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Quiasmo

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Para o entrecruzamiento de estruturas orgânicas, veja-se Quiasma.

Próprio da retórica, o quiasmo é classificado como uma das figuras literárias de repetição. Consiste em repetir palavras ou expressões iguais de forma cruzada e mantendo uma simetría, a fim de que a divergência de sentidos resulte a sua vez significativa. Exemplo: «Nem são todos os que estão, nem estão todos os que são». O quiasmo procura dar valor a uma ideia central a partir da repetição de uma frase, gerando um efeito surpreendente que induza à meditación. Em consequência, o quiasmo é chamado «paralelismo inverso», porquanto a primeira parte de uma construção gramatical é balançada ou equilibrada pela segunda parte, que a reflete em ordem inverso.


Conteúdo

Quiasmo: origem da palavra

O vocablo quiasmo prove do grego χιασμouς, que corresponde a uma disposição cruzada de diagonais, como a da letra grega χ (ji) —cuja grafía é similar a nossa castelhana equis, ou X— que assim mesmo corresponde à ‘ch’ do alfabeto latino, e a esse mesmo dígrafo, ou a ‘c’ ou a ‘qu’, nas línguas romances ou neolatinas. A citada letra ji aparece por exemplo na raiz dos vocablos caos ou Aquiles (os quais em inglês, se escrevem, por derivação do latín como ‘chaos’ e ‘Achilles’ respectivamente). O quiasmo usava-se na língua grega koiné, própria do Novo Testamento.

O quiasmo como estrutura narrativa

Para compreender a estrutura literária do quiasmo (que é característico da escritura semítica), podemos pensar nela como uma enumeración, e observar que a estratégia consiste em fazer uma lista de ítems ou ideias em uma ordem em particular e depois a repetir no outro sentido. Exemplo: A-B-C-C-B-A. Em ocasiões e deliberadamente algum dos ítems pode ser enfatizado. Por exemplo, na sequência A-B-C---D---C-B-A. Nela, para que o leitor ou oyente note o énfasis no ítem D efectuamos o seguinte exercício:

A. Saí de minha casa,
B. Subi-me ao carro,
C. Fui à loja,
D. E agarrei um zumo,
D. Quando bebi o zumo,
C. Saí da loja,
B. Subi-me ao carro e
A. Entrei a minha casa.

Se acrescentamos um ítem extra à lista temos:

A. Saí de minha casa,
B. Subi-me ao carro,
C. Fui à loja,
D. E agarrei um zumo,
E. Depois pague meu zumo no contador,
D. Uma vez bebi o zumo,
C. Saí de tenda-a
B. Subi-me ao carro e
A. Entrei a minha casa.

Podemos ver que a ideia central do quiasmo assim empregado é destacar que se pagou pelo zumo e que este não foi roubado.

Características do quiasmo

A principal particularidade do quiasmo consiste em apresentar em ordens inversos os membros de duas sequências; assim, há um quiasmo singelo na sentença «quando tento odiar não ódio, e às vezes ódio sem tentar». Podemos observá-lo com mais detalhe, assim: na frase «Ele trabalha (A) sem se queixar (B) e descansa (A) sem se impacientar (B)», não há quiasmo, em tanto sim o há na frase «Ele trabalha (A) sem se queixar (B) e sem se impacientar (B) descansa (A)».

Em lugar da ordem linear onde a uma frase tipo A, B (por exemplo «ensinado artificialmente») a equilibrada outra frase tipo A, B (por exemplo, «aprendido maquinalmente»), a estrutura A, B será seguido por outra estrutura B, A («maquinalmente aprendido»). De tal maneira, em lugar de escrever, «O que é ensinado artificialmente é aprendido maquinalmente», pode se escrever: «O que é ensinado artificialmente é maquinalmente aprendido». Assim mesmo, uma frase como «O que agora é velho foi ao princípio jovem», pode se escrever quiásticamente como «o que agora é velho foi jovem ao princípio».

Utilidades do quiasmo

O emprego do quiasmo permite uma notável actividade reflexiva, como método pedagógico de pensamento abstrato e como elemento didáctico. O quiasmo facilita contemplar uma mesma situação desde uma perspectiva dual completamente diferente. Por exemplo, uma coisa é falar do «método da aprendizagem» e outra muito diferente, fazer da aprendizagem do método». Igualmente média grande distância entre «querer o que se crê» e «crer o que se quer». Talvez por isso o quiasmo é uma figura retórica preferida de infinidad de políticos, filósofos e novelistas. Assim mesmo, abunda o quiasmo nos chistes e o humor popular, bem como no refranero.

Os processos filosóficos opostos e complementares, da dedução (que cursa com uma ordem lógica no qual o entendimento desce do universal ao particular), e da indução (na qual, pelo contrário, acontece que o entendimento se eleva desde o conhecimento dos assuntos particulares, até as noções universais que os incluem), constituem em sim o quiasmo sobre o qual se constrói o ir e vir do pensamento por excelencia: «do universal ao particular ou do particular ao universal».

Cultores do quiasmo

O doutor Mardy Grothe, psicólogo estadounidense que se dedicou a recontextualizar o quiasmo, principalmente através de seu livro Never Let a Fool Kiss You or a Kiss Fool You (cujo título é em si mesmo um quiasmo que em regular castelhano traduzir-se-ia ‘Nunca deixes que um engañador te bese, nem que um beijo te engane’) inclui como notáveis maestros no uso do quiasmo a ilustres pensadores entre quem realçam: Confucio, Sir Winston Churchill, Ralph Waldo Emerson, Benjamin Franklin, John F. Kennedy, William Shakespeare, George Bernard Shaw e Oscar Wilde.

No mundo de fala hispana um dos grandes expoentes contemporâneos do quiasmo é José Luis Ramírez González —filósofo espanhol radicado na Suécia— quem o usa com profusión nos títulos de seus escritos 1 ver seu ensaio O espaço do género e o género do espaço.

Quiasmo como sinónimo de antimetábola

Infinidad de exemplos, como os que se reseñan a seguir, são com frequência citados por críticos modernos como mostras de quiasmo; no entanto, uma análise retórica estrito, no sentido clássico da palavra, poderia indicar que muitos deles pertencem à figura retórica denominada antimetábola (a qual, em tanto repetição de palavras, em cláusulas sucessiva, e em ordem gramatical inverso, bem pode se considerar um tipo específico de quiasmo).

Procurar antimetabole em 2 .

Os quiasmos em questão são os seguintes:

Referências

Veja-se também

Enlaces externos

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