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Rayuela (novela)

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Para outros usos deste termo, veja-se Rayuela (desambiguación).
Rayuela
AutorJulio Cortázar
Géneronovela
Idiomaespanhol
EditorialSudamericana
CidadeBuenos Aires
PaísArgentina
Data de publicação1963
Formatoimpresso
Série
Histórias de cronopios e de famas Rayuela Todos os fogos o fogo

Rayuela é uma novela do escritor argentino Julio Cortázar publicada em 1963 . «De alguma maneira é a experiência de toda uma vida e a tentativa de levar à escritura», responde Cortázar quando lhe perguntam que significa para ele. Rayuela é uma das obras centrais do boom latinoamericano. O estilo que se mantém ao longo de toda a obra é muito variado, chegando inclusive ao surrealismo em determinadas partes (algo bastante estranho nesse tempo, como o surrealismo literário não se habia masificado todavia). Rayuela é uma das primeiras obras surrealistas da literatura argentina.

Conteúdo

Tabuleiro de direcção

A novela tem um total de 155 capítulos, que podem ser lidos de diferente forma. À leitura tradicional, isto é começando pela primeira página e seguindo o físico do texto até chegar ao último capítulo, o Tabuleiro de direcção das primeiras páginas do livro propõe um completamente diferente, saltando e alternando capítulos. Essa ordem, com vários elementos estilísticos do collage, não só é particular senão que compreende textos de outros autores e âmbitos. A essas duas alternativas soma-se uma leitura em «a ordem que o leitor deseje», uma possibilidade assim mesmo explorada em sua 62/modelo para armar.

Argumento

Não é possível falar do argumento de Rayuela sem cair em inevitáveis reduccionismos que nos afastam do sentido da obra, já que o relevante desta novela não é o intrincado ou inovador da trama, senão o vasto universo psicológico da cada personagem e a relação que, desde este universo, estabelecem com o amor, a morte, as fitas-cola e a arte.

Tendo isto em consideração, a seguir se apresenta um sucinto resumem do argumento geral da obra, a que pode se dividir em três partes:

Em seu fundo e em sua forma, Rayuela reivindica a importância do leitor e até certa forma empurra-o a uma actividade e protagonismo negado pela novela clássica na que este era levado pela linealidad de uma história na que o mais importante era «o que passaria ao final». Em Rayuela o argumento não importa ou só importa em tanto é o palco em que as personagens habitam e se desenvuelven, em uma livre e profunda vitalidad que o autor lhes outorga e da que ele mesmo diz não se fazer responsável.

O que propõe este livro é a negación da cotidianidad, para poder abrir a outras realidades, onde as situações mais absurdas se tomam com total ligereza até o mais trágico é, talvez, tomado com sentido do humor. Estes caminhos que se propõem, e são um caminho mais para chegar ao céu da Rayuela.

Muitos críticos referem-se a Rayuela como uma antinovela, pelo carácter inovador, já que rompe com todos os canones preestablecidos na época de sua edição. No entanto, não pode se dizer o mesmo por parte do autor. Cortázar afirma em uma entrevista que o termo «antinovela» lhe parece uma «tentativa um pouco venenosa de destruir à novela como género» pelo que prefere o termo contranovela. Cortázar procura com esta obra «ver de outra maneira o contacto entre a novela e o leitor», incitando a este a que modifique sua atitude pasiva em frente à obra, para tomar parte activa e crítica. Desta maneira, formar-se «uma polémica em ausência […] Uma espécie de polémica entre um autor e um leitor».

Explicação do título

Julio Cortázar tinha pensado titular ao livro Manda-a em referência ao símbolo circular que se encontra desde o começo da humanidade. As diferentes culturas coincidem em que conduz para o caminho à unidade do ser e esse nome queria fazer referência a essa busca. No entanto, titular dessa maneira soava-lhe pretencioso e decidiu chamá-lo Rayuela. Ao mesmo tempo comenta-se, de forma alegórica, essa facilidade com a que um atinge "o Céu" no jogo da Rayuela, sendo o Céu essa quimera autoimpuesta de Oliveira de procurar sempre algo que não está seguro que é.

Explicação da rayuela

A rayuela constitui, como muitos outros jogos, um pequeno enigma etnológico para os estudiosos, que não se puseram ainda de acordo sobre suas origens e lhe atribuíram, como aos naipes, significados míticos, mágicos, religiosos, cabalísticos, etc., relacionando com os progressos da alma, com cerimónias e ritos de bilhete, com o laberinto e o torque, etcétera. Na Rayuela, o 1er casillero, representa a niñez, o 2do, a juventude e o 3ero, a velhice. No 4to e o 5to, devemos dar-nos volta para olhar o percurso, o mesmo que nos levara ao céu. O que propõe Cortázar, é que se um atira a pedra, nunca saberemos em que casillero cairá, mas o que sim é seguro, é que estes caminhos podem mudar da noite para o dia, somente há que procurar o céu próprio, o «coração do alcaucil».

Há que ter em conta as influências nesta obra de autores como Thomas Mann (A montanha mágica), James Joyce (Ulysses), entre outras novelas «intelectuais», como assinala o professor Andrés Amorós em seu prólogo a Rayuela (em editorial Cátedra).

Personagens

—Eu não me sei expressar —disse a Maga secando a cucharita com um trapo nada limpo—. Talvez outras poderiam o explicar melhor, mas eu sempre tenho sido igual: é bem mais fácil falar das coisas tristes que das alegres.

Artistas, músicos e autores ao longo da história

Julio Cortázar distinguia-se por ser um intelectual, o qual plasmó em Rayuela , fazendo inumeráveis citas de autores, livros, discursos, pinturas e obras musicais. Algumas de cita-las ao longo da novela fazem referência a obras de Roberto Arlt, Louis Armstrong, Antonin Artaud, Baudelaire, Faulkner, Juan Filloy, Goethe, Homero, Paul Klee, Mauriac, Joan Olhou, Piet Mondrian, Thelonius Monk, Charlie Parker, Rembrandt, Agustín de Hipona, Erik Satie, Igor Stravinsky, Dylan Thomas, Hugo Wolf, etc.

Enlaces externos

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