O Teorema de Pitágoras estabelece que em um triângulo retângulo, o quadrado da longitude da hipotenusa (o lado de maior longitude do triângulo retângulo) tanto faz, à soma dos quadrados das longitudes dos dois catetos (os dois lados menores do triângulo retângulo: os que conformam o ângulo recto). Se um triângulo retângulo tem catetos de longitudes
e
, e a medida da hipotenusa é
, estabelece-se que:
O Teorema de Pitágoras leva este nome porque sua descoberta recae sobre a escola pitagórica. Anteriormente, em Mesopotamia e o Antigo Egipto conheciam-se ternas de valores que se correspondiam com os lados de um triângulo retângulo, e se utilizavam para resolver problemas referentes aos citados triângulos, tal como se indica em algumas tablillas e papiros, mas não tem perdurado nenhum documento que exponha teoricamente sua relação. A pirâmide de Kefrén, datada no século XXVI a. C., foi a primeira grande pirâmide que se construiu se baseando no chamado triângulo sagrado egípcio, de proporções 3-4-5.
O Teorema de Pitágoras é dos que contam com um maior número de demonstrações diferentes, utilizando métodos muito diversos. Uma das causas disto é que na Idade Média se exigia uma nova demonstração do teorema para atingir o grau de Magíster matheseos.
Alguns autores propõem até mais de mil demonstrações. Outros autores, como o matemático estadounidense E. S. Loomis, catalogou 367 provas diferentes em seu livro de 1927 The Pythagorean Proposition.
Nesse mesmo livro, Loomis classificaria as demonstrações em quatro grandes grupos: as algébricas, onde se relacionam os lados e segmentos do triângulo; geométricas, nas que se realizam comparações de áreas; dinâmicas através das propriedades de força, massa; e as cuaterniónicas, mediante o uso de vetores.
O Chou Pei é uma obra matemática de datación discutida em alguns lugares, ainda que aceita-se maioritariamente que foi escrita entre o 500 e o 300 a. C. Acha-se que Pitágoras não conheceu esta obra. Quanto ao Chui Chang parece que é posterior, está datado em torno do ano 250 a. C.
O Chou Pei demonstra o teorema construindo um quadrado de lado (a+b) que se parte em quatro triângulos de base a e altura b, e um quadrado de lado c.
Seja o triângulo retângulo de catetos a e b e hipotenusa c. Trata-se de demonstrar que a área do quadrado de lado c tanto faz à soma das áreas dos quadrados de lado a e lado b. Isto é:
Se acrescentamos três triângulos iguais ao original dentro do quadrado de lado c formando a figura mostrada na imagem, obtemos um quadrado de menor tamanho. Pode-se observar que o quadrado resultante tem efectivamente um lado de b - a . Depois, a área deste quadrado menor pode expressar-se da seguinte maneira:
Já que
.
É evidente que a área do quadrado de lado c é a soma da área dos quatro triângulos de altura a e baseie b que estão dentro dele mais a área do quadrado menor:
Com o qual fica demonstrado o teorema.
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Estima-se que se demonstrou o teorema mediante semelhança de triângulos: seus lados homólogos são proporcionais.[1]
Seja o triângulo ABC, retângulo em C. O segmento CH é a altura relativa à hipotenusa, na que determina os segmentos a’ e b’, projecções nela dos catetos a e b, respectivamente.
Os triângulos retângulos ABC, AHC e BHC têm suas três bases iguais: todos têm duas bases em comum, e os ângulos agudos são iguais bem por ser comuns, bem por ter seus lados perpendiculares. Em consequência ditos triângulos são semelhantes.
e dois triangulos são semelhantes se há dois ou mais ângulos congruentes.
Os resultados obtidos são o teorema do cateto.
Somando:
Mas
, pelo que finalmente resulta:
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Pitágoras também pôde ter demonstrado o teorema baseando na relação entre as superfícies de figuras semelhantes.
Os triângulos PQR e PST são semelhantes, de maneira que:
sendo r a razão de semelhança entre ditos triângulos. Se agora procuramos a relação entre suas superfícies:
obtemos após simplificar que:
mas sendo
a razão de semelhança, está claro que:
Isto é, "a relação entre as superfícies de duas figuras semelhantes tanto faz ao quadrado da razão de semelhança".
Aplicando esse princípio aos triângulos retângulos semelhantes ACH e BCH temos que:
que de acordo com as propriedades das proporções nos dá:
(I)
e pela semelhança entre os triângulos ACH e ABC resulta que:
mas segundo (I)
, de modo que:
e portanto:
ficando demonstrado o teorema de Pitágoras.
É assim mesmo possível que Pitágoras tivesse obtido uma demonstração gráfica do teorema.
Partindo da configuração inicial, com o triângulo retângulo de lados a , b, c, e os quadrados correspondentes a catetos e hipotenusa –esquerda-, constroem-se dois quadrados diferentes:
Se à cada um destes quadrados lhes tiramos os triângulos, evidentemente a área da quadrada cinza (
) equivale à dos quadrados amarelo e azul (
), se tendo demonstrado o teorema de Pitágoras.
Esta filosófica pergunta faz parte do Menón de Platón , e a seu tenor não parece que a Geometria vá fazer acto de presença no Diálogo, mas o filósofo é quem maneja os fios e umas páginas mais adiante nos encontramos com quadrados e superfícies. Nesse fragmento, Platón fala de que conhecer é recordar. Quando cremos estar a aprender, o que sucede em realidade é que recordamos as verdades que nossa alma pôde perceber de forma imediata dantes de encarnar no corpo.
No texto Sócrates demonstra-lho a Menón chamando a um de seus escravos, que nunca tem sido educado, mas que, no entanto, é capaz de chegar a demonstrar o teorema de Pitágoras. Sócrates propõe-lhe o problema da duplicación do quadrado. Sucessivas perguntas vão sacando da mente do escravo a solução do problema, com o que pretendidamente aquele não fez senão "recordar" o que já "sabia". Esse método para sacar esses conhecimentos é a mayéutica, na qual, o indivíduo que conduz ao outro para o conhecimento, como neste caso faz Sócrates, desempenha uma função similar à de uma partera, onde o que consegue extrair de seu interlocutor, é o conhecimento do verdadeiro.
Platón constrói um quadrado cujo lado é de duas unidades (esquerda, cinza). Sua área vale o de quatro unidades quadradas. Traçando um novo quadrado sobre sua diagonal AB, obtém um quadrado de oito unidades quadradas (centro, azul), dupla superfície da do primeiro.[2] Até aqui a duplicación do quadrado. Mas também se demonstrou o teorema de Pitágoras (direita): a área do quadrado azul (
) construído sobre a hipotenusa AB do triângulo retângulo ABC, tanto faz à soma das áreas das quadradas cinzas (
a cada um) construídos sobre os catetos AC e BC. Generalizando: a cada um dos quadrados construídos sobre a hipotenusa (a diagonal do quadrado inicial) contém quatro de ditos triângulos.
Fica demonstrado o teorema de Pitágoras, conquanto restringido aos triângulos retângulos isósceles.
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A descoberta dos números irracionais por Pitágoras e os Pitagóricos supôs um contratiempo muito sério.[3] De repente, as proporções deixaram de ter validade universal, não sempre podiam se aplicar. A demonstração de Pitágoras de sua teorema baseava-se muito provavelmente em proporções, e uma proporção é um número racional. Seria realmente válida como demonstração? Ante isto, Euclides elabora uma demonstração nova que elude a possibilidade de se encontrar com números irracionais.
O eixo de sua demonstração é a proposição I.47 dos Elementos:
Temos o triângulo ABC, retângulo em C, e construímos os quadrados correspondentes a catetos e hipotenusa. A altura CH prolonga-se até J. Seguidamente traçam-se quatro triângulos, iguais dois a dois:
Abundando nas anteriores considerações, note-se que um giro com centro em A, e sentido positivo, transforma ACK em ABD. E um giro com centro em B, e sentido também positivo, transforma ABG em CBI. Na demonstração de Leonardo dá Vinci encontrar-nos-emos de novo com giros que demonstram a igualdade de figuras.
Vejamos seguidamente que:
Mas sendo ACK=ABD, resulta que o retângulo AHJK e o quadrado ADEC têm áreas equivalentes. Fazendo razonamientos similares com os triângulos ABG e CBI, com respeito ao quadrado BCFG e ao retângulo HBIJ respectivamente, concluímos que estes últimos têm áreas assim mesmo iguais. A partir de aqui, é imediato que a soma das áreas dos quadrados construídos sobre os catetos, tanto faz à área do quadrado construído sobre a hipotenusa
Uns 625 anos depois que Euclides, Pappus[4] parece seguir sua senda, e desenvolve uma demonstração do teorema de Pitágoras baseada em Elementos I.36:
Partimos do triângulo ABC retângulo em C, sobre cujos catetos e hipotenusa temos construído os quadrados correspondentes.
Prolongando CH para acima obtém-se o retângulo CEGI cuja diagonal CG determina naquele dois triângulos retângulos iguais ao triângulo ABC dado:
Em consequência os triângulos retângulos ABC, ICG e EGC têm seus três lados iguais.
De 1) e 2) segue-se que as superfícies de ACED e AHMN são iguais.
Analogamente:
De onde se deduze a equivalencia das superfícies de BLMH e de CIKB.
O teorema de Pitágoras fica demonstrado.
Bhaskara II, o matemático e astrónomo indiano do século XII, dá-nos a seguinte demonstração do teorema de Pitágoras.
Com quatro triângulos retângulos de lados a, b e c constrói-se o quadrado de lado c –esquerdo-, em cujo centro se forma outro quadrado de lado (a-b).
Redistribuindo os quatro triângulos e o quadrado de lado (a-b), construímos a figura da direita, cuja superfície resulta ser a soma da de dois quadrados: um de lado a –azul- e outro de lado b -laranja-.
Demonstrou-se graficamente que
Algebraicamente: a área do quadrado de lado c é a correspondente aos quatro triângulos, mais a área do quadrado central de lado (a-b), isto é:
expressão que desenvolvida e simplificada nos dá o resultado
, e o teorema fica demonstrado.
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No elenco de inteligências que abordaram o teorema de Pitágoras não falta o génio do Renacimiento, Leonardo dá Vinci. Sua demonstração é uma das mais formosas.
Partindo do triângulo retângulo ABC com os quadrados de catetos e hipotenusa, Leonardo acrescenta os triângulos ECF e HIJ, iguais ao dado, resultando dois polígonos, cujas superfícies vai demonstrar que são equivalentes:
Comparemos os polígonos destacados em cinza, ADGB e CIJA:
Conclui-se que ADGB e CIJA são iguais.
De modo análogo comprova-se a igualdade entre ADGB e CBHI.
Ademais, de um modo semelhante ao explicado na demonstração de Euclides, note-se que um giro de centro A, e sentido positivo, transforma CIJA em ADGB. Enquanto um giro de centro B, e sentido negativo, transforma CBHI em ADGB.
Todo isso nos leva a que os polígonos ADEFGB e ACBHIJ têm áreas equivalentes. Pois bem, se à cada um lhe tiramos seus dois triângulos –iguais- as superfícies que restam forçadamente serão iguais. E essas superfícies não são senão os dois quadrados dos catetos no polígono ADEFGB, por uma parte, e o quadrado da hipotenusa no polígono ACBHIJ, pela outra. O teorema de Pitágoras fica demonstrado.
James Abram Garfield (1831-1881), o vigésimo Presidente dos Estados Unidos [5] , desenvolveu uma demonstração do teorema de Pitágoras publicada no New England Journal of Education.
Garfield constrói um trapecio de bases a e b, e altura (a+b), a partir do triângulo retângulo de lados a, b e c. Dito trapecio resulta composto por três triângulos retângulos: dois iguais ao dado, e um terceiro, isósceles de catetos c. Em consequência:
como corresponde à superfície do trapecio, mas assim mesmo temos uma figura composta por três triângulos, dois deles iguais, de maneira que:
igualando:
o que finalmente nos dá
, e o teorema está demonstrado.