| Presidente da Comissão Européia | |
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| Emblema da Comissão Européia | |
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José Manuel Barroso Desde 23 de março de 2004. | |
| Residência | Bruxelas |
| Designado por | Parlamento Europeu (maioria absoluta) a proposta do Conselho Europeu |
| Duração | 5 anos |
| Primeiro titular | Walter Hallstein |
| Criação | 1958 (entrada em vigor do Tratado de Roma) |
| Sitio site | ec.europa.eu/presidente |
O Presidente da Comissão Européia (também Presidente do Colégio de Comissários, ou Primeiro Comissário) é o mais alto servidor público executivo da União. Encabeça a instituição que detenta o braço executivo do poder comunitário. O Presidente dirige e coordena a acção política e a administração da Comissão Européia e supervisiona seus trabalhos. Dá instruções aos demais comissários e impulsiona a actividade do colégio. A instituição que preside, a Comissão, é a encarregada da execução do orçamento e as políticas, de elaborar em exclusiva os projectos legislativos e de velar pelo cumprimento efectivo do Direito nas condições estabelecidas pelos Tratados. O Presidente da Comissão representa à União ao mais alto nível exterior nas matérias alheias à PESC.[1] [2]
Conteúdo |
A história geral do cargo de Presidente está marcado por uma incuestionable tendência para a concentração do poder que os tratados atribuem à Comissão Européia na figura de seu Presidente, ao que se dota, primeiro de facto e depois através de seu reflito nos tratados, de crescentes faculdades de direcção interna e coordenação política. De acordo com esta progressiva implantação de um método presidencialista no funcionamento do Colégio, o Presidente da Comissão realoca seu papel político, desde o inicial de primus inter pares que se lembrava nos tratados de Paris e de Roma até o de verdadeiro chefe de gabinete ou chefe do executivo que configuram os tratados desde Maastricht em adiante, a cada vez mais acusadamente.
Com a criação da Alta Autoridade da CECA (Tratado de Paris de 1951) e a designação de um de seus membros como presidente, se deu origem a um modelo que, primeiro calcado nas outras duas comunidades européias (CEE e Euratom) e depois, graças ao Tratado de fusão das instituições assinado em Bruxelas em 1965, está na origem da actual instituição que conhecemos como Comissão Européia. No seio deste órgão colegiado, nomeado de comum acordo pelos Estados membros, distinguia-se a um de seus membros com a condição de presidente. Mas a escassa contemplación que desta figura faziam os tratados, somado à falta de vontade política dos governos nacionais de dotar de uma autoridade clara, pareciam apontar mais a um coordenador dos trabalhos do Colégio que a uma verdadeira autoridade política. Não obstante, dada a finalidade das Comunidades Européias, que superava a todas luzes a função de cooperação económica internacional que parecia desprender de sua letra e situava em uma integração política progressiva dos povos da Europa seu verdadeiro horizonte, desde cedo pôde se apreciar que tanto a Alta Autoridade/Comissão como seu presidente estavam revestidos de uma autoridade política e de vigilância moral mais rotunda da que previam os tratados. A isto quis se somar a designação para o posto de presidente de personagens dotados de relevância política e um forte compromisso europeu. Assim foi como se escolheu a Jean Monnet, inventor do método comunitário e possivelmente o mais relevante e empenhado construtor da Europa unida; para a presidência da Comissão da mais relevante das Comunidades, a CEE, escolheu-se ao decisivo ministro alemão de assuntos exteriores, o federalista Walter Hallstein.
No entanto, as tensões que causava a irrupción desta forma de gobernanza suprancional nos velhos Estados-nação europeus emergiriam significativamente em 1965 com dois acontecimentos relevantes, mas de signo oposto: a assinatura do Tratado de fusão das instituições das três Comunidades Européias em um sozinho corpo, e o despedimento do Presidente Hallstein, forçada pelo temível general De Gaulle. Efectivamente, poucos meses após seu despedimento, o Presidente da Comissão tinha submetido à consideração do Conselho seu Plano de Reforma Agrária e o governo francês tinha-se oposto vivamente. Aquele Plano, germen da política agrícola comum, estava destinada a converter no baluarte de um poder comunitário em auge, e com ele as concorrências da Comissão cresceriam consideravelmente. Ademais previa um sistema financeiro de recursos próprios para a Comunidade. A oposição de De Gaulle foi tal que o governo francês desertou de todas as reuniões do Conselho, impondo um veto indirecto ao faltar a unanimidade necessária. A resolução posterior deste confronto através do "Compromisso de Luxemburgo" não acalmou as iras do velho geral, e finalmente Hallstein demitiu.
Simultaneamente ao nascimento desta crise, os Seis assinaram em abril um Tratado pelo que convieram na fusão dos três executivos comunitários em uma sozinha Comissão, e das três nonatas assembleias parlamentares em uma sozinha câmara, e assim mesmo em criar um sozinho Tribunal de Justiça. Estas disposições, que entrariam em vigor em 1967, sentaram as bases de um executivo forte e unificado, cuja presidência recaería no político belga Jean Rei, muito menos ambicioso que Hallstein, a quem substituiu em 1967.
A eleição do Presidente da Comissão diferencia-se netamente do processo de designação do resto de membros do Colégio de Comissários. Tem lugar dantes que qualquer outro e, a resultas do mesmo, seu titular é o único legitimado democraticamente de maneira individualizada e directa por sua eleição parlamentar. O processo pode-se dividir nas seguintes fases:
Depois da investidura parlamentar, o candidato assim votado obtém a condição de Presidente Eleito. Concluído o inteiro processo de designação e atribuição de carteiras aos demais comissários, a Comissão submete-se colegiadamente ao voto de aprovação conjunta ante o Parlamento Europeu, que outorgá-lo-á por maioria simples.
A seguir, o Conselho Europeu procederá à nomeação da Comissão por médio de decisão adoptada por maioria qualificada. O Presidente e os demais comissários assumem assim, depois de prestar solene juramento sobre os Tratados, a plena posse de suas funções.
O Presidente é o dirigente máximo da insitución, ostenta a máxima representação da mesma e ocupa o primeiro posto na corrente de hierarquia, preeminencia que vem reforçada pela legitimidade democrática directa e individualizada que lhe contribui ao cargo sua eleição directa pelo Parlamento Europeu. O Presidente da Comissão é membro também do Conselho Europeu. Conforme a sua posição principal, é quem adopta, com o Conselho, a lista de membros restantes da Comissão, e quem reparte entre eles as "carteiras" departamentales. Pode assim mesmo exigir o despedimento forçado de qualquer dos membros do Colégio. A ele corresponde pois:
Grande parte do impulso político à integração européia tem vindo determinado pela força do executivo comunitário, e em particular pelo peso específico e o carácter de seus presidentes, como pôde comprovar durante as Comissões presididas por Jacques Delors. Examinar o perfil e as iniciativas das pessoas que têm ocupado e ocupam este cargo é uma indicação do estado de impulso no que se encontra esta.
Ainda que a Presidência da Comissão às vezes tem sido descrito como o Presidente da União Européia, séria bem mais aproximado relacionar com a posição de um Premiê, dado o estilo do gabinete de governo pelo que se conduz o Colégio de Comissários.[3] [4] Em virtude do Tratado de Lisboa, o Presidente será eleito pelo Parlamento Europeu sobre proposta do Conselho, que posteriormente nomeá-lo-á.[5] Com isto se procura dar lugar a um maior vínculo com o resultado das eleições. Neste sentido, propôs-se que os partidos políticos designem dantes das eleições um candidato a cada um; o ganhador seria nomeado Presidente pelo Conselho Europeu[6] [7] [8] .
A pessoa que ocupa o posto tem a responsabilidade de distribuir as áreas de responsabilidade política entre os Comissários e pode inclusive, se conta com a aprovação da Comissão, exigir também o despedimento de um Comissário.
O Presidente da Comissão Européia está assistido em suas funções pelos serviços que se listam a seguir. Todos juntos conformam um departamento muito peculiar, o da presidência, que assiste não só ao próprio Presidente; alguns de seus componentes cooperam ou coordenam a todo o Colégio de Comissários. Este departamento é conhecido pelo nome de Escritório do Presidente da Comissão.
Além de por seu Escritório, o Presidente é assistido em suas funções pelos Vice-presidentes da Comissão, especialmente por seu Primeiro Vice-presidente.
O Gabinete do Presidente da Comissão é o órgão administrativo e político de assistência e assessoramento pessoal do chefe do executivo. Está encabeçado por um Chefe de Gabinete, que pode estar auxiliado por um ou mais Adjuntos. Todos os membros do Gabinete são designados pelo Presidente da Comissão. O Gabinete tem encomendadas as funções de coordenação política e impulso executivo de todo o Escritório, e pode integrar, além do Chefe de Gabinete, seus Adjuntos e os demais membros, a Conselheiros especiais. É a unidade orgânica mais próxima ao Presidente.
Actualmente, o Gabinete do Presidente Barroso[9] está composto por 14 membros:
Ademais, e adscrito ao próprio Gabinete, existe também uma Secretaria pessoal integrada por 14 assistentes e secretários pessoais que apoiam os labores do próprio Presidente e dos membros de seu Gabinete.
A Secretaria Geral da Comissão é o órgão interno que coordena a actividade administrativa e operativa de todas as direcções gerais e serviços do executivo comunitário. Sua estrutura interna[10] compreende:
À frente da Secretaria Geral da Comissão encontram-se um Secretário Geral e dois Adjuntos ou Vicesecretarios. Actualmente o posto de Secretária Geral corresponde à economista irlandesa Catherine Day.
O Escritório de Conselheiros de Política Européia[11] (BEPA, por suas siglas em inglês: Bureau of European Policy Advisers) é o mais alto órgão consultivo que assiste à Comissão Européia, e em particular a seu Presidente, do que depende. Sua função é a de proporcionar ao Presidente e, se for o caso, ao Colégio, uma análise a fundo da informação disponível e da situação geral das políticas da União, com o fim de fundamentar as linhas de actuação estratégica que, no médio e longo prazo, deve seguir a Comissão para o mais eficaz e acertado exercício de suas funções. BEPA é um serviço de natureza eminentemente política, sem função administrativa ou executiva alguma, com uma finalidade consultiva ou de estudo, mas cuja importância política real e relevância na formação de ideias e projectos pode ser muito destacada.
É o Presidente quem designa aos membros que considere mais aptos para o posto de Conselheiros de Política Européia, conquanto costuma ocorrer que a cada Presidente acrescenta um ou vários experientes aos existentes, relevando a alguns dos anteriores, mas se tendo mantido até a data uma verdadeira tradição de continuidade em sua composição geral que favoreça o bom funcionamento de seus trabalhos como um laboratório de ideias e de pensamento muito qualificado.
Devido a sua variada e polifacética composição, que conta com Conselheiros procedentes de diferentes âmbitos e experientes em matérias muito diversas, BEPA costuma desempenhar também funções de enlace com a sociedade civil, especialmente nas universidades e demais instituições académicas, as confesiones religiosas, os partidos políticos nacionais e europeus, o sector científico, o mundo das finanças e da economia, etc...
Os trabalhos deste órgão costumam repartir-se por encarrego do Presidente da Comissão, e são coordenados por um Director do Escritório de Conselheiros de Política Européia, nomeado assim mesmo pelo Presidente. Os encargos, e em todo o caso a partilha ordinária ou interno de suas funções costuma atribuí-los seu director a grupos de trabalho, integrados por dois ou mais Conselheiros experientes na matéria, encarregados da llevanza e do rastreamento de determinados assuntos e seus expedientes, e das relações correspondentes. Assim costumam se estabelecer um grupo de assuntos económicos, outro para a política exterior, etc...
O Serviço de Porta-vozes é o serviço interno da Comissão que coordena a actuação de todos os porta-vozes da cada um dos comissários europeus. É também responsável por expor, de acordo com as directrizes do Presidente e do Comissário europeu competente na política de comunicação (actualmente a Vice-presidenta Viviane Reding), as questões de política geral e as decisões ou posições políticas concretas do Colégio de Comissários. Assim mesmo, o Serviço de Porta-vozes[12] , que está dirigido por um Chefe do Serviço, é o único responsável pelo planejamento e execução da política de comunicação directa com os meios do Presidente da Comissão, a cujo Escritório está adscrito.
Actualmente o Chefe do Serviço de Porta-vozes é o filólogo belga Koen Doens.
O Serviço Jurídico é o serviço interno adscrito ao Escritório do Presidente da Comissão que tem encomendadas as seguintes funções[13] :
A primeira destas duas funções tem uma dupla vertente consultiva (para garantir e melhorar a qualidade jurídica dos actos adoptados pela Comissão) como preventiva (para evitar assim ulteriores contenciosos judiciais), e se exerce de maneira preferente no interior da própria Comissão. A segunda equivale à que desempenham em muitos países os Advogados do Estado, e se exerce na maioria dos casos ante o Tribunal de Justiça da União Européia, ou ante seu Tribunal Geral.
Lenda*: [ ] Centro esquerda (actual PSE) - [ ] liberal (actual ELDR) - [ ] centro direita (actual PPE)
Nota: *Os ex presidentes estão classificados por partido político europeu. Em alguns casos o partido político não existia, mas como o político era membro de algum partido que hoje é membro, se lhe tem atribuído como membro do actual partido político europeu. Em caso de não ter dados claros, se pôs só sua corrente ideológica.