Teoria do conflito, é como genericamente se denomina a uma série de estudos e investigações diversas, não sistematizadas, e específicas sobre o conflito social, em general desenvolvidos a partir da década do 1950. A teoria do conflito está intimamente vinculada à teoria dos jogos e aos estudos e escolas sobre negociação.
Geralmente oferecem-se diferentes definições de conflito social", diferenças que chamam nossa atenção a aspectos complementares do conceito: Por exemplo, a de Stephen Robbins: “Um processo que se inicia quando uma parte percebe que outra a afectou de maneira negativa ou que está a ponto de afectar de maneira negativa, algum de seus interesses”[1] e a de Lewis A. Costurar para quem o conflito social é uma luta pelos valores e pelo estatus, o poder e os recursos escassos , no curso da qual os oponentes desejam neutralizar, danificar ou eliminar a seus rivais. Um conflito sera social quando transciende o individual e proceda da própria estrutura da sociedade.[2]
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Conquanto a reflexão sobre "a guerra e a paz" tem sido uma preocupação clássica do pensamento humano, e desde antigo, pensadores vinculados à problemática do conflito militar (a guerra) e mais recentemente à problemática das revoluções e o conflito trabalhista (movimentos sociais), têm estudado com certa profundidade as manifestações do conflito social, a partir da década de 1950 começam a aparecer uma série muito específica de estudos e teorias centrados no conflito social, como fenómeno genérico, para além de suas manifestações específicas.
Pode atribuir-se o início desta corrente à publicação em 1954 do livro "The functions of Social Conflict", do norte-americano Lewis Costurar.[3] A partir de então podem registar-se algumas das principais obras e estudiosos do a teoria do conflito:
1956: Max Gluckman, "Custom and conflict in Africa". 1959: Ralf Dahrendorf, "Class and class conflict in industrial society". 1959: Theodore Caplow, "Further Development of a Theory of Coalitions in the Triad". 1960: Thomas Schelling, "Strategy of Conflict". 1962: Kenneth Boulding, "Conflict and Defense: a general theory". 1975: Randall Collins, "Conflict Sociology: towards an explanatory science". 1975: Louis Kriesberg, "Sociologia dos conflitos sociais". 1979: Walter Isard, "A definition of Peace Science, the queen of social sciences". 1983: Julien Freund, "Sociologie du Conflit".
Paralelamente à Teoria do Conflito e em estreita relação com ela, tem aparecido e desenvolvido uma rica "teoria dos jogos" (Von Neuman e Morgenstern, 1944; John Forbes Nash, 1950; Bishop, 1964), que se aplicou visualizando ao conflito como jogo.
Na última década vários Prêmios Nóbel têm sido concedidos a teóricos da teoria do conflito e da teoria dos jogos: 1994, John Nash; 2005, Thomas Schelling e Robert Aumann.
O envolvimento principal da teoria do conflito é o reconhecimento da "funcionalidade" deste. Conquanto anteriormente tinham existido pensamentos de justificativa moral do conflito, tais como as da Guerra santa (cristianismo e Islão), a “guerra justa” ( Vitoria), o direito à rebelião (Locke), a luta de classes (Marx), é recém a partir da teoria do conflito que este último começa a ser visto como uma relação social com funções positivas para a sociedade humana, em tanto e assim que se possam manter baixo controle seus potencialidades destructivas e desintegradoras.
Dantes do aparecimento da Teoria do Conflito, o conflito era visto basicamente como uma patologia social, ou, em todo o caso, o sintoma de uma patologia social. A sociedade perfeita era vista como uma sociedade sem conflitos e todas as utopias sociais sustentavam a necessidade de constituir um modelo de sociedade sem conflitos, de pura cooperação.[4]
A Teoria do Conflito re avalia a connotación negativa tradicional e postula o conflito social como um mecanismo -ao menos potencialmente positivo- de inovação e mudança social. Em sintonía com essa corrente, o educador norte-americano John Dewey expressava que "o conflito é o tábano do pensamento".
O aparecimento da teoria do conflito deve ser historicamente entendida tanto à luz do criticismo académico a posições estructuralistas[5] como a realidade sociopolitica na guerra fria: a invenção da bomba atómica (1945) modificou completamente a dinâmica do conflito a raiz da possibilidade de exterminio da espécie humana (ver Destruição Mútua Assegurada: a Carta do Louco e a disuasión nuclear). O recente Prêmio Nóbel de Economia 2005, Thomas C. Schelling, fundou sua obra na análise do comportamento dos antagonistas em uma guerra nuclear.[6] [7]
Da confluencia entre a teoria do conflito e a teoria dos jogos tem derivado uma rica distinção entre jogos de soma zero (puro conflito), jogos de soma positiva (pura cooperação), e jogos mistos (de cooperação e conflito). Estes últimos são os que abrem o espaço à negociação.
Na vida real é praticamente improvável que se apresente uma dinâmica social que se comporte unicamente como jogo de soma zero (conflito puro) ou jogo de soma positiva (pura cooperação). Sempre existem aspectos abertos à negociação, tanto nas situações mais conflictivas como nas mais pacíficas.
Mas disse-se que o que se existe na vida real, são mentalidades que consideram os conflitos como de soma zero ou de soma positiva. No primeiro caso, o conflito tem uma alta probabilidade de terminar em tragédia. No segundo caso o conflito tem uma alta probabilidade de terminar em exploração.
Os cientistas sociais estão divididos em duas grandes escolas para enfocar o conflito social: a escola clássica (teorias macro) e a escola conductista (teorias micro). O enfoque clássico se enfoca no nível macro e está centralmente enfocado na análise de relacione-las conscientes entre os grupos sociais. Os conductistas se enfocan no nível micro, e sua preocupação central é o indivíduo dantes que o grupo. Os conductistas prestam grande atenção aos factores inconscientes na geração dos conflitos.
Por outra parte a escola clássica tende a analisar grande número de variáveis para compreender um conflito, enquanto o método da escola conductista é isolar poucas variáveis e as aplicar a um grande número de conflitos para compreender o papel que desempenha a cada variável.
Entre os supostos fundamentais da escola conductista encontra-se a afirmação de que as raízes da guerra se encontram na natureza do comportamento humano.
Os estudiosos clássicos do conflito, desde Tucídides e Sun Tzu, até Maquiavelo, Marx e Von Clausewitz, se enfocaron em um aspecto específico do conflito: o poder.
A partir da bomba atómica (1945) e a teoria da disuasión, abriu-se o caminho para teorias mais complexas, como a teoria sobre "tomada de decisões" e a teoria dos jogos". Ambas se originaram na ideia da escola clássica do século XX sobre o actor racional. O modelo do actor racional foi desenvolvido por economistas para explicar o comportamento económico humano. Presupone que a gente faz eleições informadas e toma decisões sobre bases racionais, sospesando oportunidades (ganhar, perder).
Thomas Schelling, Prêmio Nóbel 2005, tomou este modelo para desenvolver uma sofisticada teoria do jogo, que inclui comunicação, negociação, informação, e introduz a importância da irracionalidad do pensamento estratégico.