|
|
Este artigo ou secção sobre filosofia precisa ser wikificado com um formato conforme às convenções de estilo. Faz favor, edita-o pára que as cumpra. Enquanto, não elimines este aviso posto o 17 de maio de 2007. Também podes ajudar wikificando outros artigos. |
O realismo crítico é uma postura filosófica que sustenta que a realidade, existindo e sendo objectiva, não pode ser conhecida de maneira absoluta, e que nosso conhecimento do mundo é aproximativo. Ademais, sustenta que não é possível a certeza. Com origens claras em Kant , tem sido defendido com variantes por autores como Karl Popper, Rom Harré, Roy Bhaskar, o Cardeal Mercier, Joseph Maréchal, Mario Bunge, entre outros.
Conteúdo |
O realismo crítico difere do realismo ingénuo em que segundo o segundo, o ser humano conhece ao objecto mesmo sem intermediários, enquanto o primeiro afirma que o faz através das qualidades sensíveis deste, de maneira que se falta o sentido, falta a percepción. O que os sentidos captam são as coisas (baixo um determinado aspecto ou acidente) e não a sensação mesma.
Discrepan do realismo crítico quem negam a "objetividad das 'qualidades secundárias' ou 'sensíveis próprios', dando valor objectivo só às 'qualidades primárias' ou 'sensíveis comuns'. Outros acabaram negando a existência e a objetividad de toda qualidade sensível, a considerando como puramente subjetiva."
Há que anotar que dentro do processo de conhecimento se descrevem duas fases principais: a percepción e a intelección. Dentro da percepción, distingue-se entre a sensação externa e a percepción interna.
A sensação externa é quando os sentidos separadamente captam o objecto, enquanto na percepción interna se percebe o objecto já com certa unidade. Dentro da sensação externa existem diversos elementos:
4. Qualidade sensível específica (ou objecto próprio) da cada sentido (cor, som, sabor, cheiro, etc.): Corresponde a uma qualidade activa do objecto que se percebe ou coisa sensível. São qualidades activas as cores, sabores, texturas, sons, etc. A qualidade activa do som é a qualidade sensível específica do ouvido, etc.
Ainda que comprovar-se-á mais adiante, há que adiantar que, apesar de que em um primeiro momento pareceria lógico, a inteligência não entra dentro deste esquema. Ainda que a inteligência é uma faculdade cuja operação é pensar, não tem um órgão específico (que seria neste caso o cérebro).
Uma vez que conhecemos os elementos que entram em jogo dentro da sensação interna global, vamos explicar passo a passo as etapas da sensação interna global e ao final poremos alguns exemplos.
1. Sensação externa:
São os dados percebidos nos sentidos, com os órgãos correspondentes. Isto é o telefonema percepción externa, que se faz com o sentido externo: vista, tacto, olfacto, etc. A sensação externa é então quando um sentido capta uma qualidade sensível, sendo que esta maneira do captar é, nesta etapa, por separado. Isto é, a cada sentido capta sua qualidade específica sensível e espera a seguinte etapa que é a percepción interna.
2. Percepción interna:
Realiza-se com os sentidos internos. Os sentidos internos têm diversas faculdades e realizam diversas operações. As seguintes são as faculdades dos sentidos internos:
a) Sentido comum: É a raiz e princípio comum dos sentidos externos. Os sentidos externos são como instrumentos do sentido comum. Tem a função de organizar ulteriormente os dados recebidos através dos sentidos externos. Distingue e relaciona as diversas sensações procedentes de um ou vários sentidos. Ademais unifica no objecto real as diversas sensações. Tem consciência da própria sensação, o qual é o início da reflexão.
b) Imaginación ou fantasía: Tem como características principais a dependência da sensação externa, já que se falta um sentido externo, faltam também as imagens correspondentes. Apresenta objectos em ausência destes (por exemplo, completa o quadro do arco visual, já que o olho percebe só parte deste arco e a imaginación "mantém" esta imagem quando já tem sido percebida ou a completa quando não se percebeu). É capaz de fazer novas combinações entre as sensações recebidas; criar assim seres que só existem na imaginación como o unicornio, Pegaso, ou os Pokèmon.
c) Memória: Tal como a conhecemos comummente, como capacidade de recordar.
d) Cogitativa ou estimativa: Tomás de Aquino diz que a estimativa prende as intenções que não são recabadas pelos sentidos. O mesmo Tomás distingue entre a "estimativa do animal" (aestimativa animalis) e a cogitativa ou razão particular (ratio particularis) que é própria dos homens. Esta faculdade reveste de certa coloración o conjunto de percepciones recabadas pelos sentidos externos, uma espécie de estimativa" dos dados recebidos. Mais adiante aclara-se o papel da cogitativa.
Por outra parte, as operações que se levam acabo nos sentidos internos são as seguintes.
Organizam as sensações recebidas pelos sentidos externos. Ponhamos como exemplo uma acção quotidiana e singela como a comida. Nela entram em jogo todos os sentidos externos: a vista fixa-se no contraste de cores, a apresentação da comida, etc.; o olfacto distingue os cheiros que dela se despedem; o ouvido às vezes actua também, ao ouvir chisporrotear o refresco, ou o tintineo dos gelos no copo, ou o crujir de um pão, uma tostada, uma pizza, etc., o gosto paladea o sabor da comida e, por último, o tacto sente a textura dos alimentos, bem seja com as mãos ao se comer um bocadillo de pan ou uns tacos, bem seja com a boca e a língua ao sentir a textura cremosa de um flan ou um pé.
A cada uma destas sensações é percebida pelos sentidos externos e organizada pelos sentidos internos. Os sentidos externos perceberam-na a cada um por separado, mas os sentidos internos a organizaram de forma que se percebam como um objecto único.
Elaboram a imagem ou phantasma. Uma vez que se faz a percepción externa, os sentidos sempre elaboram o phantasma do objecto. Dantes de explicar o que é o phantasma, explicaremos a cada uma das operações dos sentidos internos, coisa que servirá para entender melhor o papel da cada uma das faculdades dos sentidos internos.
O sentido comum unifica todas as percepciones que os sentidos têm captado por separado.
A imaginación completa as sensações que faltam. Por exemplo, se vê-se passar uma rata e percebe-se pelos sentidos externos a textura quase pegajosa de seu cabelo cinza, escuta-se o grito típico do animal e vê-se-lhe escurrirse por embaixo de uma porta, a imaginación completa esta percepción e quase podemos sentir como se a estivéssemos a tocar.
A memória é capaz de recordar percepciones análogas vividas no passado. Um exemplo disso é nos animais, que quando têm tido uma má experiência com algum objecto -um cão atropellado por um carro- instintivamente tendem a evadirlo.
A estimativa, por último, que dá certa valoração ou estimativa ao objecto percebido, que provoca a tendência de atração ou de repulsión. Se uma ovelha, escuta um ladrido, e percebe um animal de focinho alongado com dentes grandes, pelo cinza, patas alongadas e esbeltas; o sentido comum unifica estes dados e, ainda que a imaginación ou a memória não entrassem em jogo (isto é que nunca tivesse visto a um lobo dantes), a ovelha percebe adiante deste objecto o imperativo do instinto "Corre!". Isto é devido à valoração que fez a estimativa.
Analisado já o conjunto de operações dos sentidos internos, expliquemos o que estava pendente.
O phantasma é o conjunto de qualidades unificadas pelo sentido comum ajudado da imaginación ou fantasía, de onde toma o nome de fantasma, colorido de uma valoração concreta pela estimativa ou cogitativa e armazenado na memória. Criámos-nos phantasmas dos objectos que percebemos, ainda que, a diferença dos conceitos, os phantasmas são concretos.
Os conceitos costumam ser genéricos (a casa), os phantasmas são concretos: o phantasma que me fiz de minha casa tem à cozinha em um lugar, as escadas em outro, possivelmente até a altura e o número de degraus, etc.
Para explicá-lo melhor, ponhamos outra vez como exemplo a quotidiana actividade de comer, mas agreguemos o ingrediente extra de enganar à imaginación fazendo uma broma. Quando se provaram várias vezes as gomitas sabor fresa, os sentidos internos têm criado já não só um phantasma senão inclusive um conceito das gomitas de fresa.
Se alguém nos dá a provar umas gomitas que parecem sabor fresa, mas que estão "sazonadas" com sal de alho, os sentidos externos perceberão as gomitas, mas só fá-lo-á a vista e o tacto com a mão, o gosto não tem entrado em jogo. A memória trará através do conceito o phantasma das gomitas de fresa, este já está valorizado pela estimativa como algo bom e sabroso. Apesar de que só se percebeu a cor e o tacto, a imaginación completará as percepciones de gosto e olfacto que faltam, em base ao phantasma.
No momento em que os sentidos externos de gosto e olfacto percebem a realidade concreta do sabor a sal de alho, se cria um momento de confusão, ao não concordar o que a imaginación e memória trouxeram à mente e o que de facto se percebeu. Este é precisamente o ingrediente que faz "apetecible" fazer uma broma, o facto de que se crê um contraste entre a realidade e o que a imaginación tem criado.
É necessário destacar a importância dos sentidos internos, já que estes "nos apresentam ao existente concreto, nos põem em contacto com ele, ao o captar em uma verdadeira 'unidade'." "De facto, a existência concreta dos entes sensíveis não é objecto nem dos sentidos externos, nem do intelecto (que conhece directamente só o universal), senão da cogitativa [ou estimativa] (a qual capta tudo sensível per accidens particular)." "O sentido interno move-se ainda na ordem do concreto, o singular. No entanto, per accidens, dá-se já, ao menos inicialmente, uma verdadeira percepción indirecta do universal, a qual constituirá o fundamento do labor ulterior do intelecto." A intelección.
Uma vez conhecidas as etapas do conhecimento sensitivo, explicaremos agora as fases do conhecimento intelectivo.
Para entender exactamente o que é a conceptualización, faz falta entender o conceito filosófico de esencia. A esencia é algo que se encontra no âmbito de abstracção ou separação do concreto e material. Pelo mesmo fala-se no âmbito metafísico.
A esencia é aquilo pelo que uma coisa é isso e não outra coisa, falando ao nível do ser. Aquilo que causa que um homem seja homem é precisamente seu esencia, a humanidade; aquilo que faz que um relógio seja relógio, é seu esencia, e neste sentido poder-se-ia falar da relojeidad.
Ao igual que outros muitos conceitos no âmbito metafísico, a definição de esencia é curta e singela, mas é difícil desentrañar o sentido que tem e também é difícil o explicar; sem dúvida é trabalho do próprio intelecto chegar a entender o conceito de esencia.
Mesmo assim, ponhamos um exemplo. O que faz que um computador seja computador, o captamos ainda que nos custe trabalho o descrever. Se dizemos que o computador é um teclado com um monitor e um CPU, poderemos reunir uma calculadora, uma televisão e uma máquina de escrever e não temos obtido um computador, porque não temos obtido seu esencia. Se dizemos que é uma máquina capaz de realizar cálculos não unicamente matemáticos, que os elementos dos que falávamos devem estar conectados de forma que se possam comunicar entre eles, então nos estamos a acercar à esencia do computador.
No entanto, a esencia não é a definição, senão é o que faz ao computador SER computador. Aqui radica a dificuldade, já que fala-se a nível do ser e pelo mesmo a nível sumamente abstrato desprendido de toda materialidad.
Até aqui nossa explicação e seguimos adiante com a conceptualización.
Conceptualización significa generalização, é o acto pelo que se "entende" a esencia de uma coisa. O conceito atañe ao mais significativo, ao essencial do objecto. Pelo mesmo, não se pode dizer que "o homem é uma ave implume", como de facto o disse algum filósofo da Grécia antiga.
Em verdadeiro sentido esta forma de entender o conceito funciona: "Se tem dois pés e não tem plumas, então é homem", o qual é verdadeiro e funcional, mas não é do todo correcto. Porque poder-se-ia dizer então que um homem apanho não é homem, porque não tem duas pernas ou, pior ainda, que um frango desplumado é um homem.
O correcto isto é que o homem é um animal racional, porque isto atañe à esencia do homem, que é a inteligência. Não vai ao acidental senão ao essencial.
Pelo mesmo, um conceito não é um conjunto de características. O acto de conceptuar é uma iluminação da inteligência. Esta é a razão pela que é às vezes arduo definir o conceito de algo, porque o conceito é totalmente abstrato e precisa do exercício da razão para o expressar. Muitas vezes os meninos têm o conceito dos objectos, mas não o podem expressar; o mesmo sucede com estudantes com pouca experiência em uma carreira, que não são capazes de definir, por exemplo, o que é um sistema operativo, ainda que possivelmente sim sabem o que é.
"A conceptualización nasce de uma maravilha, de uma pergunta de em frente aos dados do conhecimento sensível, mas vai para além destes dados. É um acto que pode demorar em se verificar, mas quando se verifica é instantâneo, é um flash, uma iluminação"
Fazendo agora um repaso: uma vez que os sentidos têm captado ao objecto e os sentidos internos o unificaram e se criou o phantasma correspondente, o intelecto actua sobre o phantasma para captar a esencia do objecto material.
Se um estudante novo de uma carreira de computação jamais tem escutado sobre os sistemas operativos, a primeira vez que o conheça por médio dos sentidos, fá-se-á um phantasma deste. Se vê um segundo sistema operativo diverso do primeiro, voltar-se-á a fazer um phantasma deste segundo sistema operativo. Esta criação de diversos phantasmas seguirá até que o estudante esteja em grau de conceptuar o que é um sistema operativo e esta conceptualización fá-la-á por médio do intelecto, actuando sempre sobre os dados que têm recabado os sentidos.
O julgamento é o acto intelectivo pelo que se afirma ou se nega algo de alguma coisa. Em forma geral, o julgamento tem o esquema "Sujeito é Pregado"; onde o verbo ser tem uma importância particular, já que envia sempre à questão do ser das coisas, ao âmbito metafísico.
É possível que se dê um julgamento em forma negativa: "Sujeito não é Pregado"; portanto, o julgamento é um acto pelo que se agregam ou separam dois conceitos.
O julgamento presupone sempre a conceptualización; o conceito é, por assim o dizer, a matéria do julgamento.
Por outro lado, o pensamento não se realiza por médio de conceitos, senão mais bem por médio de julgamentos mais ou menos complexos.
Ponhamos um exemplo. Pensemos em um estudante mediamente inteligente de computação, com mais ou menos experiência no uso do sistema operativo mais difundido actualmente. Pode ser que o estudante de nosso exemplo em um dia trabalhe com uma máquina diversa à que habitualmente usa com um sistema operativo diverso ao que utiliza. Utilizará programas dentro desta máquina e em um momento dado dar-se-á conta que está a utilizar um sistema operativo chamado Linux. Quando se dê conta disto, ou mais bem, quando consiga conceptuar a Linux como sistema operativo, então emitirá o julgamento "Linux é um sistema operativo".
O razonamiento é uma actividade psíquica de ordem cognitivo pela que se associa um sujeito a um pregado, cujo nexo não é do todo evidente. Um exemplo seria: "Os sistemas operativos que não se bloqueiam são sistemas robustos, é de modo que Linux não se me tem bloqueado, portanto Linux é um sistema operativo robusto". Isto é, o razonamiento dá como resultado um julgamento, mas não em virtude da evidência imediata entre o sujeito e o pregado, senão em razão de um nexo necessário que o intelecto prende por médio da verdade suposta dos julgamentos dados.
O veículo normal, por assim o dizer, do razonamiento é a lógica. Utilizando uma lógica elaboram-se razonamientos. É importante ter em conta isto já que, isto é o que faz possível simular o razonamiento. Esta é a base teórica para que algumas aplicações de IA funcionem.
Com isto temos terminado de ver as fases principais do processo intelectivo, desde a sensação até o julgamento.
No ponto anterior viram-se já algumas das bases do realismo crítico, e a forma em que este sistema filosófico concebe a intelección. No entanto, a inteligência não é sozinho razonamiento já que uma parte importante da inteligência é a intuición.
Muitas vezes dizemos que os computadores são tontos porque para "entender" algo precisam longos processos enquanto nós o fazemos rapidamente. A razão é que o intelecto humano tem uma parte racional e outra parte intuitiva; a IA poderá simular o racional mas nunca o intuitivo.
Não todos entendem a inteligência como uma faculdade espiritual nem dão por sentado o carácter intuitivo desta. Mais adiante provar-se-á a natureza espiritual da inteligência, analisaremos agora seu carácter intuitivo e racional.
Pelo carácter intuitivo da inteligência, captam-se instantaneamente realidades e aparecem à mente (ao intelecto) como verdadeiras ou falsas. Por seu carácter racional, como já o vimos, a mente é capaz de sacar conclusões de acordo a razonamientos; é o trabalho intelectual que o homem costuma fazer com mais frequência.
Pela parte racional pode-se demonstrar se os ângulos da base de um triângulo isósceles são iguais ou não, pela parte intuitiva, se pode chegar a "descobrir" um caminho para demonstrar o anterior.
A parte intuitiva dá-se por médio de uma iluminação espiritual é o "heureca" que nos faz entender algo ou não ajuda a demonstrar algo. É o que fez que Newton intuyera a teoria da gravidade quando uma maçã lhe caiu na cabeça. O que lhe fez pensar a Arquímedes que poderia comprovar se a coroa do rei era de ouro ou não quando se meteu na tina para se dar um banho.
Esta parte intuitiva pude-se comprovar ao analisar a mudança que se dá entre um estado mental de escuridão e um de iluminação adiante de um conceito que se deseja entender. Em ambos estados mentais pode ser que se tenham os mesmos dados, os mesmos razonamientos, mas em um já se entendeu e no outro ainda não.
Dantes de analisar este carácter espiritual da inteligência, é necessário indicar que o acto de conhecimento é um, portanto tem uma unidade específica. Isto faz que o intelecto de alguma maneira dependa da matéria para fazer seu trabalho, mas só em certa maneira.
Temos já analisado as duas etapas do conhecimento, a etapa sensitiva e a etapa intelectiva. Temos dito que a etapa sensitiva está muito unida ao cérebro, e agora precisamos provar que, apesar da unidade do acto de conhecimento e a dependência do cérebro na primeira etapa, a inteligência é de carácter espiritual.
O acto de conhecimento é intrinsecamente independente da matéria, mas extrínsecamente dependente dela. Extrínsecamente depende dela, porque o intelecto actua sobre os dados administrados pelos sentidos, sem que isso signifique que estes dados devam ser materiais. Mas intrinsecamente independente porque é uma actividade que se separa da matéria.
Para prová-lo, utilizaremos dois argumentos: a inteligência é espiritual pelo objecto próprio do intelecto e o intelecto tem a capacidade de reflexão completa (reditio completa em termos técnicos).
a) Pelo objecto próprio do intelecto.
O objecto próprio do intelecto é aquilo que lhe é primeiramente e por si mesmo evidente, isto é, sobre o que o intelecto primariamente actua. Aquilo que é primeiramente e por si mesmo evidente ao intelecto é a esencia das coisas materiais. Como já o vimos, após o acto de conhecimento sensível, o intelecto conceptualiza e por médio desta conceptualización capta aquilo pelo que o objecto é isso e não outra coisa, isto é, a esencia; esta esencia é sobre o que o intelecto actua primariamente.
Por outra parte, o conceito deve ser sumamente geral e abstrato, o conceito não se refere ao singular senão ao universal. O conceito de livro não é "O Quijote", nem "A Eneida", nem "Assim foi Pancho Villa", nem nenhum outro livro concreto e singular, é o conceito de livro, aquilo que faz a um livro um livro e não uma revista ou um jornal. Este conceito é, pelo mesmo, não material, já que prescinde de toda materialidad ("Este livro"), e ao ser não material é espiritual. De facto, a matéria é condição do concreto. Um livro concreto é um pedaço de matéria. Enquanto a inmaterialidad é condição da intelección.
"Assim, eu vejo uma "árvore" e percebo uma "canção"; vejo "esta" árvore e percebo "esta" canção. Isto é, vejo objectos sensíveis e singulares. Enquanto não vejo e não percebo objectos que non são sensíveis e particulares: assim, não vejo a Deus, não sento a bondade; assim também não, não vejo a árvore (em abstrato) e não percebo a música (em abstrato)."
b) Pela reditio completa.
Transcribo a explicação que dá o Dr. Ramón Lucas ao respecto:
"A capacidade de reditio completa exige que o intelecto seja espiritual. O intelecto não conhece através da modificação material de um órgão, e portanto é capaz de perceber o próprio acto [chamado reditio completa] porque é intrinsecamente independente da matéria. A capacidade de perceber o próprio acto em modo reflito, isto é, de ter o próprio acto de pensar como objecto do próprio pensamento, implica liberdade e independência da matéria, de outra forma tal reflexão resulta impossível; como o olho não pode se ver a si mesmo, assim o intelecto, se estivesse unido à matéria, não poderia se pensar a si mesmo."
Efectivamente, o olho não é capaz de ver a visão que tem; nem a visão como operação, nem o dado visto. Enquanto a inteligência pode, por um lado, pensar no acto dela mesma pensando, reflexionar na capacidade que tem de pensar, e por outra parte pode reflexionar ou pensar, por exemplo, nos conceitos, que são fruto de seu acto de pensar.
Aliás o que aqui se apresenta é fruto da reflexão do autor sobre o acto de conhecimento, o que implica que o autor tem reflexionado nos actos intelectivos que tem feito. Relação entre cérebro e inteligência.
Para terminar com este tema, terá que dizer algo sobre a relação que existe entre a inteligência e o cérebro. Isto cobra importância porque existe a tese de tentar criar um cérebro para obter uma mente.
Supondo hipoteticamente que fosse possível a criação de uma cópia do cérebro, seja por médio de redes neuronales ou por outro médio, segue existindo o problema de lhe fazer pensar, isto é conseguir a inteligência.
A crença de que o cérebro é o órgão do pensamento está bastante difundida. Pude ser em parte porque é instintivo pensá-lo assim, como também é instintivo pensar que amamos com o coração, coisa que não é do todo verdadeira.
Como o anotamos em outro momento, poderia se chegar a pensar que bem como existe uma faculdade da vista à que corresponde um órgão que é o olho e uma operação que é ver, assim existe uma faculdade que é a inteligência à que corresponde um órgão que é o cérebro e uma operação que é o pensar. Prova disto é que um dano no cérebro implica um dano na faculdade da inteligência, da mesma maneira em que um dano no olho implica um dano na faculdade da visão. Isto é fácil de comprovar quando ocorre com um golpe no cérebro ou com o deterioro do cérebro na velhice ou com alguma doença, como um tumor cerebral.
A maneira de explicar que isto não é verdadeiro é voltando à prova da natureza espiritual da inteligência, agregando o princípio de causalidad.
O princípio de causalidad diz que a causa de algo deve ser proporcionada ao efeito. A causa do funcionamento de uma bombilla eléctrica não pode ser o soprar pelo cabo da luz. A causa é a corrente eléctrica.
"Agora, pelo princípio de causalidad, o que é material não pode ser causa do que é espiritual: a causa (material) não estaria proporcionada ao efeito (espiritual). Por isso, a causa do conhecimento intelectual [sendo este conhecimento espiritual] não pode ser outro que uma causa espiritual como o é precisamente a inteligência."
A relação entre inteligência e cérebro não é causal, senão instrumental. Isto é, a inteligência serve-se do cérebro para pensar, mas não pensa com ele. Já temos analisado a maneira em que a inteligência se serve do cérebro, já que é o cérebro quem apresenta os dados adequados aos sentidos internos e à inteligência para que esta consiga captar a esencia da coisa sensível. Se não existe este "apresentar dados", o intelecto não pode actuar. Assim se explica o por que um dano ao cérebro é causa de um dano à faculdade da inteligência.
No entanto, dito a maneira de comentário, o que exista um dano no cérebro não implica que deixe de existir a faculdade da inteligência; deixa de existir a possibilidade de que esta inteligência entre em acto mediante a apresentação de dados.
Outro exemplo da dependência innegable entre a inteligência e o cérebro, é a faculdade da memória, que pode perder por um golpe forte no cráneo que afecte ao cérebro. Mas isto fala, como já se disse, de uma dependência, de uma interacção mas não evidência que o cérebro seja o órgão da inteligência.
Dentro da inteligência estão também implicadas as emoções, os ideais, o cansaço, a alimentação, etc. O homem é um todo feito de matéria e espírito que não formam uma dicotomía senão uma unidade. Esta filosofia encontra-se em franca contradição com o enfoque positivista da investigação científica, o qual propõe que conquanto é verdadeiro não é possível atingir uma verdade absoluta -pois a matéria é infinita em profundidade-, a consciência humana em seu desenvolvimento histórico vai obtendo grãos do conhecimento: lucros parciais mas VERDADEIROS. Por exemplo: as propriedades antibióticas da penicilina.
Por outro lado o positivismo desconhece a possibilidade de existência de entes metafísicos, outro ponto de polémica com o realismo crítico. Para o realismo crítico a realidade tem manifestações físicas e metafísicas, para o positivismo só o que pode se perceber por médio dos sentidos existe, deixando fosse do espectro de possibilidade de existência, por exemplo aos sentimentos, a consciência humana, o conocimeinto e inclusive às ideias.
[1] Este ponto está praticamente tomado de Montes Skertchly Hugo, "Condições de Possibilidade da IA", p. 45, tese licenciatura, Ou.A.A.
[2] Cor, forma, temperatura, som, etc.
[3] Pascual Rafael, "Filosofia do Mundo Físico", p. 39, Párr. 2.
[4] "Teoria do conhecimento do saber cientista." Isto é, a primeira fase do conhecimento científico começa sempre pela percepción dos sentidos. Definição tomada de Grande Dicionário Enciclopédico, Praça & Janés, Vol. 6, Espanha 1997. [[ur:gvdddd brafht]