar sozinho e muito concentrado no que o evangelho chama «verdadeiro lugar», pelo que ninguém se atrevia ao interromper, e só quando terminou seu diálogo com o Eterno um de seus discípulos lhe pediu que lhes ensinasse a orar, como também Juan ensinava a seus discípulos. A seguir, Jesús explica-lhes o Padrenuestro, em uma versão mais curta que a de Mateo e que contém só cinco petições. O texto de Lucas segundo a tradução católica da Biblia da América diz:

«Pai, santificado seja teu nome; vinga teu reino; dá-nos a cada dia o pão que precisamos; perdoa-nos nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo o que nos ofende; e não nos deixes cair na tentación.» (Lc 11:2-4).

Comparação dos relatos. Lucas narra que um dos discípulos lhe pediu a Cristo que lhes ensinasse a orar após que Jesús mesmo teve terminado sua oração em solitário. Em Mateo não aparece a petição do discípulo, foi iniciativa do próprio Jesús lhes ensinar a orar com o Pai nosso.

As diferenças entre as duas versões são as seguintes:

O fundo dos dois relatos é o mesmo: Jesús ensina a sua gente qual é a forma correcta de se dirigir a Deus. No entanto, Mateo desenvolve-a de maneira mais extensa e profunda. O relato de Mateo sobre o Pai nosso resulta mais apasionado, já que nele Jesús está sobre uma montanha rodeado de uma multidão ansiosa por escutar suas palavras; no relato de Lucas, em mudança, um Jesús mais espiritual, orando em solitário, causa a admiração de um discípulo, quem espera pacientemente a que termine sua oração para lhe pedir que lhe ensine a orar.

Hipótese sobre as diferenças entre Mateo e Lucas.

Há três hipótese a respeito das diferenças entre os relatos do Pai nosso entre os dois evangelhos. Aceitando que Jesús pronunciou só uma vez o Pai nosso se propõem a seguinte questão; pode ser que as diferenças entre as versões de Lucas e Mateo devam à transmissão oral da tradição, mas se propõe o problema de qual dos dois textos é o primitivo, e a partir de aqui surgem duas hipótese:

Na terceira hipótese verte-se a seguinte ideia:

Só há dois factos que não deixam lugar a dúvidas: as diferenças entre as duas versões do pai nosso são marginales, e na prática a Igreja primitiva optou pelo texto de Mateo, provavelmente por ser mais rotundo e enfeitado. Por médio do método científico é difícil chegar para além nestas averiguaciones.

A oração em grego, língua dos evangelhos

Ikhthys (peixe), acrónimo em grego de: Jesucristo Filho de Deus e Salvador foi símbolo dos cristãos primitivos[4]

Os evangelhos foram escritos em uma forma dialectal do grego, a koiné, chamado também grego alejandrino, helenístico, comum ou grego do Novo Testamento. A koiné era a lingua franca ou língua internacional do Mediterráneo oriental desde o período helenístico. Todos os textos do Novo Testamento se escreveram utilizando a koiné, que foi também a língua da difusão do cristianismo.

A palavra grego utiliza-se reiteradamente para referir-se aos gentiles no Novo Testamento. Este termo aplicava-se a todas as pessoas que não pertenciam ao povo judeu, ainda que não procedessem da Grécia. Isto indica a grande influência que tinham a cultura e o idioma gregos na época dos primeiros cristãos.

No texto grego assim se lê o Pai nosso:
Original grego Transliteración Tradução
Πάτερ ἡμῶν ὁ ἐν τοῖς οὐρανοῖς Páter hemón, ho em tois ouranoís Pai nosso do céu.
ἁγιασθήτω τὸ ὄνομά σου• hagiastheto to ónomá sou; Proclame-se esse nome teu.
ἐλθέτω ἡ βασιλεία σου• eltheto tenho basileía sou; Chegue teu reinado.
γενηθήτω τὸ θέλημά σου, genitheto to thélemá sou Realize-se teu desígnio
ὡς ἐν οὐρανῷ καὶ ἐπὶ τῆς γῆς• hos em uranoi, kai epí tes ges; Do Céu aqui na Terra
τὸν ἄρτον ἡμῶν τὸν ἐπιούσιον δὸς ἡμῖν σήμερον• ton arton hemón ton epiousion dois hemín semeron; Nosso pão da manhã dá-no-lo hoje.
καὶ ἄφες ἡμῖν τὰ ὀφελήματα ἡμῶν, kai aphes hemín ta opheilemata hemón, E perdoa-nos nossas dívidas,
ὡς καὶ ἡμεῖς ἀφίεμεν τοῖς ὀφειλέταις ἡμῶν• hos kai hemeís aphíemen tois opheletais hemón; que também nós perdoamos a nossos deudores.
καὶ μὴ εἰσενέγκῃς ἡμᾶς εἰς πειρασμόν, kai me ensenenkes hemás eis peirasmón, E não nos deixes ceder à tentación,
ἀλλὰ ῥῦσαι ἡμᾶς ἀπὸ τοῦ πονηροῦ. lá rhusai hemás apó tou poneroú. senão livra-nos do mau.
[Ὅτι σοῦ ἐστιν ἡ βασιλεία καὶ ἡ δύναμις καὶ ἡ δόξα εἰς τοὺς αἰῶνας•] [Hoti sou estin tenho basileía, kai tenho dynamis, kai tenho doxa eis tous aionas;] Teu é o Reino, teu o poder e a Glória, Eternamente.
ἀμήν. amín. Amém

A incorporação da doxología final

A última frase da oração (Teu é o reino, o poder e a glória por sempre Senhor. Amém) recebe o nome de doxología final.

Esta parte da oração reza-se ao final em algumas ocasiões específicas. Nesta partícula manifesta-se o total reconhecimento por parte do orante de que Deus é um ser absoluto e supremo que não tem princípio nem fim. Alguns acham que é autêntica, baseando em um louvor do Antigo Testamento, enquanto outros afirmam que se trata de um acrescentado posterior.

Segundo,[5] a doxología final surgiu entre os séculos II e III de era-a cristã. Segundo Joachim Jeremias, era inaceitável que a oração terminasse com a palavra tentación, pelo qual a Igreja primitiva acrescentou para o uso litúrgico esta doxología, se baseando provavelmente no texto de 1 Crónicas:29:11-13.

Alguns copistas do Novo Testamento foram influídos pela liturgia (onde se incluía a doxología) e acrescentavam, sobretudo no texto proveniente de Mateo, a doxología final. A versão Reina-Valera é um dos exemplos mais conhecidos de traduções bíblicas em espanhol onde se inclui esta frase ao final do Pai nosso de Mateo.

Interpretação do catolicismo

O texto em latín e versão católica em espanhol

A versão católica do Pai nosso em espanhol baseia-se na versão em latín , idioma oficial da Santa Sede, que era também a língua utilizada durante a Idade Média para recitar o Pater Noster, inclusive pelas gentes menos instruídas,[6] ainda que estas utilizavam cotidianamente a variante chamada latín vulgar. Para uma melhor difusão e entendimento das Sagradas Escrituras, se encarregou a San Jerónimo, religioso que dominava as línguas hebréia, aramea e grega, a adaptação da Biblia latina que até então estava disponível pelas traduções realizadas por vários autores, apresentando diversos estilos na cada livro individual, dando origem à versão chamada Vetus Latina ou Vulgata.

Transcrição da oração do Pai nosso ao Canto gregoriano
O texto em espanhol é o usado pelo Catecismo da Igreja Católica. A versão em latín é a oficial (a liturgia oficial da igreja ainda é em latín, ainda que se tenha permissão para o uso das línguas vernáculas (S.C. n. 36.1)), comparada com o texto da Vulgata:
Espanhol Latim
Pai nosso, que estás no céu, Pater noster, qui é in caelis,
santificado seja teu Nome; sanctificetur nomen tuum.
vinga a nós teu reino;
Adveniat regnum tuum.
(Vulgata: Veniat regnum tuum (1))
faça-se tua vontade na terra como no céu. Fiat voluntas tua, sicut in caelo, et in terra.
Dá-nos hoje nosso pão da cada dia; Panem nostrum quotidianum dá nobis hodie,
(Vulgata: Panem nostrum supersubstantialem dá nobis hodie (1))
perdoa nossas ofensas et dimitte nobis debita nostra
como também nós perdoamos aos que nos ofendem; sicut et nos dimittimus debitoribus nostris.
(Vulgata: sicut et nos dimisimus debitoribus nostris)[7]
não nos deixes cair na tentación, e nos livra do mau. Et ne nos inducas in tentationem, sejam liberta no-la mau.
Teu é o reino, o poder e a glória por sempre Senhor. Amem Quia tuum est regnum, et potéstas, et glória in sæcula (sæculorum). Amem

Arquivo:Schola Gregoriana-Pater Noster.ogg

Relevância da oração dominical

Para a Igreja católica, o Pai nosso é a oração por excelencia. Recebe também o nome de oração dominical, do latín Dominicus ("Senhor"), dado que Jesús de Nazaret é chamado Senhor com frequência nos escritos cristãos e foi ele quem transmitiu aos apóstoles esta forma de orar.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica o Pai nosso é o resumem de todo o Evangelho. San Agustín de Hipona escreveu: «Percorram todas as orações que há nas Escrituras, e não acho que possam encontrar algo que não esteja incluído na oração do Senhor.»[8]

Santo Tomás de Aquino diz em seu Summa Theologica o seguinte: «Que a oração dominical é perfectísima [...] na oração dominical não só se pedem as coisas licitamente desejáveis, senão que se sucedem nela as petições segundo a ordem em que devemos as desejar, de sorte que a oração dominical não só regula, segundo isto, nossas petições, senão que serve de norma a todos nossos afectos.»[9]

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica,[10] Jesús não deseja que a oração seja repetida de modo mecânico, senão que por médio dela se estabeleça um diálogo com o Pai. Jesús dita como deve ser a relação com Ele: os homens devem reconhecer que é seu Criador e, por tanto, seu Pai, e lhe render a honra que merece; devem pedir-lhe o que precisem, pois o Pai concede a quem lhe faz petições de maneira adequada; e devem também pedir perdão por seus pecados.

Algumas comunidades do catolicismo de rito oriental ou igrejas uniatas utilizam a versão do grego koiné. Os católicos de rito latino usam a versão em sua língua nativa desde o Concilio Vaticano II, ainda que dantes utilizava-se a versão em latín.

A oração na vida sacramental.

O Pai nosso é parte fundamental nos três sacramentos da iniciación cristã (baptismo, confirmação e eucaristía). No baptismo e confirmação significa um novo nascimento à vida divina; é falar a Deus com sua mesma Palavra[cita requerida]. Na liturgia da eucaristía é a oração de toda a Igreja, ali se utiliza em seu pleno sentido, se situa entre a anáfora (oração eucarística) e a liturgia da comunión. ASI SEJA

Estrutura da oração

No catecismo da Igreja católica estrutura-se a oração em três partes principais: a invocação, as sete petições e a doxología final. Nesta oração os católicos vêem a total coerência de Jesús com seus ensinos, e para demonstrá-lo na cada parte da oração dá-se uma cita bíblica relatando como foi que Jesús cumpriu com a cada uma das coisas que fala no Pai nosso[cita requerida]. Dão-se também citas do Antigo Testamento, já que Jesús vivia baixo a Lei de Moisés ou Torá.

Invocação

Pode-se invocar a Deus como Pai segundo a própria revelação bíblica no Salmo 103(102):13: «Como o pai se compadece dos filhos, assim se compadece o Eterno dos que lhe temem» porque, segundo os católicos, o revelou seu próprio Filho feito homem. Esta oração põe-nos em comunión com o Pai e com o Filho. Ao dizer-lhe nosso, os cristãos invocam à nova Aliança em Jesús, a comunión com a Santísima Trinidad e a caridade divina estendida pela Igreja em todo mundo[cita requerida]. Que estás no Céu designa a majestade de Deus e sua presença no coração dos justos. Segundo os cristãos o mesmo Deus revela-o em Salmo 103(102):19 «O Eterno estabeleceu nos céus Seu trono».

Sete petições

Segundo os cristãos que abraçam o catolicismo ao pedir que seja santificado seja teu nome os homens entram no plano de Deus: a santificación de seu Nome, que foi revelado a Moisés (YHVH) e depois revelado em Jesús. Todas as nações e os homens devem reconhecer a Deus segundo os cristãos pelo texto de Salmo 103(102):1 «Abençoe todo meu ser Seu santo Nomeie». Jesús mesmo abençoa ao Pai em Mt 11:25: «Bendito sejas, Pai, Senhor de céu e terra».

A Igreja tem presente o regresso de Cristo e a vinda definitiva do Reino de Deus. Também se ora pelo engrandecimiento do Reino de Deus na cada pessoa em sua vida quotidiana, isto é, com os actos comuns e correntes os homens devem engrandecer o Reino de Deus. Isto já estava visto por Jesús no Tanaj: Salmos 103(102):19 «Seu reino domina sobretudo».

Cristo é um proclamador do Reino de Deus, que é a realidade última que tudo abarca, na que Jesús se implica totalmente. Tanto em Mc 1:14, como em Mt 4:17 afirma claramente que sua missão é proclamar o Reino de Deus e a proximidade dos Últimos Tempos. Os Últimos Tempos não equivalem ao fim do mundo, senão que no catolicismo começam quando Jesús desce aos infernos e liberta aos justos do Antigo Testamento. Com seu sacrifício, Jesús permite que os homens vão à presença de Deus e não fiquem simplesmente no mundo dos mortos, isto é, que o Reino de Deus vinga nos Últimos Tempos.

Nesta terceira petição os cristãos católicos rogam ao Pai que uma a vontade dos homens à vontade de seu Filho para levar a cabo o plano de Salvação na vida do mundo. Cristo era muito consciente disto quando fez a vontade de seu Pai, como demonstram suas palavras em sua oração no huerto de Getsemaní.

«E adiantando-se um pouco, caiu sobre seu rosto, orando e dizendo: Pai meu, se é possível, que passe de mim esta copa; mas não seja como eu quero, senão como tu queiras.» Mt 26:39

Outros versículos que mencionam o mesmo episódio são Mc 14:36 e Lc 22:42. Os cristãos acham que Jesús, desde o momento em que deu a oração no sermón da montanha, sabia que estaria submetido a grandes sofrimentos. A Vontade do Pai implicava muita dor para Cristo, no entanto, Ele sabia que cumprir esse mandato era mais importante que tudo, e espera que os homens imitem seu exemplo ao cumprir a missão que lhes encomendou o Pai apesar de qualquer obstáculo.

Segundo o cristianismo católico, há três interpretações a respeito do que é o pão da cada dia: o sustento material, a palavra de Deus e o Corpo de Cristo no Sacramento da Eucaristía:

Sustento Material: expressa-se a confiança que têm os filhos a seu Pai do Céu. A expressão «nosso pan» refere-se aos elementos terrenales para a subsistencia como diz nas seguintes citas da Biblia:

Ele «...sacia de bens tua existência, e te rejuveneces como uma águia». Salmo 103(102), 5.
«Ao vê-la, os filhos de Israel disseram-se uns a outros: Que é isto?, porque não sabiam o que era. E Moisés disse-lhes: É o pan que o Senhor vos dá para comer.» Éxodo 16, 1.

Na primeira cita fala de como Deus enche as necessidades pessoais da cada indivíduo, que o Pai pode proveer de bens materiais e sustento a quem se comprometa com seus mandatos, de maneira consciente ou inconsciente. Na segunda cita fala-se de como Deus alimenta a Israel com maná no deserto. O Senhor não desampara a seu povo no aspecto material, a Igreja se considera o Novo Israel, o novo povo de Deus e se não desamparó a seu povo, Israel, em tempos do Egipto, também não fá-lo-á com seu novo povo, a Igreja de Cristo.

Palavra de Deus: o catolicismo e todo o cristianismo em general considera a Palavra de Deus como pan de Vida, este ensino vem vertida no chamado Antigo Testamento de acordo à interpretação cristã, como se pode ver nas seguintes citas:

«E humilhou-te, e deixou-te ter fome, e alimentou-te com o maná que não conhecias, nem teus pais tinham conhecido, para te fazer entender que o homem não só vive de pan, senão que vive de todo o que procede da boca do Senhor.» Dt 8,3
«Mas Ele respondendo disse: Escrito está: "Não só de pan viverá o homem, senão de toda a palavra que sai da boca de Deus."» Mt 4,4

Na primeira cita dá-se a entender que o homem não só é um corpo que precisa sustento material, para o cristianismo católico o homem é uma unidade corpo-alma: bem como a comida alimenta ao corpo, assim a alma precisa o próprio, e isto se dá com a Palavra de Deus. Nesta petição os cristãos consideram que se pede alimento para o homem integral, isto é, para o corpo e alma que são inseparáveis. Não se pode alimentar ao corpo sem alimentar ao espírito. Na segunda cita Jesús cita ao Tanaj, precisamente no bilhete do Deuteronomio onde é tentado no deserto pelo demónio, quem lhe diz que deve saciar a fome de seu corpo; Jesús responde-lhe que não só seu corpo precisa alimento, mais bem seu espírito, demonstrando uma vez mais a coerência de sua mensagem com a de sua actuar no relato dos evangelhos.

Sacramento da Eucaristía: para o cristianismo católico este mistério está no Sacramento da Eucaristía e fundamentado na Biblia, Jesús mesmo é a comida e a bebida verdadeira como diz neste texto do evangelho de Juan:

«Então Jesús disse-lhes: Em verdade, em verdade digo-vos: se não comeis a carne do Filho do Homem e bebeis seu sangue, não tendes vida em vocês. O que come minha carne e bebe meu sangue, tem vida eterna, e eu ressuscitá-lo-ei no dia final. Porque minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeiro bebida. O que come minha carne e bebe meu sangue, permanece em mim e eu nele. Como o Pai que vive me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim mesmo o que me come, ele também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não como o maná que vossos pais comeram, e morreram; o que come este pan viverá para sempre.» Juan 6:53-58.

Para o catolicismo a eucaristía vem contida dentro desta quarta petição, para os católicos o mesmo Jesús instituiu a seus apóstoles no Último Jantar para que a transmitissem aos homens de todos os tempos e de geração em geração.

«E enquanto comiam, tomou pan, e tendo-o abençoado partiu-o, deu-lho a eles, e disse: Tomem, isto é meu corpo.». Mc 14:22

Mateo 26:26 e Lucas 22:31-34 tocam o mesmo ponto, na primeira carta aos Corintios 11:23-25 também se fala da instituição do Sacramento Eucarístico.

Esta petição implora à misericordia divina, a qual não se pode receber se não se perdoa aos inimigos próprios como Jesús o fez na Cruz Lc 23:34 «Jesús dizia: 'Pai perdoa-os, porque não sabem o que fazem'». Jesús sabe que o Pai perdoa com amor porque o diz no Salmo 103(102):3 «Ele perdoa todas teus iniquidades». No mesmo salmo no versículo 10 diz: «Não tem feito conosco conforme a nossas iniquidades, nem nos pagou conforme a nossos pecados.» Por isso é que se pede a Deus que perdoe as culpas dos homens na medida que saibam perdoar, desde o ponto de vista católico.

Os católicos pedem aqui a Deus que os afaste dos caminhos que os possam conduzir ao pecado. Implora-se ao Espírito Santo que dê discernimiento e força, como Jesús as teve ao ser tentado no deserto Mateo 4:1-11 e com isto os católicos tentam demonstrar que Jesús foi coerente são seus ensinos.

No seguinte versículo narra-se como Jesús «não caiu em tentación»:

«...e disse-lhe: Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois escrito está: "A seus anjos encomendar-te-á", e: "Nas mãos levar-te-ão, não seja que teu pé tropece em pedra." Jesús disse-lhe: Também está escrito: "Não tentarás ao Senhor teu Deus."» Mateo 4:6-7

No texto de (Salmos 116:4) lê-se: «Libra, oh Eterno, minha vida!». Aqui pede-se a Deus que tire as dificuldades do caminho do crente, esta petição coincide com a que Jesús faz no Pai nosso. Nesta última o cristão pede ao Senhor que com o apoio de sua Igreja Católica, Jesús manifeste sua vitória sobre Satán e seus planos na contramão da Salvação dos homens. Os católicos consideram sua Igreja a Igreja de Deus Mt 16:18: «...e as forças da morte não prevalecerão sobre Ela (se refere à Igreja de Cristo).» Para o catolicismo a morte é consequência do pecado, mas a Igreja não será vencida pelo pecado ou a morte pelo texto dantes mencionado.

Doxología final

No apartado 2855 do Catecismo da Igreja Católica lê-se que o corpo da doxología agregada ao final do pai nosso é: «Teu é o reino, o poder e a glória por sempre, Senhor, Amém»

O principal objectivo desta doxología final de acordo ao catolicismo é a adoración ao Pai, render-lhe o culto de adoración que se merece como Deus, que após o tratar como uma pessoa próxima se lhe dá seu lugar como ser absoluto e eterno. Também é uma acção de graças ao Pai ao lhe restituir os três títulos que possui:

Reino
Deus é soberano deste mundo e do Céu, não há nada que possa superar sua autoridade.
Poder
Deus tem poder de fazer qualquer coisa já que é a causa original de todas as coisas, inclusive da matéria.
Glória
A Deus rendem-lhe tributo os seres celestiales e seu povo neste mundo. Estes três títulos Cristo restituiu-lhos a seu Pai para que Deus seja tudo em todos.

A partícula Por Sempre Senhor quer dizer que Deus é eterno, é o Eterno. Daniel (6:27) diz: «Ele é o Deus vivo, e eternamente subsiste». No Salmo 101/102:26-28 diz: «Tu, em mudança, és sempre o mesmo, em teus anos não acabar-se-ão». O mesmo nome divino (YHWH), que significa «eu sou o que é» e é uma forma do verbo hava, existir, denota o carácter eterno de Deus.

Do uso da palavra Amém, para concluir a oração, san Cirilo de Jerusalém disse em sua Catecismo Místico: «Após terminada a oração, dizes: Amém, refrendando por médio deste Amém, que significa "Assim seja" Lc 1:38, o que contém a oração que Deus nos ensinou».

Acha-se que Jesús de Nazaret ao concluir a oração pôde ter incluído esta frase para adorar a Deus, para render-lhe homenagem tal como faziam os judeus do Antigo Testamento. Usavam-se este tipo de frases para ensinar ao povo de Israel que deviam completa obediência a seu Deus e que era o Soberano absoluto deste mundo e do que eles chamam Olam Haba ou Mundo Venidero. As seguintes frases do Antigo Testamento rendem adoración a Deus e acha-se que Jesús ou os evangelistas puderam inspirar-se nelas devido à estrutura que têm onde reconhecem a Deus como dono dos seguintes distintivos: rei, poderoso, glorioso e eterno.

«O Senhor é rei; está vestido de esplendor, o Senhor, está vestido e rodeado de poder; firme e inconmovible está a Terra. Teu trono está firme desde sempre, tu existes desde a eternidade». Salmo 93
«Tua oh Yavé, é a grandeza, a magnificencia, a duração e a glória; pois teu é quanto há no céu e na terra. Tua, oh Yavé é a realeza; tu estás acima de tudo, em tua mão estão o poder e a fortaleza e é tua mão a que tudo o engrandece e a tudo dá consistência. Pois bem, Oh Deus nosso, te celebramos e alabamos teu nome magnífico.» 1 Crónicas 29,11-13 (Biblia Latinoamericana)

Interpretação da Igreja ortodoxa

Cruz ortodoxa[11]

Estas são duas versões ortodoxas do Pai nosso em espanhol:

Igreja Ortodoxa Russa[12] Igreja Ortodoxa de Antioquía[13]
Pai nosso que estás nos céus, santificado seja teu Nome, vinga a nós teu reino, se faça tua vontade bem como é no céu, na terra. O pan nosso substancial da cada dia dá-no-lo hoje. Perdoa-nos nossas dívidas, bem como nós perdoamos a nossos deudores. Não nos deixes cair na tentación, mas nos livra do maligno.

Glorificación: Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Pai nosso, que estás nos Céus, santificado seja teu nome, vinga teu Reino, se faça tua vontade assim na terra como no céu. O pan nosso da cada dia dá-no-lo hoje, e perdoa-nos nossas dívidas bem como nós perdoamos a nossos deudores, e não nos deixes cair na tentación, mas nos livra do mau.

Glorificación: Pois teus são o Reino, o poder e a glória (pelos séculos dos séculos). Amém

Para os cristãos ortodoxos o Pai nosso é o modelo da oração cristã. Para eles a oração se divide em uma invocação, sete petições e uma glorificación. Estudam a oração segundo seu conteúdo exterior e segundo seu contido interior.

Conteúdo exterior

Por seu conteúdo exterior, dividem a oração em três partes: invocação, sete petições, e glorificación.

Primeira parte: Invocação Pai nosso, que estás nos Céus,
Segunda parte: Petições santificado seja teu nome, vinga teu Reino, faça-se tua vontade assim na terra como no céu. O pan nosso da cada dia dá-no-lhe hoje, e perdoa-nos nossas dívidas bem como nós perdoamos a nossos deudores, e não nos deixes cair na tentación, mais nos livra do mau.
Glorificación Pois teus são o Reino, o poder e a glória (pelos séculos dos séculos). Amém

Contido interior

Esta divisão serve para explicar o Pai nosso de uma maneira mais espiritual.

Primeira parte ou principal: Invocação e petições para engrandecer e alabar a Deus Pai nosso, que estás nos Céus, santificado seja teu nome, vinga teu Reino, se faça tua vontade assim na terra como no céu.
Segunda parte: Necessidades corporales O pan nosso da cada dia dá-no-lo hoje,
Terceira parte: Pecados pessoais e perdoa-nos nossas dívidas bem como nós perdoamos a nossos deudores, e não nos deixes cair na tentación, mas nos livra do mau.

Primeira parte: Amor a Deus

Segunda parte: Sustento material

Terceira parte: Petições sobre os pecados pessoais

Interpretação do cristianismo protestante

Biblia de Lutero , tradução ao alemão da Biblia publicada no século XVI.

Para o cristianismo protestante é muito importante o seguinte mandato de Jesús:

E ao orar, não falem só por falar como fazem os gentiles, porque eles se imaginam que serão escutados por suas muitas palavras. Não sejam como eles, porque seu Pai sabe o que vocês precisam dantes de que lho peça. (Mateo 6:7-8) (Biblia, Nova Versão Internacional).

Isto quer dizer que ao orar o cristão deve o fazer baixo uma profunda reflexão e não como uma simples repetição mecânica de palavras. Os protestantes mais que orar o Pai Nosso o repetindo palavra por palavra, o utilizam como um esquema para sua oração pessoal ao Pai:

Pai nosso[14] como esquema temático da oração cristã.

De acordo com o texto evangélico denominado Pai nosso: A oração de Jesús», o nome é algo muito importante já que nele os pais costumavam expressar o que os pais queriam para os filhos, o pequeno documento evangélico que o nome de Jesús representa a missão que teve na terra, Yeshúa ou Yehoshua significa «Jehová salva», o mesmo documento evangélico cita que o cardeal católico Albino Luciani elegeu o nome Juan Pablo I pois desejava imitar as virtudes de Juan XXIII e Pablo VI só para destacar a importância do nome em todos os âmbitos e não só o protestante.

Então há santificar o nome de Deus pois o diz «Eu sou o que é» e toma esse nome para si (YHWH), Dando a entender que ao reconhecer o nome de Deus aceitamos que é a causa primária de todas as coisas e por tanto nosso criador.

De acordo com o texto «Pai nosso: A oração de Jesús» esta frase (Vinga teu Reino) afirma que Jesús se está a reconhecer a si mesmo como o Mesías, pois está a pedir que chegue o reino de Deus que será o reino mesiánico e que ele encabeçará a raiz de sua segunda vinda.

Com isto Jesús afirma que cumprir-se-ão todas e a cada uma das profecias, já que pára que exista seu reinado mesiánico se devem levar a cabo todas e a cada uma das profecias da Biblia.

Dentro do cristianismo protestante não se utiliza a fórmula do Pai nossa palavra por palavra de maneira frequente. Os momentos de oração efectuam-se de maneira livre e pessoal, de acordo ao sentimento da cada pessoa, segundo o que os evangélicos e pentecostales chamam o sentir do Espírito Santo. Isto ocorre inclusive durante reuniões em massa como a adoración dominical.

A controvérsia sobre as dívidas e o texto latino

Segundo consideram vários autores[15] a tradução literal «bem como nós perdoamos a nossos deudores» da versão tradicional latina sicut et nos dimittimus debitoribus nostris é uma referência directa à Lei da Torá que foi instituída em tempos de Jesús para o perdão das dívidas monetárias e materiais, tanto nos anos sabáticos (a cada sete anos Deuteronomio 15:1-10), como também durante o jubileo (a cada cinquenta anos Levítico 25:8-55).

Como Wittermayer tem indicado, na época de Jesús se debatia intensamente sobre a aplicação desta norma da Lei[16] à que se opunham os ricos, e em especial, os banqueiros[17] argumentando que sua aplicação causava a parálisis do crédito e portanto do conjunto da economia.[18] Os credores acolheram-se a uma solução denominada «prosbul», do grego pros boulé ou «acção formalizada ante o tribunal», mediante a qual se transferia a acreencia a um corte de justiça dantes do ano sabático e depois a corte a reintegrava ao credor após o ano sabático. Segundo o tratado Grittin da Mishná, o rabino fariseo Hillel autorizou aos credores a praticar este procedimento para evitar o perdão das dívidas.

Diferentes círculos judeus recusaram burla-a ao perdão das dívidas mediante o «prosbul». É o caso dos esenios; nos Manuscritos do Mar Morrido condenam-se repetidamente os «buscadores de interpretações fáceis»,[19] "zelosos da riqueza.[20] Em um século depois, durante a rebelião contra o Império romano os zelotes passaram às vias de facto, «prenderam fogo a todas as escrituras dos deudores e credores».[21]

O debate sobre o perdão das dívidas que os deudores não podiam pagar, era um tema público de primeira ordem. O teólogo André Trocmé considera que Jesús claramente relacionou o perdão dos pecados por graça de Deus, com a decisão das pessoas de perdoar aos demais as ofensas, incluídas as monetárias ou materiais, isto é as dívidas. Assim o expõe Mateo 18:23-35, na «parábola do servo desalmado». No Evangelho de Mateo 6:12, todos os manuscritos gregos usam a forma correspondente às palavras «dívida» ὀφείλημα opheilema e «deudor» ὀφειλέτης opheiletes (ὀφείλεταις «aos deudores») e ademais o verbo «perdoar» ἀφίημι aphiemi, geralmente usado para a condonación de dívidas monetárias ou materiais e cujo sustantivo ἄφεσις aphesis, é repetidamente usado pela Biblia grega ou Septuaginta como tradução de יוֹבֵל «Jubileo» ou «libertação» (v.g. Levítico 25:10,28,54).[22] e por Lucas 4:18-19 para referir à liberdade» dos cativos e «libertação» dos oprimidos, quando Jesús proclama no «ano de graça do Senhor», também em alusão aos Anos Sabáticos e o Jubileo, mas sem que se refira a sua celebração legal a cada 7 ou 50 anos, senão como realização da promessa mesiánica a partir de «hoje» (Lucas 4:21).[23]

As diferentes versões da Vulgata, traduziram no Pai nosso em latín , debita (dívida) e debitoribus (deudores). Ainda que em Mateo 6:14-15 Jesús fala de ofensas" (παράπτωμα parapyoma), resulta[24] estranho que após dois mil anos várias igrejas[25] resolvessem modificar ao orar o versículo Mateo 6:12 e tratar de eliminar assim a referência explícita de Jesús ao perdão das dívidas monetárias. Aliás a versão de Lucas 4:21 solicita o perdão dos pecados (αμαρτιας amartias), «porque também nós perdoamos a todo o que nos deve (οφειλοντι ofeilonti)». Já Lucas 6:34-35 tem declarado que não é meritorio prestar àqueles de quem se espera receber e tem reclamado a necessidade de «prestar sem esperar nada a mudança». O Pai nosso então, como no Ano sabático e o Jubileo, une a vontade de Deus e o perdão dos pecados, ao perdão das dívidas monetárias ou materiais e à ajuda desinteresada ao precisado.

Paralelismo do Pai Nosso no Judaísmo e Islão modernos

Ao igual que o cristianismo, o judaísmo e o Islão são consideradas religiões monoteístas, que crêem em um só Deus, e abrahámicas pois consideram que Abraham foi o primeiro monoteísta. Estas três religiões dizem adorar ao Deus de Abraham, Isaac e Jacob.

Judaísmo e a oração Abinu Malkenu

Abinu, Malkenu ou literalmente em hebreu (copiado do arameo siríaco), Pai nosso, Rei nosso são as primeiras palavras e o nome de uma parte solene da liturgia judia tradicional que se recita especialmente durante os dias penitenciales que vão do ano novo judeu ao dia da expiación ou Yom Kippur. Estas palavras procedem de bilhetes bíblicos (Isa. lxiii. 16, lxiv. 8: «Nosso Pai!» e também na versão Itala de Tobit, xiii. 4, e Isa. xxxiii. 22: «Nosso Rei»), já se encontravam na liturgia antiga em diversos contextos[26]

Em sua forma breve instituída por Rabbi Akiva (religioso judeu do século I e século II) no Talmud (tratado de Taanit), se recita depois da oração principal ou Amidah, dantes do serviço de leitura da Torah.[27] Uma tradução de sua transcrição fonética em espanhol expõe-se na seguinte tabela:[28]

Transliteración Hebreu Espanhol
Avinu malkenu Pai nosso, Rei nosso
chane-nu vai-ane-nu agrácianos e responde-nos.
avinu malkenu Pai nosso, Rei nosso
chane-nu vai-ane-nu agrácianos e responde-nos
ki eyn banu maa-sim porque não temos acções (para pedir a mudança delas)
ase i manu faz conosco
asei i manu faz conosco
asei i manu tsdaka vai chesed faz conosco caridade e bondade
v`ho shieee-nu e salva-nos
ki eyn banu maa-sim porque não temos acções (para pedir a mudança delas)
ase i manu faz conosco
asei i manu faz conosco
asei i manu tsdaka vai chesed faz conosco caridade e bondade
v`ho shieee-nu e salva-nos

Para o rabino David ben Israel da associação Esh HaTorá está oração relaciona-se com o Padrenuestro cristão.[29]

Este ponto de vista também é compartilhado por Yehuda Ribco, um polémico[30] professor de Secundária da Escola Integral Hebreu Uruguaia, que se refere ao «idolátrico pai nosso».[31] Ribco indica que a oração básica e primordial é o Shema Israel (Escuta Israel), que a mais completa em sua estrutura é a Amidá, e que a oração que se refere a Deus como Pai nosso reiterativamente é o Avinu malkenu.

No entanto, para outros pesquisadores menos controvertidos o Abinu Malkeinu é singelamente um reflito da tradicional figura metafórica de Deus como pai[32]

O judaísmo tradicional, uma das diferentes correntes contemporâneas, como explica Esh HaTorá, não aceita a condição mesiánica de Jesús de Nazaret, interpretando que não cumpriu nem com as profecias mesiánicas nem com os requisitos de Mesías. Também consideram que os versículos bíblicos referentes a Jesús são traduções incorretas e que se contradiz a teología judia, cuja crença está baseada em uma revelação nacional e não na demonstração de milagres[33] .

Não obstante, em base a que o Pai Nosso cristão não manifesta literalmente a crença cristã na personificación da figura do Mesías judeu em Jesús de Nazaret, é uma prece considerada por fontes judias de referência mais bem como uma oração de bela formulación comparável com o rito completo do Addish[34]

Islão

O Islão é uma das grandes religiões do mundo. A figura de Isa (Jesús) é muito importante, já que é considerado o Mesías pelo Corán e o profeta mais próximo a Alá , só por embaixo de Mahoma . Eles consideram verdadeiras seus ensinos, mas distorsionadas pelos seguidores de Pablo de Tarso. A oração do Pai nosso têm-na como uma grande frase dita por um grande profeta.

O Pai nosso em credos crísticos não-nicenos

O termo niceno refere-se aos grupos religiosos que se apegan às conclusões às que chegou o Concilio de Nicea I e que estão resumidas no símbolo niceno, o que no catecismo romano se conhece como a oração do Credo. A posição das Igrejas tradicionais (católica, ortodoxa, protestantes históricas) é que quem não se apega às doutrinas que derivaram do histórico Concilio não é cristão, por outro lado há organizações religiosas que se proclamam como cristãs e em alguns casos afirmam que qualquer outra religião fora da sua não tem carácter cristão. A realidade é que a opinião mais difundida é a das Igrejas tradicionais, ainda que ditas organizações têm chegado a propor argumentos interessantes para defender seu carácter de cristãs.

O Pai nosso como referência da língua

Pai nosso em Swahili .

Veja-se também: Pai Nosso em International Wikisource. Para ler o texto da oração em diversos idiomas.

A maioria das línguas vertem o nome desta oração com as palavras equivalentes a Pai nosso, ainda que também em muitas línguas se lhe nomeia com o equivalente a oração do Senhor como é o caso do inglês.

Comparação de línguas a partir do Pai nosso

Um exemplo da importância da oração de Jesús de Nazaret é que desde a publicação das Mitrídates, título comum para livros que contivessem mostras de textos em várias linguagens, diferentes traduções da oração dominical foram utilizadas para comparar idiomas de maneira singela e rápida.

A seguir apresenta-se uma tabela esquemática que compara os nomes da oração em alguns idiomas os agrupando por famílias linguísticas.

Línguas semíticas
Castelhano Arameo Hebreu Árabe Siríaco
Pai nosso Abwoon Avinu (אבינו) Aba-na ( أبانا) Abwoon (ܐܒܘ)
Jesús de Nazaret viveu em um mundo semita, por tanto ele mesmo falava uma ou várias destas línguas; deve notar-se que nestas línguas a palavra pai tem uma origem comum que é Ab e se acrescenta ao final desta palavra a partícula para indicar pertence.
Línguas germánicas
Castelhano Alemão Inglês Neerlandés Afrikaans
Pai nosso Vaterunser Our Father (Lord's Prayer) Onze Vader Ons Vader
No caso das línguas germanas deve notar-se que a palavra pai se pronuncia mais ou menos igual em todas como «fader», que compartilha a mesma raiz indoeuropea que o grego ou as línguas romances.
Línguas romances
Castelhano Italiano Francês Catalão Galego Português
Pai nosso Pai Nostro Notre Père Pare Nostre Noso Pai Pai Nosso
A origem do nome da oração é o latín Pater noster. A palavra latina pater tem a mesma raiz indoeuropea que o grego (Pater hemon) e as línguas germánicas, mas a sua vez o latín deu origem a idiomas completamente novos que formaram a família das línguas romances.

Rasgos particulares da oração em espanhol

Uma das principais e mais notorias diferenças da oração em castelhano e outras traduções é na partícula Vinga a nós teu Reino. As palavras a nós foram acrescentadas à oração em espanhol sem justificativa aparente; compare-se com o original grego «elthetō hē basileia sou» que se traduz como chegue teu reinado, ou com a versão em latín «adveniat regnum tuum» que se lê em nossa língua vinga teu reino. Em línguas modernas compare com o inglês «Thy kingdom come» que quer dizer venha teu reino. A maioria das traduções modernas da Biblia ao espanhol têm retirado a partícula a nós deste texto.

Na quinta petição: perdoa nossas ofensas como nós perdoamos aos que nos ofendem, a versão espanhola muda o termo dívidas («opheilēmata» no original grego, «debita» em latín, «debiti» na oração italiana, «debts» em inglês), pelo termo ofensas («ofensas» nas versões em português e galego, «offenses» em francês, etc.).

Diferenças com o texto grego compartilhadas por outras traduções

No referente ao telefonema quarto petição; dá-nos hoje nosso pão da cada dia, o termo grego «epiousion» foi traduzido por Jerónimo na Vulgata como supersustancial para o Pai nosso de Mateo. Este mesmo termo foi traduzido como quotidiano para o texto que corresponde ao Pai nosso no evangelho de Lucas.

Caligrafía árabe do Pai nosso ou أبانا (Abana).

A oração dominical está baseada no texto de Mateo que aparece na Vulgata, só que a liturgia latina mudou a palavra supersustancial pelo termo quotidiano. Jerónimo conhecia o chamado evangelho dos Hebreus (escrito em arameo) e diz que a palavra «epiousion» (que significa algo bem como mañanero, da manhã) corresponde à palavra «mahah» (manhã em arameo ). Por tanto esta petição deveria traduzir-se como «nosso pan da manhã no-lo dá hoje».

Dá-nos hoje nosso pão quotidiano. Traduzem de acordo à Vulgata, dá-nos hoje nosso pão quotidiano, várias versões como: a francesa, «notre pain quotidien»; a italiana, «nostro pane quotidiano»; a inglesa, «Give us this day our daily bread»; a espanhola, «nosso pão da cada dia», etc.

Nosso pão da manhã dá-no-lo hoje. O idioma copto é actualmente uma língua morrida que se utiliza somente na liturgia da Igreja Copta (do Egipto). Esta Igreja conta com traduções do evangelho que foram feitas em tempos próximos aos do cristianismo primitivo. Os coptos traduzem na quarta petição do pai nosso: nosso pão da manhã dá-no-lo hoje. Os egípcios cristãos fazem seu rezo quotidiano em árabe e nesta petição dizem «hubzaná kafáfaná a 'iná l-yawmá»; esta frase é uma tradução do copto ao árabe onde se refere ao pão da manhã. A tradução do Pai nosso ao árabe portanto é das mais fiéis ao grego em que foram escritos os evangelhos.

Agregado: «júbzana kafáfana a'tina l-iaum» em árabe fala de nosso pão suficiente, e não fala realmente do pão da manhã («Kafi» = suficiente; «Kafaf» = suficiencia).

Usos não religiosos do Pai Nosso

Sátira política

Palindrom PATERNOSTER.svg

Durante a segunda metade do século XVII, a crescente contestación à dominación espanhola na América manifestou-se frequentemente mediante a sátira política especialmente dirigida contra a instituição católica do Tribunal do Santo Oficio ou Inquisición. A consecutiva repressão que incrementou o descontentamento e o exemplo dos revolucionários franceses, provocaram uma escalada no emprego da sátira que se estendeu para o âmbito da liturgia religiosa dando origem ao uso da «oração pervertida». Neste contexto, em 1799 desenvolveu-se em Nova Espanha o chamado processo do «Pai Nosso dos Gachupines» conduzido pelo tribunal. Para a pesquisadora María Águeda Méndez, do Colégio de México, este uso do Padrenuestro é um exemplo investimento de ritual no que o que tem sido veículo de culto divino se voltou um discurso que se emprega para atacar ou halagar aos mortais e para trastornar ordenamentos políticos e sociais.[35]

Cultura popular

Veja-se também

Notas e referências

  1. Segundo opina o pai Kondothra M. Georges, professor do Seminário Teológico de Kottayam, Kerala (Índia) e sacerdote ordenado da Igreja Ortodoxa Síria de Malankara de Kottoyam. Conselho Mundial de Iglesias,Como oraremos no futuro?, disponível em wcc-coe.org.
  2. Em Origens da filosofia materialista»
  3. Entrevista na Vanguardia, 25 de dezembro de 2001, Jesús nasceu 3.000 anos dantes de Cristo, disponível em fortunecity.é.
  4. Acronymfinder.com, Significado do acrónimo Ichtus' em http://www.acronymfinder.com/af-query.asp?Acronym=ichthus&Find=find&string=exact
  5. A doxología final, em http://www.bibletexts.com/versecom/mat06v09.htm
  6. The Lord's Payer em The Catholic Encyclopedia, Volume IX. Ed. 1910. Nova York, disponível em newadvent.org.
  7. O que aparece entre parêntese é o texto que se verte na Vulgata de San Jerónimo e é diferente do Paternoster do rito tridentino só nestas partes.
  8. S. Agustín, Epístola 130, c.12: PL 33, 502., Citando fonte o Catecismo de de a Igreja Católica 2762
  9. Tomás de Aquino, Summa Theologica 2-2,83,9
  10. Catecismo da Igreja Católica, apartado 2766 do CIC em http://www.labibliaonline.com.ar/Websites/LaBiblia/CATIC.nsf/0/12F0F44837C64D2883256959006DD163?OpenDocument onde se explica que Jesús não deseja a repetição automática das orações.
  11. Na Igreja Ortodoxa explica-se o seguinte: A linha superior que atravessa esta cruz se diz que representa o lugar onde Jesús posou sua cabeça e a linha que cruza a parte de abaixo representa os pés perfurados de Jesús e sua intensa agonia.
  12. A oração em espanhol foi tomada do lugar do Pai Alexander, sacerdote ortodoxo da diócesis da Igreja Russa Ortodoxa com sede na cidade de Los Angeles, Califórnia
  13. Esta versão verte-se através dos sacerdotes que servem à Arquidiócesis Ortodoxa Antioquena de México, Venezuela, Centroamérica e as Caraíbas com sede na Cidade de México
  14. Não há uma versão «oficial» em castelhano dentro do protestantismo, esta é tomada do texto de Mateo 6:9-13 de uma tradução protestante evangélica da Biblia, a Nova Versão Internacional
  15. Saulnier, Christiane e Bernard Roland (1994) Palestiniana em tempos de Jesús. Estella (Navarra): Editorial Verbo Divino, p. 21.
  16. Baron, Salgo Wittemayer (1952) A Social and Religious History of Jews New York: Columbia Ou.P. 2 ed. p.p. 262 s.s.
  17. Baron, S.W. loc.ci.
  18. Yoder, John H. (1972) Jesús e a realidade política. Downers Grover, Illinois USA: Edições Certeza, 1985, p.p. 53
  19. 4Q169
  20. 1QS
  21. Flavio Josefo Guerra dos Judeus II, xvii
  22. Yoder, John H. (1972) Op.cit. p.p. 50-51
  23. Uma exposição da visão de Jesucristo sobre o Jubileo pode encontrar no capítulo 3 (p.p. 43 s.s.) do livro de André Trocmé Jésus-Christ et a révolution non-violente; Genève: Labor et Fides.
  24. Hinkelammert, Franz J. 1987 «Reflexões sobre a dívida externa da América Latina»; Passos 14: 16-21. San José de Costa Rica: DEI.
  25. Vidal, José Manuel 1999 Católicos, protestantes e ortodoxos adoptam um mesmo Padrenuestro O Mundo, Madri, 17 de abril de 1999.
  26. Kaufmann Kohler, Abinu Malkenu, artigo de The Jewish Encyclopedia, edição 1901-1906. Disponível o 13/11/2006 em http://www.jewishencyclopedia.com/view_page.jsp?artid=323&letter=A pid=0.&
  27. MyJewishLearning.com, Liturgical Texts, Gleanings Avinu Malkenu. Artigo electrónico 13/11/2006 em http://www.myjewishlearning.com/texts/liturgical_texts/Overview_High_Holiday_Machzor/Machzor_Contents/AvinuMalkenu_Gleanings3592.htm
  28. David ben Israel, Shalom: Brujim Havaim Perguntas e respostas: Pai nosso em hebreu, artigo electrónico 13/11/2006 http://www.aish.com/espanol/rabino/respostas/543_avinu_malkeinu.asp
  29. David ben Israel, Shalom: Brujim Havaim, Perguntas e respostas: Bem como os cristãos têm o Pai Nosso; contam os judeus com alguma oração que considerem a mais importante? artigo electrónico do 13/11/2006 em site aish.com:
    ...o Pai Nosso dos cristãos, é o mesmo Pai Nosso dos judeus, mas reformado e adaptado às ideias cristãs. (...)O Pai Nosso que é recitado pelos judeus na sinagoga consta em todos os livros de orações. Só que este Pai Nosso recitado pelos judeus desde tempos de antanho vai dirigido pura e exclusivamente a Deus.
  30. Lisardo Cano, UM RELIGIOSO INSULTA A JESUCRISTO POR INTERNET, artigo electrónico 13/11/2006 em http://www.rtvamistad.tv/notícias/rtvamistad/021c6896270088404.html
  31. Yehuda Ribco, Qual é o Pai Nosso Judeu?, artigo electrónico em seu site site serjudio.com:
    Por outra parte, não creio me equivocar ao lhe dizer que a cada parte do idolátrico «Pai nosso» de boca de Jesús, tem sido tomado ilicitamente de fontes judias puras, para trastocarlo e converter em uma invocação procaz. É mais, quase em sua totalidade parece um plagio malintencionado do salmo 123, ao qual lho tem modificado e subvertido para lhe dar o sentido que o suposto autor (Jesús) desejava lhe dar.
  32. Carl M. Perkins, Avinu Malkeinu The language of merciful Father can still speak to us on the Day of Judgment., artigo electrónico 13/11/2006 disponível em site myjewishlearning.com
  33. Rede EshTorá, Para Reflexionar Por que os Judeus não crêem em Jesús. Artigo electrónico, 13/11/2006 http://www.aish.com/espanol/para_reflexionar/por_que_os_judios.asp
  34. Kaufmann Kohler, The Lord's Prayer. Artigo de The Jewish Encyclopedia, edição 1901-1906. Disponível em ed. digital:
    ...formosa combinação ou selecção de fórmulas de prece em circulação entre os ambientes Hasideanos... cuja primeira e principal parte é uma invocação à vinda do reino de Deus idêntica ao rito do "addish" com o qual deve comparar para seu entendimento.
  35. Maria Águeda Méndez, «A oração pervertida na inquisición novohispana», Anales de literatura hispanoamericana, nº 20. Ed. Universidade Complutense, Madri 1991
  36. Um Canto para Bolívar, disponível em [1].

Bibliografía

  • Catecismo da Igreja Católica, Segunda edição, México D.F., Edições paulinas, 1997. ISBN 968-6056-74-2.
  • Biblia de Jerusalém, Bilbao, Espanha, Desclee de Brower, 1976. ISBN 84-330-0283-X
  • A Santa Biblia, Versão Reina-Valera 1909, Miami, Fl., 1977.
  • Biblia da América edição popular, Madri, 1997 ISBN 84-288-1334-5
  • Catecismo ortodoxo, Los Angeles, EUA., St George of Russia, 2000.

Fontes electrónicas da investigação.

Enlaces externos

Católicos

Ortodoxos

Protestantes

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