Pedro Antonio Urbina (Lluchmayor (Ilhas Baleares), 26 de setembro de 1936 – Madri, 31 de julho de 2008 ) foi poeta, escritor, critico de cinema e tradutor espanhol.
Pedro Antonio Urbina nasceu em Lluchmayor, (ilha de Mallorca ), o 26 de setembro de 1936, iniciando ali seus primeiros estudos, que foram continuados posteriormente em San Sebastián, Tudela (Navarra) e Pamplona, onde terminou o Bachillerato. Obteve diversas licenciaturas: a licenciatura em Direito na Universidade de Barcelona, a de Filosofia e Letras na Universidade Complutense de Madri, e a de Filosofia na Universidade de Navarra; e dois doctorados: Doutor em Filosofia na Universidade Lateranense (Roma); e Doutor em Direito na Universidade Complutense (Madri).
Durante seus estudos universitários criou, junto com outros colegas, diversas revistas universitárias, concretamente: Comptos e Diagonal. Nesses mesmo anos, obteve diversas bolsas para estudar idiomas em: Dublín, Lovaina, Paris e Roma. Na Cidade Eterna viveu três anos. Ali obteve o título de Doutor em Filosofia na Universidade Lateranense. De regresso a Espanha, foi Ayudante de Filosofia do Direito na Universidade Complutense de Madri, onde obteve o título de Doutor em Direito.
Sua actividade profissional tem sido muito variada: crítico de arte em revista-a Artes; assessor do Museu de Arte Contemporâneo de Madri, onde entre outras, organizou a magna exposição “San José na Arte espanhola”; fundador de revista-a Integração das Artes, junto com outros artistas; leitor-assessor no Departamento de Estudos Bibliográficos, uma revendedora de livros; professor de Literatura e de Filosofia -nível preuniversitario- no Colégio Tajamar (Madri), onde colaborou na criação da revista literária A Carreta; roteirista em Rádio Nacional de Espanha (programa infantil: Dola, Dola, Atira a bola) e de Radiotelevisión Espanhola (programa infantil: Um balão, dois balões, três balões), e em programas dramáticos com adaptações de novelas e relatos, como, entre outros, “O sombrero de três bicos” e “A pródiga” de Pedro Antonio de Alarcón. Mais tarde, dedicou-se à tradução e à adaptação de livros, tarefa que continuou até sua fallecimiento; conferenciante e professor tanto em cursos universitários de verão como em diversos centros culturais. Colaborou como columnista e crítico literário em muitos e diferentes jornais e revistas: desde Novo Diário, Acima, e revista-las Índice, Reseña ou ABC Cultural, até a Agência Aceprensa, na que realizou críticas de livros e de cinema. Durante os últimos anos de sua vida era crítica de cinema em Bicha Sete.
Também tem traduzido mais de uma dúzia de livros, como O cavalo Vermelho, de Eugenio Corti, Cruzando a ombreira da Esperança de Juan Pablo II, ou Os quatro amores de C.S. Lewis. A crítica literária e a edição de obras clássicas têm sido outras tarefas habituais de Pedro Antonio Urbina.
Urbina é, dantes que nada escritor. Tem publicado mais de 30 livros, cultivando a novela (9 títulos; o último O misterioso caso do poderoso milionário), o teatro (O seductor), a poesia (11 obras; a última Incesante clamor), os contos infantis (4), a biografia (4), e o ensaio (2).
Suas novelas têm sido galardoadas em várias ocasiões. Obteve o Prêmio Editora Nacional de 1973 por Uma das coisas. Foi finalista do Premeio Planeta, com Jantar Nu, em 1967; do Elisenda Montcada, com O carromato do circo, em 1968; e do Nadal de 1972 com Gorrión solitário no tejado.
Na década dos anos setenta obteve uma bolsa do Ministério de Cultura da Dinamarca, e fruto de sua estadia em Copenhague publicou sua peça dramática, uma obra teatral sobre Sören Kierkegaard, titulado O Seductor. Em 1976 publica dirigido ao público juvenil A outra gente, uma série de narrações breves tratadas com pinceladas, mas que ocultam uma intenção trascendente. Em 1979 a Fundação Juan March, concedeu-lhe uma bolsa para escrever a novela Calcadas de gaviotas sobre a areia. Em 1983 recebeu uma ajuda à criação literária do Ministério de Cultura, com a que escreveu a novela O trébol de três folhas.
Desde sua fundação em 1987, tem colaborado com seu assessoramento na revista literária Númenor (Sevilla), onde também publicou artigos, relatos e poemas.
Em 1988 publica-se seu ensaio metafísico mais profundo: Filocalia ou amor à beleza, no que mostra livremente sua reflexão filosófica sobre as vinculações entre verdade, beleza e arte. Ensaio valente, desconcertante e pessoal, que não deixou de escandalizar a muitos. O pensamento de Urbina tem ido contra corrente, provavelmente também porque de maneira muito arriscada, profunda e original está impregnado de um cristianismo que dá conta e razão das eternas perguntas a respeito da íntima nostalgia dessa beleza superior que nunca abandona ao ser humano.
Em 1992, convidado pela Universidade de Berkeley (Califórnia), deu ali um curso especial sobre a poesia de Juan Ramón Jiménez, que posteriormente se viu publicado como ensaio em edições da Universidade de Navarra com o título Atitude modernista de Juan Ramón Jiménez, e com prólogo do filósofo Antonio Millán-Puelles, catedrático de Universidade.
Uma de suas novelas Jantar nu mereceu figurar na pré-seleção (Diário O Mundo) das 100 melhores novelas escritas em espanhol no século XX.
Suas novelas têm sido estudadas em diferentes trabalhos universitários; vários de seus poemas acham-se em muito diversas antologías, como na de Antología Geral de Adonais (1969-1989), prologada por Luis Jiménez Martos (Rialp); e sua obra literária está recolhida e comentada no Dicionário de literatura espanhola e hispanoamericana, de Ricardo Gullón (Aliança), bem como em diversos livros de história da literatura espanhola, como A novela espanhola contemporânea, de Eugenio de Nora (Gredos); História da literatura espanhola, coordenada por J.M. Díez Borque (Guadiana); História da literatura do século XX coordenada por Javier Gutiérrez Palácio (TEMPO); Narrativa espanhola, 1940-1970, de Rodrigo Loiro (EPESA); No século XX: literatura actual, de Santos Sanz Villanueva (Ariel); O comentário de textos 2: de Galdós a García Márquez, de Andrés Amorós (Castalia); e muitos outros.
Em 2010 a editorial Palavra publicou, como obra póstuma, o livro Memórias e outras vidas, nos que se recolhem alguns de seus contos inéditos nos que destacam alguns de lso aspectos mais influentes de seu trabalho: sua origem mediterráneo, a infância, o bem e o mau, a beleza...
(13 de fevereiro de 1989)
O silêncio é a tela
no que a cor das notas
fere;
cascata de som, catarata
de água, entre as peñas, longe,
na quietude;
paz na alma é,
e um pálpito pausado soa
dentro;
alvo é o silêncio
—extensa e limitada estadia aberta—
quando do Amor caem gotas,
de seu coração vivo,
sobre a neve… eterna…
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