Em biologia, raça refere-se aos grupos em que se subdividen algumas espécies biológicas, a partir de uma série de características que se transmitem por herança genética. O termo raça começou a usar no século XVI e teve seu auge no século XIX, adoptando inclusive uma categoria taxonómica equivalente a subespecie . Em 1905, o Congresso Internacional de Botánica elimina o valor taxonómico de raça; ainda assim, seu uso mantém-se na língua comum, e é importante em animais domésticos.
No caso do ser humano (Homo sapiens), existe opinião maioritária entre os especialistas em que é inadequado o uso do termo raça para se referir à cada um dos diversos grupos humanos,[1] e se considera que é mais apropriado utilizar os termos etnia ou população para os definir. Mais ainda, alguns cientistas consideram que para se referir a seres humanos, biogenéticamente, as "raças" não existem,[2] se tratando só de interpretações sociais.[3]
Também existem outros especialistas que abogan por seguir utilizando a palavra raça, já que esta está destinada para definir a pessoas que compartilham certos rasgos anatómicos diferentes a outros indivíduos da mesma espécie[cita requerida]. Enquanto a palavra etnia tem um significado mais relacionado com as características culturais próprias dentro de uma mesma raça.
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O conceito de raça desenvolveu-se durante a segunda metade do século XIX quando A. De Candolle recolhe ao termo, já antigo nos trabalhos de horticultura , em suas Leis de nomenclatura (1867). De Candolle estabeleceu categorias infraespecíficas nas espécies cultivadas, semelhantes às que tinham as espécies silvestres. Assim, a raça (= proles, 'stirps') a equiparó à subespecie, e a subraza (subproles), à variedade.
No final do século XIX e começos do século XX apareceram uma série de floras onde o emprego de raça como categoria taxonómica é quase constante e com sentidos diversos. Georges Rouy (1851-1924) opina que as raças (= 'forme') têm uns caracteres cuantitativos constantes e estão submetidas a um isolamento estacional, altitudinal, geográfico, edáfico, etc.; por isso situou esta categoria, igual que fizeram P. Ascherson, P. Graebner e H. Engler, entre a subespecie e a variedade. Este conceito de raça emprega-se por alguns autores posteriores para definir subespecies. J. Briquet utilizou o termo raça como sinónimo da variedade nas espécies cultivadas, e G. Sampaio como categoria intermediária entre a espécie e a variedade.
Ante o emprego de raça tanto para as plantas cultivadas como para as silvestres, o Congresso Internacional de Botánica de 1905, celebrado em Viena, eliminou das primitivas Leis de Nomenclatura de De Candolle o artigo referente às variações das plantas cultivadas, desaconsejando o emprego de raça e subraza como categorias taxonómicas.
Em animais, seu uso actual está restrito às espécies domésticas. O ser humano tem ido dominando os animais desde o Neolítico e ao longo da história, já seja para aproveitar a carne, outros derivados (leite, lana, ovos, etc.) ou por companhia como mascotas. É de modo que as raças animais manipularam-se por selecção e cruzas, inclusive com técnicas como a inseminación artificial. Tem grande importância em Veterinária, Ganadería e Zootecnia; justamente zootecnia em inglês traduz-se breeding ('raça=breed) pois a raça é importante para a obtenção do óptimo rendimento da criação. Actualmente existe preocupação na preservación das raças animais em perigo de extinção.
Em antropologia física ou antropologia clássica, raça empregou-se historicamente na diferenciación dos seres humanos por suas características físicas. No entanto, a partir dos anos 1950 e 1960 o termo tem ido caindo em desuso com a chegada da genética humana e das novas correntes antropológicas.
É actual no contexto do debate a respeito da existência ou não das raças em Homo sapiens e o termo raça é ainda usado no uso popular ou coloquial e a cada vez mais desaconsejado na linguagem científica. Em seu lugar, como já se mencionou mais acima, se prefere o uso do termo etnia ou população. Tal e como comentou a antropóloga estadounidense Ruth Benedict: "Na história mundial, quem têm contribuído à construção de uma mesma cultura não são necessariamente de uma sozinha raça, e não todos de uma mesma raça têm participado de uma cultura. Na linguagem científica, a cultura não é uma função da raça". Não deve se perder de vista que o conceito de etnia é um conceito de tipo -emic, que pode se usar de maneira não ambigua, enquanto o conceito raça pretendia ser um conceito de tipo -etic que como tal não resultou válido ao ser difícil precisar o limite de uma raça à luz dos achados genéticos.
Com respeito às raças, as declarações científicas que quiçá gozam a mais autoridade são as de um grupo de experientes reunidos pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Em 1950 , 1951, 1964 e 1967 celebraram-se reuniões nas que um grupo internacional de antropólogos , zoólogos, médicos, anatomistas e outros promulgaron de comum acordo quatro declarações sobre as raças. A última enfatizava os três pontos seguintes:
A “Todos os homens que vivem hoje em dia pertencem à mesma espécie e descem do mesmo tronco.”
B “A divisão da espécie humana em raças’ é em parte convencional e em parte arbitrária, e não implica nenhuma hierarquia em absoluto. [...]”
C “O conhecimento biológico actual não nos permite imputar os lucros culturais às diferenças no potencial genético, senão que só deveriam atribuir à história cultural dos diferentes povos. Os povos do mundo actual parecem possuir igual potencial biológico para atingir qualquer nível de civilização.”