Paulino Masip Rocha (Granadella, Lérida, 11 de maio de 1899 - Cholula, Povoa, México, 21 de setembro de 1963 ), narrador, autor dramático e roteirista cinematográfico espanhol da Geração do 27.
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Estabelecido em Logroño desde 1905 com seus pais e quatro irmãos, aprende o espanhol, língua na que escreverá em adiante; ali estudou e concluiu a carreira de Magisterio em 1919. Pouco depois de cumprir vinte anos transladou-se a Paris, onde viveu e trabalhou até 1921. A seu regresso a Espanha entrou em contacto com a poderosa editorial Espasa-Calpe de Madri, para a que traduziu alguns livros. Em Logroño ajudou a fundar o Ateneo riojano e foi sua vogal em letras e secretário. Ali fundou, com a ajuda de seu pai, um intelectual liberal, e dirigiu entre 1924 e 1925 O Heraldo da Rioja, e fundou e dirigiu também entre 1926 e 1928 O Heraldo Riojano. Mas sua oposição à ditadura de Miguel Primo de Rivera valeu-lhe um sinnúmero de multas governamentais que afogou economicamente a empresa até seu fechamento. Então viaja a Madri com a ideia de dedicar ao jornalismo. Em 1930, inicia sua relação com escritores de sua geração, como Manuel Andújar e Alejandro Casona, entre outros. Trabalha na revista Estampa, atinge a Jefatura de Redacção do diário Agora e em 1933, depois de ser seu crítico teatral, é nomeado director da Voz de Madri, o mais jovem de Espanha. Depois regerá O Sol, todos eles republicanos e liberais. Frequenta as tertulias de José Ortega e Gasset na Granja do Henar e a do Café Regina, presidida por Manuel Azaña.
Dantes da guerra civil estreia Dúo e suas obras posteriores, as comédias A fronteira (1934) e O báculo e o paraguas (1936) são representadas no Teatro Cervantes e o Teatro da Zarzuela. Durante a contenda abandona Madri, instala-se em Valencia e, finalmente, em Barcelona, onde dirige A Vanguardia entre 1937 e 1938. Nesse mesmo ano é nomeado agregado de imprensa em Paris pelo ministro de Assuntos Exteriores. O Governo de México costea sua viagem ao exílio, o de sua família, em maio de 1939 junto a outros onze intelectuais como José Bergamín. Na travesía escribre Cartas de um espanhol emigrado. A sua chegada a México em 1939 integrou-se ao S.E.R.E., organização de ajuda aos refugiados políticos espanhóis. Dirigiu o Boletim do Comité Técnico de Ajuda aos Republicanos Espanhóis. Colaborou na revista Amanhã; publicou suas Cartas a um espanhol emigrado (1939) e se naturalizó mexicano em 1941. Em México alternou o teatro, a novela e o relato curto com a escritura de guiões cinematográficos, a adaptação e tradução de textos. Também possui obra em verso. Foi também asiduo colaborador das revistas do exílio mexicano (Romance, Espanha Peregrina, Litoral, As Españas). No entanto nesta etapa a literatura passou a um segundo lugar; não em vão Max Aub afirmou que lho tinha engolido o cinema porque, dramaturgo e jornalista de prestígio, novelista prometedor, se consagrou já quase com total exclusividad a ser roteirista e dialoguista cinematográfico, o que alternará com suas críticas em Cinema Reporter. Para o cinema mexicano escreveu Masip mais de cinquenta guiões, a julgamento de Román Gubern, desde 1941, quando escreveu o do barbero prodigioso, filme que dirigiu Fernando Costumar. Entre eles estão O verdugo de Sevilla (1942), também de Fernando Costumar, adaptação de uma obra de Pedro Muñoz Seca; O que vai de ontem a hoje (1945), Não basta com ser charros (1945) e Os maderos de San Juan (1946), de Juan Bustillo Oro; Jalisco canta em Sevilla (1948), coproducción hispanomexicana dirigida por Fernando de Fontes e protagonizada por Jorge Negrete; Eu sou charro de levita (1949), de Gilberto Martínez Solares; Crime e castigo (1950), de Fernando de Fontes, adaptação da novela de Dostoievski ; A devoradora (Dir. Fernando de Fontes, 1946) Aí vem Martín Coroa (Dir. Miguel Zacarías, 1951) e Escola de vagabundos (Dir. Rogelio A. González, 1954), três filmes protagonizados por Pedro Infante. Também assinou o guião da barraca (1944), filme baseado no texto de Vicente Blasco Ibáñez e dirigida por Roberto Gavaldón com uma equipa técnica integrado quase exclusivamente por espanhóis, e Canção de berço, obra de teatro de María da Ou Lejárraga. Adaptou ao teatro O escândalo, de Pedro Antonio de Alarcón. Morreu em México o 21 de setembro de 1963.
Cultivou sobretudo o teatro, o guião e a narrativa com um sesgo intelectual e humorístico. Como tradutor verteu obras de Charles Nodier. A obra mais famosa de Paulino Masip é a novela O diário de Hamlet García (1944), reimpresa em 1987 em Espanha com grande sucesso. Considera-se a esta obra uma de melhore-las sobre a guerra civil. Adopta a forma de diário para narrar as aventuras do protagonista desde o 1 de janeiro de 1936 até um dia indeterminado deste mesmo ano, para descrever a evolução psicológica do galdosiano personagem que brinda sua própria caracterização: "Chamo-me Hamlet. Sou professor ambulante de metafísica". Paralelo é o desenvolvimento da contenda bélica em Madri, que fica definido em suas poucas aventuras exteriores e em suas constantes análises introspectivos. Como a personagem homónimo de Shakespeare , é um ser atribulado por suas dúvidas; ante o acontecimento bélico permanece à margem sem encontrar a resposta para explicar-se as mudanças de sua vida, mas outras personagens servem de contrapunto a sua vida de pequeno burgués, alguns inolvidables, como Adela, Daniel e Eloísa, a Cloti, oferecem uma dimensão das vicisitudes de um Madri em pé de guerra e açoitado pelas bombas dos aviões fascista: "Madri se ensombrece mais. De dia a cidade está exasperada; de noite, a escuras, geme estremecida de maus sonhos interrompidos". Por seu rigor narrativo e estilístico e sua densidade intelectual, não é uma novela mais ao uso sobre a guerra civil, pois para além de seu carácter histórico destaca a pusilanimidad e a covardia daqueles intelectuais que em frente à revolução são incapazes de actuar, isto é, de tomar partido pela razão histórica.
Sua segunda novela, A aventura de Marta Abril (México: Stylo, 1953), é uma biografia desenfadada de um bellezón ligeiro de capacetes, na melhor tradição da picaresca, nas antípodas do apocado e dubitativo Hamlet García de sua obra maior.
O báculo e o paraguas é uma peça teatral estreada em 1936 que responde aos moldes do teatro de Jacinto Benavente: a comédia burguesa e da peça bem feita. Seu interesse radica em sua preocupação feminista. A mulher, neste caso, a protagonista, decide como Nora em Casa de bonecas de Henrik Ibsen, seu próprio destino na contramão das imposições de seu meio social e familiar.
O emplazado é uma farsa sobre um homem de negócios desahuciado pelos médicos. Abandona os negócios e, depois de várias aventuras amorosas, descobre em um dia o verdadeiro amor e, com isso, a verdade de si mesmo; o, humor serve de contrapunto ao convencionalismo argumental.