Richard John Neuhaus (21 de maio de 1936 - 8 de janeiro de 2009 ) foi um prominente sacerdote católico e escritor nascido no Canadá, naturalizado estadounidense. Próximo, ainda que não oficial, colaborador do presidente George W. Bush, a quem asesoraba em uma série de assuntos éticos e religiosos, entre os quais se achavam o aborto, a investigação de células mãe e a clonagem.[1] No ano 2005 foi nomeado como um dos "25 evangélicos mais influentes dos Estados Unidos" pela revista Time.[1]
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Nasceu em Pembroke, Ontario, como um de oito filhos de um ministro luterano. Ordenou-se como ministro ao redor de 1960, servindo logo como pastor em uma congregación de escassos recursos em Brooklyn, Nova York.[2] Mostrou-se a favor das políticas liberais até o caso Roe contra Wade. Neuhaus originou a chamada "Lei de Neuhaus",[3] a qual enuncia que "Onde a ortodoxia é opcional, tarde ou cedo será proscrita".
Em 1990 fundou o jornal First Things, publicado pelo Institute on Religion and Public Life e converteu-se ao catolicismo o 8 de setembro do mesmo ano.[4] Em um ano depois, foi ordenado sacerdote pelo cardeal John Joseph Ou'Connor.
Em uma carta dirigida a seus amigos e colegas explicou as razões que lhe moveram a se converter ao catolicismo. Estava convencido de que “já não era necessária, se alguma vez o foi, a existência eclesial separada do luteranismo”. Por isso, se lançou a “procurar a reconciliação eclesial e restaurar a plena comunión com o bispo de Roma e as Igrejas em comunión com ele”.
Desde esse momento, o ecumenismo converteu-se em um de seus principais empeños. Em 1994 promoveu, junto com Charles Colson, a declaração “Evangelicals and Catholics Together”.[5] A ela se aderiram destacadas personalidades como Mary Ann Glendon ou o reverendo Pat Robertson. Também fundou o Institute Center on Religion and Society de Nova York, um foro de encontro entre teólogos protestantes e católicos.
Outra preocupação fundamental de Neuhaus foi o papel da religião na vida pública. Ocupou-se pela primeira vez desta questão em seu livro The Naked Public Square, publicado em 1984. Esta obra nutriu com sugerentes ideias a convicção de que a religião não deve ficar enclausurada na vida privada.
Três anos depois voltou a abordar o assunto em The Catholic Moment. Sua tese principal é que as Igrejas protestantes, baixo a guia dos “teólogos da secularización”, estão em processo de descomposição e sem recursos para regenerar espiritualmente a sociedade norte-americana. Nesta situação —afirma Neuhaus—, só do catolicismo pode vir uma proposta válida.
Por que precisamente da Igreja católica? “Porque as demais comunidades cristãs –declarava Neuhaus em uma entrevista– não têm estado à altura das circunstâncias: ou têm adaptado acríticamente a fé cristã aos parámetros culturais dominantes, perdendo sua particularidade cristã; ou afastaram-se do mundo contemporâneo, refugiando-se em um ghetto do fideísmo”.
Isto tem criado um vazio de valores na vida pública. Neuhaus detecta nos Estados Unidos “uma fome profunda de um depoimento religioso público que possa elevar o nível moral de nossa sociedade”. O catolicismo seria a força religiosa mais consistente para empreender esta tarefa, pois sua doutrina leva-lhe a não renunciar a um julgamento moral sobre a vida pública, sem recorrer ao mesmo tempo a soluções teocráticas.
Neuhaus está considerado, junto com George Weigel e Michael Novak, um dos intelectuais católicos mais emblemáticos dos Estados Unidos. Asesoró ao presidente George W. Bush em questões controvertidas como o aborto, a investigação com células mãe ou a clonagem. Em 2005 a revista Time incluiu-o —apesar de sua afiliación católica— na lista dos 25 evangélicos mais influentes dos Estados Unidos.
Em um artigo publicado por National Catholic Reporter (8-01-2009), o jornalista John L. Allen descreve a Neuhaus como o artífice de duas alianças com importantes repercussões na política estadounidense: uma entre católicos ortodoxos e evangélicos; a outra, entre os defensores da economia de mercado e os votantes que atribuem particular a atenção a questões de valores.[6]
Na mesma linha, Ross Douthat destaca em The Atlantic (8-01-2009) a capacidade de Neuhaus –fruto de seu interesse pelo humano– de “tender pontes entre judeus e cristãos, protestantes e católicos, a fé e a economia de mercado e, sobretudo, entre cristianismo e liberalismo”.[7]
Como dado interessante, foi comentarista para a corrente televisiva EWTN durante o funeral do papa Juan Pablo II e a eleição do papa Benedicto XVI.
Neuhaus promove o diálogo ecuménico e o conservadurismo social. Em 1995 editou junto com Charles Colson o livro Evangelicals and Catholics Together: Toward a Common Mission, um manifesto ecuménico muito debatido, pois certos grupos de católicos e evangélicos asseguraram que Neuhaus e Colson comprometeram várias doutrinas fundamentais para promover uma agenda neoconservadora, ao mesmo tempo que de maneira injusta demandaban a ambas ramos do Cristianismo que deixassem de tentar de se converter entre si.
Também tem expressado uma forte esperança em uma possível salvação universal, mas nunca a ensinou como doutrina, fazendo énfasis em que é uma esperança, não uma crença, chegando a afirmar que "Em resumem: não o sabemos; só Deus sabe; mas podemos ter esperança". Assim mesmo, escreveu que
Ao igual que o cardeal Cormac Murphy-Ou'Connor, tem dito que não é possível determinar se o inferno está de facto povoado por alguém.[8]
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