Visita Encydia-Wikilingue.com

Pintura rupestre

pintura rupestre - Wikilingue - Encydia

Pintura rupestre em Castellón (Comunidade Valenciana), Espanha.

Uma pintura rupestre é todo o desenho ou esquema prehistórico existente em algumas rochas e cavernas. O termo «rupestre» deriva do latín rupestris, e este de rupes (rocha), ainda que também é sinónimo de primitivo. De maneira que, em um sentido estrito, rupestre faria referência a qualquer actividade humana sobre as paredes de cavernas, covachas, abrigos rocosos e, inclusive farallones ou barrancos, etc. Desde este aspecto, é praticamente impossível isolar as manifestações pictóricas de outras representações da arte prehistórico como os gravados, as esculturas e os petroglifos, gravados sobre pedra mediante percussão ou erosión. Ao estar protegidas da erosión pela natureza do suporte, as pinturas rupestres têm resistido o passar dos séculos.

Trata-se de uma das manifestações artísticas mais antigas das que se tem constancia, já que, ao menos, existem depoimentos datados até os 40.000 anos de antigüedad, isto é, durante a última glaciación. Por outra parte, ainda que a pintura rupestre é essencialmente uma expressão espiritual primitiva, esta se pode localizar em quase todas as épocas da história do ser humano e em todos os continentes excetuando a Antártida. As mais antigas manifestações e as de maior relevância encontram-se em Espanha e França. Correspondem-se com o período de transição do Paleolítico ao Neolítico. Do primeiro dos períodos citados são as extraordinárias pinturas da Gruta de Altamira, situadas em Santillana do Mar, Cantabria (Espanha).

Estas pinturas — e as outras manifestações associadas — revelam que o ser humano, desde tempos prehistóricos, organizou um sistema de representação artística, se crê, em general, que se acha relacionado com práticas de carácter mágico-religiosas para propiciar a caça. Dado o alcance cronológico e geográfico deste fenómeno, é difícil, por não dizer, impossível, propor generalizações. Por exemplo, em certos casos as obras rupestres dão-se em zonas recónditas da gruta ou em lugares dificilmente acessíveis; há outros, em mudança, nos que estas estão à vista e em zonas expeditas e despejadas. Quando a decoración está apartada dos lugares ocupados pelo assentamento se propõe o conceito de santuário cujo carácter latente sublinha seu significado religioso ou fora do quotidiano. Nos casos nos que a pintura aparece em contextos domésticos é necessário replantear esta noção e considerar a completa integração da arte, a religião e a vida quotidiana do ser humano primitivo.

Conteúdo

Temática, cores e técnicas sobresalientes

Nas pinturas rupestres do Paleolítico simbolizam-se animais e linhas. No Neolítico representavam-se animais,seres humanos, o médio ambiente e mãos, representando ademais o comportamento habitual das colectividades e sua interacção com as criaturas do meio e seus deidades. Entre as principais figuras presentes nestes grafos encontramos imagens de bisontes , cavalos, mamuts, ciervos e renos, ainda que as marcas de mãos também ocupam uma percentagem importante. Frequentemente mostram-se animais feridos com setas. Os motivos e os materiais com que foram elaboradas as diferentes pinturas rupestres são muito similares entre si, apesar dos milhares de quilómetros de distância e milhares de anos no tempo. Todos os grupos humanos que dependiam da caça e recolección de frutos efectuaram este tipo de trabalho pictórico, a pintura solia estar feita com sangue de animais.


Na pintura rupestre geralmente usavam-se um ou duas cores, incluindo alguns negros, vermelhos, amarelos e ocres. As cores também chamadas pigmentos eram de origem vegetal como o carvão vegetal, de fluídos e desechos corporales como as fezes, compostos minerales como a hematita, a arcilla e o óxido de manganês, misturados com um aglutinante orgânico resina ou gordura.

As grutas localizam-se totalmente baixo o solo e em consequência acham-se em uma escuridão quase completa. Acha-se que os antigos artistas se auxiliaban com uns pequenos lustres de pedra cheias de gordura animal.

As cores se untaban directamente com os dedos, ainda que também se podia cuspir a pintura sobre a rocha, ou se sopravam com uma cana oca finas linhas de pintura. Em ocasiões os pigmentos em pó esfregavam-se directamente na parede e assim mesmo podia-lhos misturar com algum aglutinante e aplicar com canas ou com pinceles rudimentarios. Como lápis se usavam ramos queimados e bolas de colorante mineral aglutinadas com resina. Às vezes aproveitavam-se desniveles e hendiduras da parede para dar a sensação de volume e realismo.

Com frequência as silhuetas animais marcavam-se ou raspaban para gerar incisiones e assim produzir um contorno realista e notorio na rocha.

A idade das pinturas permanece em muitos lugares arqueológicos como um grande interrogante, já que os métodos para a determinar, como o do Carbono-14, podem facilmente levar a resultados erróneos pela contaminação do material avaliado, e também porque as cavernas e superfícies rocosas apresentam protuberâncias nas que se alojan residuos de sujeira provenientes de diversas épocas. Para determinar a data de sua criação recorre-se a técnicas mais convencionais como datar imagens pelo tema representado. Por exemplo o reno desenhado na gruta espanhola da Gruta das Moedas, cuja origem estimada corresponde à última glaciación. Os yacimientos de pinturas rupestres dão-se com maior frequência entre França e Espanha, porque nestas zonas o homem encontrou um lugar mais propício para sobreviver às mudanças ambientais e ao crescimento demográfico.

África

Caça de búfalos,
Tassili n'Ajjer, Sáhara
Argélia
Figuras humanas em Twyfelfontein,
Namibia

Em Ukhahlamba-Drakensberg, África do Sul encontram-se pinturas de aproximadamente 3.000 anos de antigüedad atribuídas às tribos de San, quem estabeleceram-se na região faz uns 8.000 anos. Nas pinturas aparecem seres humanos e animais, que possivelmente acha relacionado com práticas de carácter mágico para propiciar a caça.

A maior quantidade de pinturas rupestres no continente áfricano encontram-se na região de Twyfelfontein (Namibia). Nas afueras de Hargeisa em Somalia descobriram-se recentemente pinturas que mostram aos antigos habitantes pastoreando ganhado. Outras pinturas podem achar nas grutas das montanhas de Tassili no sudeste de Algeria, em Akakus, e em outras regiões do Sáhara como os montes Ayr. Também em Tibesti , Chade e em Níger.

Na região de Fezzan e no sul argelino, podem-se distinguir três fases de elaboração de pinturas rupestres:

Figuras humanas sobre rocha,
Zimbabue

América

Na América a extensão continental e a multiplicidad de ambientes e culturas prehistóricas faz difícil uma abstracção que permita caracterizar genericamente.

Uruguai

Em 1875, quatro anos dantes da descoberta na Europa das pinturas de Altamira (inicialmente não consideradas como arte prehistórico) um engenheiro espanhol Barrial Posadas no Uruguai, copiava cuidadosamente os desenhos que via em uma enorme pedra e agregava depois ao pé da lâmina, sem nenhuma dúvida, que eles eram desenhos de índios".

Isto ocorria em um país como Uruguai, que desde o século passado se jactaba na América de não ter mais indígenas.

Depois deste primeira contribuição (que marca o nascimento da primeira etapa da arqueologia uruguaia), outros pesquisadores como Figuerido, Larrauri, De Freitas, Figueiras, Consens e Bespali, Pelaez e Consens têm trabalhado, publicando, revisando e descobrindo novos lugares no resto do país.

Como resultado dessas investigações, se conhecem hoje dezenas de lugares com pinturas e gravados. Os primeiros localizados ao sul do Rio Negro e os segundos ao norte.

Os gravados

Os gravados iniciaram-se entre os 6 a 8 mil anos dantes do presente, em um ambiente muito diferente ao actual. Por isso podemos ver como guanacos (hoje desaparecidos) e felinos aparecem em grandes blocos horizontais, junto a singelos desenhos geométricos. Milhares de anos mais tarde, nas mesmas áreas, gravam-se intrincadas figuras meándricas, junto a marcas de linhas paralelas e pontos agrupados.

Faz uns dois mil anos volta-se a gravar. Agora os desenhos se complejizan porque se reutilizam não só os lugares, senão também os mesmos blocos anteriormente gravados. Isto obriga aos pesquisadores a complexos trabalhos técnicos para recuperar a informação.

Por último faz uns mil duzentos anos, surge um estilo de desenhos esquemáticos tanto antropomorfos como zoomorfos, junto a uma técnica de gravado profundo e às vezes alisado. Alguns desses lugares recebem oferendas com carácter ritual.

As pinturas

As pinturas estão realizadas nas paredes verticais de enormes blocos de granito, que emergem como grandes monumentos nas amplas praderas onduladas do sul do Uruguai.

Conservam-se ainda hoje umas quarenta destes lugares com um grau de percepción visual aceitável. Enquanto em cerca de cem blocos, mal se vêem os restos dos que fossem importantes murales pintados. Algumas áreas dos departamentos de Flores, Flórida e Durazno deveram ser nessa época, verdadeiras exposições ao ar livre.

No mínimo começou-se a pintar faz uns dois mil quinhentos anos dantes do presente. Teve um período posterior ao redor do ano 1200, onde se volta a pintar, sobre a mesma base estilística de figuras geométricas. Mas agora se utilizam complexas formas fechadas, com importante variação dos desenhos internos.

Também nesse período se ensayan várias técnicas diferentes como o uso de pinceles finos (2 a 3 mm), a preparação da superfície prévio ao desenho, mãos em positivo e inclusive pintura em negativo. Há um especial cuidado em não sobreponer as pinturas, se cuidando o uso do espaço, como uma referência muito valiosa.

Ásia

Pintura rupestre em Bhimbetka

Encontraram-se pinturas rupestres em Tailândia , Malásia, Indonésia e Índia:

Europa

Península Ibéria

Animais pintados na gruta A Pileta (Málaga).

A península ibéria é um dos territórios onde podemos encontrar yacimientos prehistóricos do período paleolítico na Europa. Um destes lugares é a Gruta de Altamira localizada em Espanha. Nesta caverna existem umas cento cinquenta pinturas, distribuídas nos muros e no teto, mas o lugar mais importante da gruta é uma câmara de 5 metros, em onde os grafos se elaboraram no teto desnivelado, aproveitando assim as protuberâncias da superfície rocosa para dar relevo às figuras humanas e animais, especialmente bisontes -uns dezoito- em um grupo de grafos policromáticos de grande detalhe e realismo. As composições de Altamira carecem de um sentido de conjunto e muitas vezes as imagens foram sobrepostas sobre outras mais antigas, circunstância que confirma o propósito mágico-religioso e não meramente decorativo.

No epipaleolítico, entre Barcelona e Almería, existem decoraciones murales rupestres nas paredes de gruta com superfícies calcáreas e por sobre os 800 a 1000 metros de altura sobre o nível do mar, feitas por um povo nómada. Estas pinturas caracterizam-se por um realismo impressionante, considerando que foram criadas com ferramentas rusticas. Mostram um desenvolvimento estilístico que incorpora paulatinamente a abstracção, o detalhe esquemático, e um dinamismo extremo. Mas o que mais chama a atenção são os motivos antrópicos, incluindo homens vestidos com pantalones, ornamentados com plumas e armados com arcos, representando frequentemente cenas de caça. As mulheres utilizam saias e estão enfeitadas com plumas.

Durante o mesolítico, as comunidades humanas localizadas na península caracterizaram-se por desenvolver um nível de trabalho artístico mais avançado ao representar em imagens situações quotidianas como a caça, as lutas, os ritos e cerimónias. As primeiras pinturas deste tipo acharam-se no ano 1903 em Calapatá, mas também se originou nas províncias de Almería , Albacete, Castellón, Valencia, Lérida e Teruel. Estas grutas distinguem-se de muitas outras como são meros refúgios ao ar livre. Entre as manifestações mais impressionantes acha-se a de Cogul (Lérida), que representa uma cerimónia na qual um grupo de mulheres dançam com saias ao redor de um homem.

Em Portugal , Extremadura, Cádiz e a Serra Morena encontram-se as pinturas mais importantes de tendência abstrata, representando signos ideomorfos.

França

A elaboração de pinturas rupestres na França começou no ano 30.000 a. C. atribuídas à cultura auriñaciense na gruta de Aurignac. Atingiram seu máximo esplendor entre 14.000 e 13.000 anos a. C., na gruta de Lascaux descoberta por quatro adolescentes de etnia gitana. Nesta caverna são representados cavalos, ciervos e outros animais. As pinturas da gruta de Lascaux caracterizam-se por possuir contornos marcados com negros, para destacar a imagem e pós de cores, para realçar os efeitos cromáticos.

Oceania

Austrália

Na Austrália encontrou-se uma significativa quantidade de pinturas, cujos exemplos mais importantes estão no Parque Nacional Kakadu, uma grande colecção de pinturas a base de ocres. O ocre é um material não orgânico, por isso é impossível datar as pinturas com o procedimento de radiocarbono.

Veja-se também

Bibliografía

Enlaces externos

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/a/r/t/Encydia-Wikilingue%7EArt%C3%ADculos_solicitados_2358.html"