Partido político
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Um partido político é o encarregado de recrutar candidatos para ocupar os cargos governamentais e os cargos legislativos. Para isso, mobilizam o apoio eleitoral. Também organizam o labor legislativo, articulam e agregam novos interesses e preferências dos cidadãos.[1] É essencial para estruturar o apoio político a determinados programas, interesses socioeconómicos e valores. Agrega as preferências dos cidadãos, forma governos e estabelece acordos políticos no âmbito legislativo.[2]
Ideias partidárias
A cada partido possui uma ideologia que lhe dá clareza conceptual. Guia-o em sua acção política, esta se compõe em:
- Doutrinas: conjunto de crenças que se tomam como válidas.
- Teorias: sistematización explicativa, comprensiva e interpretativa da realidade.
- Plataforma: agrupamento dos principais problemas sociais, políticos e económicos.
- Programas: aqueles remédios para paliar os problemas.
- Consignas: slogans ou lemas característicos do partido.
Índice de centralidad dos partidos políticos
Este índice mede a capacidade dos presidentes e os dirigentes de impor disciplina em seus partidos; quando um presidente tem um partido centralizado, é muito provável que possa conseguir impor seu programa legislativo.[3]
A capacidade dos dirigentes ou dos candidatos presidenciais é um dos factores da centralidad. Quando os líderes determinam quem apresentar-se-ão como candidatos e seu lugar na lista eleitoral, os legisladores têm incentivos para aderir à linha dos partidos na legislatura.[4]
O segundo factor são as características do sistema eleitoral. Assim, a centralización é maior quando os legisladores são eleitos em distrito único; ou em grandes distritos com listas fechadas e bloqueadas.
O terceiro factor é a simultaneidad das eleições presidenciais e legislativas: os partidos são mais centralizados e os diregentes mais poderosos quando as eleições são simultâneas. Os outros factores são: o grau de autonomia das autoridades subnacionales, o grau de democracia interna nos partidos e a existência de eleições primárias.[5]
Funções dos Partidos políticos
- Socialización política e criação de opinião
- Harmonização de interesses
- Formação de elites políticas
- Canalización de petições da população para os poderes
- Reforço e estabilização do sistema político
Crescentes (quando fluem desde a sociedade ao Estado):
- Estructuración do voto: ordenam a multiplicidad de opções eleitorais.
- Mobilização e integração social: alentam a participação política, a participação às eleições e a assistência a actos públicos.
- Agregación de demandas: as sistematizan e priorizan. Harmonizam interesses sectoriais integrando em um programa comum.
- Fomentam a socialización política: transmitem princípios, projectos e ideias que propiciam a aprendizagem cívico.
- Criação e orientação da opinião política.
Descendentes (derivam da interacção com o governo):
- Reclutamiento, formação e selecção de potenciais líderes políticos.
- Garantem a renovação das autoridades mediante o consenso e a aceitação das regras da concorrência.
- Desenho, rastreamento e avaliação de políticas públicas.
- Controle dos representantes.
- Reforço e estabilização do sistema político.
Organização partidária
Robert Michels, desde um enfoque monocausal, propõe que a dimensão do partido político é a variável fundamental que define sua organização, dado que incide em:
- A Coesão interna: em formações políticas pequenas é mais fácil um acordo em torno de valores e objectivos. Mas se aumentam suas proporções terá uma maior heterogeneidad.
- O estilo político: os grandes agrupamentos são mais pragmáticas.
- A mobilização dos filiados: o tamanho varia em sentido inverso à participação.
- A burocratización: à medida que cresce a organização é mais notável a divisão do trabalho. Fomentam-se as desigualdades internas em pos da eficiência do partido.
Panebianco considera que não se pode estabelecer um nexo tão rígido de causalidad. Afirma que os factores que definem o perfil da organização partidária e permitem conhecer suas expectativas de sobrevivência ou sucesso são:
- Concorrência: medida na que se converte em um actor indispensável para desempenhar um papel determinado.
- Gestão das relações com o meio: capacidade de adaptação, aptidão para formular estratégias de negociação, estabelecer alianças e conflitos com outras organizações.
- Comunicação: controle exercido sobre os canais de informação internos e externos.
- Regras formais: é importante conhecer quem têm faculdades para modificar as normas, os possíveis desvios e o grau no que se cumprem os estatutos.
- Financiamento: é um assunto muito polémico. Existem diferentes critérios, alguns afirmam que deve ser pública só durante as campanhas eleitorais para garantir a participação de todos os partidos. Outros consideram que o Estado tem que se ocupar de todas as despesas para sua manutenção e funcionamento. Isto afectaria sua independência. Quem inclinam-se pelo financiamento privado sustentam que os custos económicos devem ser solventados pelos cidadãos interessados. Podem-se adoptar medidas negativas de limitação directa (estabelecendo um máximo de despesas permitidos) ou indirecta (obrigá-los a dar publicidade da origem dos recursos e de sua finalidade); ou medidas positivas de prestação directa (subvención de actividades) ou indirecta (ajudas como destinar espaços gratuitos na televisão pública para os partidos). A contribuição pode ser com base nos cargos obtidos ou em função da percentagem de votos recebidos com independência de se tem conseguido ou não representação. O mais adequado é combinar ambos critérios.
- Reclutamiento: definição dos requisitos de admisión, carreira e permanência.
Composição dos partidos políticos
- Dirigencia: concentra os recursos de poder e representa o centro da organização. Distribuem incentivos e interactúan com outros actores finques dentro do sistema. Tomam as decisões principais
- Candidatos: potenciais ocupantes dos cargos públicos electivos, já sejam de carácter executivo ou legislativo. São seleccionados pelos demais membros do partido.
- Burocracia: corpo administrativo.
- Técnicos e intelectuais: asesoran permanentemente aos dirigentes, colaboram na redacção de projectos e assistem aos candidatos em épocas de campanha eleitoral.
- Militantes: membros que participam activamente e de modo constante.
- Filiados: estão inscriptos no padrón do partido e contribuem a seu financiamento através de quotas periódicas, limitam sua participação à eleição interna dos candidatos e autoridades.
- Ademais no exterior do partido podem encontrar-se simpatizantes: mostram-se favoráveis a seus princípios mas mantêm-se apartados da organização colaborando com seus votos e opiniões.
Financiamento
Nos tempos actuais, os recursos monetários têm uma grande importância como as campanhas são mais caras. Isto é pelo maior uso da publicidade televisiva, assessores, encuestas de opinião e grupos focais. No entanto, a redução das quotas reduziu-se: é por isto que, na actualidade, os recursos monetários são uma importante ferramenta para influir nas autoridades políticas.[6]
Em alguns países de Latinoamérica, o financiamento o Estado contribui com o financiamento dos partidos políticos ou apoiam-nos indirectamente. É comum que se exiga certos requisitos tais como ter uma determinada quantidade de votos ou representação parlamentar para aceder aos recursos; isto pode pesar também na quantidade de fundos atribuídos; estes fundos são desembolsados segundo um calendário. Em certos casos, proíbe-se as contribuições privadas dos partidos de determinadas fontes como também se pode pôr um limite aos fundos doados. Alguns países dão facilidades para o acesso dos partidos aos meios de comunicação. Finalmente, é comum que existem organismos de controle dos processos eleitorais bem como mecanismos de sanção.[7]
Origem dos partidos políticos
Sempre têm existido grupos que diferem a respeito do modelo de convivência e que competem uns com outros, mas os partidos políticos com uma organização e função específica surgem em meados do século XIX como consequência do regime democrático representativo e da expansão do sufragio. Desde um enfoque institucional Maurice Duverger diferença:
- Partidos de criação interna: nascem no seio do Parlamento. Em um princípio apresentaram-se como facções que se disputavam o poder, por ej. os Tories (conservadores) e os Whigs (liberais) na Inglaterra. Tinham uma connotación negativa, achava-se que actuavam em desmedro do bem comum perseguindo interesses egoístas. Mas com o tempo torna-se evidente a imposibilidad de manter uma relação directa entre o povo e seus representantes. Para responder às novas demandas sociais requer-se uma maior organização. Passam de um palco de inorganicidad a outro crescentemente orgânico.
- Partidos de criação externa: surgem a partir da luta pela extensão dos direitos políticos entre fins do século XIX e começos do século XX. Aparecem estreitamente vinculados com grupos que realizavam suas actividades fosse do Parlamento como os sindicatos, entidades religiosas e jornais. Por ej. o Partido Laborista Britânico.
Em mudança desde um enfoque sociológico ou genético adquirem relevância certas divisões sociais estruturais acaecidas durante o processo de formação dos Estados nacionais e da economia moderna. Destacam-se dentro desta corrente Seymour Lipset e Stein Rokkan , quem desenvolvem a teoria dos cleavages históricos. Referem-se a quatro fisuras importantes:
- Conflito entre países centrais e periféricos: diversas populações resistem-se às imposições linguísticas, religiosas ou políticas das grandes potências colonizadoras. Surgimiento de partidos regionais que reivindicam a identidade cultural de certos grupos.
- Problemas na relação Igreja e Estado: disputam-se o controle da educação e o ordenamento das demandas sociais. Formação de partidos confesionales e laicos.
- Diferenças entre o campo e a cidade: emergem partidos urbanos e agrários.
- Tensões entre capitalistas e trabalhadores: a defesa da propriedade e a livre empresa enfrentam-se aos reclamos dos sindicatos. Nascem os partidos socialistas e os movimentos operários. Consolida-se a distinção entre partidos de direita e de esquerda.
Tipos de partidos políticos
Richard Gunther e Larry Diamond propõem-se como objectivo reordenar as tipologías mais importantes. Conseguiram diferenciar cinco géneros:
1) Partidos de notáveis: nascem entre princípios e mediados do século XIX na Europa, no marco de regimes semidemocráticos e de sufragio censitario. Contavam com estruturas organizacionales mínimas, assentadas sobre redes interpersonales no seio de um âmbito geográfico reduzido. Debilmente ideologizados. Baseados na distribuição de benefícios particulares aos residentes. Se subdividen em partidos de notáveis e clientelistas.
2) Partidos de massas: surgem a fins do século XIX e começos do XX na Europa, estendem-se na actualidade a países asiáticos e africanos. Caracterizam-se por ter uma organização sólida e uma ampla base de filiados que contribuem economicamente ao partido. Mantêm laços fortes com organizações externas como sindicatos, entidades religiosas e meios de comunicação. Classificam-se em: nacionalistas (pluralistas ou ultranacionalistas) socialistas (social-democratas ou leninistas) e religiosos (confesionales ou fundamentalistas).
3) Partidos étnicos: conformam-se principalmente na etapa da descolonización dos anos 60’ e 70’. Carecem de uma organização demasiado estendida e sofisticada. Não têm estruturas programáticas que incorporem a toda a sociedade. Utilizam geralmente a via eleitoral para conseguir benefícios particularistas para seus seguidores.
4) Partidos electoralistas: consolidam-se na década do 70’ no marco da expansão dos meios de comunicação e o declive do Estado de Bem-estar. São organizacionalmente débis ainda que desenvolvem uma grande actividade durante as campanhas eleitorais. Distinguem-se: os partidos atrapatodo, programáticos e os personalistas.
5) Partidos movimentistas: surgem no seio das democracias postindustriales. Adoptam características diversas dependendo do contexto. Abarca os partidos libertarios de esquerda que se baseiam na ideia de consenso negativo”, isto é que abarcam uma base de seguidores heterogénea mas substancialmente posicionada sobre diferentes temas. Por ej. o Partido Verde alemão. Também inclui aos de extrema direita cujo núcleo ideológico está relacionado com a busca de princípios como a ordem, a tradição, a identidade e a segurança. Estes últimos são hostis com outros partidos, com o Estado e o sistema em general; existem alguns princípios xenófobos e racistas. Por ej. o Partido Nacional na França.
Legislação vigente
Argentina
Na Argentina os partidos políticos estão regulados basicamente pelo artigo 38 da Constituição e a Lei Orgânica dos Partidos Políticos Nº 23.298.[8]
A Constituição da Nação Argentina no artigo 38 estabelece que os partidos políticos são de criação livre, que o Estado os deve apoiar economicamente e que a sua vez deve garantir:
- Uma organização democrática
- Representação das minorias
- Concorrência para a postulación de candidatos
Assim mesmo, os partidos deverão fazer público seu património.
Espanha
Em Espanha existem duas leis orgânicas que são as principais à hora de regular a questão dos partidos políticos. São a Lei Orgânica 6/2003, de 28 de junho, de Partidos Políticos e a Lei Orgânica 1/1910, de 5 de julho, sobre Financiamento dos Partidos Políticos.
Veja-se também
Partidos políticos do mundo
- Partidos políticos na África
- Partidos políticos na América do Norte
- Partidos políticos em América do Sul
- Partidos políticos em Centroamérica e as Caraíbas
- Partidos políticos na Ásia
- Partidos políticos na Europa
- Partidos políticos na Oceania
Referências
- ↑ (2006) A política das políticas públicas, Banco Interamericano de Desenvolvimento, p. 32. ISBN 1597820091 9781597820097.
- ↑ J Mark Payne; Inter-American Development Bank.; International Institute for Democracy and Eleitoral Assistance.; et a o; (2005). A política importa : democracia e desenvolvimento na América Latina, Banco Interamericano de Desenvolvimento, p. 165. ISBN 1931003459 9781931003452.
- ↑ (2006) A política das políticas públicas, Banco Interamericano de Desenvolvimento, p. 41. ISBN 1597820091 9781597820097.
- ↑ (2006) A política das políticas públicas, Banco Interamericano de Desenvolvimento, p. 41. ISBN 1597820091 9781597820097.
- ↑ (2006) A política das políticas públicas, Banco Interamericano de Desenvolvimento, p. 42. ISBN 1597820091 9781597820097.
- ↑ J Mark Payne; Inter-American Development Bank.; International Institute for Democracy and Eleitoral Assistance.; et a o; (2005). A política importa : democracia e desenvolvimento na América Latina, Banco Interamericano de Desenvolvimento, pp. 214-216. ISBN 1931003459 9781931003452.
- ↑ J Mark Payne; Inter-American Development Bank.; International Institute for Democracy and Eleitoral Assistance.; et a o; (2005). A política importa : democracia e desenvolvimento na América Latina, Banco Interamericano de Desenvolvimento, p. 218-225. ISBN 1931003459 9781931003452.
- ↑ Lei Orgânica dos Partidos Políticos Nº 23.298,actualizada pela lei 25.600 sancionada no ano 2002. (Argentina), Infoleg
Bibliografía
- Duverger, Maurice. 1957. Os Partidos políticos. Fundo de Cultura Económica, México D.F.
- Luís Aznar - Miguel De Luca (Coordenadores) “Política, Questões e Problemas”. Capítulo 6: “Partidos políticos e sistemas de partidos” de Luciana Cingolani. Buenos Aires, Editorial emecé, 2006.
- Robert E. Dowse - John A. Hughes “Sociologia Política”. Capítulo 11: “Organizações políticas, I: Partidos”. Madri, Aliança Editorial, 1975.
- Román Castro (Coordenador) “Temas chave de Ciência Política”. Capítulo 4: “Partidos políticos e sistemas de partidos” de Miguel González Tornés. Barcelona, Edições Gestão 2000 S.A., 1995.
- Julio Pinto Introdução à Ciência Política”. Capítulo 7: “Os partidos políticos” de Andrés Malamud. Editorial EUDEBA, 1995.
- Mario Justo López “Introdução aos Estudos Políticos”. Capítulo 14: “As forças políticas”. Editorial Depalma.
- Koessl, Manfredo (2005) “Problemas de contabilización dos partidos políticos”. Revista Estudos Politicos N° 27. Universidade de Antioquia, Colômbia. [1]
Enlaces externos