Os Panches ou Tolimas foram um povo amerindio pertencente à família linguística Caraíbas. No momento da conquista encontravam-se assentados no centro da actual República de Colômbia , foram descritos pelos conquistadores espanhóis como temíveis guerreiros, antropófagos cuja vida girava em torno da guerra.
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A posição territorial da nação Panche achava-se em uma boa parte, ao norte da secção política e administrativa do que hoje em dia forma o departamento do Tolima; margem ocidental do rio da Magdalena e estendia-se ao oriente do mesmo rio nas terras cálidas do departamento de Cundinamarca. Com o Huila, estes três departamentos foram terra de outras nações, algumas de procedência Caraíbas. Lar de Coyaimas, Natagaimas, Andaquíes, Timanes, Tamas, Yalcones, Paeces, Dujos, Manipos, Babadujos, Yaporoges, Cundayes, Pijaos, Pantágoras.
Estabeleceu-se com algo de exactidão tendo em conta que as zonas limítrofes fluctuaban por diversos motivos e que o dado aqui exposto é para criar uma ideia somera sobre os linderos ou o alcance territorial do país Panche; pelo norte chegava até os rios Guarinó e Gualí colindando com seus irmãos de origem e idioma, os Pantágoras ou Palenques. Para o ocidente habitaram parte da cordillera central, os povos que hoje conhecemos como Fresno, Fálan, Palocabildo, Líbano e Anzoátegui eram zona limítrofe com outros países. Na zona limítrofe para o Oeste e Sudoeste existem grandes dúvidas, especialmente no caso de Ibagué, já que alguns autores afirmam que esta cidade se encontra em território Panche e outros asseguram que é Pijao. A resposta a este dilema no entanto deve-se a que Ibagué em princípio foi fundada no lugar que hoje se encontra Cajamarca, terrenos que sem dúvida alguma pertenciam à nação dos Pijaos, mas meses depois a cidade de Ibagué foi transladada ao lugar que hoje ocupa, à meseta, que segundo a maioria de cronistas a adjudican como território Panche. Dominaram e habitaram as terras actualmente ocupadas pelos povos de Rovira, Vales de San Juan e San Luís, Guamo e Espinal. Partindo então desta base deduzimos que o rio Combeima e o Coello eram limite fluctuante entre estes dois povos também irmãos. Pelo Oriente tem sido possível estabelecer que a fronteira entre Panches e Muiscas passava por entre os municípios de Anolaima e Zipacón, A Mesa e Tena, tomando a parte alta da cordillera de Subia até Tibacuy. Ao Sudeste ocuparam os hoje vales de Melgar e Cármen de Apicalá, fronteira que compartilhavam com os Sutagaos. Para o Noroeste os Panches habitaram os povos de Nimaima, Nocaima e a Vega, seguindo a serranía do Tablazo até Pacho, onde começava a comarca dos Colimas ou Muzos. A Partir destes pontos concluímos que são netamente Panches os povos de Villeta, Guaduas, Sasaima, Vianí, Guayabal de Síquima, O Peñón e Útica.
Como já o tínhamos anotado anteriormente, o grande Tolima albergava com estas extensas comunidades, também um basto sistema socioeconómico muito similar entre si. Ainda que nunca se regeram por um comando central, estes agrupamentos prehispánicas se organizaram em senhorios independentes, comunidades tributárias e comunidades subyugadas a outras.
O cacicazgo era exercido sem ter muito em conta as vias de dinastías, elegia-se de acordo às necessidades do momento, o valor e conhecimento relacionado com o sobrenatural, era uma exigência e não era de muita importância o sexo do eleito. Conhece-se de Caciques mulheres, que estiveram ao comando dos destinos destes povos com resultados notáveis.
Existia dentro destas civilizações os Marirris ou Piaches, Mohanes, Chamanes ou Bruxos, Idosos e Adivinos, que desempenhavam um papel importante nas decisões religiosas, políticas, militares e em especial em matéria de saúde. Tinham que ver com o real mas também com todo o divino e o sagrado. Os Caciques Panches ou SÍQUIMAS, tinham como costume dar seu nome à região que governavam e eram asesorados em suas funções especialmente por um grupo de pessoas de autoridade e experiência chamados ACAYMAS.
Sua organização política era de tipo tribal, isto significa que não tinha uma grande diferenciación hierárquica dentro da sociedade, nem existiam líderes que dominassem politicamente grandes territórios ou súbditos. No entanto as crónicas espanhola da conquista deixam ver que alguns líderes tinham reconhecimento em razão de sua capacidade estratégica militar, cujo comando era acatado por outros líderes em alianças temporários. A nação Panche estava conformada pelas tribos Tocaimas, Anapuimas, Suitamas, Lachimíes, Anolaimas, Síquimas, Chapaimas, Calandaima, Calandoimas, Bituimas, Tocaremas, Sasaimas Guatiquies etc.
A organização tribal não permitiu o surgimiento de grandes líderes políticos, também não teve uma boa recolección da história destes povos menos se se tem em conta seu rápido exterminio durante a conquista e nos anos posteriores a esta. Somente as crónicas dão uma ideia sobre este ponto. Entre os líderes mais destacados que as crónicas da conquista perceberam se encontrava Bituima um homem sábio de idade madura e com uma grande capacidade de convocação pois conseguiu a unificação de um bom número de tribos baixo seu comando nas batalhas da resistência à conquista, este foi um bom estratega militar e pôs em xeque aos espanhóis em Bituima derrotando durante o lugar destes à fortaleza. Também se reconhece a Tocarema e Anolaima quem combateram na batalha de Tocarema contra a invasão de Espanha e que lembraram tratados de paz com Gonzalo Jiménez de Quesada, além de um antigo chefe Tocaima ainda que tinha morrido fazia muitos anos sua memória permanecia viva talvez por seu talento militar.
A guerra era sua principal actividade, os espanhóis reconheceram-lhes uma grande capacidade estratégica durante a conquista. Os muiscas também o diziam, de facto reportaram que durante muitos anos os Panches assaltaram de forma constante seus sembradíos e sequestravam a suas mulheres; em zonas fronteiriças como Tibacuy, Subia, Tena, Ciénaga, Luchuta e Chinga os chefes políticos apostaram Güechas ou guerreiros profissionais reconocibles por seu grande tamanho que tentaram conter aos temíveis inimigos. Inclusive outros grupos Caribes como os Muzos, os Pantágoras ou os Pijaos viviam em constante confronto com grupos Panches que a sua vez lutavam internamente. Suas armas eram mazas, macanas, arcos, setas e dardos. Preparavam misturas de venenos de serpentes, aranhas e alacranes para envenenar as setas e os dardos. Dos Panches, os Tocaimas eram os mais civilizados e de índole mais pacífica, e os Síquimas os mais guerreiros. De acordo às crónicas de Fray Pedro Simón o único objectivo da guerra era a obtenção de carne humana bem para a alimentação ou para a prática do canibalismo ceremonial, no entanto é mais provável que os Panches como grupo guerreiro talvez praticavam o canibalismo por causa da guerra como forma de infundir terror a seus inimigos e como uma forma ritual de obter as qualidades dos vencidos, neste caso o canibalismo é mais uma opção consequência da guerra que a causa dela. Apesar de seus contínuos conflitos internos podiam fazer alianças intertribales ao sentir-se ameaçados por povos que não fossem Panches, isto se apresentou durante a conquista e em tempos anteriores quando se aliaram para assaltar os territórios dos Muiscas que sempre foram muito superiores demograficamente.
Sua pele era cobriza, andavam nus, com zarcillos em orelhas e narizes, sartas de cores em pescoço e cintura e plumas de cores na cabeça. Enfeitavam pescoço, frente, braços, muslos e pantorrillas com peças de ouro. Tinham por costume colocar tabelas na parte posterior e anterior da cabeça dos meninos, para que o cráneo tomasse forma de pirâmide. Suas populações, rancheríos dispersos que dependiam de um principal onde vivia um chefe político (ainda que jamais atingiram níveis de cacicazgo ou estatais), estavam situadas em partes altas e de difícil acesso, a onde se chegava por um único caminho, no que, para proteger dos inimigos, cavavam profundos fossos, em cujo fundo colocavam púas envenenadas. Costumavam enfeitar suas casas com cráneos dos inimigos e decorá-los como forma de prestígio social. Segundo os espanhóis praticavam o canibalismo, fazendo presumir o uso ritual do mesmo, também se afirma que bebiam sangue no campo de batalha.
É um facto seguro que a organização social é paralela ao dogma e descobre uma unidade fundamental, sendo considerados os factos naturais como um gesto de força divina; nos vales do Magdalena o Panche adorava a força da natureza e, antes de mais nada, as águas, as montanhas, o monte, o sol e a lua. Os Panches tinham como Deus central um ser tutelar, poderoso e único chamado NANUCO ou NACUCO. Dominava e regia as coisas deste e outros mundos, tinha o poder de fazer tanto o bem como o mau, era supremo; portanto seus actos e natureza iam acompanhados de duplo conteúdo. Este temido Deus era evocado com um nome diferente de acordo a seu estado de ânimo e dos acontecimentos ocorridos no mundo, assim mesmo podia ser visto de diferente maneira. A um que era o Deus de Deuses sempre estava representado com uma sexualidad feminina. Tinha igualmente este povo, um conjunto de Deuses maiores como o sol, a lua chamada QUININÍ, a água e o monte. Existiam também Deuses menores iguais aos da etnia Pijao como a princesa Deusa TULIMA e outros de importância como LULOMOY Deus grande com múltiplas extremidades, LOCOOMBO Deus do tempo, benévolo e criador de todas as coisas existentes e ELIANI Deus das coisas não boas, sua poder foi mau interpretado pelos conquistadores lhe dando o mesmo qualificativo do demónio cristão.Pela abundância e proximidade com as águas, algumas destas deidades deveram ser habitantes das mesmas, outras apareciam e se transformavam na noite, como a lua por quem sentiam grande respeito e atração.
Ao igual que outras religiões, os Panches adoravam um ser supremo com uma personalidade complexa, seguido por deuses menores ou deidades às quais atribuíam a maldade ou a benevolência. Seu Deus central representava duas metades irreconciliables e opositoras; arbitrariamente dividido, exercia o bem entre os homens sendo a sua vez aterrador e despiadado. Contrário ao diabo no cristianismo, este não era um ser independente que só actua a favor do mau, aqui pertencia a essa mesma esencia divina. A maldade para os Panches era parte do carácter desse mesmo Deus benévolo e celestial; portanto para poder adorar o mundo em sua totalidade, tinha que estabelecer junto ao culto imaculado, um culto à maldade, ou digamos de outra forma um culto ao castigo divino.
Estas deidades não somente indicavam ao homem indígena as formas de fazer as coisas ou de como actuar entre eles mesmos, senão fixavam normas que seguiam com sumo rigor, respeito, atenção, temor, tendo como fim a atitude para a Natureza, já que era ela mesma quem exercia sobre o homem todo seu poder. Ela representava o espaço vivo da ocupação e o sustento humano. O culto a Natura, com particularidad quase congénita e ancestral como as orações, rezos, sacrifícios, oferendas e a mesma esencia da filosofia, tinha um carácter estritamente baseado no Equilíbrio Ecológico. Desta estreita e imprescindible relação afloran revelações como os espíritos da água, ar, terra, fogo, monte, quem com todo seu poder e respaldo da Grande Mãe castigam a quem profanan e abusam ou premeiam a quem respeitam e cuidam deste médio vital. Estes Elementos Deuses, estavam dotados de vida e descomunal poder, sendo estes quem castigavam com enorme fúria como erupções vulcânicas, chuvas torrenciais, tremores, tormentas ou secas, quando esse equilíbrio estava ameaçado.
Se recalca de forma constante que a actividade mais importante dos Panches era a guerra e por este motivo suas actividades quotidianas giravam em torno desta. No entanto sabe-se que trabalharam a cerâmica para fabricar ollas e utensilios caseiros. Conheceram a arte do hilado e o tecido, ainda que em forma rudimentaria. A arte rupestre expressaram-no mediante ideogramas gravados ou pintados nas rochas, dos quais ainda subsistem mostras no cerro Guacaná, na pedra do Chucui e em general em dezenas de pedras talhadas em todo seu antigo território. A música, que em todos os povos tem sido uma manifestação artística e às vezes com connotaciones religiosas, também a praticaram os Panches com instrumentos tais como carracas, fotutos, trombetas de caracol, cascabeles, sementes secas e tambores. Os Panches eram exógamos não se casavam com membros de sua mesma tribo já que se tinham como irmãos, portanto as mulheres e homens procuraram casais matrimoniales em outros grupos ou inclusive de outros povos.
Não é claro a origem dos povos Caribes, se acha que provenientes da meseta de Matto Grosso no Brasil, (ainda que outros autores presumen que são oriundos de Guayana , as ilhas das Caraíbas e o norte de Venezuela ) teriam chegado ao actual território de Venezuela pelo vale do Orinoco e posteriormente ingressariam a Colômbia possivelmente pela serranía do Perijá ascendendo pelo vale do Magdalena até localizar nas zonas de Cundinamarca e Tolima estas tribos que se localizaram nesta região teriam dado mudanças culturais até formar as unidades Panches, Muzos, Pijaos, Pantágoras, Colimas etc. Desde onde invadiram territórios que em etapas anteriores lhe pertenceram a grupos da família Chibcha e que têm sido denominados pelos arqueólogos como do período Herrera. Esta mudança parece apresentar desde o século IX a XIV d. C. de acordo às análises arqueológicas e antropológicos.
Ainda que finalmente vencidos e sojuzgados, foram heróis Panches que morreram em férrea oposição à conquista e levaram a seus hábeis defensores a muitas vitórias, sendo artífices de vários episódios de heroísmo e rebeldia. Para nossa história, estes são os homens que deveriam representar o legendario e tradicional orgulho de nosso país. Na zona do litoral Atlántico, a cada povoado amerindio transforma-se em um baluarte da firmeza americana, contra a invasão espanhola. Dantes de começar a marcha para territórios do interior de Colômbia, os invasores tiveram que suportar longas jornadas de esgotadores combates, por espaço de 10 anos para conseguir romper o cerco ao redor da primeira cabeça de ponte do litoral. Deveram primeiro arrasar, submeter, desterrar, assassinar, cometer actos de pillaje e vandalismo a pobladores destas regiões dantes de continuar.
A conquista dos novos territórios, caracterizou-se por estar compreendido entre o terceiro período do processo de urbanización européia em nosso país, etapa que começa no ano de 1.535, quando os conquistadores rompem o cerco da resistência de povos do litoral Atlántico como os Taironas. Seguidamente marcham várias colunas militares que penetram no interior de Colômbia, seguindo uns padrões naturais de sentido norte - sul, os vales dos rios Magdalena e Cauca, e histórias de tesouros fabulosos que alimentavam suas obsedes de lucro e grandeza.
O licenciado Gonzalo Jiménez de Quesada, saiu de Santa Marta o 5 ou 6 de abril de 1.536 com cerca de 700 conquistadores espanhóis, divididos em pequenas companhias de uns 50 homens, dirigidos pelos capitães Fernán Pérez de Quesada, irmão médio, homem de confiança e experiente em causar tormentos, Juan de Junco, segundo homem ao comando, participo nas expedições de Sevilla e Santa Marta e em 1.526 esteve no Rio da Prata com Sebastián Caboto, Gonzalo Suárez Rendón, militar curtido que tinha lutado na batalha de Pavía, Juan de Gramas, Pedro de Valenzuela, experiente e curtido nas guerras da Itália, Hernando de Prado, Antonio Díaz Cardoso, Juan de San Martín, veterano na guerra contra os moros, participo nas expedições do rio San Jorge e Sompallón, Juan Tafur, Martín Galiano, Antonio de Lebrija, nomeado Tesorero Real, e com sete anos de experiência em Índias, tomo parte da expedição do Magdalena acima até a afluencia do rio ao que deu seu nome. Albarracín, Lázaro Fonte, Gómez do Corral, Hernando Venegas, Antonio de Olalla, Gonzalo García Zorro, Juan de Montalvo, Jerónimo de Insar, Baltasar Maldonado, Juan de Madri, segundo o historiador Ignacio de Avellaneda o reseña como o único capitão que morreu ao longo do trajecto entre Santa Marta e Bogotá, Juan de Olmos, Francisco Salguero e Francisco Núñez Pedroso. A expedição ia acompanhada pelo capellán Juan de Lescames e Fray Domingo ou Alonso das Casas pertencente à ordem de Santo Domingo. Alguns destes homens e sua tropa, levavam armaduras e outros vestiam sayos, que por ser acochados se converteram em efectivas defesas contra as setas envenenadas. A tropa ia conformada por ballesteros, arcabuceros, rodeleros e macheteros. Alguns iam da cavalo e a pé, outros se embarcaram em bergantines rio acima em apoio à infantería e curiosamente conformada em sua maioria pelos entusiastas credores de dom Pedro. Corrê-la-ia do comandante Quesada, contava com canhões de ferro forjado de pouco mais de um metro de longo, capazes de disparar balas ou pedras. A expedição ou legión de mercenários, ademais levava cavalos reservados para os capitães, numerosos cães de fundamental ajuda, pois eram diestros para a luta e as sangrentas aperreadas ou emperradas, termino que significa azuzar cães de presa contra a população indígena, quase sempre indefesa. Os cães foram usados no combate e como cruel castigo que ia mas lá da sevicia, os nativos capturados eram entregues a estes ferozes mastines para ser devorados vivos em público, na hoste de Belalcázar foi uma prática comum entrando a estes reinos. Os cães aparte de espantosos sentinelas nos fortes dos conquistadores, estabeleceram com o cavalo, uma arma efectiva, oportuna e temida pelos naturais.
Ao chegar à Tora, importante ponto no comércio do sal, hoje em dia Barrancabermeja no Magdalena médio, criaram um eixo provisório desde onde efectuar-se-iam todas as expedições para o sul, enquanto se fundava uma próxima cidade; este elemento de expedição denominava-se O Real, que servia como base temporária onde abasteciam, servia como refúgio, se tomavam decisões e se lançavam explorações a diversos pontos. De ali continuaram para o sul, onde o 12 de março de 1537 chegaram a Guachetá (Cundinamarca), enclave da grandiosa sociedade Chibcha, ante quem alegaram ser embaixadores de um Rei muito longínquo. Com esta manobra tinham iniciado a conquista das zonas altas de ande-los Centrais.
Já descobertos e conquistados estes territórios e os antropocéntricos Muiscas tristemente submetidos à queda de Saquexazipa (Sapiga), último Zipa sucessor de Tisquesusa quem morreu assassinado, humilhado e destroçado durante o tomento a que foi submetido directamente pelos capitães García Zorro, Fernán Pérez e Suárez Rendón em cumprimento de uma falha tão rápida como o julgamento e cujo veredicto o deu quem além de executar a sentença actuava como máxima autoridade do júri, o capitão García Zorro. Gonzalo Jiménez de Quesada, pela autoridade que lhe concedia a Corte Espanhola, e em qualidade de Comandante Geral e governador nesse momento por não ter outra autoridade diferente, permitia a condenação a morte ao valente Zipa pelo encontrar culpado do roubo ao tesouro de Espanha, à vontade de Deus e ao Imperador.
Neste mesmo ano os cronistas não deixam ver; calaram a brutalidad com que o comandante Quesada doblegó esta grande cultura indígena, conseguindo deles por médio de saques, incêndios, roubos, sequestros, extorsiones e assassinatos um dos botines mais grandiosos recolhidos por expedicionistas em toda a América. Sem actuar em forma diferente a outros conquistadores que desejavam glória e riqueza, a atitude de dom Gonzalo durante estes dois anos de rastreamento nos Andes o coloca em um nível privilegiado de despiadado saqueador.
MARCHA PARA TERRITÓRIO DE A NACION PANCHE. Passado o inverno de 1.537, Gonzalo Jiménez de Quesada que se encontrava já em Bacatá, hoje Funza, dá a ordem ao capitão Juan de Gramas de explorar novas terras. O oficial é conduzido por guias Muiscas a Tibacuy, entra por domínios do Cacique Cónchima a território dos Panches onde se mostrou pouco amigable, arrogante e hostil. Seus comentários e os de seus cronistas são de intrepidez, vigor e disciplina que faz contraste com as observações feitas sobre os Panches, desordenados, belicosos, vingativos e antropófagos. Foi a primeira expedição castelhana em solo Panche. Durante este mesmo ano Jiménez de Quesada pessoalmente dirigiu-se pelas ásperas montanhas de Tocarema, para hostigar a suas pobladores com o ânimo de intimidá-los, para que lhes entregassem seu ouro e abandonassem suas terras. Os Panches deste sector não cederam a estas pressões e em resposta declararam a guerra aos invasores e a seus resignados aliados. A evidente decisão dos Panches de lutar até a morte convenceu a Jiménez de Quesada de amargas realidades: que ele, seus capitães e camaradas, não disporiam destas terras e suas riquezas até não pôr uma quota de sacrifício muito alta.
O 6 de agosto de 1.538 é fundada a cidade da Santa fé de Bogotá do Novo Reino de Granada em nome do imperador Carlos V, o capitão Pedro Fernández de Valenzuela foi encarregado de procurar um lugar para fundar a cidade e encontrou-o em Teusaquillo, não longe de onde ténia o Zipa uma casa de recreio. A celebração realizou-se o 27 de abril do ano seguinte em presença dos conquistadores Nicolás de Federmán e Sebastián de Belalcázar (ou também Benalcázar). O comandante Belalcázar que em 1.530 participou junto com o extremeño Francisco Pizarro na conquista do Peru, foi um homem muito organizado e disciplinado que vinha de fundar a Quito em 1.534, onde também escutou sobre o Dourado em uma terra longínqua telefonema CUNDERUMARCA (de boca de um comerciante Muisca). O grosso deste ejercito conquistador conformavam-no trezentos homens, cem deles da cavalo e todos bem armados. Neste mesmo ano entrou por Pasto e ordena a seu capitão Pedro de Añasco tal como o exigiam as leis de índias, fundar a cidade de Timaná, antigamente chamada pelos nativos da região GUACACALLO, passou por solos dos Natagaimas e apanhou rumo a terra Panche com 160 soldados espanhóis. Um pequeno grupo de rastreamento pertencente à expedição de Belalcázar (possivelmente comandada pelo mesmo) incursionó pelo rio da Sabandija, chamado assim pelo achado de uma pequena sabandija em ouro e pela infinidad de insectos que os acossaram, mas não existe nenhum suporte histórico para assinalar que neste mesmo ano acha ordenado a fundação de Guayabal (hoje Armero Guayabal) Tolima.
Pelo mesmo tempo, Jiménez de Quesada tinha despachado uma pequena comissão comandada por seu irmão Fernán Pérez de Quesada. Encontrando-se em terras dos Guataquíes, escutou destes que fazia em uns poucos dias tinham passado uns estranhos; alguns parecidos a eles, a quem chamaram Peruleros por que proviam do Peru, acompanhados de guerreiros mercenários, equipados com armas belamente decoradas, herrajes, lojas, mulheres de jogo, experientes cocineros, touros de casta, princesas e mulheres com atuendos típicos Incas, escravos negros e centenas de porcos cuidados com esmero por um sem número de escravos dirigidos por fray Hernando de Granados; faziam parte de uma formidable expedição cujo propósito era chegar ao Mar do Norte. Como maestre de campo vinha Melchor Valdez e como capitães Juan de Cabrera, Pedro de Puelles, Hernando de Vermelhas e o controvertido Juan de Arévalo a quem médio Peru não queria.
Guiado pelos naturais, preocupado e intrigado Pérez de Quesada, deu alcance à grande expedição de Belalcázar que se achava estacionada na desembocadura do rio Sabandija; banda ocidental do Magdalena em um ponto que mais tarde chamaram Passo de Julio Góngora, hoje em dia, a população de Méndez Tolima. Este sem dúvida foi o primeiro encontro entre duas grandes expedições em solo Panche que se tenha notícia e sucedeu o 6 de agosto, data em que Quesada lhe deu origem a Santa Fé.
Pela súbita chegada desde Coro Venezuela com quatrocentos homens dos quais perdeu trezentos, cento dez soldados da pé, dezassete da cavalo, mas uma centena de índios cargueiros Caquetíos o terceiro expedicionista, o Teutón dom Nicolás de Federmán, tenente do general Jorge Spira e encarregado por Alfínger como Tenente e Capitão Geral; entra pelo oriente do país à sabana de Bogotá, em procura segundo ele de achar caminho ao Mar do Sur. Esta viagem esteve cheia de episódios, descuartizamientos e queima de índios vivos. Todo justificable para este expedicionista Luterano, que se não resulto um grande soldado, ao menos, sim um estratega astuto e cruel, comerciante hábil, coisa que demonstrou ao enfrentar a Quesada e Belalcázar em terras de Tisquesusa em onde se cria entre estes comandantes uma incómoda situação que origina severas disputas territoriais.
Os três altos oficiais convieram o regresso a Europa para que a corte espanhola decidisse sobre tão complicados litigios. Tratando de encontrar uma rota mais próxima e com o acertado conhecimento da zona por suas guias Panches, Muiscas e suas prévias expedições, concluíram que o rio Magdalena, aquele que tinham deixado no ponto A Tora (nome dado do livro sagrado do judaísmo e marca a origem hebréia da família do conquistador Quesada), tendo decidido navegar pelo Opõe acima; encontrava-se tão só a quatro dias de caminho para o ocidente. Foi assim então que o 12 de maio de 1.539 os três generais expedicionistas saíram rumo a Guataquí (Cundinamarca), uma das primeiras populações de origem Panche em ser tomada por europeus e primeiro porto de embarque sobre o alto Magdalena. É de anotar que a população de Tocaima (Cundinamarca) em frente a Guataquí, também de origem Panche, foi lugar estratégico para a exploração das minas da Sabandija, Venadillo e Mariquita no norte do departamento do Tolima (Fernández de Piedrahita). Quanto à fundação destes povos e os que teriam por vir, permitem a seguinte reconstrução esquemática: 1 - Comprova-se que na região conquistada exista ouro. 2 - Funda-se sobre uma antiga cidade ou povo um novo e se toma esta como data de fundação única. 3 - Impõe-se a escravatura ou vasallaje de acordo às leis européias e criam-se e repartem encomenda-las entre sacerdotes, oficiais e soldados. 4 - Encontram-se e explodem com intensidade as minas de ouro inicialmente com mão de obra local, depois com nativos trazidos de outros lados, posteriormente trabalhadores escravos chegados penosamente da África.
Em 1.542 dom Alonso Luís de Lugo, filho do extinto governador de Santa Marta dom Pedro Fernández de Lugo provenientes dos Reinos de Espanha e Ilhas de Canaria, chegou a Santa fé como adiantado do Reino de Granada, quem segundo fray Pedro Simón trouxe as primeiras 35 vacas e um touro a estes novos territórios. Ingratamente recordado por cobiçoso, saqueador do Erario Real e quanto pôde em Santa fé; no final de 1.543 comisionó a Hernán Venegas Carrillo a descobrir estes lugares. Entrando por Zipacón encontrou grande ajuda por parte do Síquima, para passar ao lado ocidental da nação onde se encontravam estas magníficas minas. Mas esta relação amistosa não durou muito. Os espanhóis começaram uma guerra que demorou 11 anos de 1.540 a 1.551 para submeter pela força aos Panches do Cacique Tocaima. O 20 de março de 1.544 o capitão Vanegas Carrillo fundou a cidade de Tocaima.
Para a Europa o evento da conquista abriu-lhes um horizonte inesperado. Propiciou mudanças profundos no político, cultural, teológico e económico. Segundo relatórios oficiais da administração colonial espanhola, aproximadamente em um século após iniciada a conquista na América, transportaram-se à península Ibéria 181 toneladas de ouro e 16.000 toneladas de prata. Estas cifras não têm em conta que tanto os oficiais, soldados, frailes, recaudadores, adiantados etc., ficavam com a maior parte do ouro, prata e pedras preciosas que roubavam, explodiam, encontravam ou arrecadavam. O intenso comércio da América para a Europa, criou umas figuras que hoje em dia ainda estão vigentes. Na Europa circulou por espaço de quinze anos, dez vezes mas ouro do que normalmente circulava, produzindo uma grande expansão mercantilista, animando desta forma o nascimento do capitalismo entre Espanha e Portugal quem a sua vez gastavam e guardavam esse ouro em Holanda e Inglaterra.
A primeira tentativa de dom Gonzalo por sair para a Europa para entregar pessoalmente a parte do tesouro rancheado ao Imperador e registar sua descoberta, foi frustrado por problemas internos. Mas a chegada de dois conquistadores com poderosos exércitos a este mesmo território apresso novamente a saída. Em dois bergantines, o um para Jiménez de Quesada e para o alemão Federmán e o outro para Belalcázar; por espaço de 17 quilómetros navegaram sumidos e distraídos por suas disputas jurisdiccionales, nunca se percataron de estar em pleno coração da nação Panche, sociedade de pescadores e artesãos, que também não imaginaram que aqueles estranhos seriam os novos proprietários de suas terras, destruidores de sonhos e verdugos de seus corpos e almas. Neste percurso os conquistadores encontraram-se com a que consideramos foi um dos pilares da cultura Panche, Honda Tolima. O desembarco em dita população deveu-se a que era demasiado arriscado cruzar os rápidos que ali se formam decidindo fazer trasbordo, facto que se converteu em um importante costume e de Honda faria o porto principal do Novo Reino. Os conquistadores e seus problemas seguiram rumo a Europa mas o povo Panche ficou exposto ao amargo e demoledor ordem colonial.
Dantes da chegada do saqueador e cobiçoso governador Alonso Luís de Lugo, o 17 de abril de 1.537, a Real Audiência de Santo Domingo da qual dependia a gobernación de Santa Marta, nomeou sucessor a Jerónimo Lebrón, habitante na ilha a Espanhola e filho do licenciado Cristóbal Lebrón. Esta designação fez-se enquanto em Espanha se oficializaba a nomeação do sucessor por direito que correspondia a dom Alonso Luís de Lugo.
Evitando uma confrontación armada com os irmãos Quesada e sem poder fazer valer seus direitos no Novo Reino por encontrar em uma posição militar desventajosa, decidiu em janeiro de 1.541 devolver-se a Santa Marta em duas bergantines construídos em Guataquí, mas não dantes de fazer um grande negócio com Pérez de Quesada por valor de doze mil pesos de ouro, pela venda de suas provisões, enseres e cavalos, sendo esta cifra toda uma fortuna. Navegando pela nova rota do Magdalena, esta ambiciosa personagem cometeu quantidade de roubos e abusos aos moradores nativos da rivera.
Pela segunda detenção e posterior translado do Governador Dom Alonso a Espanha por opor às confirmações de encomenda-las feitas por Lebrón; Alonso De Lugo deixa como governador encarregado a seu familiar dom Lope Montalvo de Lugo, quem governou até que chegou de Espanha a nova substituição nomeada pelo Rei, o licenciado Miguel Díez de Armendáriz, primeiro visitador e juiz de residência. Em 1.545 chegou a Cartagena e deu titulo de tenente governador deste Reino a dom Pedro de Ursúa.
Por sua vez o licenciado Tenente Geral dom Gonzalo Jiménez de Quesada após ter conquistado, vivido nestes reinos, viajado a Europa e gastado uma fortuna em diversiones e pleitos em Espanha, França e Itália ao cabo de 12 anos regressou ao Reino da Nova Granada com o titulo de Marechal; dedicando sua vida à busca do Dourado. Neste esforço perdeu seu dinheiro e só regressaram a Bogota 74 espanhóis dos 300 que o acompanhavam, quatro índios de serviço dos 1.500 e 18 dos 110 cavalos que levava. Ainda que fatigado e doente aceita o cargo da expedição de castigo contra a aliança Panche ou índios Gualíes. Pobre e sem fortuna Em 1.579 morreu na cidade de Mariquita sem filhos e sem nunca se casar.
É muito possível que a atitude beligerante assumida pelos Panches desde a chegada dos peninsulares a estas terras, se deva a que já tinham notícia da forma como os espanhóis se tinham comportado nas Antillas. Esta atitude conduziu à rápida extinção física e cultural dos primeiros súbditos da Coroa Espanhola em uns poucos anos de domínio colonial. Também sabiam como submeteram, enganaram e roubaram a seus vizinhos Muiscas. Os Panches estavam alertados pelas notícias chegadas por via do Magdalena e pelas que chegavam de sua fronteira com os Muiscas e não é de estranhar, que graças às contínuas mensagens, conhecessem de antemão a verdadeira intenção destes estrangeiros. Baixo esta ameaça, aos espanhóis combateu-se-lhes desde sua chegada e nunca se lhes considerou como amigos e muito menos como deuses.
É difícil saber se os Panches em realidade eram excelentes guerreiros, se alguma vez tiveram uma força que representasse um verdadeiro perigo para a conquista, ou simplesmente foram utilizados pelos narradores espanhóis para acrescentar a fama e reputação dos conquistadores; para desviar com a grandeza castelhana e com supostos ferozes guerreiros a incompetência e frustración de não poder dominar sem assassinar e de não poder viver sem compartilhar. Comenta Juan de Castelhanos: “ Gente belicosa, robusta, diestra, solta e alentada: em lança, maza, seta venenosa; desde que nasce bem ejercitada. Com o mortal veneno preparavam os jáculos agudos e pertrechos, ...são ousados e costumam acabar valentes factos, e o que parece dellos menos forte, nenhum recelo tem da morte. Nas zeladas a cada qual experiente por montes, por avariadas, por ancones, tomar um alto, defender um porto, sem perder convenientes ocasiões; e se batalha é a descoberto, diestros em ordenar seus escuadrones; vivos em descobrir qualquer engano de do poderia resultalles dano. ...não lhes dá fadiga yerto frio, nem sentem os pesares do estío. A paz destes índios é a mais incerta, a mais traidora, falsa e alevosa; são de baixas e viles condições, prontos em cautelas e traições. Contra eles se enfrentam os homens de Jiménez de Quesada à frente dos quais vai Jerónimo Hurtado e Mendoza”.
Os Panches podiam em determinado momento ter um exército de milhares de homens, mas não eram em verdade um repto militar sério pela superioridad do armamento e as tácticas de guerra não ortodoxas dos espanhóis. Os estrategas militares ibérios usavam grupos inimigos de seus fortes adversários, para ser convenientemente utilizados como aliados. Tácticas, como a de terras arrasadas, castigos severos, o boicote de artigos de primeira necessidade, a guerra suja e até a guerra biológica (os espanhóis arrojavam cadáveres contaminados com doenças contagiosas às fontes de fornecimento de água de seus adversários), foram muito bem entendidas e amplamente praticadas pelos espanhóis na América, sendo estes os factores causantes do rápido desaparecimento desta população. De igual forma sabe-se que os Panches usavam armas não especializadas, isto é não foram adequadas para o combate, eram aparejos para a caça ou elementos de labranza. O escudo por exemplo que foi um instrumento de protecção básico utilizado por sociedades bélicas antigas, não se conhecia nesta parte do mundo, singelamente por que não se tinha criado a necessidade de seu emprego. Nas poucas baixas que teve o exército de Quesada, se evidência a forma singular de luta dos Panches concretándose à captura de prisioneiros e não no aniquilamiento físico do combatente, desenhando para este propósito armas que não ocasionavam feridas mortais. Algo similar sucedeu a sociedades Mesoamericanas e ao respecto bem o comentava o cronista Bernal Dias do Castillo, ao referir a um combate entre espanhóis comandados por Cortês contra Mayas na cidade de Potonchan, importante shopping na Centroamérica antiga: ...No tempo que precisavam para capturar um inimigo podiam ter matado a três... A evidência histórica e arqueológica mostra que entre os Panches não existia uma sociedade de guerreiros adaptados especialmente para a cena de combate, nem muito menos que provissem de uma comunidade de belicosidad ancestral.
No entanto em caso de sentir-se ameaçados, dispunham de uma estrutura defensiva para a protecção de sua soberania. Os Siquimas eram convocados a uma assembleia permanente, formando uma aliança militar entre várias aldeias estados ou cacicazgos em resposta a uma agressão a sua soberania. Tomavam-se decisões, convinham estratégias e convocavam ao povo a tomar as armas. Em pequenos grupos vinham aparecendo desde diversos lugares do senhorio, encabeçados por seu líder ou cabeça seleccionado entre eles mesmos. Os escuadrones organizavam-se com gentes da mesma aldeia ou região e informava-se-lhes das diversas actividades que deviam desempenhar. Convocado este ejecito de aldeanos e armados com aparejos de labranza e caçada, eram dirigidos por capitães quem dispunham de armas mas especializadas e que a seu vês estariam liderados pelos Caciques em pessoa.
O avanço para a frente de guerra para os Panches, era executado por divisões de ataque a cada uma composta por flecheros e diestros caçadores armados com machados em pedra. Estas legiones eram antecedidas por experientes honderos e lanzadores de dardos; que mimetizados na vegetación, cumpriam com o ablandamiento e desconcerto na frente inimiga para o grosso de seu exército provisto com poderosas macanas. Também tinham como missão, defender a retaguarda e dar apoio em caso de retirada. No combate era válido tudo, até atirar pedras e morder. Ainda dantes da guerra, as prendas e as pinturas corporales que usavam os Panches, enchiam de desconcerto e terror fazendo fugir a seus adversários. Sabemos por algumas comunidades bélicas que um clamoreo ruidoso e aplastante era uma arma em si. Conseguindo sacudir a mente de um homem, conseguia-se também o debilitar fisicamente. No entanto os Panches faziam todo o contrário, alentavam sua própria resolução para o combate e atemorizaban ao inimigo desenvolvendo a ofensiva no mais absoluto silêncio.
Para enfrentar aos castelhanos, teve muitas mudanças dentro desta sociedade e desenvolveram-se artefactos para o combate mais eficientes e mortais. A cada soldado Panche era diestro no manejo de todas as armas; carregadas em suas costas em uma espécie de morral de couro liviano chamado paves onde guardavam o arco, as setas, a funda, bodoqueras, dardos, uma longa lança no exterior e em suas mãos levavam a imponente e pesada macana. A cada homem levava como ración, uma carteira em couro com uma espécie de farinha feita de maíz e cacau endulzada com mel e outra carteira com água, para revolver e consumir como alimento ligeiro. Com seus novos inimigos, os espanhóis, a não o duvidar, as coisas foram muito diferentes. Em contraste, os Panches não conheciam a pólvora nem muito menos suas devastadores efeitos na guerra; ignoravam o uso dos cães e os cavalos que davam força, agilidad e punham um toque de desconcerto e terror às ofensivas; e por último desafiavam um poder desconhecido, soldados mercenários europeus experimentados e curtidos que vinham de uma série de guerras de reconquista nas que por cerca de oito séculos, lutaram contra a expansão muçulmana na Europa e como resultado disso, desenvolveram tácticas especializadas de combate e armas para produzir uma morte segura.
Como um exército mais do lado castelhano, os cães armados de colmillos e garras poderosas, estavam treinados para desbaratar um corpo humano, ocasionando terríveis lesões, feridas rasgadas e amputação de órgãos genitais aos sobrevivientes. Os mortos por cães correram melhor sorte, sua deceso dava-se por desgarramiento da garganta, destruição do abdomen, infecções, feridas severas e anemia aguda por perdida de sangue. Com sorte o atacado era rapidamente degolado e devorado por estes ferozes cães acostumados à carne humana. Esta sorte não só a viveu o combatente indígena, em uma política implacable de intimidação, os mastines espanhóis foram usados contra o resto da população, mulheres idosos e meninos caíram victimas deste animal política de guerra.
A vitória de uns poucos ginetes espanhóis não se deveu unicamente à pólvora, aos cães, cavalos ou aos homens que os montavam senão aos milhares de indígenas mercenários que capacitaron para ser dirigidos pela cada soldado espanhol. As tácticas dos Panches também foram um factor de desventaja, cuja tradição era atacar em grandes grupos, os fazendo vulneráveis à artilharia e aos mosquetes. Estas armas ocasionavam a morte a distância significando a deshonra para os Panches, delicadeza que não afectava aos castelhanos a quem lhes era indiferente o modo de matar.
Fizeram frente e foi difícil vencê-los, mas os espanhóis não demoraram muito em encontrar a maior debilidade destes ferozes e valorosos defensores; à morte ou captura de seu líder, costumavam abandonar o campo de batalha, assim estivessem a ganhar a contenda. Isto significou a pior derrota no campo estratégico para os Panches e uma vantagem significativa para atingir a vitória castelhana contra este povo.
Leste pode ser um de tantos motivos, para reconsiderar os nomes que actualmente dedicamos a instituições em homenagem a grandes personagens, por que muitos deles não o merecem; em algum dia quando encontremos a verdadeira história mudaríamos estes nomes pelo daqueles que por seus actos e espaços construídos realmente o ganharam.
Entre os caudillos e guerreiros mas destacados na luta contra os castelhanos temos o Cacique Bituima quem derrotou a Fernán Pérez de Quesada em uma batalha complicada onde o tempo, valor e astúcia foram decisivos. Chefe de uma coalizão de parcialidades Panches entre eles Ambalemas, Sasaimas, Guataquíes, Anapoimas apoiados por Tocaremas, Síquimas, Calandaimas e outros mas, se organizaram para expulsar não só de seus territórios aos espanhóis, senão acabar com o domínio espanhol sobre seus vizinhos Muiscas.
Dificilmente pôde-se organizar uma lista de outros chefes, com histórias de arrojo pelo complicado em achar seus nomes ou acções de valentia entre os manuscritos espanhóis da época, no entanto aqui temos alguns deles; Grandes Senhores que governavam as terras da parte que hoje em dia compreende as terras cálidas do departamento de Cundinamarca contra o rio Magdalena em momentos da conquista: Anapoima, Atacaima, Bituima, Calandaima, Conchima, Iqueima, Guacana, Lachimi, Síquima, e Tocaima.
Caciques que dominaram a margem ocidental do rio Magdalena, norte do Tolima que fizeram frente aos espanhóis: Abea, Ambalema, Cirircua, Cimara, Colandaima, Totor, Leriguá, Pompomá, Niquiatepa, Somará, Ujiaté, Unicoá, Uniatepa, Uniguá, Ondama e Yuldama. É possível que alguns destes nomes tenham sido confundidos por importantes Após este primeiro encontro com suas lamentáveis consequências e dantes de diminuir o ânimo por defender seus territórios, os Panches se organizaram a cada vez mas "em tácticas de guerrilhas de índios " para enfrentar as grandes acções militares que ainda estavam por vir.