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Projecto Patagonia

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O Projecto Patagonia e Capital foi um projecto elaborado em 1986 pelo então presidente da nação Raúl Alfonsín, para transladar a Capital Federal da República Argentina para o Distrito Federal de Viedma - Carmen de Patagones, um complexo de cidades na Patagonia formado principalmente por Viedma , a capital da Província de Rio Negro, e Carmen de Patagones, a cidade mais austral da Província de Buenos Aires.

O projecto tinha como fim descentralizar e desburocratizar o poder político e separar do poder económico do país, ambos excessivamente concentrados no Grande Buenos Aires, solucionar o problema demográfico que conta a Argentina, desenvolver investimentos no interior do país e dar início a uma nova revalorización do Estado Federal. Dentro do Projecto Patagonia também se incluia a provincialización do Território Nacional de Terra do Fogo.

O Projecto Patagonia fez parte do plano para a fundação da Segunda República Argentina, lançado pelo Dr. Alfonsín por Corrente Naciónal de Rádio e TV, a noite do 15 de abril de 1986 e ao dia sigiente, 16 de abril, pronunciou em Viedma o famoso discurso onde convoca aos argentinos a "crescer para o sul, para o mar e para o frio".


Conteúdo

Motivos

Cidades Capitais

Em Buenos Aires a concentração do poder político e económico é análoga às das capitais dos países europeus, nos que, ao ser estados pequenos, são funcionais a este fim; os que apoiavam este projecto afirmavam que esta distribuição não é conveniente na Argentina, como é um país extenso que precisa ter uma população e riqueza distribuída em seu território e não concentrada mayormente em uma sozinha urbe como Buenos Aires, por isso Argentina é conhecida como um país macrocefálico.[1]

O Grande Buenos Aires

O Grande Buenos Aires conta com uma porção do território que não supera o 1% do total do país e concentra o 33,2% da população, mais de 40% do PBI e 66% dos serviços.[2] Ao ser Buenos Aires um pólo onde se concentra a actividade política, económica e cultural do país, o espírito do projecto era lhe tirar sua faculdade política e a transladar para Viedma. Os que impulsionavam este projecto achavam que descentralizar Buenos Aires daria uma oportunidade ao interior e nivelaria o grave desequilíbrio territorial e de recursos que conta a Argentina.[2]

A Patagonia

Os projectos para solucionar o desmesurado crescimento da Capital Federal e, portanto, da necessidade do translado da capital já se tinham proposto dantes. O ex presidente de facto Alejandro Agustín Lanusse apresentou vários projectos que contemplavam um planejamento demográfico e territorial da Argentina.[3] O 3 de maio de 1972, durante sua presidência, sancionou-se o decreto-lei 19.610, o qual declara a necessidade de transladar a Capital da Nação fora da cidade de Buenos Aires. A conflictiva situação de violência que atravessava o país naquele momento e a posterior volta ao poder do peronismo ao ano seguinte, fizeram que a lei não se cumprisse e passasse desapercibida.

A Patagonia argentina foi considerada pelos governos militares um dos lugares com maiores possibilidades de receber população, tendo em conta sua amplitude de território, disponibilidade de água potable, localização sobre o mar e clima temperado. Acha-se que Raúl Alfonsín conhecia estes argumentos onde logo tomou a decisão de promulgarlos mediante seu projecto.

Depois do conflito do Beagle com Chile, em 1978 , e a Guerra das Malvinas, em 1982, muitos deram conta que a Patagonia fazia parte de um sector finque na geopolítica de Sur América, como esta conta com projecção para o mar Argentino e o Austral, o Estreito de Magallanes, as Ilhas Malvinas e a Antártida.

No entanto Alfonsín considerava que a Patagonia era o sector mais sensível no exercício da soberania do Território Argentino já que só contava aprox. com 1 milhão e médio de habitantes.[3] É por isso que o projecto para mudar a capital a Viedma séria em um marco ideológico e teórico apontar para a defesa e consideração da soberania argentina no sul.

História

Mapa da área territorial federalizada pela lei 23.512 de 1987.

O 27 de maio de 1987 , após um longo debate de várias sessões em ambas câmaras, o Congresso da Nação sancionou a lei 23.512 na que se declara como a Nova Capital Federal aos núcleos urbanos erigidos e por erigirse em um futuro na área das cidades de Viedma , Carmen de Patagones e Guarda Mitre (localizada a setenta quilómetros, para o noroeste, das duas anteriores) e junto com um amplo território de campos na zona do Vale Inferior do rio Negro, cedido pelas Legislaturas das províncias de Buenos Aires e Rio Negro, 180.000 hectares da primeira, cedidas através da lei 10.454 do 17 de outubro de 1986 e 310.000 da segunda, por médio da lei 2.086 do 10 de julho do mesmo ano. Dentro deste território federalizado também se encontravam compreendidos os povos de Cardeal Cagliero, San Javier e Balneario O Cóndor. Este projecto tinha como objectivo descentralizar a cidade de Buenos Aires e povoar e desenvolver a região Patagónica, um antigo anseio argentino desde o mau chamada Conquista do Deserto". Até a actualidade o projecto nunca se chegou a concretar, ainda que a lei de translado ainda está vigente, já que o Congresso da Nação nunca a derogó. Em um ano dantes, o 15 de abril de 1986, tinham-se promulgado os decretos 527 e 528 onde se estabelecia a criação de dois importantes organismos para o desenvolvimento patagónico e o translado da capital: a Comissão Nacional para o Projecto Patagonia e Capital e a Comissão Técnica Assessora em Problemas Urbanísticos, Arquitectónicos e Ambientais. Esta última transformar-se-á em um ano mais tarde, o 21 de julho de 1987, através do decreto 1156 no Ente para a Construção da Nova Capital - Empresa do Estado (ENTECAP).

O ENTECAP era um organismo com vastos poderes o qual tinha a função de expropiar terras, projectar o novo traçado urbano e desenvolver as diversas obras de infra-estrutura para cumprir com o projecto, entre outras funções. Foi criado a imitação do NOVACAP, organismo brasilero que nos anos cinquenta de século XX erigió a cidade de Brasília e o Novo Distrito Federal. Durante os três anos e médio em que esteve em marcha o projecto, tanto a Comissão Técnica Assessora primeiro, como seu sucessor o ENTECAP, realizaram diversos estudos em diferentes temas (ecológicos, económicos, urbanísticos, demográficos, energéticos, turísticos, hídricos, etc) e traçaram os planos e maquetas das diferentes obras de infra-estrutura necessárias para o assentamento de população e cumprimento do projecto de translado, como moradias, hospitais, escolas, pontes, escritórios públicos, entre outras. Se diagramó a superfície a construir em 7.777.473 metros quadrados e o translado de 23.000 empregados públicos desde a cidade de Buenos Aires. Solicitou-se ao Banco Interamericano de Desenvolvimento um crédito de 80 milhões de dólares estadounidenses para melhorar a infra-estrutura de serviços da futura capital, e destinaram-se importantes partidas orçamentas. Também numerosas figuras nacionais e internacionais visitaram a comarca para consolidar o projecto, entre eles o Papa Juan Pablo II em abril de 1987, quem foi naquela ocasião o primeiro pontífice (e único até hoje) que visitou a Patagonia.

Segundo os projectos do ENTECAP o novo Distrito Federal de Viedma - Carmen de Patagones ia poder inaugurar-se em uns doze anos, para o início de novo século (XXI). Mas em pouco tempo o projecto caiu no esquecimento. A fins dos anos oitenta a Argentina entro em uma profunda crise social e económica, produto do falhanço do Plano Austral (a moeda da época). Devido a isto o Presidente Alfonsín deveu entregar o governo dantes de tempo, o 9 de julho de 1989, ao candidato eleito, pelo Partido Justicialista, Carlos Saúl Menem (quem devia assumir o 10 de dezembro do mesmo ano). Quando Carlos Menem assumiu o projecto de translado da capital seguia tecnicamente em marcha, ainda que com a crise económica se tinha atrasado o início da construção das diversas obras de infra-estrutura planificadas. Nos primeiros meses de governo, Menem tentou continuar com o projecto e nomeou uma nova equipa de servidores públicos à frente do ENTECAP; mas em novembro de 1989, pressionado pelos sectores liberais (com quem aliou-se politicamente) e liderados pelo engenheiro Álvaro Alsogaray (quem sempre se tinha oposto ao translado da Capital desde 1986) e dentro do plano de reforma do Estado projectado por estes sectores para superar a crise e sanear as contas estatais, Menem deroga os decretos 527/86 e 1156/87, dissolvendo a Comissão Nacional para o Projecto Patagonia e Capital e o ENTECAP, liquidando todos seus bens e propriedades e deixando materialmente sem efeito o projecto.


Muitos intelectuais e políticos sustentam que o falhanço do projecto não se deveu principalmente pela crise económica, como se argumenta geralmente para justificar sua cancelamento, senão pela enorme pressão dos meios de comunicação porteños e dos sectores unidos aos interesses políticos e económicos da cidade de Buenos Aires. Em um primeiro momento os meios de comunicação aceitaram e apoiaram o translado mas ao cabo de um tempo alinharam-se com os sectores opositores do mesmo, quem chamavam-no de "costosísimo", "faraónico" e "desnecessário" e sustentavam que o translado da capital traria mais prejuízos que benefícios ao país. Acusa-se de colaborar com os detractores do projecto aos servidores públicos nomeados por Raúl Alfonsín à frente do ENTECAP, quem desenharam um projecto demasiado caro (dando-lhe argumento aos opositores) e dilataron os tempos fazendo estudos e maquetas, em vez de pôr em marcha a construção das obras de infra-estrutura que materializaran o translado. O ENTECAP foi muito questionado naqueles anos por gastar demasiado dinheiro em pessoal e escritórios em Buenos Aires, em vez de funcionar em Viedma onde devia ter sua sede, segundo sustentava o decreto que o creio. Também se fala da falta de decisão política do ex presidente Alfonsín por não viajar a Viedma periodicamente a assinar decretos e fazer actos oficiais e simbólicos que criassem na população uma consciência da nova capital, em vez de esperar que toda a nova cidade estivesse construída para se mudar a ela. O defendia-se destas acusações sustentando o argumento que ele achava que o Partido Justicialista, que tinha votado a favor da lei 23.512, continuá-lo-ia.

Além de uma grande frustración, o não_cumprimento deste projecto deixou secuelas negativas e muito profundas na zona de Viedma e Carmen de Patagones. O sozinho anúncio do translado da Capital Federal provocou uma enorme suba dos preços das terras e inmuebles localizados na área da nova capital, os quais chegaram a valer até mais dez vezes de seu valor originario. Também a migração de milhares de pessoas e centenas de famílias pobres, provenientes de diferentes partes do país, que se mudaram procurando trabalho; as quais praticamente duplicaram a população da comarca. Ao cair-se o projecto do translado da capital o Governo Nacional separou-se destes temas, devendo-se as municipalidades de Viedma, Carmen de Patagones e Guarda Mitre fazer-se cargo de toda esta população que estava desocupada e sem moradia. Em vários anos depois o Governo Nacional outorgou um crédito a estas municipalidades que combinaram com um grande déficit. Posteriormente o Poder Executivo pretendeu cobrar-lhes ditos fundos, mas muitos anos depois por lei do Congresso da Nação, e por iniciativa do senador rionegrino Remo Costanzo, estes foram condonados e se converteram em Fundos de Reparo Histórica e também se aprovou a terminação da construção de milhares de moradias que tinham sido projectadas pelo ex ENTECAP e depois ficaram paralisadas pela crise. O projecto do translado deixo ao menos a Viedma como herança o mejoramiento dos serviços de água potable e cloacas e diversos bairros, entre eles o das 1.016 moradias, onde iam viver os operários que deviam construir a Nova Capital Federal.

Apesar que o projecto foi anulado pelo governo menemista, muitos são os que seguiram sustentando e ainda o seguem fazendo, até hoje, sobre a necessidade de transladar a Capital Federal fosse da cidade de Buenos Aires e inclusive de reflotar o Projecto Patagonia:

Em 1990 incluiu-se o tema do translado no ponto III das Bases de Acção Políticas da União Cívica Radical (UCR), que se refere ao Federalismo, o qual diz: "...Propiciar o reordenamiento territorial e a desconcentración da população. Implementar oportunamente o translado da Capital Federal". A convenção constutuyente de 1994, que surgiu da assinatura do Pacto de Oliveiras, introduziu no novo texto contitucional, através dos artigos 45º e 129º, a possibilidade de transladar a Capital Federal fosse da Cidade de Buenos Aires e a provincialización desta última, uma vez que as autoridades federais estejam radicadas em sua nova sede (como estabelece o artigo 6º da lei 23.512). O primeiro destes artigos sustenta que "A Câmara de Deputados compor-se-á de representantes eleitos directamente pelo povo das províncias, da cidade de Buenos Aires, e da Capital em caso de translado..." e o sugundo diz que, "A cidade de Buenos Aires terá um regime de governo autónomo, com faculdades próprias de legislação e jurisdição..." mas que "...Uma lei garantisse os interesses do Estado Nacional, enquanto a cidade de Buenos Aires seja capital da Nação..."

O reconhecido e prestigioso historiador argentino Félix Lua declarou, durante o ano 2000, em uma entrevista ao Diário Rio Negro que “A mudança da Capital a Viedma era uma necessidade. Mas creio também que Alfonsín apresentou muito mau a ideia: apressou-se, apresentou-a demasiado sorpresivamente e então não prendeu na sociedade, nem sequer na UCR. No entanto, sigo achando que é necessário sacar a Capital de Buenos Aires… Precisa-se um lugar onde se faça política e administração e nada mais, onde os dirigentes do interior não fiquem atrapados pelas atrações da grande cidade, como sucede em Buenos Aires. É indudable que a algum lado há que a levar, não sê se à Patagonia ou algum outro lugar, mas desde aqui não se pode seguir governando”.

Segundo sustentou em uma entrevista, ao Diário Clarín de Buenos Aires, o Dr. Aldo Neri quem fosse o presidente da Comissão Nacional para o Projecto Patagonia e Capital “o projecto começou tarde, quando o austral se começava a pinchar e o radicalismo entrava em uma debacle. Mas… ainda reivindica seu objectivo de descentralizar a megalópolis porteña”.

Durante a campanha eleitoral de 2005, o deputado nacional pela província de Rio Negro, Hugo Grutas, quem era candidato nesse momento, declarou que o translado da capital a Viedma o obsedava e que sonhava com propor novamente o tema se llagaba ao Congresso da Nação.

Em diversas oportunidades em entrevistas a diversos meios televisivos e gráficos, o ex presidente, Raúl Alfonsín comentou que deveu se ter ido viver em carpa a Viedma e não planificar tanto os edifícios públicos onde ia funcionar o Governo Nacional. E também sustentou durante o ano 2006 que tinha as esperanças que o presidente Néstor Kirchner, por ser de origem patagónico (nascido na província de Santa Cruz) fosse sensível ao tema e decidisse retomar o projecto de translado da capital federal a esta cidade, já que as condições económicas do país eram propícias para o levar adiante. Isto último também foi compartilhado por muitos políticos de diversos partidos quem tinham participado nos anos oitenta do projecto, segundo declarações ao diário A Nova Província da cidade bonaerense de Baía Branca.

Durante o ano 2001 vários deputados e senadores apresentaram um projecto de lei para transladar a Capital Federal ao predio que ocupa actualmente a Guarnición Militar de Campo de Maio, localizada a uns 30 quilómetros ao noroeste da cidade de Buenos Aires. Também durante abril de 2007 o deputado nacional pela província dentre Rios, Raul Patricio Solanas, apresento um novo projecto para transladar a Capital fora de Buenos Aires, o qual estabelece a derogación da lei 23.512/87 mas sustenta a criação de uma comissão honoraria que através de uma ampla consulta e de diversos estudos deverá determinar qual é o lugar geográfico mais viável para localizar a Capital da República Argentina.

Após mais de vinte anos que nenhum presidente em exercício calcava a cidade de Viedma, durante a vista de Cristina Kirchner, no mês de outubro de 2008, um cronista das diário Notícias de Rio Negro, mediante um grande esforço físico, correndo simultaneamente da Traffic presidencial por uns 200 metros, conseguiu recordar à Presidenta da Argentina o projecto esquecido pela Casa Rosada, do ex presidente Raúl Alfonsín, de transladar a Capital Federal a essa cidade e Cristina Kirchner respondeu: "sim, lembro-me, nós apoiamos esse projecto naquele momento porque a consideramos uma medida muito importante". E ao repreguntarle que opinava do projecto na actualidade, a Presidenta argentina evadíó a resposta e disse: "Chau, graças a todos, os quero", mas se dirigindo ao público e não ao jornalista.

O 31 de julho de 2009 três deputados nacionais pela província de Missões, Lía Fabiola Bianco, Miguel Angel Iturrieta e Emilio Kakabur apresentaram, um projecto de resolução no Congresso argentino em onde se solicita ao Poder Executivo da Nação que cumpra com o estabelecido na lei 23.512 e materialice o translado da Capital Federal.

Apesar da morte de Raúl Alfonsín, a ideia do translado da Capital segue vigente entre os sectores alfonsinistas da Uníón Cívica Radical.

Fontes e Bibliografía sobre o Tema

Notas

  1. http://www.china-argentina.org/upload/ecoArg.pdf
  2. a b CPAU - Conselho Profissional de Arquitectura e Urbanismol
  3. a b Descentralizacíon Administrativa e Translado da Capital Federal: CERCA DO SUR, DO MAR E DO FRIO?

Enlaces externos

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/a/r/t/Artes_Visuais_Cl%C3%A1sicas_b9bf.html"
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