Vincente Minnelli (Chicago, 28 de fevereiro de 1903 – Beverly Hills, Califórnia, 25 de julho de 1986 ), director de cinema considerado como o pai dos musicais modernos.
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Lester Anthony Minnelli nasceu em Chicago (Illinois) e foi o último filho sobrevivente do casal de Mina Mary LaLouette Lhe Beau e Vincent Charles Minnelli. Sua mãe era uma canadiana francófona enquanto seu avô (Vincent Minnelli), era imigrante siciliano, o que responde a seu apellido italiano. Mas o que mais destaca de seus primeiros anos é que viveu e cresceu em uma família de teatro. De facto, seu pai era o director do Minnelli Brothers' Tent Theater, que cruzava todo o Médio oeste dos Estados Unidos. Foi bem como o pequeno Lester viajava entre Delaware e Chicago. De qualquer jeito, não deixou os estudos e isso lhe permitiu entrar na universidade.
Uma vez graduado, Minelli trabalha em uma sastrería de uma viúva em Marshall Fields. Mas cedo deixa esse trabalho para procurar uma oportunidade no mundo da farándula. Aí começa uma inumerável listagem de trabalhos relacionados com o mundo do teatro no Leste (assistente de fotografia, ayudante de produção, etc.) até chegar a ser director de palcos na Rádio City Music Hall de Nova York e, inclusive, dirigiu eventualmente alguns musicais em Broadway em 1935 .
Em 1937, dá o salto ao cinema. Faz seus primeiros trabalhos para a Paramount mas não seria até conhecer ao produtor do Metro-Goldwyn-Mayer Arthur Freed quando já se instala definitivamente em Hollywood .
Naquele momento, o panorama do musical (a excepção dos filmes do maravilhoso casal formado por Fred Astaire e Ginger Rogers) era realmente desalentador. Mas Minelli não perdeu a esperança e começou a estudar o funcionamento da indústria, colaborando em unidades de direcção de Freed dos filmes Harmonias de juventude (Strike Up the Band, 1940) e Babes on Broadway (1941), com Mickey Rooney ou Judy Garland (sua futura esposa de 1945 a 1951). O debut como director chegaria com o musical Cabin in the Sky (1943), um filme modesto e que passou descretamente por crítica e público mas que marcou o rumo de seu filmografía como director.
Após seu debut e com o respaldo de Freed, Minnelli luta com a MGM e com a própria Judy Garland (por aquele então rutilante estrela após o sucesso do mago de Oz) para poder realizar com ela Cita em San Luis (Meet me in Saint Louis). Ao final, chegou-a a dirigir em 1944 e converteu-se em um absoluto sucesso. E é que o resultado foi um magnífico filme em Technicolor e costumbrista (Minnelli era um amante do cinema em cor e dos filmes de época) onde se retrata a vida da família Smith e de suas duas românticas filhas. Ademais, Cita em San Luis deixava uma de suas primeiras canções que passarão à posteridad: The Trolley Song.
O rutilante sucesso de Cita em San Luis e seu casamento com Garland, converte a Minnelli em um dos melhores valores de Arthur Freed, que se viu refrendado com a grande aceitação de público que teve The clock em 1945, uma comédia romântica não musical e que confirma a Minnelli como um dos directores mais versáteis de Hollywood nos 40. Pouco depois, voltaria a triunfar com o remake de Ziegfeld Follies (1946), comprovando que Minelli é um dos cineastas mais imaginativos e frescos do Hollywood dos 40.
De qualquer jeito, seus seguintes dois projectos não correram a mesma sorte. Foram os musicais Yolanda e o ladrão (Yolanda and the Thief, 1945) e O pirata (The Pirate, 1948). não ligaram com o público. Em especial, surpreende esta segunda. O pirata deu a conhecer a Gene Kelly (com Judy Garland de acompanhante) e a canção Bê a clown cantada por ambos protagonistas. Mas não foi do agrado nem da crítica nem do público por considerar um excesso do director.
No final dos 40, a relação sentimental entre Garland e Minelli começava a não ser a ideal, e é apesar do nascimento de Liza. Isto unido aos falhanços em bilheteira de seus dois projectos anteriores, fizeram que o director se afastasse por um tempo dos projectos musicais.
Os falhanços provocaram que a MGM controlasse um pouco mais seus próximos trabalhos. Foi bem como criou a nova versão de Madame Bovary (filme) (1949), um drama romântico. De qualquer jeito, cedo encontrou um de seus melhores filões: o da comédia. Foi em 1950 quando rodaria O pai da noiva (Father of the Bride) protagonizado por Spencer Tracy e Elizabeth Taylor com pai e filha respectivamente. A fita converte-se em uma deliciosa filme onde se conta os traumas de um pai ante o iminente casamento de seu filho. O filme converte-se em um sucesso tão espectacular em todo mundo que Minnelli se vê obrigado a realizar a secuela em um ano mais tarde, O pai é avô (Father's Little Dividend).
Com o crédito recuperado, Minnelli não tem esquecido sua autêntica tendência: os musicais. Novamente com a ajuda de Arthur Freed, embarca-se em 1951 no ambicioso Um americano em Paris (An American inParis ) com Gene Kelly e, por aquele então, uma desconhecida bailarina chamada Leslie Caron como protagonistas, e com George Gershwin como compositor. Um americano em Paris supõe a primeira pedra da concepção moderna do cinema musical (busca do espaço mais que do decorado e selecção pictórica e quase obsesiva das cores para identificar às personagens). A cena final de 16 minutos (de carácter onírico) onde Kelly e Caron dançam ao igual que o faz a câmara é o exemplo somo da concepção de Minnelli e também de Kelly, quem levaria essa ideia a sua outro grande sucesso Cantando baixo a chuva (Singing in the rain). Tudo isto mais seu sucesso em bilheteira lhe valeu ao filme o Óscar ao melhor filme em 1952.
Após este projecto, Minelli começa a alternar os musicais com fitas de outro estilo. De facto, o seguinte é Cativos do mau (The Bad and the Beautiful, 1952) protagonizado por Kirk Douglas, Lana Turner e Glória Grahame. Um filme que supõe dois elementos inovadores na filmografía do director. A primeira é que está filmada em alvo e negro, renunciando a um de seus principais pilares de sua ideia como artista: a cor. E o segundo, Minnelli é um dos primeiros directores que realiza um projecto onde mostra as misérias da própria indústria cinematográfica.
Em um ano depois, volta Minnelli a um projecto musical Melodias de Broadway 1955 (The Band Wagon, 1953). Uma satisfação dupla para o director e Freed: primeiro porque foi um dos sucessos de bilheteira mais importantes da carreira de Minnelli e segundo porque por fim e após tantos anos, o realizador pôde trabalhar com Fred Astaire e Cyd Charisse. Esta combinação faz de Melodias de Broadway 1955, um das jóias na história do género musical.
Na segunda metade da década dos 50, segue a fórmula do artista de alternar filmes musicais com comédias ou dramas. Todo isso em uma imparable produção do director que lançava uma ou dois filmes por ano. Assim chegaria The Long, Long Trailer (1954), Brigadoon (1954), que era uma adaptação de um musical de Broadway com Gene Kelly e Cyd Charisse, Um estranho no paraíso (Kismet, 1955) e Chá e simpatia (Tea and Sympathy), uma comédia romântica com Deborah Kerr.
Em 1956 , chega outra dos filmes mais recordados do director, O louco do cabelo vermelho (Lust for Life). O filme mostra a maturidade do director em outros formatos que não são os estritamente musicais. O filme representa um drama vital sobre a vida de Vicent Vão Gogh (Kirk Douglas) e onde se Minnelli funde seu próprio conceito pictórico dos filmes com as do próprio pintor holandês, obtendo disso uma magnífica e majestuosa obra pictórica em movimento . Neste filme aparece também Anthony Quinn interpretando a Paul Gauguin quem, a modo de episódio, a dia de hoje segue sendo o actor que tem ganhado um Óscar aparecendo menos no filme da que está nominado. Quinn tão só aparece em 9 minutos dos 122 que dura o filme. Aparte de Quinn, O louco do cabelo vermelho esteve nominado a três Óscar mais (melhor actor, melhor direcção e melhor guião adaptado), obtendo só o de Quinn. Minnelli não estava nominado. O Óscar ao melhor director seguia-se resistindo.
Após a biografia de Vão Gogh, Minnelli voltou a sua frenético trabalho com Minha desconfiada esposa (Designing Woman, 1957) e Mamãe complica-nos a vida (The Reluctant Debutante, 1958), obras menores do director mas de grande aceitação do público.
Mas onde abrir-se-lhe-iam as portas da Academia seria com sua seguinte produção Gigi (1958). O filme narra a vida de um conquistador mujeriego e suas relações com uma bela colegiala em um Paris idílico de primeiros de século e supõe um extraordinário retrato cheio de colorido e vida. Mas o mais importante deste filme, foi o reconhecimento unânime de seus colegas nominando o filme a nove Óscar e conseguindo as nove, entre elas as de Melhor director, Melhor filme e Melhor canção (a deliciosa canção interpretada por Maurice Chevalier Thank Heaven for Little Girls). Minelli entrava já no selecto clube dos directores oscarizados.
O Óscar catapultó a qualidade dos seguintes projectos de Minelli, pelo menos em curto prazo. Seus seguintes filmes foram destacables Como uma torrente (Some Came Running, 1959) e Com ele chegou o escândalo (Home From the Hill, 1960).
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O novo reencuentro com seu ex-esposa Judy Garland no musical Soa o telefone (Bells Are Ringing, 1960) foi um rotundo falhanço. O que não podia intuir Minelli é que o gosto do público pelas obras musicais começava a mudar (West Side Story é um claro exemplo).
Isso precipitou o declive de Minnelli. Os seguintes filmes do director foram Os quatro ginetes do apocalipsis (The Four Horsemen of the Apocalypse, 1962) e Duas semanas em outra cidade (Two Weeks in Another Town, 1962). Este último filme descreve o declive de Hollywood e, curiosamente, padece um paralelismo com a do próprio realizador.
Durante os anos 60, Minnelli divagó em comédias comercialmente satisfatórias mas de pouco interesse artístico. O final de sua carreira acabou com dois musicais : Volta a meu lado (On a Clear Day You Can See Forever, 1970) com Barbra Streisand, e uma conmomedora Nina (A Matter of Time, 1976) interpretada por sua filha Liza Minnelli e que seria seu filme póstuma. Em 1974, publicou suas memórias baixo o título I Remember It Well.
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