| Democratic Party Partido Democrata | |
|---|---|
| Presidente/a | Tim Kaine |
| Fundação | 1792 (Partido Democrata-Republicano dos Estados Unidos) 1824 (Partido Democrata) |
| Sede | Avenida South Capitol 430 SE 20003, Washington, D. C., Estados Unidos da América |
| Ideologia política | Centro, liberalismo, Terceira via, Progresismo |
O Partido Democrata (PDEU) (em inglês, Democratic Party) é um dos dois principais partidos políticos dos Estados Unidos da América e actualmente é o partido que está no governo, já que o presidente dos Estados Unidos Barack Obama pertence ao mesmo. Ademais têm a maioria na Câmara de Representantes dos Estados Unidos e no Senado dos Estados Unidos.
Dentro da classificação direita-esquerda o Partido Democrata foi em seus princípios e historicamente um partido liberal, conceito que hoje em dia é utilizado para denominar aos membros e simpatizantes do partido, no entanto hoje em dia é considerado de centro moderado e centro-esquerda socioliberal, além de facções progressistas, social-democratas e conservadoras, que neste último tempo têm ganhado mas força em frente à maioria liberal do partido.
Seu símbolo é um asno (o de seus rivais do Partido Republicano é um elefante); diz-se que os primeiros antecedentes do asno como símbolo se remontam às eleições de 1828 quando os adversários de Jackson o chamavam de asno. Existe uma caricatura muito difundida de 1837 em que se representa a Jackson sobre um asno; mas foi em 1874 quando um caricaturista o ressuscitou e estabeleceu definitivamente como símbolo democrata (o mesmo caricaturista responsável por achacarle aos republicanos o elefante como símbolo). A cor azul utiliza-se para identificar aos estados que têm maioria democrata (em frente ao vermelho que identifica aos republicanos); e por extensão é a cor do partido.
No ano 1824, o antigo Partido Democrata-Republicano dos Estados Unidos, que governava o país de forma ininterrumpida desde 1801, entrou em crise; nesse ano, em muitos Estados do país elegia-se pela primeira vez por sufragio popular directo dos maiores de idade (excetuadas as mulheres e os afroestadounidenses) aos Eleitores que a sua vez deviam eleger ao Presidente dos Estados Unidos (ainda que em alguns Estados ainda eram as Legislaturas Estatais as que elegiam aos Eleitores).
Este facto ocasionou uma divisão no Partido Democrata-Republicano, porque apresentavam-se vários candidatos presidenciais que se proclamavam democratas-republicanos e reclamavam directamente o voto popular; um deles era o general Andrew Jackson, um popular herói da Guerra Anglo-Estadounidense de 1812 a 1815 (ainda que Jackson nunca tinha sido próximo aos líderes democrata-republicanos).
Jackson perdeu a Presidência apesar de ter ganhado a maioria relativa do voto popular, devido ao procedimento que estipulava que se nenhum dos candidatos obtinha a maioria absoluta o Congresso Nacional devia eleger ao Presidente entre os candidatos mais votados; e o Congresso elegeu a John Quincy Adams.
Mas então Jackson e seus partidários começaram a fundar por todo o país as filiais de um novo partido que ainda não tinha um nome claro ou definitivo; um partido cujo principal objectivo era levar à Presidência ao General Jackson e fazer-lhe oposição ao Governo do "usurpador" Quincy Adams. Este partido contava com a poderosa "maquinaria" partidária do Estado de Nova York que tinha pertencido anteriormente ao já difunto Partido Democrata-Republicano; e foi o primeiro partido "popular" da história estadounidense, ao mobilizar às massas e valer de uma rede de jornais "populares" e "sensacionalistas".
Em 1829 o novo partido chegou ao poder ao tomar posse da Presidência o general Jackson (ganhador das eleições do ano anterior); ante o estupor da elite política que viu às massas de pobres chegar por milhares à festa de ascensión ao poder de Jackson na Casa Branca.
O partido "jacksoniano" (ou os "homens de Jackson") introduziu importantes novidades em sua organização interna; foi o primeiro partido estadounidense que criou a figura da "Convenção Nacional" partidária para eleger ao candidato presidencial (a primeira Convenção Nacional Democrata foi a de 1832 que ratificou a candidatura à reeleição do General Jackson). Desta maneira se avançou na democracia interna dos partidos. Também foi o primeiro partido que estabeleceu uma plataforma do partido , na que se estipulavam todos os princípios ideológicos da organização.
Em 1834 o nome de Partido Democrata" impôs-se definitivamente; ainda que não seria senão até 1844 quando foi oficializado formalmente pela Convenção Nacional desse ano.
A intensa polarización em torno da figura de Jackson não só determinou a criação do Partido Democrata; senão que também propiciou que os inimigos do general fundassem o Partido Whig dos Estados Unidos para se opor a ele e seus democratas.
Quando Jackson deixou a Presidência, o Partido Democrata se voltou a cada vez mais conservador; o partido era muito popular nos Estados do Sur do país, mas isto trouxe como consequência que os políticos brancos sureños tivessem um enorme peso dentro da organização e a convertessem em uma defensora da escravatura.
Os democratas do Sur defendiam com fanatismo a instituição da escravatura dos negros, e a maioria dos democratas do Norte agachavam a cabeça e não se atreviam a opor a seus colegas do Sur; os democratas anti-esclavistas estavam descontentamentos com seu partido (e muitos terminariam passando ao Partido Republicano a partir de 1854 ).
Os presidentes democratas que governaram os Estados Unidos a maior parte do período entre 1837 (quando terminou o mandato de Jackson) e 1861 (quando começou a Guerra Civil) apoiaram as medidas que favoreciam não só a permanência da escravatura, senão também sua extensão aos novos estados que entrariam à União. Ainda que às vezes tratassem de passar por "neutros" entre partidários e inimigos da escravatura; quase sempre se inclinavam a favor das políticas propostas pelos esclavistas do Sur. Ademais, toleravam o crescente desafio dos estados do Sur à autoridade do Governo Central da nação, sem adoptar medidas enérgicas que freassem esta atitude precursora da secessão. Pelo geral, acusa-se-lhes de ser presidentes débis e entregados aos interesses do Sur.
Também em matéria económica os governos democratas contentaram aos sureños rebajando os impostos às importações e adoptando uma política de livre comércio internacional; o que desagradava aos industriais e trabalhadores do Norte que queriam impostos mais altos (proteccionistas). Tudo isto fez que o partido perdesse apoio popular nos Estados do Norte.
Pese a tudo, o Partido Democrata só perdeu duas eleições presidenciais nesse período (as de 1840 e 1848) em frente a seus rivais do Partido Whig; e foi necessário que se fundasse o Partido Republicano em 1854 pára que o descontentamento com os democratas fosse finalmente capitalizado pela oposição.
No final do governo do Presidente James Buchanan (1857-1861) o Partido Democrata estava em crise; muitos democratas importantes do Norte tinham rompido com Buchanan por sua excessiva inclinação aos interesses sureños, e os democratas do Sur voltavam-se mais intransigentes e fanáticos.
Na Convenção Nacional Democrata de 1860 as diferenças fizeram-se insalvables e a ruptura inevitável. As delegações de vários estados do Sur retiraram-se da Convenção quando esta não aprovou a inclusão de uma medida a favor da escravatura na Plataforma Eleitoral do partido; e posteriormente o resto dos democratas do Sur também se retirou da Convenção.
Com só os representantes dos estados do Norte, a Convenção Democrata nomeou a Stephen A. Douglas candidato presidencial do Partido Democrata; mas os democratas do Sur reagiram nomeando a outro candidato presidencial, que era nada menos que o vice-presidente dos Estados Unidos nesse momento: John C. Breckinridge. O partido foi com dois candidatos diferentes às eleições presidenciais, facilitando a vitória do candidato republicano Abraham Lincoln.
Quando os estados do Sur declararam sua separação dos Estados Unidos para criar um novo país independente (os Estados Confederados da América), e se alçaram em armas; o Partido Democrata do Sur converteu-se na força política que apoiava a rebelião armada, o que fazia de seus membros delinquentes responsáveis de rebelião e traição.
O Partido Democrata do Norte manteve-se fiel à Constituição e as leis, e reconheceu ao governo de Lincoln; apoiando o uso da força para reprimir a rebelião. Mas em alguns estados sureños que não tinham querido separar dos Estados Unidos e se mantiveram fiéis à Constituição, a situação se voltou difícil; muitos de seus habitantes queriam unir aos estados rebeldes e formaram guerrilhas para lutar contra o Governo Federal.
Ante esta situação, Lincoln ordenou a suspensão das garantias constitucionais e fez prender a milhares de democratas que estavam implicados em actividades subversivas, pese ao protesto do Partido Democrata, que o considerava uma perseguição política. No entanto, nesses mesmos estados tinha também muitos democratas que recusavam as actividades subversivas e compartilhavam com seus colegas de partido do Norte sua lealdade à ordem constitucional; inclusive nos estados rebeldes tinha uns poucos dirigentes democratas que tinham recusado a secessão e tinham fugido ao Norte para colaborar na defesa da União.
Em 1864 o Partido Democrata do Norte (e dos estados sureños leais) postuló como candidato presidencial ao general George B. McClellan, que tinha lutado contra os rebeldes do Sur com péssimos resultados (pelo que Lincoln o tinha destituído da Comandancia Geral do Exército); e que agora se apresentava com uma Plataforma Eleitoral pacifista a favor de negociações com os rebeldes para terminar a guerra (com a que ele pessoalmente não estava de acordo, mas que lhe foi imposta pelo sector pacifista do Partido). Os republicanos acusaram de derrotistas aos democratas e de que sua proposta podia lhe dar aos sureños a vitória que não tinham conseguido na batalha. Para complicar ainda mais a situação um grupo de democratas do Norte e dos estados sureños leais decidiu não apoiar ao candidato oficial do partido e dar seu voto a Lincoln, dentro de uma boleta eleitoral de União Nacional; a mudança conseguiram que um de seus dirigentes, Andrew Johnson (um dos poucos democratas dos estados rebeldes que se tinham negado a apoiar a secessão e que lutavam contra a rebelião), fosse postulado para Vice-presidente dentro dessa boleta. Finalmente, Lincoln derrotou a McClellan por ampla margem (Lincoln obteve o 55% dos votos populares e McClellan o 45%).
Após o final da Guerra Civil, o Partido Democrata ficou muito debilitado, enquanto o Partido Republicano saiu da contenda mais forte que nunca.
Nos estados do Sur que se tinham unido à rebelião secessionista, o Congresso dos Estados Unidos (dominado pela asa radical do Partido Republicano) proibiu aos alvos sureños exercer o direito ao voto enquanto não fossem perdoados por seu apoio passado à rebelião; em mudança, sim deram o direito a votar aos afroamericanos que tinham sido escravos dos terratenientes brancos. Na prática isto significo que um punhado de alvos norteños que tinham emigrado aos estados do Sur para fazer dinheiro com a corrupção, e que pertenciam ao Partido Republicano (os Carpetbaggers), e alguns políticos brancos sureños que se tinham facto republicanos por oportunismo (os Scalawags); fizessem-se donos de quase todos os cargos de eleição popular dos estados do Sur, graças ao voto dos negros.
Os ex-membros do desaparecido Partido Whig dos Estados Unidos nos estados do Sur, tentaram reorganizar após a guerra, após ter provado a fundar vários partidos frustrados nos anos anteriores à guerra; acabado o conflito fundaram no Sur uma organização chamada Partido Conservador, com a esperança de unir a outros ex-whigs do Norte que não se tivessem unido ao Partido Republicano. Mas aos poucos anos a tentativa fracassou, e então estes antigos whigs sureños foram absorvidos pelo Partido Democrata no Sur. Mas nem sequer esta unificação de democratas do Norte e do Sur e de whigs do Sur em um só partido conseguia vencer o domínio republicano.
Então, ainda que o Partido Democrata do Norte tinha-se reunificado com o Partido Democrata do Sur, seguia sem ter o apoio eleitoral dos estados do Sur pelo regime de partido único de facto que existia nesses estados a favor dos republicanos.
Nos estados do Norte uma importante maioria dos eleitores inclinavam-se pelo Partido Republicano, e o Partido Democrata devia conformar com uma minoria que, ainda que significativa, não deixava de ser minoria. A maioria dos imigrantes estrangeiros que chegavam ao país nessa época terminavam se convertendo em republicanos (excepto os irlandeses que preferiam aos democratas); e como estes imigrantes (maioritariamente europeus) se instalavam em maior quantidade nos novos estados do Médio Oeste, a desigualdade geográfica a favor dos republicanos aumentava.
Nesse contexto, o Partido Democrata converteu-se em um eterno perdedor das eleições presidenciais e legislativas nacionais; conformando-se com ganhar eleições para governadores e prefeitos em alguns lugares. A situação melhorou um pouco quando os alvos do Sur recuperaram o direito de votar (e obrigaram aos negros a não votar, coaccionandolos com o uso da força); já que a partir desse momento a região converteu-se no "Sólido Sur", uma parte do país onde o Partido Democrata ganhava todas as eleições com mais de 90% dos votos e os republicanos quase não existiam.
Graças aos votos do Sur e o descontentamento com a corrupção republicana, o candidato democrata quase ganha as eleições presidenciais de 1876 ; mas ao final ganhou o republicano Rutherford B. Hayes após um processo cheio de denúncias de fraude e irregularidades em alguns estados finque.
Quando por fim um democrata voltou a ganhar a presidência dos Estados Unidos nas eleições de 1884 foi um acontecimento raro e quase milagroso; já que tinham passado nada menos que 28 anos desde a última vez que tinham ganhado (1856), e 24 desde que tinham perdido o poder (1860). Este presidente democrata foi Grover Cleveland, que ganhou por uma margem muito pequena de votos; e foi um dos melhores presidentes de finais do século XIX.
Cleveland rebajó os impostos excessivamente altos que tinham deixado os republicanos, manteve a disciplina fiscal e regulou os excessos das empresas privadas de caminhos-de-ferro. Não foi reeleito em 1888 , pelos tecnicismos do sistema eleitoral; mas em 1892 ganhou as eleições e regressou ao poder por um último período.
Após os dois governos de Cleveland (1885-1889 e 1893-1897) o Partido Democrata voltou a ser desterrado do poder até as eleições de 1912 , quando seu candidato presidencial Woodrow Wilson ganhou graças à divisão do Partido Republicano em duas candidaturas diferentes. Wilson governou por dois períodos entre 1913 e 1921; além de dirigir ao país durante a Primeira Guerra Mundial, foi o responsável por reformas internas como a criação da Reserva Federal dos Estados Unidos (Banco central estadounidense), a posta em marcha do Imposto sobre a renda, leis trabalhistas a favor de mulheres e meninos, e a criação de entes governamentais anti-monopólio.
Durante a etapa entre Cleveland e Wilson o Partido Democrata tinha sido tentado pelas correntes populistas e antiimperialistas que estavam de moda na sociedade estadounidense de finais do século XIX.
Após Wilson, surgiram algumas tensões entre os democratas que queriam reformar o partido e os mais reaccionarios; especialmente pelo tema da estreita relação entre boa parte do partido e o grupo racista Ku Klux Klan (em 1924 por um sozinho voto não foi aprovada uma proposta de resolução na Convenção Nacional Democrata que condenava ao Ku Klux Klan e chamava a romper relações com ele).
Como resultado da catastrófica crise económica e social conhecida como a Grande Depressão, o povo estadounidense castigou ao Partido Republicano. Nas eleições presidenciais de 1932 ganhou o candidato do Partido Democrata, Franklin Delano Roosevelt.
O Presidente Roosevelt iniciou um programa de reformas radicais conhecido como o New Deal ("Novo Trato" em espanhol) para enfrentar a caótica situação social do país. Roosevelt não queria eliminar o sistema capitalista e muito menos implantar uma economia marxista ou comunista; era um decidido partidário da economia de livre mercado. Mas achava que o Estado devia ter um papel bem mais grande do que tinha tido até o momento na economia nacional, e seus assessores criam em um verdadeiro planejamento central da economia.
O presidente combateu o desemprego com programas em massa de obras públicas e fazendo que o Estado empregasse directamente aos desocupados em planos de emergência (como o Corpo Civil de Conservação). Sua principal contribuição foi começar a criar o Estado de bem-estar estadounidense. Seu governo fez aprovar pelo Congresso a legislação que estabeleceu o direito de todos os trabalhadores estadounidenses a ter uma pensão de aposentação financiada pelas contribuições de trabalhadores, patronos e Estado. Desta maneira, se fundou a Segurança Social estadounidense, com uma caixa única administrada pelo Governo Federal.
Também Roosevelt foi o responsável pela criação do Salário Mínimo nos Estados Unidos; a partir desse momento, no caso dos tipos de empregos amparados pela lei federal (que são a maioria dos tipos de empregos existentes), os patronos não podiam rebajar o salário de seus empregados por embaixo de um limite fixado pelo Congresso dos Estados Unidos e que os estados estão em liberdade de subir, mas não de rebajar, pelo que em alguns estados o salário mínimo é maior que no resto do país (excepto nos tipos de empregos não amparados pela lei federal onde os estados se podem estabelecer topos por embaixo do mínimo federal). Isto era algo insólito em um país onde o Estado as plusvalías geradas pelos trabalhadores costumavam acabar nos bolsillos dos monopólios privados.
Roosevelt aumentou muito a despesa pública para financiar seus numerosos programas destinados a aliviar a pobreza, combater o desemprego e estimular a economia; e para isso teve que aumentar também os impostos, sendo o único em que se parecia aos conservadores fiscais o facto de que não gostava do déficit fiscal.
Roosevelt também fundou uma empresa estatal para oferecer o serviço de luz eléctrica nas áreas rurais (a Tennessee Valley Authority), onde as empresas privadas eléctricas não mostravam interesse em investir, e isto em um país onde ao Estado não gosta de ser empresário. Estabeleceu muitas regulações sobre a empresa privada.
Esta série de medidas fez que os críticos de Roosevelt o acusassem a ele e seus assessores de ser "socialistas" sem remédio que ameaçavam a liberdade de empresa e o modo de vida estadounidense; ainda que Roosevelt não era em realidade um socialista no sentido marxista da palavra (que era quase o único sentido naquela época).
Também cabe destacar que graças a essas reformas sociais Roosevelt pôde estabelecer uma sólida aliança entre seu Partido Democrata e os sindicatos estadounidenses; uma aliança que contínua até a actualidade e que tem condicionado poderosamente ao partido.
Durante a Segunda Guerra Mundial o governo de Roosevelt foi mais longe, impondo controles de preços (algo que nunca tinha existido nos Estados Unidos) e um racionamiento limitado. Mas ao final da guerra os controles de preços foram eliminados pelo Congresso dominado pelos republicanos.
Seu sucessor, Harry Truman, continuou muitas das medidas económicas de Roosevelt. Tanto Roosevelt como Truman, apesar de ser democratas, começaram a tomar medidas para proteger alguns direitos das pessoas negras; o que não gostou a de os democratas do Sur.
Nas eleições presidenciais de 1948 Truman procurava seguir sendo presidente (tinha chegado a sê-lo em 1945 , por causa da morte de Roosevelt, já que ele era o vice-presidente quando ocorreu o deceso); mas os democratas do Sur negaram-se a apoiar pelo compromisso de Truman com os direitos civis dos negros. Os democratas do Sur separaram-se temporariamente do partido e lançaram outro candidato, que era o então Governador de Carolina do Sur Strom Thurmond.
Quando o democrata John F. Kennedy ganhou as eleições presidenciais de 1960 , o que fez foi defender algo que defendem todos os líderes democráticos de esquerda ou direita: a igualdade entre os cidadãos de qualquer raça (alvos ou negros). Mas isso provocou um terramoto entre os democratas racistas e ultraconservadores do Sur.
Quando Kennedy fez aprovar pelo Congresso reformas legais para acabar com a inconstitucional discriminação contra os negros (segregación racial) e fazer respeitar os direitos civis das pessoas de cor (negras); os democratas do Sur acusaram-lhe de traidor". Para eles o Partido Democrata tinha traído aos cidadãos do Sur (os alvos, se entende) que lhes tinham dado sempre seus votos. Muitos líderes e militantes democratas dos estados do Sur começaram a mudar ao Partido Republicano (que dantes quase nem existia nesses estados, pelo que a maioria dos republicanos do Sur eram antigos democratas).
Quando Kennedy foi assassinado e seu vice-presidente, Lyndon B. Johnson, converteu-se em presidente, completou o trabalho a favor dos afroamericanos, fazendo que se aprovassem as últimas medidas que permitiram aos negros poder votar sem perigos nem ameaças contra suas vidas; além de outras leis que lhes garantiam o acesso ao trabalho e à educação em condições de igualdade com os alvos.
Mas a contribuição pessoal de Johnson a seu partido foi sua "Guerra contra a pobreza"; um ambicioso programa de política social para reduzir a pobreza e a desigualdade em seu país. Dentro da "Guerra contra a pobreza" Johnson criou uma grande quantidade de programas sociais para melhorar a qualidade de vida dos pobres; programas de moradias, de alimentação, de ajuda a mães solteras, de ajuda à infância, etc.
Os mais importantes desses programas são o Medicaid, um programa pelo qual o Governo Federal (Nacional) e os governos dos estados financiam os serviços médicos dos mais pobres que não podem pagar um seguro médico privado (em um país onde quase não existem hospitais em mãos do Estado, e por isso a gente tem que contratar planos de saúde com empresas aseguradoras privadas, para poder receber atenção médica em hospitais privados); e o Medicare que tem a mesma finalidade mas que está dirigido especificamente à população maior de 65 anos de idade. Com estes programas se avançou pela primeira vez para o objectivo de uma cobertura médica universal.
Johnson também criou uma grande quantidade de agências federais para supervisionar à empresa privada, e estabeleceu numerosas regulações.
Em 1968 , de novo um grupo muito numeroso de democratas do Sur lançou seu próprio candidato presidencial (George Wallace) contra o candidato oficial do partido (Hubert H. Humphrey); mas ainda que obteve muitos votos não conseguiu superar ao democrata oficial (ao final ganhou o republicano Richard Nixon).
Nas eleições de 1972 os últimos democratas racistas tentaram ganhar a candidatura presidencial com sua abanderado Wallace (que tinha regressado ao partido após sua candidatura independente de 1968); mas foram derrotados de forma abrumadora na Convenção do Partido. A esquerda tinha ganhado definitivamente o controle do partido.
Mas na década dos 70 fez-se evidente que a economia não suportava o peso da excessiva despesa pública e dos elevados impostos, além das regulações; e todo aquilo era produto das políticas económicas democratas. O Governo do presidente democrata Jimmy Carter (1977-1981) foi um autêntico desastre; com uma inflação muito elevada e uma alta taxa de desemprego. O resultado foi a vitória dos republicanos com o actor de cinema Ronald Reagan em 1980 , que poria aos democratas ante novos desafios.
Durante o governo de Reagan os democratas dominaram o Congresso dos Estados Unidos; e opuseram-se a muitas políticas do presidente republicano.
No aspecto económico os democratas tiveram que aceitar de má vontade as enormes rebajas de impostos que propulsó Reagan; sim opunham-se a estas reduções fiscais os senadores e representantes democratas podiam enfurecer aos eleitores e em consequência perder seus postos nas eleições. Por isso preferiam apoiar as populares rebajas impositivas.
No que sim opuseram uma enérgica resistência foi em matéria de redução da despesa pública; os democratas não queriam diminuir os fundos que o Estado gastava nos numerosos programas sociais criados pelos passados governos democratas. Mas Reagan também não dava seu braço a torcer em sua decisão de reduzir o tamanho do Estado e evitar o clientelismo e o paternalismo nos programas sociais. O resultado do atira e afloja entre o republicano e o Congresso democrata foi que os impostos baixaram muitíssimo mais do que baixaram as despesas públicas; e como resultado cresceu o déficit fiscal e a dívida pública. Com tudo, o país viveu uma de suas melhores etapas de crescimento económico e prosperidade, o que beneficiou a popularidade de Reagan e prejudicou a dos democratas.
O sucessor republicano de Reagan, o presidente George H. W. Bush não pôde manter no poder graças às funestas politicas monetárias da Reseva Federal e por isso os democratas puderam voltar ao poder em 1993 com seu líder, o presidente Bill Clinton.
Em seus dois primeiros anos de governo, Clinton governou como um típico democrata da segunda metade do século XX; fazendo que o Estado interviesse na economia e gastasse muito. Queria solucionar os problemas gastando mais e sem reduzir a burocracia; e inclusive desejava impulsionar uma reforma da Saúde (criada por sua esposa Hillary) que aumentava bastante o papel do Estado no sistema sanitário (até o ponto de que alguns críticos falavam de que se propunha "socializar" a saúde) o que implicava também um aumento considerável na despesa do Estado.
O resultado de suas medidas foi que a economia não só não melhorou, senão que piorou. Por isso, o Partido Republicano ganhou as eleições legislativas de metade de período (1994) e, pela primeira vez em várias décadas, os republicanos passaram a ter a maioria no Congresso.
Isto foi um terramoto político, sobretudo porque os republicanos tinham ganhado com uma proposta programática telefonema "Contrato com América" que propunha todo o contrário às propostas clássicas dos democratas; os republicanos propunham-se baixar mais os impostos, e reduzir a despesa social de forma radical.
Ante sua terrível situação política, ninguém pensava que sua reeleição era possível, Clinton decidiu dar um giro de 180 graus a sua política (e à de seu partido). Levou ao Partido Democrata mais ao centro; começando a tomar medidas económicas idênticas às que propunham os republicanos (até o ponto que a oposição republicana o acusou de lhes ter roubado seu programa económico).
Desta maneira Clinton fazia todo o que fariam os republicanos para reactivar a economia, ainda que de forma mais moderada. Como resultado desta coincidência de critérios, se aprovou a maior redução da despesa em programas sociais da história do país desde que os democratas tinham criado o "Estado do bem-estar". O resultado foi que o déficit fiscal foi baixando até desaparecer e o país viveu outra etapa sem precedentes de prosperidade económica; o que permitiu a Clinton ganhar a reeleição.
Após o regresso dos republicanos ao poder com George W. Bush no 2001, os democratas permaneceram na oposição durante oito anos. Nas primárias democratas de 2008 apresentaram-se vários candidatos: a primeira mulher (Hillary Clinton), o primeiro afroamericano (Barack Obama), e o primeiro hispano (Bill Richardson governador de Novo México).
Depois de uma ardua campanha entre Hillary Clinton e Barack Obama, foi este último que ficou com a nominación em junho de 2008 , convertendo no candidato de facto dos democratas até a convenção em Denver , no estado Colorado, a fins de agosto.
Finalmente, depois de uma das campanhas presidenciais mais longas e caras da história dos Estados Unidos da América até a data, o candidato democrata Barack Obama venceu a seu contendiente republicano John McCain nas eleições precidenciales de novembro de 2008 , pondo de volta a um democrata no Despacho Oval, e fazendo história como o primeiro presidente de cor da história do país.
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Definir a tendência do actual Partido Democrata é bastante difícil. A grandes rasgos, pode dizer-se que representa ao liberalismo nos Estados Unidos. Pelo menos em política económica, mostram-se mais centristas que os Republicanos, sempre dispostos a reduzir o Estado do Bem-estar. John Kerry, candidato para as eleições presidenciais de 2004 , tinha centrado seu discurso em uma política económica favorável à indústria nacional.
Ao igual que os modernos social-democratas da Europa, os democratas não se opõem à economia de livre mercado, e acham que o capitalismo de mercado é o único sistema económico que permite gerar crescimento e prosperidade. Mas pensam que o Estado deve intervir para reduzir os desequilíbrios sociais, distribuir melhor a renda e garantir a igualdade de oportunidades; e criar assim um "capitalismo com rosto humano". Por isso são entusiastas defensores do Estado de bem-estar.
Os democratas não se opõem necessariamente às reduções de impostos aos cidadãos e às empresas privadas; mas são muito menos entusiastas destas reduções tributárias que os republicanos, já que dizem que seus rivais exageram para beneficiar aos ricos. Ademais defendem uma maior despesa pública orientado à política social.
Devido à grande liberdade de consciência que há nos partidos estadounidenses e a inexistente disciplina de partido, os partidos são muito heterogéneos. E o Partido Democrata é o mais heterogéneo dos grandes partidos dos Estados Unidos. Tradicionalmente falou-se de uma divisão ideológica entre grupos chamados democratas conservadores, democratas moderados e democratas liberais.
Os democratas conservadores são partidários de uma economia mais liberal; estão mais dispostos a reduzir impostos, diminuir a despesa pública (incluído o social) e desregular o mercado que a maioria de seus colegas de partido. Também são mais conservadores em temas sociais (casais entre homossexuais, aborto, etc.) Diz-se que mais parecem republicanos e não democratas; muitos deles são do Sur do país.
Os democratas liberais são os mais centroizquierdistas, são os mais estatistas em matéria económica e os mais liberais em temas sociais. Desejam uma despesa pública alto, impostos elevados sobre os ganhos das empresas principalmente das rendas mais elevadas; e uma forte intervenção do Estado na economia com regulações. Ao igual que em muitos outros países, o liberalismo nos Estados Unidos e no Partido Democrata apoia os direitos de liberdade de opinião, liberdade de religião, liberdade de imprensa, à assistência médica, a um salário justo, à Segurança Social, etc.
Os democratas moderados tentam ser o centro entre esses extremos; tentam moderar as posições de liberais e conservadores, e tomar medidas intermediárias entre as propostas de uns e de outros.
Nos últimos anos os analistas políticos têm estabelecido uma nova classificação das facções internas do Partido Democrata. Ditas facções seriam as seguintes:
Novos Democratas: são a facção de direita do partido e poderiam identificar-se com os que anteriormente se chamavam democratas moderados. Surgiram com força a raiz do governo de Bill Clinton, que é o mais influente e prestigioso dos dirigentes moderados do partido. Os democratas centristas reconhecem as deficiências do Estado de Bem-estar e aceitam que há que racionalizar e em alguns casos, reduzir a despesa pública em programas sociais, porque muita gente beneficiada com estes programas tinham perdido o incentivo para trabalhar e preferiam viver da ajuda do Estado; ademais que essa despesa era um ónus insostenible para as arcas públicas, o qual obrigava a aumentar os impostos e a dívida pública. No entanto, não estão de acordo com o que consideram que são excessivos recortes da despesa social que impulsionam os republicanos em prejuízo dos mais pobres. Os democratas moderados também estão de acordo com reduzir os impostos às pessoas e às empresas; mas seus recortes fiscais são mais pequenos que os que propõem os republicanos, e ademais estão orientados (segundo eles) a beneficiar mais aos contribuintes de classe média que aos ricos, pondo condições às empresas para poder se beneficiar (como que gerem mais empregos nos Estados Unidos que no estrangeiro). Os democratas centristas frequentemente aliam-se com os republicanos moderados para defender algumas medidas. Em definitiva, os moderados tentam procurar um compromisso entre as posturas tradicionais do partido e as exigências do mundo globalizado actual. Os centristas expressam suas ideias e exercem sua influência por médio da poderosa organização política Democratic Leadership Council (Conselho da Liderança Democrata ou simplesmente DLC por suas siglas em inglês);[1] uma instituição fundada em 1985 . Esta instituição luta para afastar ao partido de suas posturas tradicionais mais centroizquierdistas e levar ao centro do espectro político; mas seus críticos dentro do partido acusam-no de estar financiado pelas grandes empresas privadas que tentam financiar a democratas favoráveis a seus interesses corporativos.
Democratas Progressistas: nos anos anos 60 surgiram muitos grupos de activistas de esquerda em ambientes universitários e académicos, com seu apogeo na luta pacifista contra a Guerra do Vietname. Ao entrar em decadência esse movimento, alguns de seus membros fundaram pequenos partidos maoístas e de outra índole comunista; mas muitos moderaram suas ideias e terminaram afiliándose ao Partido Democrata. Opõem-se radicalmente à Guerra do Iraque, e à política económica conservadora (a que em outros países os progressistas chamam depreciativamente neoliberal); também crítican a excessiva influência das corporaciones (grandes empresas privadas) na política estadounidense. Os progressistas querem manter impostos mais altos e aumentar em vez de reduzir a despesa em programas sociais. Os senadores e representantes democratas progressistas no Congresso dos Estados Unidos agrupam-se em um poderoso grupo de pressão chamado Congressional Progressive Caucus (Caucus Congresional Progressista)[2] que é o principal instrumento dos progressistas para influir no partido. Os democratas progressistas também se reúnem em outras organizações políticas como a Progressive Democrats of America (Democratas Progressistas da América).[3]
Democratas Trabalhistas: são os trabalhadores sindicalizados e seus dirigentes. Os sindicatos dos Estados Unidos são controlados pelos democratas e seus líderes têm um grande peso no partido. Preocupam-se mais por defender reivindicações próprias do mundo sindical: um melhor salário mínimo, pensões mais altas e leis que obriguem aos patronos a financiar a maior parte do seguro médico de seus empregados. Pelo geral inclinam-se mais aos progressistas e aos liberais que aos centristas; mas colaboram com estes últimos quando é necessário para defender seus interesses.
Democratas Liberais: têm muitas coincidências com os progressistas, mas são menos radicais que estes; no entanto, a cada vez mais considera-se aos liberais integrados ou absorvidos pela asa progressista. São proteccionistas em matéria comercial internacional (ainda que eles dizem que só defendem o "Comércio Justo"); são mais estatistas em política económica que os centristas e por isso se opõem mais às políticas económicas conservadoras. Impostos mais altos e mais despesa pública parecesse estar entre suas metas. São menos militaristas em política exterior e levam-se melhor com a ONG que defendem os direitos humanos.
Também o factor geopolítico joga um papel destacado em relação a estas tendências ideológicas internas. Assim os políticos democratas dos estados progressistas ou liberais (aqueles onde a grande maioria da opinião pública é claramente progressista ideológicamente falando) tendem a ser mais progressistas e menos moderados para atrair aos votantes. Em mudança, naqueles estados que têm fama de conservadores (onde a maioria da opinião pública se inclina à centroderecha) os políticos democratas tendem a ser mais moderados para não perder votos em frente aos republicanos. Em outras palavras, naqueles estados que por ser progressistas são seus feudos naturais os democratas costumam ser mais iberales ou progressistas enquanto nos estados que por conservadores são os feudos de seus rivais republicanos os democratas se vêem forçados a ser mais moderados; tudo por razões de conveniencia eleitoral. De tal maneira que, por pôr um exemplo, no Partido Democrata de Massachusetts predominan os progressistas sobre os moderados enquanto no Partido Democrata de Texas é ao inverso. Ao Partido Republicano afecta-lhe o mesmo factor mas ao inverso quanto à polaridad conservador-progressista.