O Tesouro de Villena é um dos achados áureos mais sensacionales da Idade de Bronze européia. Está conformado por 59 objectos de ouro, prata, ferro e ámbar que totalizam um peso de quase 10 quilos. Essa magnitude converte-o no tesouro de vajilla áurea mais importante de Espanha e o segundo de toda a Europa, só superado pelo das Tumbas Reais de Micenas , Grécia.[1] Ademais, destacam as peças de ferro já que são as mais antigas achadas em Espanha e correspondem a uma fase na que o ferro se considerava metal precioso e, por tanto, atesorable.
Encontrou-o em 1963 o arqueólogo villenense José María Costumar nas cercanias de Villena, e desde então tem sido a peça finque do Museu Arqueológico de Villena. De seu achado fizeram-se eco a maioria dos meios nacionais e vários do estrangeiro, entre eles da França, Alemanha e os Estados Unidos. O original tem sido exposto em Madri , Alicante, Tokio e Kioto, e existem duas cópias de todo o conjunto que são usadas para o expor sem o pôr em perigo, enquanto este se conserva permanentemente em uma vitrina blindada do Museu Arqueológico de Villena.
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A crescente actividade urbanística que se estava a levar a cabo em Villena na década de 1960 levou a procurar lugares mais afastados nos que extrair a grava para a fabricação do hormigón. Em outubro de 1963 o pedreiro Francisco García Arnedo encontrou uma peça metálica entre grava-a de uma obra que se estava a realizar na rua de Madri e a entregou ao capataz, Ángel Tomás Martínez na crença de que seria uma peça da engrenagem de algum camião. Dito capataz limitou-se a pendurar em um lugar visível onde o dono pudesse o encontrar. Decorridos em vários dias, chamou a atenção de outro pedreiro, Francisco Contreras Utrera, que o apanhou e o levou a casa. A mulher deste, Esperança Fernández García foi a que decidiu o levar ao joyero Carlos Miguel Esquembre Alonso no dia 22 de outubro de 1963. O joyero, ao percatarse de que a peça era um extraordinário brazalete de ouro avisou ao arqueólogo José María Costumar, que imediatamente se personó na joyería. Costumar, temendo que o brazalete tivesse sido mutilado ou que parte da informação fosse falsa, pusó o caso em conhecimento do Juiz de Instrução de Villena. A indagaciones começaram ao pouco tempo, mas não se acharam circunstâncias aclaratorias do achado.
No dia 25 de novembro o mesmo joyero avisou a Costumar de que tinha chegado a suas mãos outro brazalete de similares características. Neste caso levou-o à joyería o casal formado por Esperança Martínez Morais e seu esposo Juan Calatayud Díaz, transportador de gravas, que asseguravam que a peça tinha pertencido à avó de Esperança Martínez. Dado o parecido de ambos brazaletes e o facto de que o segundo apresentasse as mesmas adherencias terrosas que o primeiro, Costumar pôs de novo o caso em conhecimento do Juiz de Instrução. No dia 26, dantes de comparecer no julgado, Juan Calatayud apareceu em casa de Costumar afirmando que tinha encontrado o objecto em uma das ramblas próximas à cidade, ao pé da Serra do Morrón. No dia 30 de novembro, dentro do marco das diligências judiciais, fez-se uma inspecção ocular de dita rambla depois da qual se decidiu escavar na zona.
A rambla na que tinham aparecido os brazaletes está no vale de Benejama , ao sul da Serra do Morrón, a uns 5 km do capacete urbano de Villena. A rambla em si é a parte baixa do Barranco Roch, que toma como nomeie Rambla do Panadero. No dia 1 de dezembro se personó ali José María Costumar, acompanhado dos irmãos Enrique e Pedro Domenech Albero e seus respectivo filhos. A zona assinalada achava-se cerca das ruínas de uns barracones islâmicos e ali localizou a equipa uma área de uns 30 m² baixo a que poderia se achar o lugar de proveniencia dos brazaletes. Não deu resultado e se dispuseram a escavar por estratos uma área com restos de incineração de 1 m². Também não encontrou-se nada e às 5 da tarde, já dispostos a regressar, Pedro Domenech, que se tinha deslocado um pouco, descobriu com seu azada dois brazaletes e a borda de uma vasija.
As circunstâncias eram pouco favoráveis já que estava a ponto de anochecer e não se dispunha dos meios para levantar o achado com garantias, amém de que para Costumar a ideia do cobrir de novo para voltar ao dia seguinte era "francamente temeraria". Por tanto, enviou-se aos dois rapazs, Enrique e Pedro, ao encontro do táxi que estaria de caminho para recolher à equipa, com uma nota para o advogado Alfonso Areias García na que se pedia um fotógrafo com meios de iluminação. Ao cabo de duas horas apareceram o advogado, o taxista Martín Martínez Pastor, os dois rapazs e o fotógrafo Miguel Flor Amat, que tomou as únicas fotografias do achado insitu . Depois, montou-se a vasija no táxi e levou-se ao despacho de Costumar.
A primeira exposição levou-se a cabo druante a Navidad de 1963 nas dependências do Museu Arqueológico de Villena. O 27 de dezembro de 1963 o ferroviário Pedro Lorente García entregou por própria vontade a José María Costumar um terceiro brazalete que se achava arrinconado no desván de sua casa, à que tinha chegado 4 ou 5 meses dantes e que tinha sido identificado por sua filha como semelhante aos do Tesouro depois de contemplar na exposição.
O tesouro está formado por 66 peças, 56 das quais se agrupam claramente para formar 49 objectos diferenciados. As outras 10 peças deveram pertencer a objectos complexos dos que foram arrancadas e é difícil as determinar, pelo que há que as considerar como objectos individuais. Isto nos dá um total de 59 objectos cuja quantidade e peso se distribuem da seguinte maneira:[2]
| Objecto | Quantidade | Peso (gramas) |
|---|---|---|
|
Brazaletes de ouro Brazaletes de ferro Cuencos de ouro Frascos de ouro Frascos de prata Arremate ou broche de ferro e ouro Botão de ouro e ámbar Diversos Totais |
28 1 11 2 3 1 1 12 59 |
5.170,35 31,85 3.508,141 380,97 556,83 50,49 5,84 49,81 9.754,31 |
Pode-se observar a grande preponderancia dos brazaletes, que constituem quase a metade do conjunto de objectos e supõem o 54% do peso. Seguem os cuencos, com o 36% do peso. Os frascos de ouro e prata supõem um 6% do total, enquanto os 15 objectos restantes conformam tão só um 4% entre todos eles. A seguinte tabela mostra a relação entre os materiais utilizados e o peso dos mesmos entre as peças do tesouro:
| Ouro | Prata | Ferro | Firo e ouro | Ámbar | Totais | |
| Número de peças | 60 | 3 | 1 | 1 | 1 | 66 |
| Peso em gramas | 9.112,1252 | 556,8370 | 31,8574 | 50,4958 | 3 | 9.754,3154 |
Claramente o material mais importante é o ouro, com um 91% das peças e um 93% do peso. A prata ocupa um lugar muito secundário, com tão só o 4,5% das peças e o 5,7% do peso. As quantidades de ferro e ámbar são praticamente insignificantes.
Uma característica principal destes brazaletes é que apresentam os extremos separados, a excepção do número 5, que tem os extremos unidos ainda que sem soldar. O diâmetro médio é de 58 mm e o peso médio de 184 gr. Segundo Costumar, a fabricação dos brazaletes levou-se a cabo mediante quatro operações singelas:
No entanto, não em todas as peças se levaram a cabo todas as operações. As combinações estão recolhidas na tabela seguinte:
| Peça | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 |
| 1ª fase | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x |
| 2ª fase | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | |||||
| 3ª fase | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | x | |||||||
| 4ª fase | x | x | x | x | x |
Dado que o dos brazaletes é o grupo mais numeroso, Costumar dividiu-o em várias categorias de acordo com sua morfología:
Os quatro brazaletes lisos (peças 2, 3, 4 e 5) apresentam um cara interior plana ou ligeiramente cóncava e uma superfície convexa, produzindo uma sensação quase ojival. Apresentam os extremos remachados e uma ligeira dilatación para o exterior ou a cara interna. A superfície externa tem-se polido em todos eles, mas o interior em só dois. A cara interna de todos apresenta surcos ranhuras que se correspondem com molduras salientes, ainda que em alguns se têm mascarado.
Só há um exemplo (peça 7), formado por duas aros simétricos de cinco molduras a cada um, unidos por uma atira central bruñida. Dado seu parecido aos brazaletes moldurados com calado simples, acha-se que está inacabado.
Há dois brazaletes (peças 25 e 26), derivadas de atira-las plano-convexas dos brazaletes lisos. Ambos têm uma sucessão de molduras desiguais, que conservam a superfície curvada da peça de que procedem. Outras molduras transformaram-se em aros de pontas untilizando um soquete ou broca, aplicada a intervalos regulares. No brazalete 26 as pontas são cônicas, enquanto o 25 são simples abultamientos romos.
São a série mais numerosa, à que pertencem 21 dos brazaletes (75%). O número 6, único no conjunto, consiste em dois aros plano-convexos unidos por uma faixa central calada. Todos os demais apresentam um característico perfil almenado na secção transversal.
Calado simples
São 17 os brazaletes que apresentam uma série de perforaciones, obtidas a golpes de cincel na faixa central.
Este grupo está formado por 16 brazaletes (peças 6, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 22). Todos, excepto o número 6, consistem em uma faixa central calada que um duas aros com três molduras a cada um, a central quadrada e as outras triangulares. Ainda que são idênticos quanto a técnica e aspecto, o tamanho varia muito, desde os 56 aos 384 gr.
Sólamente o brazalete número 27 enquadra-se nesta categoria. Está intensamente bruñido e apresenta ao redor da base da cada ponta e nas paredes laterais impressões do instrumento clíndrico com que foram moldadas. Na cada surco se yerquen 25 pontas, o que dá um total de 500.
Calado duplo
Existem quatro peças nas que há duas bichas de calados, uma à cada lado de um elemento central, que em dois casos são aros moldurados e em outros dois, aros de pontas.
As peças 23 e 24 são quase idênticas e apresentam uma versão duplicada dos de calado simples. As proporções são também quase iguais, a excepção da altura.
O brazalete número 28 está formado por dois aros de 5 molduras. A faixa central constra de outro aro arrematado com 47 pontas cônicas. Os extremos apresentam-se unidos, ainda que sem soldar. A superfície interna está menos polida que a exterior e deixa ver as ranhuras correspondentes às molduros. Poderia ser uma versão simplificada dos brazaletes de Portalegre e Estremoz.[3] [4]
O brazalete número 29 é, sem lugar a dúvidas, a peça cimeira do conjunto e uma das mais belas de toda a prehistoria espanhola. Sua composição essencial é a mesma que a da peça anterior, mas o conjunto se enriquece com a transformação de vários filetes em bichas de pontas, que são um total de 522 e alternam com as salientes molduras e os 124 orificos do enrejado central em contraste rítmico pela diferente altitude dos diferentes elementos.
O conjunto dos cuencos está composto por 11 peças, que conformam uma vajilla sem comparação na Idade do Bronze espanhola. Todos estão construídos com chapa de ouro batido com forma de casquete semiesférico e pescoço curto em escocia, encaixando plenamente na tipología das vasijas argáricas. Em todos, salvo na peça 31, o diâmetro da boca excede ao duplo da altura. Em todos eles a decoración é exclusivamente geométrica e está obtida mediante pontos em relevo levantados com um punzón romo desde o interior.
O cuenco número 30 é a única instância ovoide e vai ornado com onze verdugones concêntricos que delimitam 11 faixas enfeitadas com sendas bichas de pontos grossos. Sua cor é amarela limão, mais claro que em anaranjado que impera em quase todos os demais.
Destaca o cuenco carenado número 31 porque o diâmetro da boca não excede ao duplo da altura. Seu decoración consiste em 23 círculos de apertados pontos ao redor de um mais grosso da vase. Em sua forma e decoración recorda ao cuenco de Zurique .[5] [6]
Os nove restantes diferem só no tamanho e o tema decorativo. O cuenco número 32 é o mais singelo, com uma decoración de quatro faixas concêntricas que alternam com quatro lisas e um círculo liso na base.
Os cuencos número 33, 34, 35 e 36 pertencem a uma série similar, enfeitados com faixas concêntricas e guirnaldas entre as mais duas altas. O número 35, mais pequeno, reduz o número de fileiras, ao igual que o 36, que só possui quatro. O ouro deste último é também do tipo amarillento.
Os outros quatro cuencos (37, 38, 39, 40) agrupam-se em uma série com decoración radial. Três das instâncias têm um tema decorativo que Costumar denominou "em E", enquanto o número 37 o varia para converter em um tema "em V". O número 40, um dos maiores, tien o círculo basal rodeado de uma circunferencia de pontos grossos.
Os frascos estão divididos em três instâncias de prata e duas de ouro (peças 41, 42, 43, 44 e 45). Os cinco têm a mesma forma, técnica e decoración, ainda que os tamanhos variam. O corpo de todos é esferoidal, com aplanamiento na base e o pescoço cóncavo, com a borda lisa. A decoración consiste em duas molduras horizontais e paralelas, que unem outras seis molduras verticais. Da moldura superior partem outras duas verticais, que se perdem a poucos milímetros da borda. Todas estão fabricadas de uma sozinha peça, sem rastros de solda.
O estado de conservação dos frascos de ouro (41 e 42) e o mais pequeno dos de prata (43) eram excelentes. No entanto, os dois frascos grandes de prata foram muito danificados pelo peso dos brazaletes e tiveram que ser restaurados em 1963 e 1998.
Há duas peças compostas (objectos 46/47 e 48/50) que têm em comum um pino solto que atravessa a peça e se abre em dois ramos pelo envés. O maior (46/47) consiste em uma semiesfera oca, de metal fundido, cor plomizo escuro, com pátina ou óxido de cor marrón e aspecto ferroso, recoberta de uma fina lâmina de ouro. O enfeito consiste em oito bandas radieales, surcada a cada uma por três linhas incisas. O resultado é uma estrela de quatro pontas. O outro botão (48/50) consiste em um disco de ouro com borda levantada e orifício central. Na parte interna se alojaba um disco de ámbar, recolhido em fragmentos. A fixação do ámbar conseguia-se por médio de um pino cilíndrico que atravessava as duas peças e se abria em dois ramos por trás do disco. O extremo visível deste passado se pulió em procura do efeito decorativo.
A peça 51 é um pequeno cuenco semiesférico de 5 cm de diâmetro, com a borda estreita. Possivelmente, mais que como verdadeiro recipiente, actuava como revestimento de outro objecto: o pomo de uma arma, a cabeça de um centro ou bengala de comando, etc.
O objecto 52-54 está formado por uma peça de ouro com perfil de carrete (52), arrematada por uma espécie de suporte ou contera, na que encaixa (53). É uma lâmina cóncava, fechada sobre si mesma por médio de três clavillos, um deles in situ (54). Acha-se decorada com três faixas da seis linhas incisas, que alternam com quatro faixas caladas, de quadrados as intermediárias e de triângulos apontados para as bordas as exteriores. A peça 55 é uma contera de ouro similar à anterior.
O objecto 56/57 contém uma peça de ouro similar ao número 52 (56), também em forma de carrete e fechada por médio de dois clavillos, um deles in situ (57). Está constituída por três atiras paralelas surcadas por cinco linhas incisas e separadas por espaços vazios retangulares. Na zona de fechamento, a lâmina prolonga-se em dois adendos triangulares que sobresalen das bordas da peça, em um dos quais se alojaba um rebite.
A peça 58 é uma peça anular de ouro, ligeiramente troncocónica, formada por uma larga fita com três bichas de triângulos calados a cincel. A 59 é uma peça anular de ouro, troncocónica, com ligeira concavidad das paredes. A base menor termina em borda liso e refinado; a base maior dobra-se em uma estreita borda descuidadamente recortado. Vai ornada com nove linhas incisas paralelas. A 60 é uma peça de ouro similar à anterior, de fita mais fina e com a concavidad das paredes mal arguida, mintas que a 61 é praticamente idêntica às duas anteriores.
As peças de 62 a 64 são quase idênticas, e estão formadas por laminillas de ouro alongadas, com os extremos curvados e aguzados. Recordam o perfil de uma nave. Um das bordas se tem polido e alisado em toda sua extensão. Da borda oposta emergem cinco pequenos adendos remachados. A peça 65 é similar às anteriores, mas quase dois terços menor, com só três adendos ou rebites e sem a acusada curvatura daquelas. A peça 66 é clavillo pertencente, sem dúvida, à peça 52 ou 56. Apareceu solto.
Por último, a peça 67 é um brazalete ou anel aberto, de secção plano-convexa e extremos arrendondados ou alisados. Está composta por um metal de cor plomizo escuro, brilhante em algumas zonas e coberto de um óxido de aspecto ferroso.
Entre as 66 peças do tesouro há três de prata, dois de ferro e uma de ámbar. As restantes são de ouro, e delas se analisaram 54 a cargo do doutor Hartmann, do Winterberg-Landesmuseum de Stuttgart (Alemanha) em setembro de 1968. Na tabela seguinte mostra-se a composição destas peças (a proporção de prata refere-se ao peso total da peça, enquanto os restantes metais expressam-se em percentagens sobre o ouro que contém):[7]
| Peça | número | prata | cobre | estaño | níquel | mercurio |
| Brazalete | 2 | aprox. 6 | 0,26 | 0,26 | — | — |
| " | 3 | " 6 | 0,12 | 0,14 | — | — |
| " | 4 | " 4 | 0,28 | 0,14 | — | — |
| " | 5 | " 13 | 0,34 | 0,15 | — | — |
| " | 6 | " 8 | 0,37 | 0,34 | — | — |
| " | 7 | " 6 | 0,17 | 0,15 | — | — |
| " | 8 | " 5 | 0,22 | 0,17 | — | — |
| " | 9 | " 7 | 0,17 | 0,18 | — | — |
| " | 10 | " 5 | 0,24 | 0,28 | — | — |
| " | 11 | " 6 | 0,22 | 0,17 | — | — |
| " | 12 | " 4 | 0,30 | 0,11 | — | — |
| " | 13 | " 7 | 0,29 | 0,29 | — | — |
| " | 14 | " 5 | 0,19 | 0,12 | — | — |
| " | 15 | " 7 | 0,17 | 0,074 | — | — |
| " | 16 | " 7 | 0,36 | 0,12 | — | — |
| " | 17 | " 4 | 0,04 | 0,013 | — | — |
| " | 18 | " 8 | 0,37 | 0,062 | — | — |
| " | 19 | " 5 | 0,16 | 0,28 | — | — |
| " | 20 | " 9 | 0,27 | 0,21 | — | — |
| " | 21 | " 11 | 0,62 | 0,17 | aprox. 0,02 | — |
| " | 22 | " 5 | 0,20 | 0,35 | — | — |
| " | 23 | " 9 | 0,64 | 0,30 | — | — |
| " | 24 | " 6 | 0,18 | 0,10 | — | — |
| " | 25 | " 9 | 0,25 | 0,18 | — | — |
| " | 26 | " 8 | 0,13 | 0,20 | — | — |
| " | 27 | " 9 | 0,18 | 0,23 | — | — |
| " | 28 | " 6 | 0,10 | 0,031 | — | — |
| " | 29 | 5-10 | 0,24 | 0,11 | — | — |
| Cuenco | 30 | 5-10 | 0,30 | 0,22 | — | — |
| " | 31 | 10-15 | 0,70 | 0,18 | — | — |
| " | 32 | 5-10 | 0,18 | 0,12 | — | — |
| " | 33 | 5-10 | 0,24 | 0,12 | — | — |
| " | 34 | 5-10 | 0,20 | 0,086 | — | — |
| " | 35 | * 10 | 0,26 | 0,14 | — | — |
| " | 36 | aprox. 4 | 0,15 | 0,068 | — | — |
| " | 37 | " 6 | 0,25 | 0,087 | — | Sp. (?) |
| " | 38 | " 4 | 0,15 | 0,12 | — | — |
| " | 39 | " 7 | 0,16 | 0,14 | — | — |
| " | 40 | " 7 | 0,17 | 0,12 | — | — |
| Frasco | 41 | " 6 | 0,32 | 0,16 | — | — |
| " | 42 | " 4 | 0,16 | 0,11 | — | — |
| Arremate | 46 | " 5 | 0,92 | 0,28 | 0,30 | — |
| Pino | 47 | " 3 | 0,20 | 0,17 | — | — |
| Arreio | 48 | " 6 | 0,11 | 0,18 | — | — |
| Arremate | 51 | " 7 | 0,28 | 0,064 | — | — |
| Peça calada | 52 | " 11 | 0,02 | 0,12 | — | — |
| Contera | 53 | " 7 | 0,02 | 0,16 | — | — |
| " | 55 | " 6 | 0,58 | 0,17 | — | — |
| Peça calada | 56 | " 8 | 0,59 | 0,14 | — | — |
| " | 58 | " 8 | 0,25 | 0,22 | — | — |
| Virola incisa | 59 | " 4 | 1,20 | 0,31 | — | — |
| " | 60 | " 5 | 0,22 | 0,20 | — | — |
| " | 61 | " 6 | 0,25 | 0,20 | — | — |
| Laminilla | 65 | " 4 | 0,05 | 0,22 | — | — |
De acordo com Hartmann, a quantidade de prata que contêm todas as jóias é de origem natural e sua proporção de cobre a que existe no ouro extraído de areias fluviales. Nem a Segura nem o Vinalopó têm sido nunca considerados auríferos, mas não se pode descartar que o tenham sido em outros tempos. Figueras Pacheco falou de umas denuncias mineiras no termo de Guardamar da Segura,[8] enquanto Juan Bautista Carrasco alega o depoimento da Estatística ofical para afirmar a existência de minas de ouro em San Fulgencio,[9] e a explicação do Mapa Geológico de Espanha de 1951 afirma sobre o criadero de cobre de Santomera que é "uma massa de bastante consideração de pintas de cobre, cobres vermelhos, carbonatos verde e azul e, não poucas vezes oro nativo, precisamente ao contacto de uma erupção hipogénica".[10]
Também em época antiga se falou da riqueza aurífera desta área. Francisco Diago, por exemplo, comenta que na Serra de Mariola (cujo extremo meridional é a villenense Peña Loira), tinha Sexto Mario as minas de ouro que lhe fizeram o homem mais rico de Espanha.[11] Ibarra, por sua vez, comenta de Elche que "nas entranhas de sua terra o metal mais precioso, que desde os primeiros tempos ambicionó o homem e o que tinha de acordar sua cobiça ao lhe explodir em longínquas idades, como nos dão elocuente depoimento numerosos trabalhos levados a cabo na Serra do Molar, em época desconhecida pelo remota".[12] Por tanto, para Costumar resulta verdadeiro que o Cabezo Redondo durante a Idade do Bronze foi um "riquísimo foco cultural capaz de irradiar sua influência até regiões muito longínquas".[7]
Os dois objectos de ferro (46/47 e 67) possuem um grande interesse já que trata-se dos objectos deste material mais antigos aparecidos na Península Ibéria e correspondem a um estádio arcaico do uso deste metal, no que se lhe considera um metal nobre e, por tanto, se emprega em elementos de orfebrería ornamental, tese que já apontou José María Costumar.[1]
Conquanto as peças de ouro encontraram em perfeito estado de conservação, não ocorreu o mesmo com as de prata que se viram afectadas pela exposição que sofreram durante uns 3.000 anos ao solo alcalino, a pressão do terreno, etc. Todo isso propiciou que as peças sofressem uma corrosão prolongada e tivessem que receber uma primeira intervenção a cargo de José Serrano Martínez, em especial os dois frascos de prata maiores (peças 44 e 45). Serrano reintegrou as partes faltantes e reforçou as existentes proporcionando às peças uma estabilidade suficiente já em 1963. Ao cabo de 35 daquela primeira restauração as peças tinham começado a sofrer os efeitos do passo do tempo e alguns fragmentos ameaçavam com desprender-se do suporte. A Prefeitura de Villena pô-lo em conhecimento da Conselleria de Cultura, Educação e Ciência da Comunidade Valenciana e a Direcção Geral de Património Artístico fez as gestões para que se levasse a cabo no centro de restauração que maiores garantias oferecesse. O eleito foi o Instituto do Património Histórico Espanhol, dependente do Ministério de Cultura. As peças transladaram-se em meados do mês de abril de 1998 e recolheram-se em agosto desse mesmo ano. Nesta nova intervenção realizou-se a reintegración volumétrica mediante resina com ónus totalmente reversible e, finalmente, aplicou-se-lhes uma capa de protecção específica para prata.[1]
Desde o momento de seu achado tem tido diversos interrogantes em torno do tesouro que muitos pesquisadores, começando por Costumar, têm tentado desvelar. Estes giram em torno de sua origem, cronología, autores, relações, etc. O primeiro em propor possíveis respostas foi Costumar, que primeiro de todo o relacionava com o Tesorillo do Cabezo Redondo, a cuja população adjudicaba como muito problable o ocultamiento, dado que os anéis achados neste lugar guardam muitas similitudes com os brazaletes do Tesouro. Ademais, a vasija em que se fez o ocultamiento é claramente argárica em sua forma, massa, cocción, cor e espatulado.[13] [14] [15] E ele considerava que os cuencos áureos também tinham enormes semelhanças com as cerâmicas tanto do Cabezo Redondo como as de outros yacimientos da comarca. Os frascos comparava-os com as vasijas excisas do Cabezo Redondo bem como com uma jarra encontrada no povoado argárico de San Antón (Orihuela).[16] Também achou paralelismos com outros achados da fachada atlántica da Península Ibéria, em especial com os de Portalegre e Estremoz,[3] [4] bem como com a diadema achada em Olha-de Ar (cerca de Peniche ).[17] Por tanto, para Costumar não era arriscado supor a fabricação local, sobretudo tendo em conta que há constacia da existência de ao menos um orfebre no Cabezo Redondo, povoado argárico.[18] [19] [20] [21] [22] Quanto à cronología, ele enquadrava o achado em um contexto do Bronze tardio, em torno do 1000 a. C., baseando no estado de evolução das peças e sua decoración com respeito à de outros achados peninsulares e europeus, já que não é necessária uma influência hallstáttica,[6] [23] [24] que inclusive poderia se dar em sentido contrário,[25] [26] [27] dado que se acha que o ferro era de uso comum na península sobre o século IX a.C.,[28] e há constancia no Mediterráneo Oriental de que dantes de ser usado em massa se lhe considerou um metal nobre.[29] Quanto ao ouro, Costumar assinalava que a magnitude do Tesouro de Villena supera a todos os achados áureos da cultura hallstáttica em conjunto, e que o Tesorillo do Cabezo Redondo a todos os argáricos, com que foi a força de um importante foco cultural centralizado na comarca de Villena a que fez que a matéria prima chegasse até aqui. Juan Maluquer fez-se eco de todo o anterior ao afirmar o que segue:
O lema turístico da cidade, Villena um tesouro!, criou-se em referência ao tesouro de Villena.[31]
O 1 de abril de 2005 foi declarada Bem de Interesse Cultural a Colecção Arqueológica do Tesouro de Villena.[1]