Paleontología
Um paleontólogo em trabalho de campo.
A Paleontología (do grego palaios = antigo, onto = ser, logos = ciência) é a ciência que estuda e interpreta o passado da vida sobre a Terra através dos fósseis.[1] Enquadra-se dentro das Ciências Naturais, possui um corpo de doutrina próprio e compartilha fundamentos e métodos com a Geologia e a Biologia, com as que se integra estreitamente.
Entre seus objectivos estão, além da reconstrução dos seres vivos pretéritos, o estudo de sua origem, de suas mudanças no tempo (evolução e filogenia), das relações entre eles e com seu meio (paleoecología, evolução da biosfera), de sua distribuição espacial e migrações (paleobiogeografía), das extinções, dos processos de fosilización (tafonomía) ou da correlação e datación das rochas que os contêm (bioestratigrafía).
A Paleontología permite entender a actual composição (biodiversidade) e distribuição dos seres vivos sobre a Terra (biogeografía) -dantes da intervenção humana-, tem contribuído provas indispensáveis para a solução de duas das maiores controvérsias científicas do passado século, a evolução dos seres vivos e deriva-a dos continentes, e, de cara a nosso futuro, oferece ferramentas para a análise de como as mudanças climáticas podem afectar ao conjunto da biosfera.
Princípios e estrutura
Icnitas de dinossauro terópodo no yacimiento de Valdecevillo (
Enciso, A Rioja, Espanha).
Excavación do yacimiento de Grande Dolina em Atapuerca
(
Burgos).
- A finalidade primordial da Paleontología é a reconstrução dos fósseis, não só de suas partes esqueléticas, senão também as partes orgânicas desaparecidas, restituindo aos seres fosilizados, o aspecto que tiveram em vida, suas atitudes, etc. Para isso se vale dos mesmos princípios já estabelecidos: actualismo, anatomía comparada, correlação orgânica e correlação funcional.
- Actualismo biológico: É imprescindible para poder interpretar os fósseis como seres vivos, aceitando a priori que se regiam pelas mesmas leis físicas e biológicas, e tinham as mesmas necessidades que os actuais.[2] Permite este princípio, por exemplo, afirmar que os peixes do Silúrico tinham branquias, porque as têm os peixes actuais (ainda que não sejam os mesmos); e que os dinossauros punham ovos, como os cocodrilos, o qual se viu posteriormente corroborado ao se encontrar fósseis de ovos, e ninhos, conservados em alguns yacimientos.</ref>
- Anatomía comparada: Permite colocar ao fóssil no lugar que lhe corresponde do quadro geral dos seres vivos, obtendo assim o ponto de referência necessário para poder aplicar o princípio da correlação orgânica, que nos permite reconstruir um animal completo, ainda que não tenhamos dele mais que uma pequena parte, lhe acrescentando as partes que faltam.
- Princípio de correlação orgânica: Postulado por Cuvier .[3] A cada ser orgânico forma um conjunto cujas partes se complementam, determinando todas as demais e por tanto pode ser reconhecido por um fragmento qualquer, bastando em último termo um trozo de osso para o identificar.
- Correlação funcional: Conhecida melhor como morfología funcional, é a parte da Paleontología que trata das relações entre a forma e a função, isto é: que tenta relacionar as estruturas observadas nos fósseis com a função que realizarão no organismo quando estava vivo. Para isso utiliza diversos métodos ou linhas de análise.
- Comparação de grupos com estruturas homólogas: Este método, que leva ao paleontólogo a comparar as estruturas de alguns grupos fósseis com as de seus correspondentes representantes actuais resulta a aveces menos fiável, pois as mesmas estruturas ou partes anatómicas em um determinado grupo podem se ter modificado profundamente ao longo da evolução e realizar funções muito diferentes. Do mesmo modo, um mesmo grupo pode ocupar nichos ecológicos muito diferentes ao longo do tempo. Por exemplo, os mamíferos marinhos actuais e seus predecessores terrestres têm morfología e ocupam nichos ecológicos muito diferentes. A extremidade anterior em ambos grupos, pese a integrar o mesmo número de peças ósseas em posição anatómica similar, tem experimentado profundas modificações nas formas derivadas de vida marinha, e representa uma adaptação a um médio e a uma função muito diferentes (a natación) da que realizavam seus antepassados terrestres (a marcha ou a deslocação sobre o solo). Em consequência, a comparação de formas e de estruturas homólogas deve tomar-se com grande precaução, tendo em conta que sua validade para a análise morfofuncional será muito baixa para além da comparação de grupos actuais com seus predecessores imediatos do Cuaternario ou quando muito do Terciário superior.
- Comparação de estruturas análogas: Este é verdadeiramente o método mais fructífero e mais fiável em Morfología Funcional. Assim pode se dizer que, enquanto a análise evolutivo constitui o campo de acção da homología, a análise morfo-funcional constitui o campo da analogia. Esta análise parte geralmente da comparação de estruturas homoplásicas (que têm a mesma forma) para inferir a mesma função em ambos grupos. Mas ditas estruturas que têm a mesma forma podem ter origens muito diferentes e os grupos que as apresentam podem não guardar uma relação filética entre eles. Assim os paleontólogos razonan correctamente que as barbatanas pectorales de um peixe e as extremidades anteriores de um delfín e de um ictiosaurio realizam a mesma função. Algo semelhante pode dizer do asa de um reptil volador (pterosaurio), da de uma ave e da de um mamífero volador (morcego). Tudo isto há que o realizar, inclusive em grupos biológicos que não têm representantes actuais e que só conhecemos por seus fósseis.
- Princípio de sobreposição estratigráfica: Enunciado por William Smith recuperando as ideias de Nicolaus Steno (lei de Steno), em um século anterior. Em uma série estratigráfica normal (não investida) os estratos da parte inferior são sempre mais antigos que os da superior. O conteúdo em fósseis de ditos estratos deve cumprir o mesmo princípio. No entanto há que excetuar os fósseis retrabajados (que têm sofrido um ou mais ciclos de exhumación —por erosión do sustrato no que jazem— e resedimentación), e por tanto são mais antigos que os sedimentos que os engloban, ou os correspondentes a organismos endobiontes —aqueles que vivem ou passam parte de sua vida enterrados no sustrato—, cujos restos podem ser mais recentes que os sedimentos que os engloban.
- Princípio de correlação estratigráfica: Estratos pertencentes à mesma época caracterizam-se por um conteúdo em fósseis similar. Este princípio, na prática, é verdadeiro mas com matizaciones, já que outros factores como as barreiras físicas ou o clima condicionan isto.
Disciplinas e integração da paleontologia
A paleontología moderna situa a vida antiga em seu contexto através do estudo de como as mudanças físicas na geografia mundial e o clima têm afectado à evolução da vida, de como os ecosistemas têm respondido a estas mudanças e se adaptaram ao médio ambiente cambiante e de como estas respostas mútuas têm afectado aos padrões actuais de biodiversidade.
Esqueleto de tiranosaurio
do Instituto de Paleontología Miquel Crusafont.
A sua vez, pode-se dividir em vários campos de estudo:
- a Paleozoología. É a mais conhecida e estendida, e à que se lhe atribui geralmente o nome de Paleontología. Tem um marco biológico forte, tanto que se pode abordar desde a Biologia ou desde a Geologia. Encarrega-se do estudo dos animais extintos, a partir de seus restos fósseis, e de seu taxonomía. Aqui incluem-se disciplinas como a Paleoentomología ou a Dinosaurología
- a Paleobotánica. Encarrega-se do estudo de seres vegetales ou fúngicos extintos e seu taxonomía. É uma disciplina menos estendida que a anterior. Incluem-se disciplinas como a Palinología ou estudo do polen.
- a Paleoclimatología. Sai-se do marco biológico para adentrarse na Meteorologia. Emula o clima, as condições atmosféricas, as faixas climáticas do passado geológico.
- a Paleogeografía. Aborda-se desde a geografia física, e baseia-se no estudo da topografía e geografia do passado
Relação com outras ciências
Pode-se considerar à Paleontología como uma divisão temporária da Biologia. A Biologia facilita uma informação a respeito dos seres vivos sem a qual é impossível fazer uma interpretação correcta dos fósseis (esta é uma das bases do actualismo). A Paleontología, por sua vez, põe de manifesto e informa ao biólogo qual foi a vida do passado e sua evolução, constituindo desta forma a vertente histórica da biologia.
Os fósseis têm um valor intrínseco já que seu estudo é fundamental para a Geologia (correlações, reconstruções paleoambientales...). Quanto ao aspecto aplicado são numerosos os exemplos que relacionam certos organismos com a génesis de yacimientos minerales (como o fitoplancton com o petróleo, o carvão, os fosfatos, etc.). A geologia histórica é inconcebível sem o apoio dos dados paleontológicos que nos dão informação sobre Paleogeografía, Paleoclimatología, Paleoecología, quimismo das águas, etc.). Da mesma forma a Paleontología precisa de outras disciplinas como a Bioquímica, a Física ou as Matemáticas (especialmente a Estatística).
Técnicas paleontológicas
Existem diferentes técnicas usadas comummente em Paleontología
Métodos mecânicos
Os limites físicos dos fósseis representam áreas de debilidade, já que a constituição química é diferente da matriz que os inclui. Por tanto, para separá-los pode-se usar métodos de percussão (martelo e cincel).
- Técnicas de abrasión: A pioneira foi a máquina de chorro de areia. Geralmente agora se usa um gás (ar comprimido, nitrógeno ou dióxido de carbono) que propulsa um pó abrasivo; neste caso o poder abrasivo depende da pressão do gás e do tamanho e características do pó abrasivo.
- Aquecimento: Recorre-se a mudanças muito bruscas de temperatura, para separar por dilatación diferencial.
- Técnicas de percussão e desbastado: Usa-se um limpiador pneumático de fósseis com pontas especiais (maior tamanho para o desbastado e pontas a cada vez mais finas para o trabalho delicado). Para isso há que reconstruir a disposição do fóssil dantes de começar, bem como comprovar a petrología da rocha e apoiar os especímenes em um elemento que absorva as vibrações (como um saco de areia).
Métodos químicos
Usam-se em função da natureza dos fósseis e a rocha.
Mediante um técnico telefonema disgregación química, trata-se de água com detergentes que diminuem a tensão superficial na interfase arcilla-água para rochas arcillosas ou limos. A água oxigenada tem um efeito similar. Os ácidos também são usados amplamente utilizados na extracção de fósseis: ácido clorhídrico (HCl(aq)), ácido fluorhídrico (HF(aq)), ácido nítrico (NÃO3), ácido fórmico ou ácido acético.
Há que distinguir técnicas dependendo do tipo de rocha.
- Rochas calcáreas: Utiliza-se ácido acético (CH3COOH) ou fórmico (HCOOH) para fósseis fosfáticos. Neste caso coloca-se a mostra em um copo de polietileno e acrescenta-se acético (10-15%) ou fórmico que actua mais rápido e pode se utilizar a maior concentração ainda que é mais corrosivo. O ácido pode atacar ao fosfato em mostras com baixo conteúdo em carbonato pelo que interessa acrescentar carbonato cálcico em pó (obtendo acetato de calcio). Alternativamente nos sucessivos ataques na mostra para solucionar este problema usa-se uma solução (7% ácido acético concentrado, 63% água e 30% do líquido filtrado procedente da digestión de mostras prévias).
- Rochas silíceas: Utiliza-se ácido clorhídrico ao 10%.
- Rochas arcillosas: Neste caso recorre-se à água oxigenada ou a detergentes.
- Técnicas palinológicas: Utiliza-se ácido fluorhídrico ou clorhídrico.
Técnicas de concentração
Utilizam-se líquidos pesados como o bromoformo (CHBr3, pe 2.89) e tetrabromoetano (C2H2Br4, pe 2.96), mas são muito tóxicos.[4] A alternativa mais segura é o uso de politungstato de sodio (3Na2WO4.9WO3.H2Ou) soluble em água o que permite variar seu Pe. A ideal é 2,75 ou ligeiramente mais alto para evitar problemas de viscosidade alta e precipitação. Realiza-se uma filtración com tamices de tamanho adequado em função dos grupos fósseis.
Secções delgadas
Levam-se a cabo quando os fósseis e microfósiles possuem uma composição igual que a da matriz.
Consolidantes e adhesivos
A consolidação ou endurecimento é necessário para a conservação e manipulação de muitas instâncias. Os adhesivos e consolidantes devem ser facilmente eliminables em caso necessário. Para aqueles fósseis que tenham sofrido métodos de extracção mecânica se realiza um sellado de fracturas com resinas de acetil-polivinilo e poli-metil-metacrilato solubles em etil-acetato . A última contrai-se quando se seca pelo que não se pode utilizar como consolidante. O cianocrilato utiliza-se para consertar pequenas peças de fósseis (sua estabilidade é desconhecida e é praticamente insoluble). Os métodos químicos de preparação precisam de adhesivos e consolidantes que protejam aos fósseis do ataque químico e como armazón e reforço. O polibutil-metacrilato, poli-metil-metacrilato e cianocrilato são adhesivos de resistência similar aos ácidos. Em todos os métodos de preparação é necessário levar um meticuloso controle de todos os passos realizados.
História da Paleontología
- Antigüedad: As referências ao achado de fósseis remontam-se à Grécia Clássica. Jenófanes, no século VI a. C.,[5] refere a presença de conchas de moluscos em Malta e Siracusa e fósseis vegetales em Desempregos. Naquela época existiam duas tendências à hora de interpretar os fósseis. Uma representada pela Escola Pitagórica que expressa com clareza a verdadeira natureza biológica de alguns fósseis marinhos e a outra seguida pela Escola Platónica e alguns discípulos de Aristóteles , que os considerava como "jogos da natureza" ou "tentativas da mesma de imitar aos organismos".
- Idade Média e Renacimiento: As ideias de Platón , enfatizadas pelo aristotelismo, perduraron durante toda a Idade Média inclusive até avançado no século XVIII, conquanto sempre teve algumas referências à origem orgânica dos fósseis, como fez Leonardo Dá Vinci.
- No século XVI o cientista dinamarquês Konrad von Gesner publica um dos primeiros tratados ilustrados sobre objectos fósseis, "De Rerum fossilium, Lapidum et Gemmarum maxime, figuris et similitudinibus liber". Este trabalho supõe um importante avanço pelo facto de separar os fósseis de aparência orgânica de gemas e minerales, bem como pelo emprego de ilustrações (os progressos técnicos da ilustração, poderíamos dizer, têm desempenhado na História da Paleontología um papel similar ao das melhoras nos instrumentos de medida em Ciências Físicas.[6] Conquanto sobre sua origem segue apoiando as ideias aristotélicas e neoplatónicas.
- É no século XVII quando se vai produzir uma importante revolução no mundo da Paleontología e também os primeiros estudos que poderíamos considerar paleobiológicos. Colonna (1616),[7] é um dos primeiros em situar os fósseis dentro de seu contexto biológico. Com os trabalhos de Nicolaus Steno começam-se a vislumbrar com certa clareza a verdadeira natureza dos fósseis; ao igual que Colonna, se interessa pelo problema da origem biológica dos fósseis, através da comparação dos dentes de tiburón com as Glossopetrae (dentes fósseis de grandes tiburones), ou bem analisando as linhas de crescimento das conchas fósseis. Concretamente Robert Hooke, em sua obra Micrographia, descreve pela primeira vez suas observações ao microscopio da microestructura de madeira fóssil, deduzindo seu afinidad com madeira podre ou queimada; assim mesmo reconheceu a similitud entre os recém descobertos Nautilus e os ammonites. Considera sua origem orgânica e atribui ao efeito dos terramotos a situação geográfica anómala na que aparecem os restos. Nesta época um dos principais argumentos a favor da origem biológica dos fósseis foi a existência do Diluvio Universal segundo Woodward (1665-1728), plasmados em um dos primeiros trabalhos importantes sobre Paleobotánica "Herbarium Diluvianum", de Scheulhzerus (1709), com esmeradas descrições e ilustrações de plantas fósseis que interpreta como vestígios do Diluvio. Com a obra de Lhwyd (1699), que descreve plantas fósseis procedentes do Carbonífero de Grã-Bretanha , as interpretando como originadas pelo crescimento de verdadeiras sementes dentro da rocha, se produz uma volta às ideias aristotélicas ainda que com novos matizes.
- Ilustração: Buffon (1707-1788) marca o início de uma nova época com a publicação de sua "Histoire Naturelle" em 1749 , pondo em crítica as ideias diluvistas. Posteriormente e no tomo "Dês Époques da Nature" (1778), reconhece a separação entre a história do homem e da vida. No ano 1796, a ponto de iniciar-se no século XIX, Cuvier (1769-1832) deu a conhecer seu trabalho "Memoire sul lhes especes d'Elephants tant vivantes que fossiles" que marca um das principais metas na Paleontología, já que se contribuem pela primeira vez provas irrefutables a favor das extinções. Por outra parte seus trabalhos sobre anatomía comparada e morfología funcional, fazem que se considere a Cuvier como o fundador da Paleontología, ao dotar de uma série de princípios básicos para sua investigação e a sua vez da Paleozoología ou a Paleobotánica. Seu contemporâneo Lamarck (1744-1829) foi o primeiro em desenvolver uma teoria evolucionista; no entanto nem seus argumentos nem o mesmo processo evolutivo foi admitido por seus coetáneos, e foi um de seus principais oponente o próprio Cuvier, defensor a ultranza das teorias catastrofistas.
- Durante todo o século XIX se produz uma grande proliferación de importantes trabalhos em Paleontología. Sem dúvida os trabalhos de Charles Lyell e outros grandes geólogos da época abonaron o terreno para que Darwin elaborasse sua teoria sobre a evolução. Com isso se traçou o início de uma nova etapa na Paleontología. Com a publicação de "On the Origin of Species by Means of Natural Selection" em 1858 produz-se uma verdadeira revolução e o início de uma nova e floreciente época para as Ciências Biológicas, ao mesmo tempo que o divórcio entre a Paleontología e as restantes Ciências da Vida. Apesar de que Darwin tinha apoiado nos fósseis muitas de suas conclusões, foram paleontólogos e geólogos os que mais demoraram em admitir sua teoria. Ao final do século XIX e princípio do XX, com o início e desenvolvimento da Genética produz-se a maior desarmonía; enquanto a Paleontología centra-se em estudos estratigráficos integrando nas Ciências Geológicas, a Biologia ignora a Paleontología considerando-a uma ciência puramente descritiva.
- Etapa Moderna: Graças ao esforço conjunto de alguns biólogos e paleontólogos produz-se um reencuentro entre ambas ciências dentro do marco da nova Teoria Sintética. Simpson com seu trabalho "Tempo and mode in Evolution" (1944),[8] vai ser o precursor desta reconciliação que inicia uma nova etapa na moderna Paleontología e o desenvolvimento e consolidação dos estudos paleobiológicos.
- Se nos séculos XVI ao XVIII caracterizaram-se pelos grandes estudos sistémicos e no século XIX e inícios do XX por suas aplicações em Bioestratigrafía, é muito recentemente quando se produz um importante giro nos estudos paleontológicos. Provavelmente seu detonante tenha sido a Teoria da Tectónica de Placas, para a que os estudos paleontológicos supõem uma importante contribuição por suas contribuições paleobiogeográficas. Outro factor quiçá mais importante que o anterior tem sido a aproximação da Paleontología às Ciências Biológicas, das que se tinha distanciado desde o passado século. Actualmente a Paleontología nutre-se de novas técnicas (microscopía electrónica, raios X, espectrometría, informática) contribuindo novos e interessantes dados em diversos aspectos paleobiológicos (Paleoecología, Tafonomía, Paleohistología, Paleobioquímica...) Os estudos de protistas, polen e esporas fósseis, amplamente desenvolvidos a partir da segunda metade deste século, têm suposto um importantísimo complemento aos estudos paleontológicos clássicos, com contribuições no campo da origem da vida, evolução, Tafonomía e Paleontología Aplicada entre outros. Neste momento os estudos de Paleobioquímica estão a experimentar um notável auge, abrindo um novo campo de investigação com grandes possibilidades em diversos aspectos paleobiológicos (aminoácidos, lignina, clorofilas, celulosa, esporopolenina...). No campo da evolução a Teoria do equilíbrio puntuado (Eldredge e Gould, 1972) tem irrompido com força nos últimos anos pondo em crítica a Teoria Sintética e criando uma viva polémica.
Paleontólogos famosos
A história inclui bom número de paleontólogos reseñables:
Paleontólogos
| Nome
| País
| Ano de nascimento
| Ano de morte
|
| Andrews, Roy C.
| Estados Unidos
| 1884
| 1960
|
| Anning, Mary
| Inglaterra
| 1799
| 1847
|
| Bakker, Robert
| Estados Unidos
| 1945
| -
|
| Broom, Robert
| África do Sul
| 1866
| 1951
|
| Brown, Barnum
| Estados Unidos
| 1873
| 1963
|
| Buckland, William
| Inglaterra
| 1784
| 1856
|
| Carnegie, Andrew
| Escócia
| 1835
| 1919
|
| Colbert, Edwin
| Estados Unidos
| 1905
| 2001
|
| Cope, Edward
| Estados Unidos
| 1840
| 1897
|
| Cuvier, Georges
| França
| 1769
| 1832
|
| Darwin, Charles
| Inglaterra
| 1809
| 1882
|
| Douglass, Earl
| Estados Unidos
| 1862
| 1931
|
| Fraas, Eberhard
| ?
| ?
| ?
|
| Gould, Stephen Jay
| Estados Unidos
| 1941
| 2002
|
| Hatcher, John B.
| Estados Unidos
| 1861
| 1904
|
| Horner, Jack
| Estados Unidos
| 1946
| -
|
| Jensen, Jim
| Estados Unidos
| 1918
| 1998
|
| Leidy, Joseph
| Estados Unidos
| 1823
| 1891
|
| Lull, Richard
| Estados Unidos
| 1867
| 1957
|
| Mantell, Gideon
| Inglaterra
| 1790
| 1852
|
| Marsh, Othniel
| Estados Unidos
| 1831
| 1899
|
| Nopcsa, Franz
| Hungria
| 1877
| 1933
|
| Osborn, Henry
| Estados Unidos
| 1857
| 1935
|
| Ostrom, John
| Estados Unidos
| 1928
| 2005
|
| Owen, Richard
| Inglaterra
| 1804
| 1892
|
| Seilacher, Adolf
| Alemanha
| 1925
| -
|
| Sereno, Paul
| Estados Unidos
| 1957
| -
|
| Simpson, George Gaylord
| Estados Unidos
| 1902
| 1984
|
| Sternberg, Charles
| Estados Unidos
| 1850
| 1943
|
| Talbot, Mignon
| Estados Unidos
| 1869
| 1950
|
| Von Huene, Friedrich
| Alemanha
| 1875
| 1969
|
Veja-se também
Referências
- ↑ Newman, Garfield, et ao (2001). Echoes from the past: world history to the 16th century, Toronto: McGraw-Hill Ryerson Ltd. ISBN 0-07-088739-X.
- ↑ Sergio R. S. Ceballos. «As plantas com flores» (em espanhol). Consultado o 29 de dezembro de 2007.
- ↑ Universidade de Concepção. «História da Paleontología» (em espanhol). Consultado o 20 de dezembro de 2007.
- ↑ Agency for Toxic Substances & Disease Registry. «Bromoformo e dibromoclorometano» (em espanhol). Consultado o 29 de dezembro de 2007.
- ↑ Universidade Complutense de Madri. «Famosos geoquímicos» (em espanhol). Consultado o 20 de dezembro de 2007.
- ↑ Rudwick, M.J.S. 1987. O significado dos fósseis. Hermann Blume.
- ↑ Artola, J.M., Galera, A.1994. O tempo biológico. Asclepio: arquivo iberoamericano de história da Medicina e Antropologia Médica; 46 (2)
- ↑ Universidade de Buenos Aires. «Evolução» (em espanhol). Consultado o 29 de dezembro de 2007.
Bibliografía recomendada
- Aguirre, E. (Coord.) (1989). Paleontología. Conselho Superior de Investigações Científicas. Novas tendências, 10. 433 págs. ISBN 978-84-00-06968-1
- Domènech, R. e Martinell, J. (1996). Introdução aos fósseis. Masson, S.A. 288 págs. ISBN 84-458-0404-9
- López Martínez, N. e Truyols Santonja, J. (1994). Paleontología. Conceitos e métodos. Editorial Síntese, S.A.. Col. Ciências da vida, 19. 334 págs. ISBN 84-7738-249-2
- Martínez Chacón, M.L. e Rivas, P. (Eds.) (2009). Paleontología de invertebrados. Sociedade Espanhola de Paleontología, Instituto Geológico e Mineiro de Espanha, Universidade de Oviedo, Universidade de Granada. 524 págs. ISBN 978-84-613-4625-7
- Meléndez, B. (1977). Paleontología. Tomo 1. Parte geral e invertebrados. Editorial Paraninfo, S.A. 715 págs. ISBN 84-283-0005-4 (2ª Ed.)
- Meléndez, B. (1979). Paleontología. Tomo 2. Vertebrados. Peixes, Anfibios, Reptiles e Aves. Editorial Paraninfo, S.A. 542 págs. ISBN 84-283-1001-7
- Meléndez, B. (1990). Paleontología. Tomo 3 Volume 1. Mamíferos (1ª parte). Editorial Paraninfo, S.A. 383 págs. ISBN 84-283-1742-9
- Raup, D.M. e Stanley, S.M. (1978 [1971]). Princípios de Paleontología. Editorial Ariel. 456 págs. ISBN 84-344-0145-2
- Roger, J. (1980 [1977]). Paleoecología. Editorial Paraninfo, S.A. 203 págs. ISBN 84-283-1038-6
- Rudwick, M.J.S. (1987 [1976]). O significado dos fósseis. Episódios da História da Paleontología. Hermann Blume. Col. Ciências da Natureza. 347 págs. ISBN 84-7214-371-6
- Sanz, J.L. (2007). Caçadores de dragões. Editorial Ariel. 420 págs. ISBN 978-84-344-5316-6
- Simpson, G.G.(1985 [1983]). Fósseis e história da vida. Imprensa científica, S.A. Col. Biblioteca Scientific American. 240 págs. ISBN 84-7593-007-7
- VV.AA. (1988). Curso de Conferências sobre História da Paleontología. Real Academia de Ciências Exactas, Físicas e Naturais. Col. História da Ciência. 215 págs. ISBN 84-600-5332-6
Enlaces externos
Museus