Visita Encydia-Wikilingue.com

Utilitarismo

utilitarismo - Wikilingue - Encydia

O utilitarismo é uma teoria ética que assume as seguintes três premisas: aquilo que resulta intrinsecamente valioso é aquilo que é intrinsecamente valioso para os indivíduos; o melhor estado de coisas é aquele no que a soma daquilo que resulta valioso é o mais alta possível; e aquilo que devemos fazer é aquilo que consegue o melhor estado de coisas conforme a isto. Deste modo, a moralidad de qualquer acção ou lei vem definida por sua utilidade para os seres sintientes em conjunto. Utilidade é uma palavra que refere aquilo que é intrinsecamente valioso para a cada indivíduo. Em economia, chama-se utilidade à satisfação de preferências, em filosofia moral, é sinónimo de felicidade, seja qual seja o modo no que esta se entenda. Estas consequências usualmente incluem felicidade ou satisfação das preferências. O utilitarismo é às vezes resumido como "o máximo bem-estar para o máximo número". Deste modo o utilitarismo recomenda actuar de modos que produzam a maior soma de felicidade possível em conjunto no mundo.

Conteúdo

História do Utilitarismo

James Mill.

O utilitarismo foi proposto originalmente durante os séculos XVIII e XIX na Inglaterra por Jeremy Bentham e seu seguidor James Mill, ainda que também se pode remontar a filósofos da Grécia Antiga como Parménides. Tanto a filosofia de Epicuro como a de Bentham podem ser consideradas como dois tipos de consecuencialismo hedonista, pois julgam a correcção das acções segundo seu resultado (consecuencialista) em termos de quantidade de prazer ou felicidade obtida (hedonismo).

Há um debate sobre quem usou, pela primeira vez, o termo "utilitarismo", se Bentham ou Mill: James Mill (Autobiography, ed. J. S. Cross (1924), p. 56) diz que ele foi o primeiro em utilizar o termo "utilitarianism" em relação com a "sociedade" que tinha proposto fundar: "Utilitarian Society". Mas em uma obra de Bentham, de 1780 (só editada postumamente), se descobriu que este autor o usou primeiro que Mill, quando quis criar a "Seita do Utilitarismo" por esses anos.


"Como movimento, dedicado à reforma -escreveu Bertrand Russell-, o utilitarismo tem conseguido, certamente, mais que todas as filosofias idealistas juntas, e o fez sem grandes alharacas".

Tipos de utilitarismo

Utilitarismo negativista

Muitas teorias utilitaristas defendem a produção do máximo bem-estar para o máximo número de pessoas. O utilitarismo negativista crê necessário prevenir a maior quantidade de dor ou dano para o maior número de pessoas. Os defensores desta interpretação do utilitarismo argumentam que esta propõe uma fórmula ética mais eficaz, pois há mais possibilidades de criar danos que de criar bem-estar, e os danos maiores implicam mais consequências que os maiores bens. É o contrário do utilitarismo positivo. Defendem a produccion do mínimo mal-estar para o máximo número de pessoas.

Utilitarismo do acto contra o utilitarismo das normas

Propuseram-se outras formas de utilitarismo. A forma tradicional de utilitarismo é a do utilitarismo do acto, que afirma que o melhor acto é o que contribui a máxima utilidade. Uma forma alternativa é o utilitarismo das normas, que afirma que o melhor acto é aquele que faça parte de uma norma que seja a que nos proporciona mais utilidade.

Muitos utilitaristas argumentariam que o utilitarismo não só compreende os actos, senão que também os desejos e disposições, prêmios e castigos, regras e instituições.

Utilitarismo preferencial

Em um tipo particular de utilitarismo que define à utilidade em termos de satisfação das preferências. Os utilitaristas da preferência afirmam que o correcto a fazer é aquilo que produza as melhores consequências, mas definindo às melhores consequências em termos de satisfação das preferências, que incluiria conceitos como a "reputação" dantes que o puro hedonismo.

Críticos do utilitarismo

Os críticos argumentam que esta visão se enfrenta a muitos problemas, um dos quais é o da dificuldade de comparar a utilidade entre diferentes pessoas. Muitos dos primeiros utilitaristas achavam que a felicidade podia ser medida quantitativamente e ser comparada através de cálculos, ainda que nenhum conseguiu fazer um cálculo semelhante na prática.

Argumentou-se que a felicidade de pessoas diferentes é inconmensurable, e que este cálculo é impossível, mas não só em prática senão como princípio. Os defensores do utilitarismo respondem a isto afirmando que ante este problema se encontra qualquer que tenha que escolher entre dois estados alternativos que impõem sérios ónus às pessoas implicadas. Se a felicidade fosse inconmensurable, a morte de centos de pessoas não seria pior que a morte de uma.

Outro dos argumentos na contramão do utilitarismo, segundo James Rachels em sua Introdução à Filosofia Moral, é a acusação de que esta forma de actuar é demasiado exigente e elimina a distinção entre deveres e acções sepererogatorias.

Para sustentar isto os antiutilitaristas partem do que reconhece o próprio filósofo utilitarista John Stuart Mill: "o utilitarista obriga a ser tão estrictmente imparcial como um espectador desinteresado e benévolo".

Tomando em conta como palavra#-chave "obriga", os filósofos adversos a Bentham e Mill propuseram através de exemplos imaginarios, duas maneiras de distinguir as acções caritativas das pessoas: aquelas que adoptam uma posição utilitaria, devem forçada e obrigatoriamente desfazer de seus bens para contribuir ao bem-estar dos demais, ainda se por esta causa sua estatus social fica à altura dos mais pobres.

O utilitarista congruente deveria por decisão própria ou por consciência doar parte de suas riquezas se estas produzem mais felicidade que ao as conservar para si.

Por outro lado, os utilitaristas respondem a tais críticas com o argumento que os exemplos propostos são totalmente imaginarios e só na mente de alguns filósofos sucederiam tais coisas, sendo que a utilidade se encarrega de dizer por que são ou não são convenientes na vida real.

O filósofo utilitarista australiano J. J. C. Smart aclara-nos que devemos de ter muito cuidado com o sentido comum, porque em ocasiões este está influenciado por nossos sentimentos, ou seja que às vezes a interpretação que fazemos de uma situação determinada pode estar inspirada pelos costumes e preceitos aprendidos de nossos pais, a sociedade, etc. Talvez, esta seja a maior contribuição do utilitarismo, sua posta em dúvida do sentido comum como fonte da moral.

O utilitarismo tem sido também criticado por chegar a tais conclusões contrárias à moral do "sentido comum". Por exemplo, se estivéssemos forçados a escolher entre salvar a nosso próprio filho ou salvar a dois filhos de gente à que não conhecemos, a maioria de gente escolheria o salvar a seu próprio filho. Em mudança, o utilitarismo defenderia salvar aos outros dois, pois duas pessoas têm um potencial maior de felicidade futura que uma.

Os utilitaristas respondem a este argumento dizendo que o "sentido comum" tem sido utilizado para justificar muitas posições em temas controvertidos e esta noção de sentido comum varia segundo o indivíduo, fazendo que não possa ser uma base para uma moralidad comum.

John Rawls (1921-2002) recusa o utilitarismo, tanto o normativo como o dos actos, pois faz que os direitos dependam das boas consequências de seu reconhecimento, e isto é incompatível com o liberalismo. Por exemplo, se a escravatura ou a tortura é beneficiosa para o conjunto da população poderia ser justificada teoricamente pelo utilitarismo. Rawls defende que a ética política deve partir da posição original.


Os utilitaristas argumentam que Rawls não tem em conta o impacto indirecto da aceitação de políticas desumanas.

É importante destacar que a maioria de críticas vão dirigidas ao utilitarismo dos actos, e que é possível para um utilitarista das normas chegar a conclusões que sejam compatíveis com os críticos.

De facto, John Stuart Mill considerou que Immanuel Kant (1724-1804) era um utilitarista das normas. Segundo Mill os imperativos categóricos de Kant só fazem sentido em casos de violência se consideramos as consequências da acção. Kant afirma que o viver egoistamente não pode ser universalizado pois todos precisamos o afecto em algum ou outro momento. Segundo Mill este argumento baseia-se nas consequências. Pode observar-se que algumas formas de utilitarismo são potencialmente compatíveis com o kantianismo e outras filosofias morais.

R. M. Hare é outro exemplo de utilitarista que tem adaptado sua filosofia ao kantianismo. Não baseia sua teoria no princípio da utilidade. Acha que podemos fazer considerações utilitaristas ao formular julgamentos universais. A esta filosofia ele o lume prescriptivismo universal.

Enlaces externos

Obtido de http://ks312095.kimsufi.com../../../../articles/a/n/d/Andorra.html"