Ponta lítica
Folha de Laurel solutrense.
Para outros usos deste termo, veja-se Ponta.
Uma ponta lítica é um instrumento talhado em pedra (quase sempre sobre lasca ou folha lítica) com forma alongada, com um ápice terminal muito agudo mais ou menos paralelo a seu eixo de simetría. A forma de obter uma ponta lítica é extremamente variada, bem como sua função, ainda que esta última é, em quase todos os casos, a de servir como extremidade de uma lança, jabalina, seta ou outra arma de caça ou combate (ainda que há vários casos nos que se pôde determinar que as denominadas pontas eram, realmente, facas). Desde o ponto de vista técnico são inumeráveis as formas de obter o extremo aguzado, mas as mais básicas são:
- Ponta obtida directamente do suporte com a forma triangular já definida, sem necessidade de retoques; para o qual requer-se uma preparação prévia do núcleo que permita predeterminar a morfología do produto graças a um nervo central que conduz a fractura, por exemplo, a Ponta Levallois.
- Ponta constituída pela convergência em ângulo agudo de uma borda com retoque abrupto (ou borda abatida) com outra borda natural da lasca ou da folha suporte. A borda abatida pode ser rectilíneo, como ocorre com as Pontas da Gravette, ou curvo, como é o caso da Ponta de Chatelperrón. Este tipo de obter pontas também é habitual nos microlitos, como a australiana Ponta de Adelaida.
- Ponta constituída pela convergência aguda de duas bordas retocados macaco ou bifacialmente. Dependendo das qualidades do retoque há infinidad de variantes. Por exemplo, as Pontas Musterienses têm um retoque escamoso, enquanto as Pontas Solutrenses têm um retoque plano e cubriente.
Nesta grande categoria podem incluir-se muitos tipos de microlitos apontados, como faz Georges Rozoy e, por suposto as pontas de lança e de seta de todo o balão, sendo alguns dos exemplos mais representativos:
- Pontas triangulares, são as mais simples e as mais comuns, quiçá pela lógica de sua morfología. As primeiras são as chamadas Pontas musterienses que, apesar de seu nome, aparecem já no Paleolítico Inferior, ainda que são mais típicas do Paleolítico Médio. Parecida cronología têm as Pontas Levallois, ainda que sua fabricação é conceitualmente muito diferente. As pontas triangulares persistem ao longo da Prehistoria, encontrando instâncias de morfología triangular, mais alongada (Pontas da Gravette) ou mais curta (Pontas de O-Emireh e Pontas Azilienses, estas já epipaleolíticas).
- Pontas de Entalhe lateral, como as do Solutrense mediterráneo, as Pontas Kostienki do Paleolítico superior centroeuropeo ou as Pontas de Sandía do Paleoamericano. No Epipaleolítico europeu há uma ponta microlítica de entalhe lateral chamada Ponta Hamburguiense.
- Pontas foliáceas bifaciales, como as folhas de laurel solutrenses, as Pontas Szeletienses do Paleolítico médio terminal de Centro Europa, também no paleolindio de Norteamérica , a Ponta de Ágata Basin, etc.
Ponta de entalhe européia
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- Pontas de base cóncava, destacando muitos dos modelos de pontas de proyectil do paleoamericano: Ponta de Cumberland, Ponta de Midland, Ponta de Plainview... e, entre todas elas as pontas de Clovis e Folsom. Por sua vez, na Europa, relacionadas com as citadas pontas de Kostienki estão as Pontas de Markina-Gora. com forma triangular obtida com retoque cubriente e base cóncava. No Epipaleolítico do Próximo Oriente assinalamos a Ponta de Bou Saada, e em norte da África a de Aïoun Berriche e, na Europa a Ponta de Tardenois, entre outras.
- Pontas pedunculadas das que há dezenas de variantes dependendo do tipo de retoque, a presença ou não de barbatanas laterais, o tamanho e inclusive da morfología do pedúnculo. Entre outras podemos citar, entre as mais antigas, as pontas Levallois pedunculadas do Ateriense africano. No Paleolítico Superior, aparecem peças pedunculadas como a Ponta da Font-Robert do Gravetiense, ou as Pontas pedunculadas bifaciales do Solutrense espanhol ou a Ponta de Teyjat do Magdaleniense e, já na transição com o Epipaleolítico, a Ponta Ahrensburguiense. Com a invenção do arco e as setas durante o Mesolítico, aparecem numerosas pontas com algum tipo de lengüeta de enmangado que poderia entrar na consideração de pedúnculo para setas (a Ponta de Byblos no Próximo Oriente, a Ponta de Ounan no norte da África, a Ponta de Corgnac ou a de Lingby na Europa...). Deixaremos à margem as pontas de seta foliáceas, que têm uma tipología própria e que se tratam no artigo correspondente.
- Um caso especial, são as pontas de proyectil da etapa Paleoamericana, cuja zona de enmangue não pode ser qualificada como um simples pedúnculo, como está formada por uma ou dois entalhes enfrentados, que não formam uma autêntica lengüeta, senão que se parece mais a uma espátula ou a uma bicha de pescado; de facto é comum denominar algumas delas com esse sobrenombre: pontas de bicha de pescado americanas (Ponta de Scottsbluff, Ponta do Lago Borax, Ponta de Silver Lake, Ponta de Edén, Ponta de Mesa Verde, Ponta de Gruta Fell...); a maior parte delas puderam fazer parte de armas arrojadizas com ou sem arco (dependendo de suas dimensões). Ainda que muito diferente em sua fabricação e tamanho, também a de Ponta do Khiam, uma ponta de seta não bifacial, senão microlítica, do Epipaleolítico do Próximo Oriente, tem a zona de enmangue formada com dois entalhes contrapostos.
Obviando aqueles objectos líticos denominados pontas que tenham podido ser utilizados como facas, as pontas de proyectil também se fabricavam de hasta, marfil ou de osso, em cujo caso são denominadas azagayas ou arpones, ainda que como estão feitas em materiais perecíveis são menos abundantes nos yacimientos (isto não implica que seu uso fosse menos frequente). Em qualquer caso, se trata-se de armas arrojadizas, os arqueólogos tentam conhecer o médio de propulsão, distinguindo três modos básicos: lançamento directo com o braço (que é o que se dá até o Paleolítico superior), lançamento por médio de um propulsor, um instrumento prehistórico que servia para impulsionar venablos e que foi inventado independentemente no Velho Mundo e na América, onde costuma se empregar a denominação dos antigos mexicas, em língua náhuatl, isto é, Átlatl. Por último, estão as pontas de seta, evidentemente impulsionadas por um arco, igualmente inventado em numerosos lugares do mundo de forma independente (incluindo a América).
Bibliografía
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