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Quinta coluna

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A expressão «Quinta coluna» atribui-se ao general Emilio Mola, ao referir em uma locução radial de 1936 ao avanço das tropas sublevadas na guerra civil espanhola para Madri. O general mencionou que enquanto baixo seu comando quatro colunas se dirigiam fazia a capital (a que avançava desde Toledo, a da estrada de Extremadura, a da Serra e a de Sigüenza), tinha uma quinta, formada pelos simpatizantes do Levantamento, que dentro da capital trabalhavam clandestinamente em pró da vitória franquista. Segundo outros autores, como Mijail Koltsov, corresponsal do diário moscovita Pravda e enviado pessoal de Stalin a Espanha, foi o general Varela quem pronunciou a frase. (Mijail Koltsov: Diário da guerra de Espanha, Barcelona, 2009, ed. Planeta, p. 208).

A expressão usa-se desde então para designar, em uma situação de confrontación bélica, a um sector da população, geralmente minoritário, que mantém supostas lealdades para o bando inimigo, devido a motivos religiosos, ideológicos ou étnicos. Tal característica faz que a quinta coluna seja vista como um conjunto de pessoas potencialmente desleales à comunidade na que vivem e susceptíveis de colaborar de diferentes formas com o inimigo.

Essa ideia e expressão passou posteriormente a todas as guerras posteriores como na Segunda Guerra Mundial se chamou aos franceses que residindo dentro da França esperavam em 1940 o triunfo da Alemanha nazista. Dito termo estendeu-se em Holanda e Noruega para seus cidadãos que mostravam mais simpatia e lealdade para o Terceiro Reich que para seu próprio povo, apoiando a invasão de seus países de origem. Do mesmo modo, simpatizantes do Eixo, consideravam aos partisanos que combatiam clandestinamente ao facismo em seus próprios países como uma quinta coluna.

Os membros da quinta coluna recebem o apelativo de quintacolumnistas . Hoje o termo tem uma connotación negativa, enquanto partisano pode ser considerado positivamente ou não. Os movimentos de resistência são melhor vistos em general que as quintas colunas, mas poderia se dizer que existe uma verdadeira sobreposição entre ambos.

História na Guerra Civil Espanhola

Durante a guerra civil espanhola produzem-se actividades de resistência e boicote internos tanto na zona franquista como na republicana, já que o controle militar de um ou outro bando não se correspondia necessariamente com as tendências políticas da maioria da população na cada lugar e, ademais porque a própria dinâmica bélica sempre favorece os excessos violentos e a delación.

No entanto, a quinta coluna foi especialmente activa no Madri sitiado. A grande longitude da frente que rodeava a cidade, a elevada densidade de população na urbe, e a importância simbólica e estrátegica desta (a maior cidade da zona republicana que estava situada no mesmo frente de guerra) convertê-la-iam em palco de constante fluxo de informação da zona republicana à rebelde. Após a derrota dos sublevados na capital, na primeira semana assiste-se a ela às acções dos "pacos" francotiradores que desde edifícios ou carros em marcha disparavam aos milicianos. Posteriormente os "Círculos azuis" organizados com a colaboração do serviço secreto Alemão e Italiano centrar-se-ão em desmoralizar às milícias republicanas por diversos meios (partilha de pasquines de propaganda, fomentando rumores derrotistas, sabotagem armamentístico, retrasmisiones radiofónicas...).

A propaganda do governo republicano incidirá notavelmente na necessidade de estar alerta em frente ao inimigo interior e na primavera de 1937 se desarticularán dois grupos de quintacolumnistas em Madri, dos quais 12 pessoas serão condenadas a morte no mesmo ano.

Precisamente para contrarrestar todas as actividades antirrepublicanas, em agosto desse mesmo ano se cria o SIM (Serviço de Informação Militar) e o DEDIDE (Departamento Especial De Informações Do Estado), que contava com seus próprios agentes e prisões. No entanto estes organismos não rastrearan a zona republicana só em procura dos chamados facciosos senão que também reprimirão a integrantes de formações revolucionárias como o POUM (Partido operário de unificação marxista) que rivalizaban nessa época com o Partido Comunista de Espanha.

O papel da quinta coluna madrilena foi importantísimo nos últimos momentos da guerra, em março de 1939, quando o levantamento do coronel Segismundo Casado contra o governo de Juan Negrín. Nessas datas, a quinta coluna realizou importantes tarefas de informação a favor de Franco, e actuou também como enlace entre o quartel geral deste e a Junta casadista com vistas a lembrar a rendición dos republicanos na zona centro.

Em outras cidades, como Valencia ou Alicante, o papel jogado pela quinta coluna foi também de grande importância e ajuda para a estategia nacionalista.

História em outras guerras

Durante a Segunda Guerra Mundial, depois do ataque a Pearl Harbor, o internamiento de cidadãos de origem japonês da Costa Oeste nos Estados Unidos justificou-se com o argumento de que estes cidadãos, por ser de origem nipón, poderiam actuar como uma quinta coluna. Em Grã-Bretanha repetiu-se esta operação com numerosos residentes alemães, detidos na Ilha de Man até o fim do conflito. Pouco depois do ataque nazista à União Soviética em 1941 , o governo de Stalin prendeu e deportou à Ásia Central à totalidade de soviéticos de origem alemão residentes na República Autónoma dos Alemães do Volga, temendo que pudessem formar uma quinta coluna em apoio do exército invasor.

Nesse mesmo conflito, organizações da minoria alemã na Polónia e Checoslovaquia formaram as Selbstschutz, que colaboraram activamente com o Terceiro Reich na conquista de ditos países, além de participar em crimes contra a humanidade e na administração das zonas ocupadas.

Os residentes católicos irlandeses no Reino Unido também têm sido considerados quintacolumnistas pelos unionistas devido aos distúrbios ocorridos durante o século XX (se vejam Os Quatro de Guildford e Os Seis de Birmingham).

Referências

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/a/t/e/Ate%C3%ADsmo.html"