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Vale dos Caídos

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O Vale dos Caídos.

O Vale dos Caídos ou a Abadia da Santa Cruz do Vale dos Caídos é um monumento espanhol construído entre 1940 e 1958 situado no município de San Lorenzo do Escorial, na Comunidade de Madri (Espanha). Encontra-se a 9 km ao norte do Monasterio do Escorial na Serra de Guadarrama, sobre o lugar do vale de Cuelgamuros. O conjunto pertence ao Património Nacional desde 1957, ano de sua abertura ao público.

Desde o 23 de novembro de 2009 encontra-se parcialmente fechado ao público devido a alguns desprendimientos: só se podem visitar o recinto e a loja da entrada, mas não a basílica.[1] No entanto, já se começaram os trabalhos de desmontaje para sua posterior restauração da Piedade de Juan de Ávalos, grupo escultórico do que se desprenderam dois pedaços de grande tamanho.[2] O grupo escultórico está a ser restaurado, pese aos rumores, com grande cuidado:.[3] [4] [5]


Francisco Franco ordenou sua construção, e está enterrado ali junto com José Antonio Primo de Rivera, fundador do partido político Falange Espanhola, bem como com outros 33.872 combatentes de ambos bandos na Guerra Civil. Construiu-se por presos a mudança de redução de condenação.[6]

Segundo o decreto fundacional de 1 de abril de 1940, o monumento e a basílica construíram-se pára:[7]

...perpetuar a memória dos caídos de nossa gloriosa Cruzada [...] A dimensão de nossa Cruzada, os heroicos sacrifícios que a Vitória encerra e a trascendencia que tem tido para o futuro de Espanha esta epopeya, não podem ficar perpetuados pelos singelos monumentos com os que costumam se comemorar em villas e cidades os factos salientes de nossa história e os episódios gloriosos de seus filhos.

Na época aperturista da ditadura, variou-se o motivo do monumento para servir de homenagem aos caídos de ambos bandos[cita requerida].

Abadia benedictina do Vale dos Caídos.

Conteúdo

Características e descrição

A nave central da Cripta.
Mosaico policromado da cúpula da Basílica.
Jesucristo talhado por Beovides, sobre cruz de madeira de enebro. Situado sobre o altar maior.

No complexo acham-se uma abadia benedictina, parte da qual se remodeló como hospedería para atender ao turismo, uma basílica escavada na rocha onde se encontram as tumbas de Franco, Primo de Rivera e oito capillas onde estão enterrados militares de ambos bandos. Sobre a basílica alça-se a mais alta cruz cristã do mundo[cita requerida] com 150 metros de altura visível a mais de 40 quilómetros de distância.

Desde o acesso ao recinto, uma estrada leva ao pé do monumento da Santa Cruz do Vale dos Caídos, desembocando em uma grande explanada. A médio caminho entre a entrada e a explanada o viajante encontra-se com quatro grandes monolitos cilíndricos, de granito, de 11,50 metros de altura e 1,50 metros de diâmetro a cada um, que recebem o nome de «Juanelos». Foram esculpidos durante o reinado de Felipe II, baixo a direcção do engenheiro italiano, estabelecido em Toledo , Juanelo Turriano.

Pode aceder à base da cruz por médio de um funicular. A altura da cruz é de 150 m e seus braços medem 46 metros e tem dois basamentos. A 25 metros de altura, no primeiro basamento, encontram-se as esculturas dos quatro evangelistas e seus símbolos —Juan e a Águia, Lucas e o Touro, Marcos e o León e Mateo e o Homem alado— realizadas por Juan de Ávalos. No segundo basamento, a 42 metros de altura, representam-se as quatro virtudes cardinales: prudência, justiça, fortaleza e templanza.

Na explanada encontra-se a entrada à cripta (ou basílica) de 262 metros de longitude. Escavaram-se 200.000 metros cúbicos de rocha para sua construção. A porta primeiramente, construída em bronze, é obra do escultor Fernando Cruz Solís. Nela estão representados os 15 mistérios do Rosario e um apostolado; de Carlos Ferreira são os dois arcángeles do atrio. Na grade que dá passo à nave se acham representados quarenta santos e está arrematada no centro com a figura do Apóstol Santiago, patrão de Espanha . A nave está dividida em quatro trechos; há nela seis capillas e nos murales oito tapices flamencos realizados no século XVI, ainda que os que hoje vemos são cópia do século XX, tendo como tema iconográfico o Apocalipsis de San Juan.

O altar maior é de uma peça de granito pulimentado. Conta com dois relevos de ferro dourado forjados por José Espinós Alonso sobre desenhos de Diego Méndez, que representa o Santo Enterro e o Sagrado Jantar. Sobre o altar encontra-se uma cruz de madeira de enebro com um Jesucristo faz de Julio Beovide, policromado por Ignacio Zuloaga, Depois dele se encontra a tumba de Francisco Franco e em frente a ele a de José Antonio Primo de Rivera. Este enquadrado por quatro arcángeles de bronze, obra de Juan de Avalos. Sobre o altar maior a cúpula de 42 metros de altura e 40 de diâmetro, decorada com mosaico policromado por Santiago Padrós.

Na cabeceira do cruzeiro está o coro, com sitiales em madeira lavrada. Nos laterais há dois capillas com boa parte dos restos das mais de 40.000 pessoas que há na basílica, caídos nas frentes da Guerra Civil, aproximadamente a metade da cada bando.

Abadia da Santa Cruz do Vale dos Caídos

Levantada sobre uma explanada na parte posterior ao risco da nava, a abadia está composta de dois edifícios principais. Um, o mais próximo à Cruz, é a abadia benedictina propriamente dita; o mais afastado é uma hospedería turística regentada pelos monges. Seu uso está orientado a actos religiosos e culturais. Na hospedería regem as normas da abadia. O conjunto mede 300 metros de longo por 150 de largo e está flanqueado pelas arborizadas laderas da montanha.

Junto à abadia encontra-se o cemitério dos monges benedictinos. A visita requer a permissão dos monges. A basílica e a abadia estão comunicadas através de um acesso privado que conta com uma grande porta monumental de bronze, obra de Damián Villar González.

É a Ordem de San Benito e não outra a que se faz cargo da abadia devido a uma decisão pessoal de Francisco Franco tomada só dois anos dantes da inauguração do monumento. Seu primeiro abad foi o benedictino burgalés Fray Justo Pérez de Urbel.

Basílica

No ano 1960, o papa Juan XXIII outorgou o título de Basílica à igreja da Santa Cruz.

Localização

Suas coordenadas geográficas são: 40°38′29″N 04°09′26″Ou / 40.64139, -4.15722. Cuelgamuros encontra-se na serra de Guadarrama, e quase equidistante de Madri (58 km), Ávila (55 km) e Segovia (50 km). Sua altitude varia desde 985 m na entrada até 1.758 m no Monte Abantos.

Vista aérea (Google maps)

Geografia

Como o resto de Guadarrama, está composto por grandes formações graníticas, e sua vegetación é de pinos, robles, alguns olmos e entre os arbustos, jaras, romero, tomillo. Está flanqueado por várias colinas e o surcan alguns ribeiros: um deles, o Boquerón Chico, tem uma presa e surte de água ao monasterio.

História

O monumento, começado em 1940 e inaugurado em 1959 , levantou-se segundo projecto de Pedro Muguruza e Diego Méndez, foi decorado com monumentales esculturas obra de Juan de Ávalos e com uma cúpula decorada com um mosaico devido ao artista barcelonés Santiago Padrós.

No monasterio encontram-se em 19 arquivos as fichas com os dados de aproximadamente a metade dos ali enterrados. Da outra metade desconhece-se a identidade, existindo várias hipóteses, e sendo quase seguro que foram recolhidos de fosas comuns de Brunete , Grau, Gandesa, Tarragona, Badajoz ou Teruel entre outras, após a Guerra Civil e até 1983.

Até faz em vários anos, a cada 20 de novembro (20-N, data da morte de José Antonio Primo de Rivera e de Francisco Franco), o Vale dos Caídos convertia-se em ponto de reunião para nostálgicos do franquismo, e seguidores de José Antonio Primo de Rivera.

Controvérsia

Sobre sua construção

A tumba de Franco.

Uma descrição das condições em que se desenvolvia e como se retribuía o trabalho dos presos nesta e outras obras da mesma época se pode encontrar no livro de Isaías Lafuente Escravos pela pátria.[9]

Sobre seu destino

Durante a primeira legislatura presidida por José Luis Rodríguez Zapatero e dentro das acções relacionadas com a aprovação da Lei da Memória Histórica propôs-se o destino futuro do Vale dos Caídos. Diversos partidos políticos propuseram usar dito monumento como lembrança à actuação do bando franquista durante a Guerra Civil e à ditadura de Espanha, na que se recorde que foi construída por prisioneiros políticos. Em 2006 o relatório elaborado pelo laborista maltés Leio Brincat (ao que alguns meios têm citado como informe Brincat),[10] e aprovado pela Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, condenava o sucedido em matéria de Direitos Humanos em Espanha durante a ditadura franquista. Neste relatório recolhia-se, entre outras propostas recomendadas, uma exposição educativa permanente na basílica subterrânea do Vale dos Caídos onde se explique que foi construída por prisioneiros.[11]

Essa proposta foi recusada por alguns partidos políticos espanhóis, bem como pela Igreja Católica, porque afirmam que o monumento é antes de mais nada um templo, não um museu, que acolhe os restos de mortos de ambos bandos da guerra,[12] e indicam que esta proposta só tem fins políticos.[cita requerida]

O 16 de outubro de 2007, a Comissão Constitucional do Congresso aprovou o projecto de Lei de cor Histórica, na que consta um artigo referente ao Vale dos Caídos. Este artigo, aprovado com o apoio de todos os partidos políticos, é uma nova regulação para despolitizar o Vale, o convertendo exclusivamente em lugar de culto religioso.[13] Assim a fundação gestora do Vale dos Caídos terá entre seus objectivos a honra da memória de todos os caídos na Guerra Civil e na posterior repressão política. Ademais em nenhum lugar do recinto poderão levar-se a cabo actos de natureza política nem exaltadores da Guerra Civil, de seus protagonistas ou do franquismo.[14] [15]

Bibliografía

Documental

O filme-documental sobre a transição espanhola Após... (Não se vos pode deixar sozinhos, primeira parte,[16] e Atado e bem atado, segunda parte[17] ), apresenta extenso metraje rodado no monumento durante o enterro de Franco (1975) e durante a celebração do 20-N de 1980, ao que assistiu Carmen Pólo, sua viúva.

Referências

  1. Diário da Serra (10 de fevereiro de 2010). «Uma decisão polémica: Ordenam o fechamento do Vale dos Caídos por tempo indefinido». Consultado o 26 de abril de 2010.
  2. Diário O Mundo (23 de abril de 2010). «O desmontaje de 'A Piedade' do Vale dos Caídos, a 'mazazo limpo'». Consultado o 26 de abril de 2010.
  3. «Fotos da restauração».
  4. «Fotos da restauração».
  5. «Fotos da restauração».
  6. «SISTEMA PENITENCIÁRIO DURANTE O PRIMEIRO FRANQUISMO: Os DESTACAMENTOS PENAIS Alicia Quintero Maqua».
  7. Decreto de 1 de abril de 1940, dispondo alcem-se Basílica, Monasterio e Quartel de Juventudes, na finca situada nas vertentes da Serra de Guadarrama (O Escorial), conhecida por Cuelgamuros, para perpetuar a memória dos caídos de nossa gloriosa Cruzada
  8. Paul Preston, Franco caudillo de Espanha Ed. RBA Coleccionables, S.A., Barcelona, 2005. ISBN 84-473-3637-9
  9. Lafuente, Isaías (2002). Escravos pela pátria, Madri: Temas de hoje. ISBN 84-8460-183-8.
  10. Relatório Brincat sobre a ditadura franquista e a proposta do uso educativo do monumento, em inglês (disponível também em francês)
  11. O Conselho da Europa condena oficialmente ao regime de Franco por "violações dos direitos humanos"
  12. O VALE, SÍMBOLO DE RECONCILIAÇÃO: «É o lugar símbolo com que se quis sellar aquela hora de Espanha e foi uma cruz e um altar, ...o que tem unido o sangue de Deus não a separe o homem, ...não se constrói uma sociedade amputando previamente suas raízes ou procedendo a investir seus fundamentos históricos». [1]
  13. Artigo 16 do relatório da conferência da lei na Comissão Constitucional:
    Artigo 16. Vale dos Caídos.

    1. O Vale dos Caídos reger-se-á estritamente pelas normas aplicáveis com carácter geral aos lugares de culto e aos cemitérios públicos.
    2. Em nenhum lugar do recinto poderão levar-se a cabo actos natureza política nem exaltadores da Guerra Civil, de seus protagonistas, ou do franquismo.
    3. A Fundação gestora do Vale dos Caídos incluirá entre seus objectivos honrar a memória de todas as pessoas falecidas em consequência da Guerra Civil de 1936-1939 e da repressão política que a seguiu com objecto de aprofundar o conhecimento desse período histórico e na exaltación da paz e dos valores democráticos.
  14. A Lei de cor Histórica passa ao Pleno respaldada por PSOE, PNV, CiU, IU e CC, notícia do diário O Mundo, 17 de outubro de 2007
  15. O PP aceita "despolitizar" o Vale dos Caídos, que honrará às vítimas da Guerra Civil, notícia do diário O País, 17 de outubro de 2007
  16. Não se vos pode deixar sozinhos
  17. Atado e bem atado

Veja-se também

Enlaces externos

Wikinoticias

Vídeos

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