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Princípio de Fermat

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Dos três raios luminosos que saem do ponto morado só os que façam o caminho óptico um extremal (máximo ou mínimo) serão trajectórias reais da luz.
O princípio de Fermat em óptica é um princípio de tipo extremal e que estabelece:
O trajecto seguido pela luz ao propagar de um ponto a outro é tal que o tempo empregado no percorrer é um mínimo.
O princípio foi enunciado desta forma no século XVII pelo matemático francês Pierre de Fermat. Este enunciado não é completo e não cobre todos os casos, pelo que existe uma forma moderna do princípio de Fermat. Esta diz que:
O trajecto seguido pela luz ao propagar de um ponto a outro é tal que o tempo empregado no percorrer é estacionário com respeito a possíveis variações da trajectória.
Isto quer dizer que, se se expressa o trajecto percorrido pela luz entre dois pontos O_1 e O_2 por médio de uma funcional chamada caminho óptico definida como \mathcal{L}_{O_1 O_2}[n(\vec{r})] a trajectória real da luz seguirá um caminho extremal respecto desta funcional:
\delta\mathcal{L}_{O_1 O_2}[n(\vec{r})]=\delta\int_{O_1}^{O_2}{n(\vec{r})ds}= 0.

A característica importante, como diz o enunciado, é que os trajectos próximos ao verdadeiro requerem tempos aproximadamente iguais. Nesta forma, o princípio de Fermat recorda ao princípio de Hamilton ou às equações de Euler-Lagrange.

Vejamos agora alguns exemplos da aplicação do princípio para deduzir as leis da óptica geométrica.

Conteúdo

Equação da trajectória de um raio luminoso

A equação da trajectória um raio luminoso real de um sistema óptico é:

\vec\nabla n(\vec{r})-\frac{d}{ds}\left [ n(\vec{r})\frac{d\vec r}{ds}\right ] =0

e deduze-se a partir do princípio de Fermat.

A interpretação da equação é importante. A trajectória permanece no plano no que varia o índice de refração n(\vec r). Isso pode se observar escrevendo a equação em termo dos vetores unitários \hat u_t e \hat u_n:

\vec\nabla n(\vec{r})=\frac{d}{ds}\left [ n(\vec{r})\frac{d\vec r}{ds}\right ] =\frac{dn(\vec{r})}{ds}\frac{d\vec r}{ds}+n(\vec{r})\frac{d^2\vec r}{ds^2}=\frac{dn(\vec{r})}{ds}\hat u_t+\frac{n (\vec r)}{\rho (\vec r)}\hat u_n

sendo \rho a rádio da circunferencia osculatriz no ponto \vec r à trajectória.

Teorema de Malus-Dupin

Artigo principal: teorema de Malus-Dupin

Lei da Reflexão

Artigo principal: lei de Snell

Se supomos que um raio de luz sai do ponto A em direcção à superfície plana, que supomos reflectora, e viaja até o ponto B Qual será a trajectória seguida pela luz? Neste caso a luz viaja durante todo o caminho pelo mesmo médio, com o mesmo índice de refração e, por tanto, à mesma velocidade. Assim, o tempo necessário para percorrer o caminho entre A e B (passando pela superfície P) será a distância APB dividida pela velocidade da luz no médio. Como a velocidade é uma constante, a trajectória real, segundo o princípio de Fermat, será a mais curta.

É fácil ver que a distância APB é a mesma que a distância A'PB, onde A' é a imagem de A. A' está sobre a recta perpendicular ao espelho que passa por A, à mesma distância do espelho que A e ao outro lado do mesmo. A distância mínima A'PB é, obviamente, a linha recta A'P2B, com o que a trajectória real é AP2B. A análise completa da situação mostra que P2 é tal que os ângulos de incidencia e de reflexão no ponto são iguais, do que se deduze a fórmula da lei da reflexão: \theta_{i} =  \theta_{t}

Lei da Refração

Artigo principal: lei de Snell
Arquivo:Snell by fermat.jpg
O raio de luz propaga-se da a B passando por P, que é um ponto móvel sobre o eixo das abcisas.

Com o princípio de Fermat pode-se deduzir a lei de Snell, que afirma que o produto do índice de refração do primeiro médio de propagación com o seio do ângulo de incidencia é equivalente ao produto do índice de propagación do segundo médio com o seio do ângulo refractado.

n_1\ \sin{\alpha_1} = n_2\ \sin{\alpha_2}


Proponhamos o fenomeno analiticamente, sobre um plano cartesiano.

Seja um médio de propagación com índice de refração n_1\ e um segundo médio de propagación com índice de refração n_2\ tais que situamos a superfície que separa os dois meios de maneira que coincida com o eixo das abcisas.

Sejam  A = (x_A ,\; y_A ) e  B = (x_B ,\; y_B ) dois pontos fixos situados do plano, de maneira que A está situado no primeiro médio, e B no segundo médio.

Seja um raio de luz que se propaga da a B atravessando a superfície que separa os dois meios no ponto  P = (x,\; 0 ) .

O seguinte passo é deduzir o tempo que demora o raio em percorrer  \overline{AP} e  \overline{PB} .

Sejam  v_1 e  v_2 a velocidade de propagación da luz no primeiro i segundo médio respectivamente.


 t_1 = \frac{\overline{AP}}{v_1} = \frac{\sqrt{(x_A\ - x)^2\ + {y_A}^2}}{v_1} ;  t_2 = \frac{\overline{PB}}{v_2} = \frac{\sqrt{(x - x_B)^2\ + {y_B}^2}}{v_2}


 t = \frac{\sqrt{(x_A\ - x)^2\ + {y_A}^2}}{v_1} + \frac{\sqrt{(x - x_B)^2\ + {y_B}^2}}{v_2}

Se procuramos o valor de quando x\ t\ é mínimo, é equivalente se encontramos o valor de para x\ o qual a função derivada de tomada o valor 0.

 \frac{dt}{dx} = - \frac{x_A\ - x}{v_1\ \sqrt{(x_A\ - x)^2\ + {y_A}^2}} + \frac{x - x_B\ }{v_2\ \sqrt{(x - x_B\ )^2\ + {y_B}^2}} = 0


 \frac{x_A\ - x}{v_1\ \sqrt{(x_A\ - x)^2\ + {y_A}^2}} = \frac{x - x_B\ }{v_2\ \sqrt{(x - x_B\ )^2\ + {y_B}^2}}


 \frac{x_A\ - x}{v_1\ \overline{AP}} = \frac{x - x_B\ }{v_2\ \overline{PB}}


 \frac{1}{v_1\ } \sin{\alpha_1} = \frac{1}{v_2\ } \sin{\alpha_2}


 \frac{c}{v_1\ } \sin{\alpha_1} = \frac{c}{v_2\ } \sin{\alpha_2}


n_1\ \sin{\alpha_1} = n_2\ \sin{\alpha_2}

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