| Siniestro Total | |
|---|---|
Siniestro Total na Corunha, 2007 | |
| Informação pessoal | |
| Origem | Vigo, Galiza, Espanha |
| Informação artística | |
| Género(s) | Punk Rock Hard Rock |
| Período de actividade | 1981- Actualidade |
| Discográfica(s) | DRO BMG/Ariola Virgin O Diabo |
| Artistas relacionados | Golpes Baixos Aerolíneas Federais Def Com Dois Os Feliz Transportes Hernández e Sanjurjo |
| Site | |
| Sitio site | http://www.siniestro.com |
| Membros | |
| Julián Hernández Javier Soto Óscar Avendaño Ángel González Jorge Beltrán | |
| Antigos membros | |
| Germán Coppini Alberto Torrado Miguel Costa Segundo Grandío | |
Siniestro Total é o nome de um grupo galego de música punk-rock formado em Vigo (Galiza, Espanha) em 1981 por Julián Hernández, Alberto Torrado, Miguel Costa e Germán Coppini ainda que, depois de passar por diversas formações, actualmente está integrado por Julián Hernández, Javier Soto, Óscar G. Avendaño, Ángel González e Jorge Beltrán.
Julián Hernández e Alberto Torrado conhecem-se desde os quatro anos. Foram juntos ao Colégio Alemão. A afición de ambos pela música começa através de familiares: o primo de Julián, Luis, tem discos de Cream , The Rolling Stones e de blues , e o irmão maior de Alberto possui alguns vinilos de The Beatles e de The Shadows, além de um baixo eléctrico. No colégio os dois fazem-se mais amigos devido a seu gosto comum pela música, por enquanto por artistas como Andrés Do Varro por parte de Julián, e aos dez ou os doze anos começam a escutar grupos glam como Slade e T. Rex, e música chicle como a de Suzi Quattro ou Redbone.
Quando Julián tem ao redor de doze anos e sua irmã menor, Eva, oito, a esta última lhe presenteiam uma guitarra com sensatas de arame muito separadas do mastro, quase de brinquedo, que Julián começa a tocar empregando uma pipa de girasol, a falta de púa; enquanto, Alberto começa também a se interessar por tocar música, graças ao baixo eléctrico de seu irmão. Juntos vão comprando-se para poder tocar alguns livros de conformes de The Beatles ou The Rolling Stones. Mais tarde, aos treze anos, Julián e Alberto começam a interessar-se por grupos mais progressivos, como Pink Floyd, Soft Machine, Jethro Tull e Frank Zappa, e, quando os obrigam a entrar na equipa de balonmano do colégio, passam as horas na banda, falando de música enquanto lhes metem golos por todas partes. Junto com alguns amigos mais que compartilham seu afición se vão juntando pelas tardes, após o colégio, a cada vez em casa de um, para escutar seus discos.
Aos catorze anos Julián e Alberto terminam seus estudos no Colégio Alemão, mas têm que convalidarlos em um instituto reconhecido, e o que resulta mais próximo para o primeiro é o Instituto do Calvario, onde sua mãe dá classes de desenho; Alberto, por sua vez, vai-se a outro diferente, ainda que não por isso deixam de se ver, já que de vez em quando ficam para tocar e tentar sacar algo coerente com dois guitarras espanholas.
O 20 de novembro de 1975 morre o general Francisco Franco, pelo que se decretam férias por luto nacional, e Julián volta a sua casa dantes do normal. Ao chegar chama-o Alberto, que lhe diz que vá a sua casa para lhe ensinar algo, de modo que Julián assim que termina de comer corre para ver que é. Trata-se de uma guitarra Ibanez negra imitação Lhes Paul que lhe presenteou sua mãe, vendo que a seu filho gostava da música, e um amplificador antigo de válvulas Jomadi que lhe prestou seu irmão para poder tocar, o qual entusiasma a Julián.
Ao pouco tempo de entrar no instituto Julián começa a assistir a classes no conservatorio, com o que seus conhecimentos sobre música vão melhorando, e já pode tocar algumas coisas com Alberto, como uma versão de doze minutos com muitos adornos de uma canção de Genesis , e algo de Pink Floyd. Alberto começa a refinar seus gustos musicais, passando definitivamente ao rock sinfónico e progressivo e ao folk rock americano e esquecendo a grupos como Slade. Ademais começam a compor alguns temas instrumentales (já que nenhum dos dois se atreve a cantar) se baseando nos conformes que o irmão de Alberto lhe passa a ele e este a sua vez a Julián.
Na classe de Julián no instituto está Tochi, irmão de Javier Soto aficionado ao country, algo que o faz bastante raro; mas ao menos gosta da música, o que faz que comecem a falar com frequência e Julián acabe por conhecer ao irmão de Tochi, Javier, em um ano menor que ele. Javier é muito amigo de Miguel Costa, com o que compra assiduamente a revista Disco Express, praticamente única fonte de informação musical à que têm acesso por aquele então, e cujos artigos Miguel costuma se aprender de cor. Finalmente Julián apresenta-lhes a Javier e Miguel a Alberto, que é o mais virtuoso de todos eles.
Nesta época abrem em Vigo uma loja de discos chamada Elepé, que na actualidade ainda existe, e na que por comprar um disco te presenteiam bonos; e somando bonos podes conseguir discos novos. Existem então duas séries de blues a preços muito baixos, O Caminho do Blues e A Casa do Blues, que começam a comprar para depois, com os bonos que ganham, conseguir os discos mais caros. Deste modo descobrem a gente como Junior Wells, Professor Longhair ou Luther Johnson, e começam a se acercar ao blues, coisa que Julián tem começado a fazer através de sua primo Luis, já que é em princípio mais fácil de tocar que o rock progressivo. Este tem então dois guitarras: a do conservatorio e uma acústica Eko à que lhe pôs uma pastilla para poder a ligar ao amplificador ou, neste caso, a um tocadiscos.
Javier vive em uma casa na Travesía de Vigo, e nela seus pais lhes deixam tocar, o qual lhes vem muito bem a todos, já que Julián, por exemplo, vive em um andar. Entre todos compram um amplificador Talmus, e ligam todas as guitarras a uma sozinha entrada, o qual é ao menos uma melhora respecto das ligar a um tocadiscos. Deste modo começam a ensayar mais em sério, como um grupo.
Graças aos conhecimentos de Miguel extraídos de Disco Express inteiram-se de que Jethro Tull, dantes de triunfar com esse nome, lho mudavam a cada domingo; de modo que decidem não ensayar nesse dia e o dedicar a pensar um nome para o grupo. Finalmente chegam à conclusão de que tem que ser o nome que seja mais «Blues Band» ao final, chegando a se chamar de formas como «Minha carroça não mo roubaram que o prestei Blues Band». Dentro do repertorio da banda encontram-se temas originais médio improvisados como Faz calor, Tua avó sempre saca o braço pela janela, Uma gota no cogote e o instrumental Vigo, Tennessee.
A estas alturas não há um conceito de punk na actividade da banda: trata-se simplesmente de uma típica gamberrada de uns meninos de instituto com sapatilhas e vaqueiros, até que vão todos a um concerto de Cucharada no que apresentam um espectáculo titulado Irrevogavelmente inadaptados que muda sua forma de ver a música. Leva-se a cabo no salão de actos da Igreja dos Capuchinos, e nela o bajista, Manolo Tena, sai a cena vestido de freira, e em um momento dado sai um espectador dentre o público e lhe cola um tiro ao cantor, vestido de Tio Sam. Isto faz que o grupo comece a querer ser como eles e que comprem os disfarces que usam, se saibam e tentem tocar todas suas canções, etc.
Já em 1976 , aos dezasseis anos, Julián começa a interessar por outras músicas mais desconhecidas, como Can, ou complicadas, como John Cage, Pierre Boulez, Stravinski ou Varèse, coisa que Javier e Miguel desprezam. Tudo isto lhe leva a conhecer ao compositor Enrique Macías, que lhe apresenta aos membros do Grupo de Comunicação Poética Rompente, formado por Manolo Romón, Antón Reixa e Antonio Avendaño. Junto com outros grupos artísticos (músicos, pintores, etc.) organizam actuações nas que, com collages musicais criados por Julián e Enrique de fundo, o Grupo Rompente recita poesia algo subversiva, com os palcos pintados por Antón Patiño e Menchu Lambas.
Em um cinema clube de Vigo onde põem filmes em versão original subtitulada se conhecem a parte «cafre» das amizades de Julián (Miguel e Javier) e a parte intelectual, encabeçada por Antón Reixa, e ambas se olham com recelo, pois nem a Miguel e Javier lhes agrada a intelectualidad nem aos outros lhes parecem eles gente de confiança, ainda que com o tempo acabam por se fazer muito amigos.
Em 1977 Julián acaba o bachillerato, com o que vai fazer a selectividad a Santiago de Compostela, e se dá conta de que não quer fazer a carreira nessa universidade. Por conseguinte, em vez de continuar com seus estudos na Galiza marcha-se a Madri para fazer a carreira de filología e seguir seus estudos de conservatorio ali. Ajudado por seu primo Luis instala-se no Colégio Maior San Juan Evangelista, o mais barato da zona, e começa sua vida na capital.
Na universidade conhece a Sebas, bajista de Polanski e o Ardor, e a Gerardo Auger, filho do juiz Clemente Auger, e faz-se amigo deles, ainda que de todos modos aborrece a faculdade. Em verão Gerardo diz que abandona seus estudos, e isto faz que Julián, vendo que seus amigos se estão a marchar, os deixe também, ainda que promete a seus pais continuar em sério com a música para poder se fazer professor de instituto em um futuro.
Enquanto estuda no conservatorio Julián mantém suas amizades da faculdade, e através de sua prima Loló conhece a um colega seu de colégio, Pepo Fontes, mais metido no mundo da música. Ademais, a cada vez que tem férias regressa a Vigo, onde volta a tocar com a banda. No verão de 1979 fazem um cartaz fotocopiado no que aparecem uns negros e se fazem chamar «O Sexteto do Blues», e têm uma única actuação organizada por Juventudes Musicais na Prefeitura de Vigo o 26 de agosto desse mesmo ano, na que tocam clássicos de Muddy Waters ou Chuck Berry. Neste grupo Julián canta e toca o piano, coisas que não sabe fazer em absoluto.
Os membros do Grupo Rompente vêem o Sexteto do Blues e animam-se a meter algum instrumento ao vivo em suas actuações: uma guitarra (Julián), um clarinete (Moncho Alpuente), um acordeón..., e apresentam-se no Satchmo de Vigo com nomes como «Banana Coat» ou «Bebra Brothers» (nome sacado dos anões do tambor de hojalata).
Neste ano Julián, enquanto está a estudar em Madri, costuma passar pelo Rastro, loja de merchandising musical, para comprar alguma que outra coisa. Em uma ocasião compra o primeiro álbum de The Ramones em fita, e quando volta a Vigo e Miguel o escuta, este último fica fascinado por eles, e finalmente, quando The Ramones actuam em Vista Alegre, vão todos (Julián, Miguel, Javier e outro amigo, Barros) aos ver, o qual lhes demonstra que não faz falta ser um virtuoso em música para poder montar um grupo e sair a cena.
Nas navidades de 1980 começam a ir a um bar chamado «Ou Cerne dá Devoura» (em tradução livre algo bem como «O Olho do Furacão») no que seu dono, Modesto Román, põe música mais moderna que a que se põe no resto de bares da zona, como The Specials ou The Clash. Em uma ocasião Modesto diz-lhes que por ali costuma ir um tipo com pintas como as deles e dos discos que gostam, e que pelo visto canta em de um grupo chamado «Coco e os do 1500», o qual lhes estranha, já que em Vigo não há ninguém assim. Em um dia, finalmente, conhecem-no: chama-se Germán Coppini e é algo mais jovem que eles (dois anos menor que Julián, concretamente).
Primeiramente não se fazem muito amigos de Germán, senão que seguem com seu grupo, com o que por exemplo cantam poemas de Rosalía de Castro com música punk, e vendo como em Vigo vão aparecendo novas bandas de música. É então quando Julián conhece a Loquillo , que acaba de sacar seu primeiro disco e está a fazer a mili ali, e ambos se fazem bons amigos. Tudo isto lhes serve de aliciente para formar um grupo em sério.
Tão cedo como Julián volta a Madri, Javier entra a fazer a mili. Em uns meses depois, em verão de 1981 , este último volta a Vigo de permissão, e para celebrá-lo Julián apanha prestado o carro de seus pais, um Renault 12 familiar, o 20 de agosto, para ir todos ao porto a beber. Quando saem do porto para se ir tomar a última copa a um chiringuito da praia de Samil que abre toda a noite, indo pela Avenida de Beiramar, devido à espessa nevoeiro formado por vários dias de calor intenso, Julián não vê uma valla amarela que há no meio da rua até que não a têm diante; ao vê-la cola um frenazo, mas com a areia das obras e a humidade do nevoeiro o carro patina e choca contra a valla e uma enorme rocha que há depois dela, acordando a todos os vizinhos do bairro de Bouzas. Devido ao acidente são todos rapidamente transladados ao Xeral de Vigo, onde são atendidos pelo pessoal de urgências que está de guarda essa noite.
No carro em um princípio teria que ter ido Antón Reixa, mas ao final não os acompanha, já que se encontra com seu ex mulher e se vai com ela. Os que ao final sofrem o acidente são Julián, José Manuel Barros, Miguel, Javier, Alberto e Manolo Romón, ao que lhe têm que tirar o bazo nada mais entrar no hospital por uma hemorragia interna. Ainda que a Alberto e José Manuel quase não lhes passa nada, Miguel se rompe um trozo de clavícula, Javier se dá um golpe no nariz e Julián se dá um golpe com o volante, e se faz algumas brechas.
Uma vez que se recuperou de sua convalecencia, Javier volta à mili, Manolo se dedica exclusivamente à poesia e José Manuel, por sua vez, deixa totalmente o mundo artístico e se centra na psicologia. Julián, Alberto e Miguel, no entanto, seguem com a música.
O primeiro dos três consegue como presentes de fim de curso um sintetizador MS-20 e um magnetófono Teac de quatro pistas; e, durante seu convalecencia, e fazendo a percussão com o sintetizador, começam a gravar algumas coisas com o Teac. Entre o que gravam se encontram versões do Gruppo Sportivo, como uma adaptação da canção I’m a rocket baixo o título As tetas de minha noiva e uma canção original baseada em Down in the tube station at midnight, de The Jam, que lhes soa a uma frase que têm entre eles, «Matar jipis nas Cíes», de modo que este é o título que lhe põem. Aqui Miguel está escayolado, pelo que não pode tocar a guitarra, de modo que canta; Alberto toca em uma pista o baixo e em outra a guitarra, e Julián, o sintetizador como percussão.
Finalmente, termina seu convalecencia e podem sair à rua. Junto àquelas duas canções metem em um mesmo casete um tema bem mais sério gravado por Germán, com o que nestes dias têm muita mais relação. Procurando um nome com o que assinar estas gravações, estando em um bar com um amigo de Germán, aparece na televisão Mari Cruz Soriano, e ele exclama: «Pois já está: Mari Cruz Soriano e os Que Afinan seu Piano!» De maneira que apanham este nome e fazem cópias da fita, que repartem pelos bares da zona para que a ponham, e a enviam também aos amigos que têm fora: a Zaragoza , a Kike Turmix em Bilbao , etc.
Quando Julián lhes conta aos demais o balanço dos danos que a companhia tinha feito em vista dos destrozos do veículo, o qualificando como «siniestro total», Miguel simplesmente comenta: «Joder, é um bom nome para um grupo.»
Com o início do novo curso, Julián volta à capital, mas enquanto em Vigo Antón Reixa e o cantautor Bibiano estão a começar a organizar um festival, e dizem-lhe a Miguel que ele e o grupo actuem nele. Miguel chama a Julián a Madri, e este lhe responde que o que têm gravado é material de estudo, que não pode ser reproduzido ao vivo. Quando Miguel lhe conta isto a Reixa ele diz que lhes presta uma batería que lhe presentearam de pequeno e lhes deixa a garagem de seu pai para ensayar. Por conseguinte, combinam com Julián em que regressará a Vigo em uns dias dantes do concerto, em meados de dezembro, e pôr-se-ão a ensayar.
Em princípio já podem actuar no festival, mas ainda lhes falta um cantor, já que a Miguel lhe dá vergonha cantar ao vivo; mas não lhes custa muito conseguir a alguém que o faça em seu lugar, já que não têm mais que chamar a Germán. Também precisam a alguém que toque a batería de Reixa, e disto acaba por se ocupar Julián, que de todos modos não tem tocado uma batería em sua vida, e não tem nem ideia de como o fazer.
Também têm um problema com o repertorio, já que tão só contam com três canções: As tetas de minha noiva, Matar jipis nas Cíes e o tema composto por Germán. De modo que, Miguel em Vigo a um lado do telefone e Julián em Madri ao outro, começam a compor juntos canções a distância, que finalmente serão mais ou menos as que figurarão no primeiro disco do grupo.
De maneira que, assim que chegam as férias de Navidad, Julián volta a Vigo e juntos começam a ensayar como loucos na garagem do pai de Reixa, que tem uma revendedora de bebidas cuja mercadoria eles se encarregam de fazer desaparecer nos momentos de descanso. Como nomeie para o grupo apanham o sugerido por Miguel ante o balanço dos danos da companhia na que estava assegurada o Renault 12 familiar, Siniestro Total, e o 27 de dezembro de 1981 tem lugar seu primeiro concerto.
Actuam no Colégio Salesianos de Vigo, junto com outros grupos a mais renomeie como Nacha Pop, Bibiano, os portugueses Trabalhadores do Comércio e SA. Os amigos da banda de outros sectores artísticos (como Manolo Romón) se encontram na parte de acima das gradas, atirando panfletos fotocopiados nos que tão só figura o nome do grupo, e Julián tem o acerto de registar o que interpretam essa noite (a saber, entre outras, As tetas de minha noiva, Matar jipis nas Cíes, uma versão de The life and soul of the party de Petula Clark baixo o nome de Hoje te vou assassinar e outra de Little bitch como Um, dois!) em seu magnetófono Teac, que se levou ao lugar para a ocasião.
O concerto tem como engenheiro de som a Ricardo Gómez Viso, e está a apresentar pelo próprio Reixa, que diz sobre o grupo justo dantes de que comece a tocar: «Hey!, directamente chegados do Irão: música celta, esquizorock..., Siniestro Total» Por outra parte, Germán, que no local toca as canções muito tranquilo e relaxado, ao chegar ao palco apanha o micro e solta um grito aterrador, o qual surpreende ao resto da banda, à que não lhe parece que esse seja o mesmo garoto ao que conhecem; e segue assim durante o resto da actuação, aullando «exterminio!» dantes de entrar a primeira estrofa de Matar jipis nas Cíes.
Uma vez terminado o festival, Julián anima ao resto do grupo a gravar uma maqueta,já com o nome de Siniestro Total, para começar a promocionarse, utilizando o repertorio criado para o concerto nos Salesianos. Dantes de que acabem as férias de Navidad se apressam em gravar a maqueta, lhe metendo além de temas executados especialmente para a ocasião (entre as que se encontram Põe em meu lugar, Ayatolah!, Mario (Em cima do armário) e Purdey) a versão electrónica que já têm de Matar jipis nas Cíes e algo do primeiro concerto. Para as canções novas utilizam já a batería para valer de Reixa em uma das quatro pistas do Teac, e quando acabam as férias Julián se leva a fita a Madri.
No final de janeiro de 1982 Pepo Fontes passa-lhe a Julián o telefone de Jesús Ordovás, que tem um programa em Rádio 3 de Rádio Nacional de Espanha chamado Isto não é Hawaii e que poderia promocionar ao grupo. Julián chama-o e ficam na praça de Espanha, onde lhe passa a fita com a maqueta.
Dez dias após este encontro, as canções ainda não têm soado no programa de Ordovás, pelo que Julián pensa que já não pôr, devido à brutalidad das letras; mas uma noite, quando já está quase dormido, soa Põe em meu lugar, e ao dia seguinte lume a Vigo para lho contar ao resto do grupo. Pouco a pouco, a petição popular, Ordovás vai subindo o nível de crudeza das canções.
Julián pretende tocar no RockOla, mas está fechado por reformas, de modo que através de Kike Turmix contacta com seu dono Lorenzo, que também é proprietário do Marquee, outro local da zona. Lorenzo que tem ouvido a maqueta do grupo e está interessado em que toquem para fechar uma festa neste último local; de modo que Alberto, Miguel e Germán viajam de Vigo à capital para actuar. Juanma, dos Elegantes, presta-lhes o amplificador do baixo, e Derribos Arias actuam como teloneros, tendo lugar assim o primeiro concerto de Siniestro em Madri.
É depois de um concerto de Derribos Arias, esse mesmo inverno, quando Julián conhece a Servando Carballar, director de DRO (Discos Radioactivos Organizados), casa discográfica na que publicam seus trabalhos estes últimos, através de Pepo Fontes. Ficam em casa de Servando, onde Julián lhe ensina a maqueta que têm gravada, e o primeiro responde que soa muito mau, mas que em Madri já há lugares onde por um módico preço se pode gravar em condições, ainda que em Vigo não seja assim. Oferece-lhe, pois, editar um trabalho, pagando a médias a atirada, e Julián propõe voltar a gravar a maqueta mas de um modo mais profissional.
Por conseguinte, em Semana Santa desse mesmo ano o resto do grupo baixa de novo a Madri para gravar quatro temas para um EP; regraban Ayatolah!, Mario (Em cima do armário) e Purdey, com Germán à voz, Miguel à guitarra, Alberto ao baixo e Julián à batería, e incluem de novo a versão electrónica de Matar jipis nas Cíes da maqueta de Mari Cruz Soriano e os Que Afinan seu Piano, e ao lhe ir ensinar o a Servando, este decide difundir que estão gravadas ao vivo no inexistente Clube Botafumeiro de Vigo, para justificar a má qualidade do som. Ainda faltam o título e a portada do EP, mas não se demora muito em dar com eles: Julián apanha uma revista antiga que guarda seu pai em sua casa, e saca dela a foto de umas enfermeiras acompanhada pelo lema «Ajudando aos doentes». Posteriormente Ángel Mata retoca a fotografia para que fique mais punk, e assim sai em junho o primeiro trabalho oficial do grupo.
A princípios de junho organiza-se no RockOla uma festa com grupos de DRO, na que a banda participa, de maneira que viajam todos em comboio a Madri; e, nada mais baixar do comboio, vão directamente a Escridiscos, em Callao, para ver se têm ali o EP que acabam de editar. Descobrem que o têm, e Julián compra uma instância que ainda conserva.
Pouco depois, em julho, Siniestro participa, depois de muita insistencia por parte de Suso Iglesias e José Ángel González, em um concurso na Corunha que eles duas organizam com a condição de que todo o que se apresente não tenha gravado ainda nada (condição que o grupo não cumpre, ainda que ninguém o sabe), e saem ao palco bastante bebidos. Uma vez terminadas as actuações, muitos entre o júri consideram-nos ganhadores, mas é esse momento quando aparece o filho quinceañero do jornalista musical Nonito Pereira, que era o membro mais jovem do júri, com o EP na mão. E ficam descalificados. Depois, para voltar a Vigo, Julián vai de comboio, enquanto Miguel e Germán vão-se juntos em carro, e têm que parar em um restaurante para chamar por telefone; ali está a celebrar-se uma reunião de militares, e Germán leva, como é habitual nos concertos da banda, pantalón e camisa militares, de modo que os outros lhe pedem a documentação, até que seus pais têm que ir com a cartilla militar aos resgatar.
Durante o verão Julián e Miguel escrevem juntos muitas canções, trocando ideias constantemente; e em um dia Germán vai a eles com uma letra titulada Maus tempos para a lírica, de temática bem mais séria que a dos temas que os outros dois, lhes pedindo que lhe ponham música, ao que eles se negam, já que não se sentem capazes tratando de uma letra como aquela. Mal dois anos depois publicá-la-á já com seu grupo Golpes Baixos, com uma música composta por Teo Cardalda.
Os ensaios nesta época já não se realizam em casa de Javier, já que seu irmão tem tido um filho e vive com sua família na parte de acima, de modo que ao final os jogaram de ali, senão na habitação de Julián, no andar de seus pais.
Pouco depois da festa no RockOla organiza-se uma excursión em autocarro com todos os grupos de DRO para ir tocar a Puertollano , que parte desde Prosperidade, e é nesta excursión onde Julián conhece a Óscar Mariné, um desenhador pouco conhecido por esse então que está a montar um negócio de merchandising, com produtos como t-shirts, gafas de sol ou chapas. Mais tarde ele será quem se encarregue de desenhar as portadas dos trabalhos do grupo.
Uma vez de volta em Vigo, Julián, os membros do Grupo Rompente e todos os demais artistas que participavam nas actuações no Satchmo voltam a actuar juntos em dito local, agora baixo o nome dos Minusválidos do Ritmo; o conceito do grupo consiste em sair ao palco com abrigos, deixar-se uma mão fosse e encolher-se uma manga, pillándosela com um imperdible, para dar a impressão de discapacitados. Miguel, por sua vez, forma junto a Manolo Romón, Antonio Cancelas (que mais tarde será doblador ao galego de J.R. na série Dallas para a Televisão Galega) e outra gente um grupo chamado Os Ratos de Vigo.
Para agosto o EP tem vendido já quatro ou cinco mil instâncias, a qual é uma muito boa cifra para um grupo da época, de modo que Servando propõe a Julián que, em vez de repartir os benefícios que se geraram com ele (cerca de 50.000 pesetas daquele então), poderiam os investir em gravar um LP, proposição que Julián aceita sem lho pensar duas vezes, já que a todos encantar-lhes-ia ter um álbum completo na rua. Ademais, diz-lhes que vão pensando uma canção para Navidad, já que DRO se propõe sacar um disco de villancicos para finais de ano; de maneira que, para outubro, todos se metem em Estudos Cores, em Melhorada do Campo (Madri), e em três dias gravam quinze canções para o LP e uma mais para o álbum de villancicos.
Aparte de muitas novas composições, voltam-se a gravar Matar jipis nas Cíes em uma versão bem mais potente marcada pelos alaridos de Germán, e Ayatolah! com um som mais sujo que o da versão incluída no Ajudando aos doentes, além de Põe em meu lugar e As tetas de minha noiva em um formato mais punk que o da maqueta, e uma versão de estudo de Hoje te vou assassinar.
Durante a gravação está presente Pepo Fontes, e, quando se comenta que levam três dias encerrados sem comer um carajo, bem longe do bar mais próximo, este se lembra da banda desenhada de Lucky Luke onde aparece Averell Dalton dizendo: «Quando se come aqui?», o qual lhes dá o conceito para o título e a portada: como título se toma dita frase e para desenhar a portada se chama a petição de Pepo a Óscar Mariné, ao que levam a banda desenhada dos Irmãos Dalton em México para que faça algum collage com imagens dele.
No entanto, o que faz Óscar é um desenho com quatro irmãos Dalton, a cada um com uma caricatura de um membro do grupo como cabeça, ordenados de maior a menor estatura (isto é, primeiro Julián, logo Miguel, a seguir Germán e por último Alberto), os quatro sobre um fundo azul; acima pode-se ler: «DRO apresenta uma aventura de Siniestro Total», e embaixo disto o título do disco em letras azuis sobre fundo amarelo.
Por conseguinte, o vinilo aparece publicado em novembro, e supõe um sucesso de vendas ainda maior ao do EP, apesar de que aos eruditos do punk uma portada tão profissional lhes resulta uma traição; realmente, resulta ser o disco independente mais vendido até o momento.
O 10 de janeiro de 1983 produz-se no RockOla um dos acontecimentos que mais dá a conhecer à banda entre os consumidores de música daquele então: a apresentação Quando se come aqui?,que se repetiu,mas já de maneira mais ou menos oficial, durante a Primeira Festa de Diário Pop 1 de março de 1983 , durante a qual Julián proclama: «Temos chegado à glória mais alta à que poderíamos chegar quatro desgraçados como nós!» O concerto começa com Costa apresentando o primeiro tema de sua actuação como uma canção «heavy-metal Total».E nesse momento é quando aparece sobre o palco Coppini, com um frango de borracha pendurando de sua caçadora, e em seguida os membros do público começam a arremeter a escupitajos contra o pessoal da banda, que acaba absolutamente empapado.Posteriormente o grito de Miguel de: «Hala, chavalada...!, a divertir-se!» para apresentar Ayatolah!.
Neste concerto o grupo toca os temas Tão deprimido (uma versão de uma canção de Cucharada), o que eles apresentam como um pupurrí, Ayatolah!, Sono tremendo e uma entrevista. Ademais, ganham um dos prêmios que se outorgam na festa(4ª maqueta de ouro).
É nesse momento quando o grupo começa a aparecer nos meios musicais de Vigo, que até esse momento não têm publicado nenhum artigo sobre eles, e começam as peregrinaciones ao RockOla e seu mitificación, aparte da crescente popularidade da banda.
Por aquele então é quando Soto tem acabado já a mili e começa a voltar a interessar pela música, que tem deixado estacionada durante um tempo para se dedicar só a escutar blues enquanto descansa de seu serviço, que tem sido algo duro. Convencido por Antón Reixa entra a tocar o baixo em Vos Resentidos, grupo de recente criação.
Em algum momento em meados de janeiro falam-lhes das festas do bairro madrileno de Hortaleza, e advertem-lhes que já tem tido alguns altercados com grupos mods atacados pelo público, mas eles vão ali a actuar de todos modos, tendo como técnico de som a Miguel Ángel Gómez, irmão de José Gómez, de Glutamato Ye-yé, que tempo depois chegará a ser presidente de EMI Espanha. Tudo vai bem até que Julián vê que as vallas que há ao fundo do lugar da actuação começam a se mover, e começa a ver garrafas, batas e pedras voando por todos lados, e inclusive a alguém levantando uma barreira amarela e lha lançando directa a Ye-yé, noiva de Iñaki de Glutamato, a quem Julián conhece, além de gente com capacete e botas militares e esvásticas pintadas às costas se metendo com todo ao que encontra. Este último acaba por se pôr nervoso e se lança por trás da batería, onde não há nada, com o que se dá um golpe; finalmente tudo sai na secção de Acontecimentos dos jornais.
É tal o sucesso que está a começar a adquirir a banda que chama a atenção de Carlos Tena e Diego A. Manrique, que são por aquele então os directores do programa Caixa de Ritmos em Televisão Espanhola; de maneira que pedem-lhes um par de temas inéditos para uma actuação no programa. Em mal cinco minutos Julián compõe Me pica um ovo, enquanto nesse mesmo tempo Miguel escreve Sexo chungo. Finalmente não podem interpretar estes dois temas para a televisão, já que no dia anterior ao que está programado para a actuação As Vulpes tem oferecido a canção Gosto de ser uma zorra, se produziu um escândalo imediato e o programa tem sido a partir de então censurado, tendo isto como consequência o despedimento de Carlos Tena de Televisão Espanhola.
De todos modos, as duas canções não ficam esquecidas, senão que o grupo decide editar um single com elas, com o que as gravam, e são produzidas por Paco Trinidad, a quem Julián conhece do Satchmo. Pensando uma portada para editá-lo, em um bar em Quatro Caminhos, Pepo Fontes e Julián, dão-se conta de que não faz muito que tem saído o London Calling de The Clash, além da reedición do primeiro disco de Elvis de onde está sacada a tipografía daquele, de modo que pensam que essa portada dá para mais. Primeiro substituem mentalmente a Paul Simonon por um gaitero, mas depois começam a ocorrer-lhe-lhes mais coisas, como um violinista, alguém de Aviador Dro rompendo um sintetizador ou um cantor latino com poncho e guitarra. De maneira que Arjones, o mesmo que se encarregou de lhe fazer a foto ao carro do que parte o nome do grupo, faz as fotografias em Vigo, enquanto Óscar Mariné se encarrega de novo do desenho.
O single, que, como se diz na portada (finalmente a do gaitero), é “de duplo caro B”, sai no final de janeiro, e faz a exclamar a Miguel Rios: «A onde terá chegado a parar o rock espanhol quando se cantam coisas como “me pica um ovo”?»
Este novo lançamento soma-lhe popularidade ao grupo, o que faz se organizem a cada vez mais concertos, ainda que às vezes com altercados: em uma actuação na Sala Zeleste de Barcelona alguém da primeira bicha lhe propina um botellazo na perna a Germán. Devido a este acontecimento o grupo fica por uns dias sem cantor, de modo que chamam a quem organizam sua próxima actuação na discoteca A Mandrágora em León , o quatro de fevereiro, para dizer-lhes que ou vão sozinhos os três ou não vão. Finalmente vão os três, Alberto e Miguel desde Vigo em carro com suas respectivas noivas e Julián desde Madri em carro, assumindo Miguel o papel de cantor.
Também durante esse concerto ocorre um percance. Justo ao sair a tocar uma mulher em estado de ebriedad apanha um cenicero grande de cristal e golpeia com ele a Miguel em uma orelha. Esta é a razão pela que Alberto e Julián permanecem o resto da noite, enquanto ele é atendido na casa de socorro por diversos cortes e contusiones, repetindo: «Não voltamos a actuar» aos presentes. Mais tarde Miguel comenta, sobre os altercados nos concertos, que por ele podem atirar batas, mas que tratem de lhe as beber dantes das lançar. Ao dia seguinte, o titular no jornal O Norte de Castilla é: «Siniestro Total: “Não voltamos a actuar”», e Alberto e Miguel, já recuperado, voltam a Vigo, enquanto Julián regressa a Madri em autocarro para ver aos Damned.
Depois do disco Quando se come aqui? ,um dos discos mais punk mais laureados da história de Espanha, Germán contacta em Madri com o multiinstrumentista Teo Cardalda, com o que forma um dúo, em princípio tão só um pequeno projecto paralelo a Siniestro Total, com o nome de Golpes Baixos; de maneira que compartilha sua actividade nos grupos estando de segunda-feira a sextas-feiras em Siniestro e os fins de semana em Golpes. Mas o momento decisivo chega quando com este último grupo envia algumas canções para participar no Concurso de Maquetas da revista Rock Espezial (que actualmente se denomina Rock Deluxe) e juntos ganham o primeiro prêmio. Pouco depois e devido a este sucesso, Golpes aparece no programa A Idade de Ouro de Televisão Espanhola apresentado por Pomba Chamorro, onde Germán não menciona que também pertence a Siniestro Total.
Essa mesma noite falam Julián, Alberto e Miguel sobre este facto, e todos estão de acordo em que Germán é importante para o grupo, mas que não pode ser que esteja em dois grupos tão diferentes entre si, e que ademais já praticamente não faça caso de seu pertence ao deles. Ao dia seguinte ficam todos na cafetería Flamingo, no centro de Vigo, e Julián lhe diz que a situação não pode se manter: que as ideias não são as mesmas e tarde ou cedo se vão encontrar. Ele lhe diz que pensar-lho-á, mas Julián lhe responde que não há nada que pensar, que não lhe está a perguntar nada.
Por conseguinte, Germán e Teo procuram a dois instrumentistas mais para seu grupo; encontram a Pablo Novoa e Luis García, e em abril de 1983 Germán abandona definitivamente Siniestro Total.
Ante a perda de sua carismático vocalista, o grupo começa a ser recusado em alguns lugares à hora de actuar, já que era ele quem tinha melhor fama dentro da banda, e todo mundo pensa que estão acabamentos. No entanto, é então quando se lhes apresenta Paco Trinidad, que lhes propõe a volta de Miguel à voz e a gravação de uma veintena de canções que ele está disposto a produzir. Os garotos consideram que este será de todos modos seu último álbum, de modo que decidem não se limitar a gravar um disco de punk e optam por introduzir toda a classe de instrumentos em suas gravações, aparte da guitarra, o baixo e a batería.
Regraban e maquetan em Vigo alguns temas que já têm estado ensayando com Germán, concretamente A caca de cores, mas lhe acrescentando um toque de swing, e Opera teu fimosis, e compõem mais dezanove, que gravam no estudo Trak em Madri; as letras seguem sendo tão surrealistas e grotescas como as do primeiro álbum, enquanto a música se abre em diversos estilos: new age, rock, rock and roll, música tradicional galega... Posteriormente, baixam a Madri para gravar as canções em sua versão definitiva, contando com os coros de Juanma e o Chicarrón dos Elegantes e Pepo Fontes entre muita outra gente.
Dantes da publicação do segundo LP, o 20 de outubro, a banda aparece no programa A Idade de Ouro de Pomba Chamorro, no qual tocam duas canções inéditas que apareceriam mais tarde no novo trabalho: Opera teu fimosis e Ou comboio. além de dar uma entrevista algo apressada.
De maneira que em novembro de 1983 sai à rua publicado de novo por DRO o segundo disco do grupo, que se titula simplesmente Siniestro Total II: O Regresso, surpreendendo a todos os seguidores da banda, já que todo mundo está já convencido de que sem Coppini já se dissolveu; o novo LP acompanha-se do single Não somos de Monforte, que inclui como caro B uma canção não contida no álbum.
Este segundo disco não se vende tão bem como seu predecessor, ainda que a portada, na qual figura Bob Hope com um copo de leite, funciona bem respecto das vendas. Nada mais sair o LP, o grupo organiza uma festa na que Antón Reixa exerce de presentador e aparecem Pepo Fontes, Juanma e Gerardo disfarçados de gorilas, com o que se lhe chama «Dia Mundial do Disfarce de Gorila».
Por aquele então Javier Soto já tem terminado a mili, de maneira que volta ao mundo musical, formando, junto com Alberto Torrado (que segue sendo baixo de Siniestro), Nicolás Pastoriza e Vicente Alberte o grupo Os Buzos. Poucos meses após isto Soto abandona o grupo e forma, junto com o próprio Torrado, Antón Reixa e Rubén Losada, Vos Resentidos.
Miguel Costa, por sua vez, acaba de formar naqueles momentos o grupo Aerolíneas Federais, com o que o 8 de janeiro de 1984 vontade um concurso celebrado na Corunha e pouco depois grava com eles seu primeiro LP homónimo. E também Julián Hernández tem formado seu grupo paralelo a Siniestro , um pequeno projecto que não dura muito com o nome de Mili e seus Muermos.
Mas o próprio Siniestro também publica material novo nesse tempo: um maxi compartilhado com Vos Resentidos com o título de Surfin’ CCCP, que está dedicado aos líderes soviéticos mortos por aquela época, e pouco depois aparece com algo de atraso o single Mais vale ser punkie que maricón de praias, correspondente ao Regresso.
Ademais Julián começa a escrever canções a um ritmo bastante rápido, de maneira que sobre fevereiro ou março de 1984 já tem escrita quase em sua totalidade Quem somos? De onde vimos? Aonde vamos?, e enquanto o grupo está de gira por toda Espanha compõe em ao redor em media hora em um hotel da Corunha Miña terra galega, tomando prestada a música de Sweet home Alabama de Lynyrd Skynyrd e adaptando a letra a Galiza . Miguel, a sua vez, escreve uma canção sobre «uma garota muito graciosa que vivia em Barcelona », e entre todos decidem a chamar Assumpta, em honra à actriz catalã Assumpta Serna, dado que este é o nome mais catalão que se lhes ocorre.
A este ritmo não é de estranhar que em outono de 1984 tenham já escritas catorze canções, pelo que decidem continuar com o grupo já de forma definitiva e as gravar desta vez todas em Trak, e deixar que sejam produzidas de novo por Paco Trinidad. E em novembro desse mesmo ano aparece o terceiro disco, titulado Ainda bem que nos fica Portugal e editado por DRO, no que as letras se voltam algo mais simpáticas que grotescas e a música se converte em um rock mais clássico, que em ocasiões se suaviza até o power-pop, e do que saem muitos dos hinos da banda, em alguns dos quais Julián começa a prestar sua voz. O LP sai acompanhado de dois singles: Tipi, doce tipi e Quero-te, com canções não contidas no disco como caras B, e em alguns meses mais tarde aparece uma nova edição do álbum com uma portada algo diferente na que pode se ler: «Edição Internacional.»
Gira-a de promoção do disco realiza-se já nos primeiros meses de 1985 , e se estende até a primavera; e é precisamente durante essa gira, concretamente no mês de maio, quando Javier Soto finalmente abandona Vos Resentidos e se une a Siniestro Total. Em princípio toca os teclados, mas não demora muito em passar à guitarra, sendo esta sua especialidad, com o que o grupo pode já interpretar temas que requerem um maior virtuosismo.
Em verão de 1985 celebra-se o festival musical Vran’85, no que Siniestro compartilha cartaz com outros grupos populares como Mecano, Aerolíneas Federais e Última Edição; este festival é um dos primeiros em Espanha em conseguir reunir a vinte mil assistentes durante as seis noites que dura. Durante todo este ano o grupo tem tido tempo de compor mais canções, de maneira que se decide que comecem as gravações do quarto álbum, já com Soto tocando a guitarra e o órgão Hammond e com Paco Trinidad de novo como produtor.
Entre as canções que têm podido compor durante as giras se encontra Dançarei sobre tua tumba, que surge de uma frase pronunciada por Monchito, professor de filosofia vigués, inspirada no famoso filme Cotton Clube. O fragmento completo é o seguinte:
(Trata-se de uma conversa entre uns irmãos que se dedicam a dançar claqué, falando de um matón que tem ameaçado a um deles.)
Mas, ao voltar de Trak e constatar que só têm gravadas oito canções, que ocuparão uma cara, se decide reunir os vários temas inéditos que têm interpretado ao vivo durante esse verão, principalmente no Vran’85, para completar a outra. Curiosamente, o grupo mete reverb a toda a cara B, de maneira que se ouve todo multiplicado, soando aplausos como se tivesse um milhão de pessoas entre o público.
Ao começar a procurar um título para o quarto LP, os quatro estão convencidos de que chamar-se-á Antes de mais nada muita acalma, mas ao final optam pelo chamar como uma das canções que conterá: Dançarei sobre tua tumba, e deixar o título anterior para as t-shirts do grupo que começam a se vender esse outono. De maneira que em dezembro sai à rua publicado por DRO o novo disco, que resulta mais potente que o Ainda bem que nos fica Portugal, devido principalmente ao órgão Hammond e à guitarra de Soto, bastante mais avançada que a de Costa, e com umas letras a cavalo entre as deste último álbum e as do Regresso.
San Luis, o artista encarregado de desenhar a portada (consistente em um desenho de uma calavera dentro de cujos olhos, nariz e boca se acham encerrados os membros do grupo), fica tão impressionado ante o título que chega a escrever um poema na parte de atrás da carátula.
Dançarei sobre tua tumba apresenta-se ao público acompanhado dos singles das canções Tudo bom, homossexual? e Ao final, ambos contendo temas inéditos que não podem se encontrar em nenhum outro lugar.
Várias das apresentações do novo disco levadas a cabo entre finais de 1985 e princípios de 1986 resultam ser algo perigosas, como se o público desejasse recordar os velhos tempos; isto sucede exemplo, em um festival e ao mesmo tempo concorro em Palma de Mallorca com um cartaz no qual se combinam grupos heavy e punk.
A princípios deste último ano decide-se que este vai ser de descanso, ainda que ao mesmo tempo o grupo acaba publicando nos primeiros dias de março um álbum recopilatorio que, realmente, é mais bem uma colecção de caras B, rarezas e temas inéditos só tocados em alguns directos. O álbum apresenta-se de um modo curioso: tem uma portada amarela na qual se pode ler: «Jeroglífico — por Pepo. Qual é o nome deste disco?» Justo em cima desta última pergunta encontramos-nos três desenhos: primeiro um grande D, e embaixo dela outras duas ilustrações bem mais pequenas que representam um sexo feminino e outro masculino. O título é Grande D Sexitos. Curiosamente, pouco depois disto DRO decide censurar a portada original sem dar nenhuma explicação, ficando como resultado simplesmente uma portada amarela com as palavras: «Siniestro Total — Grandes Sucessos.»
Mal em uns dias após o lançamento de Grande D Sexitos, o 12 de maio, dia do referendo sobre a entrada de Espanha na OTAN, Siniestro grava o tema Deus salve ao Conselleiro, realmente uma versão de Deus salve ao Lehendakari de Derribos Arias, mas gallegizada, para o programa dirigido por Carlos Tena Aumba-baluba-balam-bambú em Televisão Espanhola, e não demora muito em sair um single com este tema, acompanhado como caro B por uma gravação de uma das canções interpretadas pelo grupo em seu primeiro concerto, o 27 de dezembro de 1981.
Ainda que não gravem nenhum disco novo, depois deste single começa uma enorme gira por toda Espanha, que os mantém ocupados todo o verão e parte do outono. Finalmente, no final de ano regressam a Madri para voltar a gravar em Trak os temas que têm tido tempo de compor, desta vez com uma variedade de estilos bem mais ampla inclusive que a do Regresso; para poder recolher correctamente esta variedade de estilos nas gravações acabam por contratar a um grupo mais ou menos grande de músicos acompanhantes: saxofonistas, trombones..., além de tocar eles mesmos instrumentos que não se atreveram a usar até esse momento, como a guitarra acústica ou a gaita, e outros mais exóticos como o salterio. Aparte de tudo isto, em alguns dos temas mais complexos começam a utilizar baterías programadas.
A princípios de 1987 Siniestro já se encontra com canções de todo o tipo: rock and roll, folk, power-pop, country..., e também com vários temas de mal médio minuto de duração que decidem incluir, descartando outros que têm também gravados e produzidos; as letras seguem um modelo similar ao do disco anterior, e Julián começa a cantar em canções completas. Ao igual que tem ocorrido com o quarto álbum, com o quinto também decidem usar um título correspondente a um dos temas que inclui; neste caso, De hoje não passa.
Em algumas semanas dantes de lançar o novo LP, edita-se como adianto um single com o tema Diga que lhe devo, e em abril aparece De hoje não passa, que resulta o mais popular dos discos publicados até o momento, se vendendo 30.000 cópias; ademais, tem verdadeiro impacto social: com motivo da canção Eu já fui a Cangas do Morrazo se organiza uma excursión desde Madri para visitar dito povo à que se apontam centos de pessoas.
Gira-a realizada em verão de 1987 resulta ser a mais exitosa até o momento, mas em umas semanas após concluí-la o grupo sofre outra perda: Alberto Torrado marcha-se da banda para dedicar-se exclusivamente a Vos Resentidos, com quem leva compartilhando seu trabalho em Siniestro desde os inícios destes últimos; de maneira que já só ficam dois membros da formação original. Mas trata-se, em qualquer caso, de uma perda curiosa, já que Torrado simplesmente deixa de aparecer nas portadas dos seguintes álbuns, e não aparece nos créditos dos seguintes trabalhos, mas segue tocando nos concertos e nas gravações, ainda que como um músico de estudo mais, pois a banda precisa um baixo.
Pese a isto, e ainda que realmente já tenham todos os músicos que fazem falta, Julián deixa definitivamente nesse outono a batería, e se dedica exclusivamente à guitarra, de maneira que se vêem forçados a utilizar já sempre baterías programadas.
O 10 de novembro o grupo toca na Sala Universal, ainda que sem público, como a sala tem proibida a entrada por problemas de insonorización devido às reiteradas queixas por parte dos vizinhos da zona. Pese a todas estas advertências e à presença policial, um grupo de ao redor de médio milhar de pessoas se congrega muito próximo da sala, e cerca de duzentas delas conseguem atingir o interior. Finalmente, a polícia acaba por carregar contra algumas destas pessoas; e, para contrarrestar a ofensiva policial, os donos do local abrem as portas, e com mais decibelios dos permitidos.
Depois de toda esta série de incidentes, em dezembro de 1987 Siniestro volta ao estudo para começar a gravar o que será seu sexto álbum, mudando desta vez de produtor, que é agora Eugenio Muñoz. Já por aquele então se aproximam ao tocar música a sons mais duros, e isto se reflete nas gravações da época, ainda que também segue existindo a variedade de De hoje não passa: a princípios de 1988 já contam com temas de rhythm and blues, rock, country, power-pop, blues, rock and roll, heavy metal, new-age ou folk, superando assim o futuro disco em variedade a seu antecessor.
A princípios da primavera de 1988 o sexto LP está quase terminado, mas falta o título. Enquanto decide-se qual será, o grupo saca um progresso em forma de single com o polémico tema Me alegra no dia: uma ácida crítica contra o mundo da tauromaquia carregada de humor negro e enfundada em uma portada consistente em uma série de calaveras como as das bandeiras piratas que, ao mesmo tempo, levam uma montilla sobre a cabeça que dá muito que falar em seu dia.
E em abril desse ano chega Gosto como andas, de álbum cujo título finalmente é de novo o mesmo que o de uma das canções que contém, e que não chega a vender tantas cópias como De hoje não passa, mas que poder-se-ia dizer que o supera em qualidade e variedade.
Em verão e para gira-a de promoção de Gosto como andas. Siniestro procura desesperadamente a um novo baixo e um novo batería que completem o grupo, pois não podem seguir dependendo de Torrado e as baterías programadas. E encontram-nos: desde Lugo chega Segundo Grandío, que se encarrega do baixo, e por sua vez Ángel González passa a tocar a batería.
Dantes de entrar a fazer parte de Siniestro , Ángel González tem fazer# parte de um grupo de blues chamado Desaprensivos, tem sofrido uma grande decepção quando Jesús Ordovás tem qualificado sua maqueta como a pior do mundo, tem feito a mili e se incorporou uma banda com dois irmãos com o nome de Desertores, que tem surgido depois de provar outros muitos; mas ao perguntar-lhe Siniestro se quer unir-se a eles, aceita em seguida.
Por conseguinte, como quinteto publicam em setembro desse mesmo ano um maxi que inclui uma versão alternativa e outra instrumental de Me alegra no dia, além de um novo tema titulado Roxette.
Já entrados em 1989 , é na primavera deste ano quando começam a sair à rua os singles de Gosto como andas: Irmão, bebe e Quanta puta e eu que velho, que aparecem mais de um ano após o álbum ao qual correspondem. Ademais, em fevereiro sai um dos mais famosos videoclips do grupo, o do tema Fraternizo, bebe, que é dirigido por Antón Reixa; e em agosto organiza-se a uma viagem a Argentina para participar em um ciclo de actividades galegas.
No final de 1989 participam na Festa de Diário Pop em Clube Rock, onde entre outros temas cantam uma versão de Highway to hell de AC/DC , mas mudando o estribilho por: «...Por isso folla com ele!», e improvisando a letra com fragmentos de outras canções e palavras inconexas. É nestes dias quando começam a se propor a gravação de um novo álbum, para o qual contratam uma secção de ventos ao completo: Antonio Moltó ao saxo tenor, Antonio Ramos à trombeta e Antonio Maíques ao trombón, além de sopranos (María Villa e Icíar Álvarez) e a colaboração do Maestro Reverendo com o piano, o acordeón e os arranjos e Mariano Lozano com a programação.
Em um episódio de uma série na TVG aparecem Manuel Manquiña e Morris vigiando as planeadoras de Villagarcía , o qual inspira a Julián a escrever Todo pela napia, sobre a cocaína, como um dos novos temas.
Por conseguinte, a princípios de 1990 já estão a gravar o novo disco, de novo em Trak com Eugenio Muñoz, abandonando um pouco a variedade de seus últimos trabalhos para substituir por um rock duro carregado de arranjos de vento e teclados em certas canções. No final de março lançam como adianto o single Caminho da cama, enquanto encontram um título para o novo LP, que finalmente acaba por se chamar Em benefício de todos (já que segundo o grupo o álbum é assim) e aparece em abril da mão de DRO. Ainda que teoricamente seria um dos discos mais longos da banda, com vinte temas, em realidade só tem dez, já que os outros dez são só pistas de médio minuto apresentando o que vem a seguir.
Junto com ele chegam dois singles mais: os das canções Ai, Dores e Devorao e uma série de t-shirts encabeçadas pelo título do novo disco e algo mais; concretamente, «EM BENEFÍCIO DE TODOS: NÃO ME DEIS MAS DE BEBER», «EM BENEFÍCIO DE TODOS: CALE-SE, SENHORA» e «EM BENEFÍCIO DE TODOS ENTREM E SAIAM RAPIDAMENTE NÃO OBSTRUYAN As PORTAS»; esta última tem partes das letras em vermelho e outras em negro, e se se lê só o negro, aparece: «O PENE DE TODOS ENTRE E SAIA RAPIDAMENTE NÃO UYAN As PUTAS»
O disco resulta vender-se melhor ainda que De hoje não passa, com 50.000 cópias, o qual significa um disco de ouro para o grupo, e ademais gravam uma segunda versão com uma letra diferente de Caminho da cama para a sintonía do programa radiofónico Diário Pop. Pouco depois do lançamento do LP une-se ao grupo o sexto membro na sombra, o mánager Xosé Manuel Blanco.
No final de 1990 a banda tem a suficiente popularidade como para não abandonar a gira, que termina por se estender de forma intermitente a todo o ano 1991. É em janeiro deste ano quando, para poder distribuir melhor o material da banda, se cria a corporación Loquilandia, na qual se aglutina o merchandising, o material editorial..., e em setembro, devido ao sucesso do álbum ao grupo começam a lloverle ofertas de outras discográficas, de modo que finalmente Siniestro ficha por BMG-Ariola e abandona definitivamente DRO.
Por conseguinte, e vendo que seu sucesso vai em alça, o grupo pode por fim se propor o editar um álbum, já com BMG-Ariola com o título de Antes de mais nada muita acalma que levam em mente desde faz sete anos, e que será finalmente um directo que reflita sua atitude sobre o palco nesta época. O 22 de novembro de 1991 grava-se um concerto em salga-a Areia de Valencia, que é produzido em dezembro de novo por Eugenio Muñoz, e que sai à rua em fevereiro de 1992 de forma dupla: pela primeira vez em CD (e ademais duplo), já que todos os anteriores têm sido lançados em vinilo, e em vídeo.
Ademais, junto com o duplo CD aparecem um EP com três canções do disco e uma versão inédita ao vivo de Matar jipis nas Cíes e um single com outro tema do álbum e outra versão inédita ao vivo, desta vez de Quando roge a marabunta.
Extenuados depois da extensa gira de Em benefício de todos, Siniestro decide se tomar o resto de 1992 como em um ano sabático, no que mal assistirá a algumas apresentações de Antes de mais nada muita acalma. Não é até finais de ano quando o grupo volta ao trabalho e começa a compor alguns novos temas, dois anos e médio após o último álbum de estudo. A princípios de 1993 , já com um bom número de canções compostas baixo o braço, contactam com o produtor americano Joe Hardy, famoso por ser também produtor dos ZZ Top, e entre maio e junho se marcham a Memphis para gravar com ele.
Enquanto estão em Memphis, durante seu tempo livre, os garotos dedicam-se a percorrer os enormes armazenes de objectos de segunda mão da cidade, e em uma destas excursiones encontram-se com uns quantos discos de pizarra a setenta e oito revoluções por minuto, e entre eles há dois que lhes chamam a atenção: um de Snooky Prior, a quem já conhecem, e outro de Jack Griffin, sobre o que não têm ouvido nunca nada.
Uma vez finalizada a gravação, voltam a Galiza, onde repasan o que têm trazido dos Estados Unidos e escutam pela primeira vez o disco de Griffin, que os deixa fascinados, de modo que decidem saber mais sobre ele e iniciam uma espécie de investigação que, combinada com histórias inventadas por eles mesmos, vai dando lugar ao conceito do disco de blues que em algum dia gravarão.
Hardy passa todo o verão produzindo as canções para lhes dar um toque de blues e heavy metal, de modo que o novo disco não aparece até setembro, com o título de Made inJapan , em BMG-Ariola, e acompanhado pelos singles dos temas Eu disse Yeah!, O homem medicina e Cuenca mineira. Dado o giro tão duro que tem seguido o estilo do grupo, sua popularidade deixa de ser tanta como com Em benefício de todos e Antes de mais nada muita acalma, ainda que os fãs da banda começam a pensar que este novo álbum é seu melhor trabalho.
Ademais, o cineasta Mikel Clemente começa a trabalhar com Siniestro, gravando para eles o videoclip do homem medicina em setembro, e colaborando em dezembro com Álex da Igreja na gravação do de Eu disse Yeah!; e neste mesmo mês Jesús Ordovás publica a biografia do grupo baixo o título Apocalipsis com grelos.
No final de ano o grupo propõe tocar blues e versões de Frank Zappa e outros artistas baixo o nome de Vos Subxenios, e discute-se o tema durante os primeiros dias de 1994 , ainda que sem contar pelo momento com Costa. Quando finalmente o chamam para lhe contar o projecto, ele se nega aos acompanhar, ainda que o resto da banda diz que é parte de seu trabalho como grupo, e que não pode o recusar; enquanto Miguel o que quer é dedicar menos tempo à música e ficar mais em casa. Tudo isto provoca tensões entre ele e os demais, o qual provoca que o do 8 de janeiro de 1994 em Ferrol (província da Corunha) seja seu último concerto com Siniestro. Depois, abandona-os.
Em 1995 o grupo volta a viajar a Memphis para gravar seu disco Policlínico Miserável em Ardent records com Joe hardy como produtor. Acompanham-lhes Ricky Dávila para realizar fotos e Mikel Clemente que além de alguns videoclips recolhe no documental A Vida é deliciosa a experiência americana dos vigueses. Em junho 95 de apresenta o disco na Sala Revolver de Madri com uma nova incorporação na banda, o saxo de Jorge Beltrán. O seguinte projecto ao que o grupo dedicará principalmente no ano 1996 se chama Cultura Popular.
No primeiro álbum, Quando se come aqui?, encontramos-nos com um estilo marcadamente punk, com letras desquiciadas e canções de três conformes como máximo que mal rozan os dois minutos nos casos mais afortunados. No segundo, Siniestro Total II: O Regresso, continua a esencia punk, ainda que aparecem mais instrumentos aparte dos característicos neste estilo, e encontramos-nos com teclados, secções de vento, etcétera. No terceiro, Ainda bem que nos fica Portugal, o punk evolui a um rock mais clássico, ainda mantendo umas letras genuinamente punk, mas algo mais simpáticas e menos grotescas. No quarto, Dançarei sobre tua tumba, continua o rock clássico, mas as letras voltam-se a tornar algo mais grotescas, ainda que não tanto como ao princípio. No quinto e o sexto, De hoje não passa e Gosto como andas' respectivamente, do rock se suaviza, dando passo ao power-pop e mantendo as letras características do punk, ainda que de novo um tanto mais simpáticas.
No sétimo, Em benefício de todos, dão um passo atrás e voltam ao rock clássico, mas as letras evoluem e se voltam algo mais complexas. No oitavo e o nono, Made in Japan e Policlínico miserável respectivamente, o rock faz-se mais duro, quase rozando o heavy metal em alguns casos, e as letras tornam-se mais escuras e críticas, especialmente no segundo. No décimo, Sessão vermú, o rock suaviza-se um tanto, ainda que segue sendo duro, e acrescentam-se instrumentos como órgão e secção de ventos, enquanto as letras, ainda que complexas ainda, voltam a tratar sobre temas mundanos. No undécimo, A história do blues, dão um giro inesperado e seu estilo volta-se repentinamente blues, como seu próprio título indica, e as letras estão baseadas nos textos de outro autor de blues, Jack Griffin, com o que tratam sobre temas mundanos mas não próprios. No duodécimo, Popular, democrático e cientista, voltam ao rock, nesta ocasião próximo ao grunge, e as letras voltam a tratar temas quotidianos.
| Siniestro Total |
| Julián Hernández | Javier Soto | Óscar Avendaño | Ángel González | Jorge Beltrán |
| Germán Coppini | Alberto Torrado | Miguel Costa | Segundo Grandío |
| Discografía |
|---|
| Álbuns de estudo: Quando se come aqui? | Siniestro Total II: O Regresso | Ainda bem que nos fica Portugal | Dançarei sobre tua tumba | De hoje não passa | Gosto como andas | Em benefício de todos | Made in Japan | Policlínico de miserável | Sessão vermú | A história do blues | Popular, democrático e cientista |
| Álbuns ao vivo: Antes de mais nada muita acalma Cultura Popular | Assim começam as brigas |
| Álbuns recopilatorios: Grande D Sexitos | Quem somos? De onde vimos? A onde vamos? |