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Sinapomorfia

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Tipula paludosa, um mosquito da família tipulidos. Na ampliação podem observar-se os halterios, exemplo de carácter sinapomórfico da ordem Diptera.

Uma sinapomorfia ou sinapomorfía (do grego σύν, sem = com, ἀπό, apo = na distância μορφή, morphé = forma) é um carácter homólogo apomórfico (isto é, uma novidade evolutiva) compartilhado por duas ou mais taxones. Em Biologia sistémica, os grupos monofiléticos (com um ancestro comum) de organismos podem ser reconhecidos através daqueles caracteres que se originaram em seu ancestro comum, que são portanto compartilhados por todo o grupo (incluído o ancestro comum), isto é, pelas sinapomorfias. O conceito foi primeiro formalizado por Hennig (1966) e Wagner (1980) e está no centro da metodología da análise filogenético.

A sinapomorfía opõe-se tanto à simplesiomorfia como à homoplasia: as simplesiomorfias são caracteres primitivos compartilhados que se originaram no ancestro comum mais recente; as homoplasias são caracteres superficialmente similares mas evoluídos independentemente.

As sinapomorfias constituem-se assim no fundamento para a classificação filogenética (a baseada no parentesco) dos seres vivos. Graças a elas se definem grupos holofiléticos (monofiléticos no sentido de Willi Hennig). Os caracteres com que se descrevem grupos parafiléticos, definidos pela exclusão de um grupo holofilético de outro maior, são simplesiomorfias. Só as sinapomorfias, não as simplesiomorfías, constituem argumentos válidos em favor da monofilia (holofilia) do grupo de taxones que a compartilham.

Os conceitos tanto de apomorfía como de plesiomorfía são relativos a um verdadeiro nível de generalidad, isto é, que o que aparece como apomorfía em um determinado nível de generalidad pode ser uma plesiomorfía em outro nível. Por exemplo, nas ratas e os macacos, os cinco dedos do pé constituem uma simplesiomorfia, mas nos tetrápodos em general o rasgo pode ser uma sinapomorfia.

Conteúdo

As sinapomorfias em cladística

Em cladística , as sinapomorfías são caracteres úteis para construir a filogenia do grupo estudado. São elas as que definem os clados (grupos monofiléticos). Para isso, ao construir o cladograma do grupo estudado, as sinapomorfias se agregam ao gráfico como uma marquita no ramo do ancestro comum, justo embaixo da primeira ramificação do clado (ver gráfico). Não é necessário que as sinapomorfias estejam presentes em todos os membros de um clado, pois alguns podem a ter perdido em forma secundária a sua aquisição. Também alguns podem possuir a sinapomorfia em forma muito modificada (por exemplo é uma sinapomorfia o polen tricolpado do clado dos tricolpados, hoje chamados Eudicotyledoneae, ainda que o clado possui muitas formas derivadas de polen).

Há três formas de definir um clado, alguns o definem a partir do aparecimento da apomorfia, outros a partir de que se ramificó do clado mais abarcativo a este, e outros a partir da ramificação em mais subclados:

As sinapomorfías são uma das 3 formas de definir um clado Segundo o PhyloCode.

Aqui um exemplo real de um cladograma com seus sinapomorfías marcadas:

Exemplo de cladograma ao que se lhe têm agregado as sinapomorfías As sinapomorfías se marcam com uma barrita que "corta" ao ramo no lugar em que se hipotetiza que foi originada. Neste caso a barrita foi pintada de vermelho escuro.

Note-se que as sinapomorfias marcadas no cladograma do exemplo são só sinapomorfias para os taxones que estão por acima da sinapomorfia, e que são afectados por ela. Por exemplo, é incorreto dizer que os megafilos ("folhas grandes") são uma sinapomorfia das espermatofitas: os megafilos são uma sinapomorfia de todo o clado que está por acima deles, que são as eufilofitas (aliás os megafilos são uma simplesiomorfia para as espermatofitas, já que são um carácter ancestral mais abarcativo, compartilhado por esse clado e outros mais).

Sinapomorfia e homoplasia

Como se dão conta os cientistas de que caracteres são sinapomorfías que definem um clado e daí caracteres foram originados muitas vezes em forma independente, e não definem um clado? Não é exagerado dizer que dantes dependiam mais da intuición dos biólogos sistémicos que de outra coisa. Algumas coisas ajudam: se o carácter é complicado de construir em termos genéticos (isto é, se precisa muitas mutaciones ou mutaciones muito improváveis) então provavelmente esse carácter tenha sido originado uma sozinha vez na história dos seres vivos, e seja uma sinapomorfía, compartilhado só pelo ancestro comum onde se originou uma única vez, e seus descendentes.

Hoje em dia o termo é mais utilizado nas análises moleculares do DNA que nos morfológicos: as mutaciones improváveis do DNA são suspeitadas como sinapomorfías (é "improvável" um investimento do DNA de muitas kilobases, uma perda ou dulplicación de uma parte importante de um cromosoma, o translado de um sector importante -muito grande- de um cromosoma a outro cromosoma, entre outros). Uma vez a árvore filogenético baseado no estudo molecular do DNA está delineado, procuram-se a posteriori as sinapomorfias morfológicas. Se priorizan os caracteres do DNA por sobre os morfológicos para procurar sinapomorfias, porque os caracteres morfológicos para ser moldados, além de depender do DNA, dependem da pressão de selecção natural, pelo que há uma grande quantidade de caracteres análogos (que são morfológicamente similares porque foram seleccionados pela pressão de selecção, mas não têm a mesma origem genética, e não compartilham um antecessor comum) que dificultam a busca de sinapomorfias. Um exemplo é o talho suculento das cactáceas e o das euforbiáceas, que foram originados independentemente pela pressão de selecção natural que os adaptou a sobreviver em ambientes desérticos.

Exemplos


Veja-se também

Referências

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/a/n/d/Andorra.html"